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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Turismo ao passado gera superlotação em locais históricos

Não se engane com o título deste livro: "Os Correios do Tempo" (1969), de Robert Silverberg. Não se trata de "carteiros intertemporais", como eu estava imaginando. Na verdade, seriam "guias turísticos intertemporais". E só ao passado, e no mesmo local geográfico, pois são essas as limitações da tecnologia disponível.

Não entendo o motivo do título, a não ser que tenha a ver com a versão lusitana do português... O título original é "Up the Line", já que os personagens no livro referem-se à viagem no tempo como atravessar ou seguir "a linha".

Boa parte do início e meio do livro é meio chato, sem parecer que a história vai para algum lugar definido. A gente chega ao primeiro capítulo esperando por viagem, aventura, e nada disso. A gente vai entrar nisso aos poucos só depois. O problema da história é que o protagonista não parece ter uma motivação bem definida.

O que me manteve lendo foi saber da sinopse, na contracapa do livro. Havia a promessa de que o homem do futuro se apaixonaria por uma mulher do passado. Mas isso demora bastante para acontecer.




PROGRESSÃO

De todo modo, acompanhamos como, meio por acaso, com indicação de um amigo, esse graduado em história acaba ingressando na carreira do "Serviço do Tempo". E vai então descobrindo suas regras, a "Patrulha do Tempo", que coíbe violações - como fazer algo no passado que mude épocas posteriores, até o presente. Acompanhamos também os estágios que Jud faz em excursões, principalmente na área de Constantinopla (ou Bizâncio, ou Istambul, na Turquia, área de preferência dele).

De fato é interessante fazer esse "passeio" literário por um mundo e sistema de turismo com viagens ao passado. Pontos especialmente interessantes são os paradoxos, violações por baixo dos panos e a cultura bastante liberal em termos de sexo da galera.

Acontece que, como se parte de vários tempos no futuro (dias, meses ou anos) para o mesmo tempo no passado - como a crucificação de Jesus Cristo -, um mesmo guia veterano pode ser encontrado 22 vezes na região, acompanhando diferentes grupos em excursão. É o caso de Metaxas, o mais experiente da turma.

Além disso, esse veterano resolveu estabelecer para si uma luxuosa residência permanente por volta do século 12, além de ter a meta de dormir com o maior número possível de suas antepassadas - tudo isso totalmente proibido.

Aliás, o que não falta é sexo no livro. A cultura da época demonstra ser bastante liberal, com encontros casuais à vontade - apesar da proibição de se fazer isso com pessoas do passado.

A história pega fogo mesmo quando o protagonista Jud é cada vez mais influenciado pelo seu coleguinha veterano...

Pois bem, apesar do início devagar, torna-se mesmo bem divertido fazer o passeio por esse mundo onde as viagens no tempo são uma atividade comercial - ainda que restrita aos turistas mais ricos e aos funcionários do "Serviço do Tempo".

Outro mérito bem legal do livro é que nos coloca em contato profundo com figuras históricas do passado, anônimas ou célebres; ou simplesmente "cópias" que produzimos ao viajar no tempo. Todas com suas motivações, consciências, etc., apesar da bagunça causada pelas viagens no tempo.

(Livro lido por indicação do Desafio Literário 2012!)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Livrão de mil páginas "Xógum" mostra absurdo Japão de 1600

Pra começar, uma breve sinopse: o livro "Xógum: A Gloriosa Saga do Japão" trata das aventuras de um piloto britânico que comandava uma esquadra holandesa destroçada que vai parar no Japão. Um Japão lotado de jesuítas portugueses (inimigos dos ingleses e holandeses) catequizando um monte de japoneses, inclusive senhores feudais, conhecidos como daimios.

Esse piloto britânico e sua tripulação passam por situações horríveis, mas ele acaba por ficar muito próximo de autoridades japonesas cada vez mais elevadas, devido aos seus conhecimentos estratégicos sobre o mundo lá fora.

Paralelamente, rola um clima entre o gaijin (estrangeiro, ou "bárbaro") e a sua intérprete e tradutora, esposa de um importante líder samurai. Tudo isso é baseado em personagens históricos, com nomes trocados.



Meu Deus do Céu, quanta coisa eu aprendi sobre fatos históricos ao ler esse livro. Eu nunca imaginei que coisinhas que considerava chatas na época de escola, como Tratado de Tordesilhas, jesuítas, União Ibérica, conflitos europeus por rotas comerciais ao Oriente, e a época em si em que a Espanha era considerada a potência do mundo ocidental... Eu não imaginava que tudo isso poderia ser tão épico, emocionante, divertido, fascinante!

Além de me abrir a mente para entender e curtir da forma mais viva como nunca essas questões clássicas de História que a gente estuda no colégio (ou deveria ter estudado), enfim pude compreender a diferença gritante que existe entre a cultura contemporânea ocidental que consideramos "normal" e a cultura e a situação japonesa de 1600. Além da diferença entre o Japão dessa época e o atual - já tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, por cerca de um ano em que morei lá, em parte de 2005 e 2008.

Desfile de "absurdos" culturais

Vamos especificar então exemplos das questões culturais aprendidas:

1) Nudez e sexo: O Japão não tinha o legado da Igreja Católica que colocava o corpo humano como "impuro". Também sem aquela história da maçã de Adão e Eva. Se as pessoas iam nadar, não havia nenhum problema em todo mundo, homens e mulheres, tirarem a roupa e caírem na água. Além disso, me surpreendeu como as mulheres e jovens meninos (adolescentes) eram facilmente oferecidos para satisfazer necessidades por sexo de certos homens, até mesmo dos estrangeiros.

2) Seppuku e honra: O que mais me marcou mesmo foi a falta de valor à vida em si. A honra era muito mais importante. O tempo inteiro eu via gente se matando, ou pedindo permissão ao superior para se matar para preservar a própria honra e a da família, quando houvesse cometido alguma falta. Creio que isso tem a ver com a religião budista, segundo a qual o humano renasceria em muitas vidas. Mas lógico que não é só por ela, mas pela dura tradição que se estabeleceu.

3) Mulher e obediência: A mulher japonesa tinha como maior virtude a obediência. Ao marido e aos outros homens. Se o marido quisesse espancá-la pelo motivo que bem entendesse, era direito dele.

4) Católicos e portugueses: Já mencionei acima como havia numerosos jesuítas católicos espalhando o catolicismo no Japão de 1600, assim como havia no Brasil. Eu me espantei como havia tantos! Eles inclusive tinha proteção do Estado. Aliás, a língua usada para a comunicação entre o piloto britânico e os japoneses era o português!

5) Hierarquia e castas: Incrível ver como a autoridade e hierarquia entre classes sociais (ou poderia chamar até de "castas") era importante. A narrativa do livro foi inclusive aos poucos subindo cada vez mais o nível de autoridade com que o estrangeiro lidava, permitindo-nos perceber bem isso. E podemos ver como os camponeses se ajoelhavam para os samurais, que se ajoelhavam ao senhor feudal, que se ajoelhava aos seus superiores em escalas crescentes. Por qualquer razão os de nível inferior eram ameaçados de morte ou realmente eram assassinados pelos superiores.

6) Animais para comer: Os japoneses ficavam horrorizados com o hábito "nojento" do estrangeiro de comer "carne". Apesar de que eles também comiam carne: carne de peixe, que também é um animal que sente dor e tem diversas outras capacidades mentais e emocionais. E com base nisso (entre outras justificativas, que você encontra aqui) eu hoje acho errado o consumo humano de qualquer produto de origem animal e sonho que essa prática termine um dia.

Cultura x Direitos

Pois é, ainda que bem reduzidos, todos esses traços culturais persistem de alguma maneira no Japão contemporâneo. Posso compreender melhor agora o legado cultural dessa nação tão impressionante. Nos sentidos positivo e negativo.

Além disso, por mais que eu com certeza vá prosseguir na defesa de certos valores, como direitos humanos, das mulheres e dos animais, o livro tem sido uma grande lição para ter mais paciência com quem tenha pensamentos tão diferentes dos meus.

É o que a intérprete japonesa católica do piloto britânico no Japão de 1600 pedia a ele a todo instante, ao perceber como ele se indignava com tanta coisa que presenciava (e olha que ele era da Europa de 1600!): "Por favor, tenha paciência conosco. Verá que tudo isso faz sentido."

(A propósito, ainda estou na metade do livro, mesmo tendo me dedicado o mês inteiro de abril para essa leitura, o quanto possível. Mas estou confiante de que ainda vou terminar essa leitura, mesmo que aos poucos, durante os próximos meses, porque a história é muito cativante! Meus parabéns ao autor James Clavell e ao tradutor Jaime Bernardes!)

Tia Simone e Desafio Literário

Cumpre ainda creditar quem me concedeu essa experiência incrível. Anos atrás, ganhei o livro da minha tia Simone. Eu gosto muito de cultura oriental, ainda mais japonesa, mas não pensava que conseguiria ler um livrão desse tamanho. Afinal, nem mesmo livros menores eu tenho terminado de ler com boa frequência nos últimos anos...

Mas, animado pelo Desafio Literário 2012, organizado pela Viviane Lima, e pelo meu renovado anseio em apreciar e criar literatura (e para isso também aprender mais sobre ela), resolvi mandar ver nessa lista telefônica. :) O tema das resenhas do mês de maio do Desafio é "Fatos Históricos", e "Xógum" se encaixa perfeitamente nisso. E como nos embala nessa História!

sábado, 7 de abril de 2012

Histórias infantis nonsense para crianças japonesas



No clima do Desafio Literário de abril, sobre escritores orientais, aproveito para publicar uma lembrança minha sobre um livrinho com uma coletânea de historinhas que eu já tinha lido, creio que ano passado.

Trata-se de "As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas", de Florence Sakade e Yoshio Hayashi", publicado no Brasil pela Editora JBC, em edição bilíngue, japonês e português em cada página (isso é divertido; apesar de eu não entender tanto japonês ainda, algumas coisinhas eu conseguia entender, comparando com a versão em português, e percebia então como foi a tradução).

Foi a Gabi Bibs, com sua resenha, que me fez lembrar destas histórias. Mas minha opinião sobre os textos não é tão positiva quanto a dela, como poderão ver...

=

Eu só li o volume 2 (tem dois volumes), que eu tinha achado na livraria infanto-juvenil Nove Sete.

Mas eu gostei muito mais das ilustrações, que achei lindíssimas e uma inspiração (acho que em aquarela, né? Foi o que o professor meu de ilustração infantil Al Stefano tinha achado, na época em que me deu um curso de uma semana (e ele também achou lindísimas). Gostei bem mais que das histórias em si.

Muitas delas não achei que trazem ensinamentos, final feliz não, como comentou a Bibs... Na verdade muitas achei inconclusivas e com final nonsense. A coisa termina meio assim, "e aí? como é que fica?"

Aliás, algumas até que trazem sim, como a primeira, do "pilão mágico". a ideia aqui é "não seja preguiçoso e não roube o que não é seu", digamos. Mas o final que ocorre com o "vilãozinho" é trágico e letal. Isso é coisa pra criança?

Já "os bolinhos de arroz rolantes", ok, eles mostram recompensa por generosidade e td bem.

O mais triste de tudo, no entanto, é a história de urashima taro, que tem uma paródia famosa até no brasil (o começo pelo menos, lembro do meu pai cantando a musiquinha: "Urashima Taa-aro. Um pobre pescador... Salvou uma tartaruga, e ela como prêmio... ao Brasil... o levou.").

Ela termina com final infeliz, bem infeliz para o protagonista, e não consegui entender que lição de moral podemos tirar daí. o cara foi generoso, se divertiu um pouco no meio, mas depois acaba assim?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Livro “Kyoto”, do Nobel Kawabata, é doce sutil no Japão em modernização


[Templo Heyan, em Kyoto, no primeiro dia de 2005, quando estive na cidade]

“Será difícil tecê-lo, mas tentarei de todo coração. O desenho deve ser fruto do afeto de sua filha para com o pai e o carinho do pai para com ela.”

A última frase acima, do terceiro capítulo do livro “Kyoto”, me tocou profundamente. Trata da relação entre a jovem protagonista e o pai, que tenta criar estampas para faixas de quimonos. É nesse tom emotivo e delicado que o livro segue, e acho que é um bom exemplo para situar o leitor desta resenha. Por isso optei por abrir este texto com ela.

Pois bem, foi graças ao Desafio Literário 2012 (em abril dedicado a escritores orientais), que enfim tive coragem para ler até o fim esse livro, do japonês prêmio Nobel Yasunari Kawabata (1899-1972). É uma obra que eu tinha ganhado de um amigo da faculdade de Jornalismo faz alguns anos, achei aparentemente agradável, mas muito parado, ao ler o início. Não havia tido estímulo para sair do começo (como infelizmente tenho feito frequentemente, aliás).

Mas agora li o livro com método: em cerca de dez dias, aproximadamente um capítulo por noite – há nove capítulos. Ocorre que a história não tem lá aquela aventura acontecendo, aqueles conflitos e tensão alucinantes. Tudo é bem suave, sutil.

Se fosse pensar em algum conflito (ou no máximo talvez se pudesse dizer “curiosidade”, “pulga atrás da orelha”), seria o vago interesse da protagonista, Chieko, em saber sobre sua origem, já que é filha adotada – e ouviu uma estranha história dos pais que a criaram sobre ter sido “sequestrada” por eles quando bebê, mas eles às vezes mudam a versão sobre onde foi isso, ou se teria sido abandonada em frente da casa atual.



[Kinkakuji, "Templo do Pavilhão Dourado", em Kyoto]

2) Japão de quimono e motorizado

É muito interessante como o livro fotografa um momento de transição do Japão entre o que costumamos identificar como “antigo, medieval” e “contemporâneo, moderno”: e na metade do século 20! O pai de Chieko é comerciante de quimonos; ele (e ela também, mesmo com seus 20 anos), praticamente só usa quimono; praticamente toda diversão retratada no livro gira em torno de visitar templos, observar cerejeiras e participar de festivais tradicionais. Ou seja, dá pra pensar que a história poderia ser ambientada num Japão bem mais antigo.

Mas aos poucos começamos a notar traços tecnológicos: ônibus, táxi, telefone, o que já dão uma dimensão melhor de época. Há também referências históricas recentes, como ao templo Kinkakuji (Templo do Pavilhão Dourado), que teria acabado de ser reconstruído, em 1955, após ser destruído por incêndio em 1950.

Para mim foi muito inusitado imaginar essa situação: gente de quimono andando de carro ou ônibus e falando ao telefone. Já estive no Japão duas vezes, por quase um ano ao todo, e sei que ninguém se veste mais assim, a não ser em situações bem específicas, como o condutor de uma cerimônia do chá (participei de uma com amiga japonesa); ou mulheres em um festival específico (tive a sorte de avistar umas quando estive em Tóquio, creio que estavam assim por esse motivo mesmo).



[Templo de Shitegamoji, em Kyoto, onde participei de cerimônia do ano novo]

3) Minhas lembranças pessoais de Kyoto

Além disso, pessoalmente foi emocionante e deu uma nostalgia ler uma história ambientada em Kyoto, província e cidade que foi capital (imperial) do Japão por mais de mil anos. É que estive lá por uns dois ou três dias, incluindo exatamente a virada do ano entre 2004 e 2005. Foi emocionante passar meu Réveillon nessa cidade que é tida como a mais tradicional do país – mesmo que tenha sido sozinho e economizando ao máximo; tanto que na noite da virada, dormi em um assento de um café que ficava aberto de madrugada; e almoçava com marmitas em Tupperware que levei.

Se há uma coisa que o livro esbanja, são citações históricas e de locais reais e específicos de Kyoto. Assim, há o já citado, famoso e lindíssimo Kinkakuji, que eu visitei; além dos incríveis templos Shitegamoji e Heyan (e nomes similares são exemplos do roteiro dos personagens do livro, mas, por confusão de grafia e tradução, não tenho certeza se foram exatamente os mesmos).

Um personagem estudante universitário amigo da protagonista me lembrou de uma das raras pessoas com quem pude conversar em inglês em Kyoto, me dando dicas no ônibus sobre o bairro de Gion - é onde as gueixas costumam ficar, confirmava ele.

Por falar nesse bairro, a narrativa também o cita frequentemente – não pude visitá-lo na ocasião pela correria, mas que fique como justificativa para voltar a Kyoto um dia!



[Folhas nevadas no jardim do Kinkakuji, no inverno de 2004-2005]

4) Glossário chato e sintonia emocional

O que é chato é o livro ficar remetendo tanto ao glossário que há no fim (explicando sobre personagens históricos, templos, correntes artísticas, pontos geográficos, etc.). Se ao menos remetesse a notas de rodapé na mesma página, a leitura seria bem mais fluente, apesar da contínua “aula de história”.

Apesar disso, se você conseguir sintonizar-se com o ritmo suave e lento da narrativa e embarcar nela como eu fiz, poderá degustar uma bela e doce obra.

Aliás, o último capítulo, quando cada vez mais a protagonista se envolve com a irmã perdida, é de dar vontade de chorar de emoção, de alegria, de carinho.

No entanto, não espere um final “de verdade”. É daquelas histórias que terminam sem solucionar as dúvidas que estavam no ar. Fica mesmo pro leitor imaginar.



[Parque imperial de Kyoto; todas as fotos neste post eu tirei na virada 2004-2005, quando estive na cidade, durante uma semana de férias de meu trabalho como peão de fábrica no Japão.]

(A propósito, essa coisa de “falta de conflito” e “final aberto” também é o que parece ter ocorrido com o meu último conto... Se quiser, dê uma espiada. É infanto-juvenil e chama-se “O mais longe possível”. Acho que no fim eu também tenho um gosto de fazer a coisa mais suave. Apesar de que deve ser bom eu experimentar também outros voos mais ousados na minha escrita da próxima vez...)

terça-feira, 20 de março de 2012

Desafio Literário: Lista de livros para 2012

Olá, prezados.

Volto a utilizar este blog hoje para anunciar mais uma tentativa de participar do Desafio Literário, neste caso em sua edição 2012. Participei da edição de 2010, quando escrevi e publiquei, neste mesmo blog, 7 resenhas sobre os livros que eu tinha lido naquele ano (ou seja, cumpri em boa parte o desafio, mas não totalmente).

Eu tinha até me autoproposto e pensado em organizar um Desafio Literário de Países Exóticos, mas acabei desistindo.

Pois bem, como motivação para me fazer apreciar e aprender mais literatura, vamos lá então a uma tentativa de lista para este ano.

Incluo mais de um livro por mês como possibilidade, praticamente todos sugeridos no site do desafio; incluo também livros referentes a janeiro e fevereiro, para quem sabe "recuperar" depois; além de livros já lidos antes, que não valem para o objetivo do desafio, mas dos quais talvez eu possa fazer "resenhas extras rememorativas").

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[Nota de blogueiro:

Faz cerca de um ano e meio que escrevi o último post neste blog, em outubro de 2010, pelo que vejo... Em compensação, eu segui publicando no blog literário Impulsos Expulsos, com meu amigo Fernando J. Vieira. Foram 17 textos literários meus, entre contos, crônicas e poemas, entre setembro de 2010 até abril de 2011.

Fora isso, tornei-me relativamente ativo nas redes sociais Facebook e deviantArt, esta última, focada em arte!).]

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A Lista 2012

Janeiro - Literatura Gastronômica

- A Fantástica Fábrica de Chocolates, de Roald Dahl

Fevereiro - Nome Próprio (de pessoas)

- Frankenstein, de Mary Shelley
- Drácula, de Bram Stoker
- Fausto, de Goethe
- Pollyanna. de Eleanor H. Porter [já lido]
- Iracema, de José de Alencar [já lido]

Março - Serial Killer

- O Nome da Rosa, de Umberto Eco [só filme assistido]
- O Caso dos Dez Negrinhos/E Não Sobrou Nenhum..., de Agatha Christie
- O Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris
- Dexter - A mão esquerda de Deus, de Jeff Lindsay
- Zodíaco, de Robert Graysmith

Abril - Escritor(a) oriental

- Kyoto (Yasunari Kawabata) [Nobel de Literatura] [livro em mãos]
- As Boas Mulheres da China, de Xinran

Maio - Fatos Históricos

- Xógum - A Gloriosa Saga do Japão [Shōgun {将軍} - A Novel of Japan], de James Clavell - guerra pelo xogunato, nos anos 1600 [em mãos]
- O menino do pijama listrado, de John Boyne – Holocausto [quase em mãos]
- O Diário de Anne Frank, de Anne Frank - Holocausto
- Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway – Guerra Civil Espanhola

Junho - Viagem no Tempo

- A Máquina do Tempo, de H. G. Wells [ouvida versão em audionovela; original em mãos, mas só em texto digital]
- Os Correios do Tempo, de Robert Silverberg
- O fim da eternidade, de Isaac Asimov
- Contato, de Carl Sagan
- O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

Julho - Prêmio Jabuti

- Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado – Romance 1959
- O Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo - Romance 1966
- A Hora da Estrela, de Clarice Lispector – Romance 1978 [já lido]
- O Filho Eterno, de Cristovão Tezza – Romance 2008
- Cordilheira, de Daniel Galera – Romance 2009

Agosto - Terror

- Contos do Terror, de Edgar Allan Poe
- A Casa das Bruxas, de H. P. Lovecraft
- Celular, de Stephen King

Setembro - Mitologia universal

- As Brumas De Avalon - Livro 1 - A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley [já lido, não lembro se todos os quatro volumes]
- Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare [lida versão infanto-juvenil]
- A Divina Comédia, de Dante Alighieri
- Os Trabalhos de Hércules, de Agatha Christie
- Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato

Outubro - Graphic Novel

- Persépolis, de Marjane Satrapi [estou pra ler faz tempo!]
- Gen Pés Descalços - uma história de Hiroshima, de Keiji Nakazawa [já lidos os quatro volumes]
- V de Vingança, de Alan Moore, David Lloyd [já lido]
- Watchmen, de Alan Moore [já lida série completa em quatro volumes]
- Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman [já lido]

Novembro - Escritor(a) africano

- A Vida dos Animais, de J. M. Coetzee – África do Sul [já lido]
- Cotoco, John van de Ruit – África do Sul
- O Vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa – Angola
- Geração da Utopia, de Pepetela - Angola

Dezembro – Poesia

- As coisas, de Arnaldo Antunes
- Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes, de João Cabral de Melo Neto [já lido]

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Desafio Literário de Países Exóticos 2011!

Oi!

Faz tempo que eu tinha planejado isso, e antes que chegue 2011, quero deixar aqui registrada minha proposta!

Proponho o Desafio Literário de Países Exóticos! O objetivo é ampliar nosso conhecimento de visões do mundo, parando de ler só norte-americanos e britânicos, como ocorre geralmente com os livros.

Então, quem quiser, que participe também! Bem, na verdade até já comecei a me esforçar nesse sentido, li um livro de um autor afegão, uma autora indiana, assisti a um filme sobre a Ruanda, etc... Mas agora gostaria de compartilhar isso com você!

E pra ficar uma coisa organizada, proponho as seguintes categorias para caada mês de 2011:

Lista de categorias literárias por países exóticos

(Prioridade nas regiões esquecidas do mundo)

1 (janeiro) –África (do centro ao sul)
2 (fevereiro) – Norte do Brasil
3 (março) – Oceania
4 (abril) - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (não vale Brasil nem Portugal)
5 (maio) – Seu país favorito ou "do coração" (uma colher de chá, eheh)
6 (junho) – Ásia (Oriente Médio, Subcontinente Indiano e ex-União Soviética)
7 (julho) – Nordeste do Brasil
8 (agosto) – Europa Oriental e Países Nórdicos
9 (setembro) – América do Norte e Central (menos EUA)
10 (outubro) – Ásia (Extremo Oriente e Sudeste Asiático)
11 (novembro) – América do Sul (menos Brasil)
12 (dezembro) – África (do norte ao centro)

A ideia então é que, até dezembro de 2010, você publique em seu blog (ou me manda aqui nos comentários ou por e-mail (mpkjor arroba gmail.com) quais são os livros que você pretende ler durante 2011. E então, é mandar ver! Bem, e me avise!

Então, a cada mês, leia o livro, por exemplo, um africano em janeiro, e então comente o que achou do livro (uma resenha) em seu blog. Bem, e me avise a cada vez!

Aceito sugestões sobre como conduzir isto... Talvez criar um blog específico pra divulgar as resenhas da galera, por exemplo. Como é feito com o Desafio Literário by RG 2010. Ah, e espero não estar fazendo concorrência se a Vivi já tiver outra ideia para 2011... eheh

Desafio Literário 2010 by RG

Estou em 2010 participando da melhor forma possível do Desafio Literário 2010, da Vivi, blog Romance Gracinha. Foi esta a inspiração total, claro, eheh. Na verdade, o formato busca ser praticamente igual, apenas sugerindo outras categorias de livros.

Aqui você pode conferir a lista de livros que preparei em dezembro de 2009. De fato, estou conseguindo, mesmo com atrasos e repondo depois, ou não lendo integralmente cada livro, ou trocando um por outro da mesma categoria, estou conseguindo ter sucesso em cumprir uma resenha e leitura por mês!

E esta é a lista de categorias do Desafio Literário organizado pela Vivi.

Se estiver a fim, e não estiver ainda participando, que tal entrar nessa também?

Diversão e aventura com Tolkien, antes de "Senhor dos Anéis"!

Enfim, entendo por que há tantos fascinados pelos livros de J. R. R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien).

Como já assisti aos filmes da saga "O Senhor dos Anéis", resolvi ler "O Hobbit", que conta acontecimentos anteriores aos que passam nos 3 filmes já produzidos.



Pois é, e não tem jeito, acabo visualizando os personagens como os atores caracterizados do filme. Este é um "problema" e "vantagem" de ler um livro que foi adaptado ao cinema (bem, na verdade este ainda não foi, apesar de estar em preparação há uns anos, super-enrolado). Mas o seu universo foi, e isso é o que importa.

É muito emocionante, já estar familiarizado com grandes personagens como Gandalf, o mago aventureiro que nunca fica parado numa torre; e Gollum/Sméagol, criaturinha horrível e inquietante, mas fascinante; e o tio do Frodo, ver como ele acaba caindo em aventuras nada a ver com seu estilo de vida. É claro, além do aparecimento inicial de "O Anel".

Diversão e narrador presente

O mais legal é que o livro, a narração, é bem engraçada. As situações em que são colocados os personagens são um tanto absurdas às vezes, extremadas, com personagens em apuros tão ai-meu-Deus-do-céu, mas que acabam sendo naturais até, no contexto da obra. O início com o anfitrião recebendo trocentos convidados que não convidou, mas sem querer destratá-los, já mostra a que veio o livro! Uma situação absurda bem divertida!

E o narrador nos conta as histórias como se estivéssemos reunidos em torno de uma fogueira. Ou algo do tipo. FIgamos, ah, mas eu não contei como é um hobbit, contei? Ah, mas vocês também ficariam muito assustados com aquilo, se estivessem lá. Ah, eu não sei como ele foi parar lá, ou de onde ele veio...

Ou seja, há uma semelhança entre este narrador (que nunca se apresenta, apesar das esporádicas referências a "eu" e "você, leitor") e os dos contos-lendas de Clarice Lispector, sobre os quais resenhei no mês anterior. Gostei deste tipo de aproximação com o leitor. Dá um ar gostoso na narrativa.

Sem falar que há muitas exclamações, reticências, etc. É um livro bem vivo! Ok, às vezes é um saco ficar lá lendo umas descrições um pouco longas (que não chegam perto do livro 1 de "Senhor dos Anéis", pelo que me contam), e as várias canções (há várias durante o livro), parece desenho animado da Disney.

Sempre tem gente cantando, de anões, elfos a orcs! Juro que quando jogava RPG, eu nunca vi nenhuma criatura cantando, a não ser o bardo (menestrel, artista ambulante de fantasia medieval). Então, é bem curioso pra mim ver esse povo todo cantando e etc. Até os monstros orcs!

De todo modo, pra mim, que me habituei com esse mundo jogando RPG, é bem legal sentir a expressividade dessas histórias originais em que aparecem essas criaturas fantásticas! O fato é que não consigo parar de ler, no ônibus, metrô, em casa, em qualquer lugar!

(Curiosidade: Tolkien nasceu na África do Sul, mas partiu já com 3 aninhos pro Reino Unido... valeu o toque, chefinho!)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Belas lendas brasileiras por Clarice Lispector

Ouvi maravilhado o livro infantil "Como Nascem as Estrelas" (1987), em que a escritora brasileira Clarice Lispector narra 12 lendas brasileiras.

Cada um desses 12 contos foi narrado por uma atriz brasileira. Aborda de modo bem bonito histórias de índios, de saci, de curupira, de Pedro Malasartes, de Iara (sereia), de boto, de animais falantes.



Um traço marcante de um livro infantil bem escrito como esse é a constante conversa com o pequeno leitor. Parece uma vovó da roça contando histórias tradicionais.

Há vários toques de informalidade, bate-papo, exageros. Algo como "um bicho bem grandão, viu?", "e olha, não sei se você acredita, mas que é verdade, ah, isso é, sim!"



Um clima de mistério, de valorização da própria narrativa, mas sem ficar se achando.

É claro que as próprias atrizes que narraram as histórias ajudam bastante, de parabéns. Tem várias mais idosas, aparentemente, e umas também mais jovenzinhas. E tudo contado com bastante expressividade.

É do Brasil!

Note-se que o universo das narrativas, apesar de serem brasileiras, é bem diferente do meu, um cidadão urbano de São Paulo, capital.

Afinal, todas elas são ambientadas no interior, na roça, no sertão, na floresta. Então também é legal poder mergulhar nesse lado do país.



E além disso, conhecer ou relembrar todo o misticismo e faz-de-conta que existe no nosso próprio Brasil. Não precisamos ir para o norte da Europa pra curtir as lendas celtas, de fadas e magos. Ou vampiros, elfos, orcs, Tolkien.

É assim muito legal curtir todo esse imaginário de Iara que captura os meninos, de índios que se transformam em animais, da esperteza de um caipira Malazarte, de uma festa de animais competindo pra ver quem é o mais esperto, de um negrinho do pastoreio que apanhava tanto, mas que dava um jeito de voltar ao mundo em estado de graça...

TUdo isso com uma mente aberta pra saborear um jeito infantil de perceber o mundo. Ou ainda pra olhar o nosso Brasil com outros olhos, como fonte de mais imaginação e curtição.

Desafio Literário

Repare que o livro original da Lispector que eu havia escolhido em dezembro de 2009 pra resenhar era "A Paixão Segundo G. H.", indicado por uma seleção literária da revista "Bravo".



Mas, no fim das contas, esse audiolivro infantil acabou me cativando mais e minha resenha foi mesmo pra essa versão em áudio desses contos da nossa grande escritora de origem judia e ucraniana.

Este é mais uma resenha motivada pelo Desafio Literário 2010, organizado pela Vivi, do blog Romance Gracinha.

Devo muito a essa iniciativa, por me inspirar a retomar a leitura de livros de histórias, de literatura de verdade, incluindo dos mais diversos tipos, que eu não leria normalmente.



Assim, li e resenhei de modo a:
- Descobrir os românticos romances de banca;
- Entender como o BBB transformou o ditador assassino de "1984" em diversão;
- Saborear perversão de contos de fadas em "Lost Girls";
- Me decepcionar com o chato argentino e dissertativo Borges, mas me lembrar do divertido peruano Llosa;
- Curtir e me entender com a contemporânea e bem-sucedida "literatura de mulherzinha" ou "chick-lit", com um livro sobre um livro picante.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Contos de fadas pervertidos em HQ e outros erotismos


"Garotas Perdidas". É esse o nome que ficaria em português do nome original do "romance em quadrinhos", ou graphic novel "Lost Girls", do renomadíssimo quadrinhista britânico Alan Moore (roteiro) e sua esposa Melinda Gebbie (arte).

Trata-se de um grande festival de pornografia em quadrinhos com três protagonistas de contos de fadas que povoam nosso imaginário: Alice, de "Alice no País das Maravilhas"; Wendy, de "Peter Pan"; e Dorothy, de "O Mágico do Oz".

Devo dizer que conheci as duas primeiras personagens por adaptações infantis da Disney para desenho animado e quadrinhos; e a última, Dorothy, por peça de teatro infantil adaptada.

Ou seja, elas costumam estar sempre associadas a algo realmente infantil. Quebrar esta dimensão, ou seja, transpor as personagens para o universo especificamente adulto, por tratar de sexo e pornografia, é realmente fascinante. Dá outra perspectiva para as coisas.

De fato, é divertido ver a relação "diferenciada e bem próxima" entre Wendy e Peter Pan, especialmente, foi a que me pareceu mais interessante, mais cativante. A história de Alice ficou transposta para um mundo surreal cheio de erotismo. E a de Dorothy mostra sua também "diferenciada e bem próxima" relação com o homem de lata, espantalho e leão...

Comparando com "literatura de mulherzinha"

Vale a pena aqui fazer comparações com outras obras, para contextualizar melhor.

Publiquei há dois dias uma resenha sobre o livro voltado ao público feminino "Marsha Mellow e Eu". Lá eu escrevia que havia a possibilidade de chamar esse livro de "pervertido". Mas fica muito longe de "Lost Girls" nesse quesito.

Afinal, apenas no máximo são narradas situações em que a mocinha protagonista vivencia o sexo bem adoravelmente, ou o imagina, ou ainda o descreve --baseada nas experiências do "aventureiro" amigo gay-- no seu próprio livro "Anéis nos Dedos Dela".

Ela fica até encabulada quando são citados trechos pervertidos de seu livro (cuja autoria ela não assume), mas mostra-se bem cheia de desejo e empolgação quando tem oportunidade de viver a própria vida sexual (bem escassa, segundo ela mesma), com um ou outro homem que a atraia.

Ressalte-se que ela deixa claro ao parceiro que há limites, não aceita bizarrices como ménage à trois ou casa de swing. Ou seja, aparenta ser uma garota "normal".

Mundo bissexual

Já em "Lost Girls", a coisa é bem diferente. Além de mostrar com imagens trocentas cenas fortes (que eu não vou mostrar aqui, pra que este blog não fique impróprio pra menores) (e apelo visual no sexo é melhor para homens que para mulheres, aprendi), a liberalidade sexual é total. Vale tudo.

O que importa aqui é o prazer sexual, não importa se com homem, com mulher, com só uma ou com várias pessoas ao mesmo tempo. O interessante é que tudo isso parece absolutamente normal. Todos parecem se entregar sem problemas a esta festa coletiva onde todos são bissexuais.

(Ok, há alguns trechos em que se mostra o tradicionalismo e moralismo restringindo sequer a possibilidade de uma vida sexual "normal", entre marido e mulher. Mas é a exceção.)

Análise quadrinhística

Como obra em quadrinhos, não gostei.

A arte visual é finamente trabalhada por Melinda Gebbie. Como se fosse mesmo cada quadro uma pintura a ser exposta em museu. São lindas. Mas estáticas. Sem aquela boa sensação de ação, de dinâmica, de movimento.

Com enoorme frequência, os textos utilizados aparecem fora dos balões. E, aliás, na verdade bem frequentemente não há balões. Os textos são colocados para fora do quadro, como mini-livros. Os textos são gigantes. Isso não é para quadrinhos. Isso cansa.

Tanto que eu nem tive saco para acabar de ler as 320 páginas de seus três sub-livros em formato grandão (maior que tamanho sulfite A4!). [Comprei o original em inglês; no Brasil, foi publicado separadamente nos 3 sub-livros, cada um bem caro.]

Dá impressão até que foi uma obra originalmente escrita em livro só texto, depois bem mal adaptada para quadrinhos, como quem não sabe fazê-lo. Então, me estranha muito que o renomado Alan Moore a tenha escrito. Enfim, quis ousar, sei lá. Ele pode, né?

Além disso, chega uma hora em que começa a cansar o roteiro da história. Não muda muita coisa, não há grandes reviravoltas, é tudo meio repetitivo, tanto no caso das lembranças eróticas das protagonistas em flashback como o próprio transcorrer em si da história. Apenas o sexo, festejado das costumeiras maneiras pervertidas.

Comparando com clássicos ocidentais

Eu já li (e vi) também outros clássicos quadrinhos eróticos. Creio que o principal europeu na área é Milo Manara, e o principal brasileiro, Carlos Zéfiro. Estas histórias, além de serem bastante excitantes, também tinham histórias com muita ação, divertidas, envolventes, penso eu

(Por mais doidas que fossem, como a aventura da jornalista Cristiane investigando um templo de culto às energias do orgasmo na Amazônia, na obra "Cliic 3", do Manara. Também é cativante a história de Gullivera... versão feminina sexy do relativamente gigante Guilliver.)

Para não deixar minha opinião sobre o roteiro de "Lost Girls" simplesmente negativa, então, vou concluir que haja aí uma linguagem mais... poética, e assim não tão inteligível.

Comparando com mangás

A delicadeza do mangá "Futari H" é bem diferente. Apesar de ser um "guia do sexo", explorando didática e explicitamente diversas posições e dicas sexuais, tudo isso aparece especialmente na relação de um casalzinho "normal": um homem e uma mulher.

Apesar de incluir vários devaneios de hipotéticas "traições" heterossexuais do protagonista Makoto... Não se ousa tocar no ponto do homossexualismo, por exemplo.

Além disso, tudo é explorado de modo bem delicado, inclusive nos desenho, tudo "kawaii", fofinho.

Um ponto curioso nos mangás eróticos que li é que nunca aparece o pênis dos personagens masculinos. Em "Futari H", propositadamente sempre ele fica escondido, às vezes até com uma espécie de tarja. (A exceção fica para as didáticas explicações anatômicas e enciclopédicas, sempre divertidas.)

Até mesmo nas obras em quadrinhos de Senno Knife, como "Sade" e "Tempest", que adapta clássicos literários com tendências bem fortes ao horror e uma abordagem do sexo bem mais pesada, com estupros, "sadismo" e etc..... Até neste caso o pênis é censurado, e no máximo é representado por uma espécie de facho energético... Curioso, não?


Resenha produzida para o Desafio Literário 2010, organizado pelo blog Romance Gracinha. O objetivo era ler e resenhar algum livro baseado em contos de fadas... eheh.

[Veja minha lista de livros programados para 2010 aqui.]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O chato argentino Ficciones + divertido peruano Pantaleón


Olá!

Como parte do Desafio Liteário 2010, eu também busquei um livro de um escritor latino-americano. Devo ter lido em alguma seleção cult que o argentino Jorge Luis Borges seria um dos melhores contistas e escritores do mundo.

Além disso, eu me lembro de que achei interessante um de seus contos, sobre um mundo povoado por livros praticamente infinitos, com todas as combinações de textos possíveis. "A Biblioteca de Babel". É da época da faculdade.

Então fui buscar, em espanhol mesmo, o livro "Ficciones", que inclui esse conto singular.

Foi interessante reler o conto que tinha estudado na faculdade de Comunicação, mas desta vez no idioma original. E a ideia é boa. Pena que não se desenvolva além da proposta de descrição do universo, para uma trama concreta.


Deste modo, não foi interessante ler os outros contos também. O fato é que nem tive saco pra ler a metade final dos contos.

De fato, ao contar a uma amiga argentina que eu estava lendo esse livro, ela contou mesmo que teve que estudá-lo na época da escola, mas que era um escritor considerado "difícil".

Por que, afinal, não gostei dos textos? Porque não contam histórias. São mais dissertativos que outra coisa. Parece que, em cada "conto", descreve-se e argumenta-se sobre alguma ideia, mas não há emoção alguma, divertimento.

Os textos parecem mais tratados ou artigos científicos que contos de fato. Em um deles, por exemplo, fala-se de uma suposta região chamada Uqbar. Não há estória a respeito, com personagens e etc., mas somente desfile de números, anotações, discussões enciclopédicas.

Há também "Pierre Menard, autor del Quijote". Esta é uma ideia interessante: alguém quer reescrever Dom Quixote, de Cervantes... Mas praticamente refazendo a obra toda, como se fosse de fato Cervantes. Como fazer isso, né?

Pantaleón y las Visitadoras

Para que este post salve-se com alguma obra mais divertida a indicar, também vou falar sobre o peruano Mario Vargas Llosa, com seu livro "Pantaleón y las Visitadoras". (Não li agora, mas anos atrás.)

Basicamente, se você quer se divertir mesmo, dar boas risadas, com um escritor importante latino-americano, recomendo este segundo livro.

A obra contrasta um fiel militar cumpridor do dever e tradicionalista com uma missão a que ele é alocado: montar um serviço de "visitadoras" para os militares, ou seja, prostitutas.

A situação fica tão absurda, e é narrada de maneira tão inteligente, que vale mesmíssimo a leitura.

Misturar instituições que parecem tão constrastantes, uma tão oficialesca e outra tão de periferia... tentar oficializar a atividade de prostituição e fazer as mulheres deste serviço virarem oficiais e tratá-las de modo tão institucional, realmente foi uma grande ideia, bem cômica.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Livro quase picante reúne absurdos da mente feminina


Estou nas últimas páginas do livro "Marsha Mellow e Eu", de Maria Beaumont. Foi a minha terceira viagem literária ao universo feminino. (Veja as primeiras aqui.) E, devo dizer, adorei. Muito divertido.

A ideia em maio era conhecer algo da chamada "literatura de mulherzinha", ou "chick-lit", como parte do Desafio Literário do qual participo neste ano.

Pois bem, sei que o clássico da área é "O Diário de Bridget Jones", mas preferi outra opção oferecida pela namorada. Basicamente a capa foi um fator que atraiu bastante, ahah. Veja abaixo.

Pensei em chamar o livro, no decorrer da leitura, de "pervertido". É claro, na verdade é uma história SOBRE um livro pervertido. Deste modo, de um jeito ou de outro, a história acaba tendo certos toques picantes mesmo (e deliciosamente descritos) e aborda o sexo, de uma maneira bem divertida.

Isso é legal, na verdade eu não estava muito acostumado com romances que incluem sexo assim, e foi interessante perceber como as mulheres já estão acostumadas com este tipo de leitura. "Meu Deus, o que essas garotas estão lendo...", poderia pensar. [Mas acontece que os garotos preferem VER, e não LER, sobre esse tema, aprendi, eheh.]

Mas não é nada de mais, este é apenas um aspecto entre outros do cotidiano doido da garota protagonista da história.

Absurdos imaginativos

Pra valer mesmo, um dos pontos mais importantes a se desfrutar na obra é acompanhar as loucuras e exageros da imaginação da protagonista. E a rede de mentiras em que ela se vê envolvida.

Para começar, tem o livro picante que ela escreveu, mas não quer assumir, claro. E também tem o melhor amigo, gay aventureiro que a mãe dela, tradicionalista, pensa que é seminarista...


Tem vezes em que eu não sabia se torcia contra ou a favor da protagonista, de tão absurdas eram as coisas que ela fazia, e tão ridículos os seus motivos. Mas é muito legal aprender mais sobre a maneira feminina de pensar [por mais que exagerada, claro, não me entendam mal].

Por mais que eu pudesse fazer pouco caso de alguns de seus motivos (fúteis? como passar por tantas enrascadas só pra se esconder da fúria da mãe, ainda que a protagonista more até sozinha?), e de suas mudanças de ideia repentinas... Talvez isto mostre mesmo bastante sobre algo da mente emocional feminina, uma tarefa deliciosa à qual estou me dedicando.

De todo modo, não querendo generalizar comportamentos femininos encontrados, caricaturizados, claro, é mesmo muito divertido ver até onde pode levar uma rede de mentiras proferidas sem parar, por simples covardias de encarar certas pessoas e por causa também de uma imaginação que viaja e parece transformar alguns fatos tão "bobinhos" em coisas terríveis.

É mesmo legal ver como a história é construída de maneira divertidamente absurda, guiados pelas impressões bem particulares e devaneios da Amy, a insegura. Ou seja, tem vezes em que a gente se confunde e acaba até entrando nas loucuras dela... Afinal, é esse o poder do narrador, não é mesmo?

sábado, 2 de janeiro de 2010

Minha descoberta dos românticos romances de banca


Olá.

Lá vai meu comentário/resenha sobre a leitura de janeiro de 2010 proposta pelo chamado Desafio Literário, organizado pela Vivi, do blog (ai!) Romance Gracinha.

Pra começar bem o ano (ahah), a sugestão foi ler um chamado “romance de banca”. Leia-se: Julia, Sabrina, Bianca, Mirela, etc. Até então eu nunca havia dado muita atenção para eles. Duas razões principais: parece (e é) coisa de mocinha e também parece literatura “pobre”.

No entanto, resolvi render-me à minha curiosidade científica (eheh) e fazer a leitura sim. Aliás, isto ajuda muito a compreender melhor o universo feminino, pois elas não adoram tanto este tipo de leitura?

Confesso que gostei. Gostei muito, como há tempos não apreciava leitura de livros. Talvez desde a adolescência até, quando meu índice de leitura de histórias em livros era trocentas vezes maior.

Livro com história. Sim, porque tenho lido muito mais livros teóricos do que de histórias nos últimos tempos, quando leio algum livro qualquer inteiro.

O fato foi que li, no prazo recorde de uns quatro dias após emprestados pela Rê, autora do blog O Gato Risonho, dois livros de uma vez. E somente em meus trajetos de ônibus e metrô do jornal para casa e vice-versa, tentando conciliar com a básica leitura do jornal, claro. Aliás, é impossível ler jornal em transporte público lotado, mas livrinho dá ;).

E fiquei tão curioso na leitura, que acabei na verdade adiantando em dezembro o que deveria ler em janeiro, eheh. E li dois, apesar da proposta de ler só um!

Bem, na verdade, acho que não é segredo que os livros “cult” são frequentemente chatos pra burro. É claro, não vou desistir de lê-los, eu que sempre achei tão importante esse tipo de leitura, mas... Putz, diversão e prazer são coisas muito importantes, além do intelectualismo, não?

Eu mesmo comecei a ler há um tempo atrás “Cem Anos de Solidão”, do conceituadíssimo Gabriel García Marquez... Fui até a metade de suas quase 400 páginas, mas parei. Tudo bem, era profundíssimo e cheio de recursos poéticos, genial, mas comecei a cansar. Espero voltar um dia.

Seleção dos títulos

Vamos então aos livros em si. Li primeiro “O Anel da Vida” (116 p.), de Loreley McKenzie, da coleção “Amores Eternos” (que singelo!), da Mythos Books. Em seguida, li “Lábios de Mel” (186 p.), de Deanna Mascle, este sim da mais famosa coleção “Sabrina Sensual” (uau!), editora Nova Cultural.

Os dois livros foram escolhidos, dos que me foram oferecidos, baseando-me no nível de romantismo, aventura e sensualidade que transpareciam. Para isso, a imagem da capa e a sinopse da contra-capa (ou quarta capa, nunca sei, aquela outra visível, atrás do livro), foram fundamentais.

Nada de coisa comportada, como alguns outros pareciam, estilo “família” demais.

“Lábios de Mel”

Este me chamou mais a atenção, por isso começo por ele, apesar de ser o segundo que li.

Para começar: o título super-genérico não tem nada a ver com a história, como parece ser mesmo comum para este tipo de publicação. Ok, uma única vez a mocinha da história faz a comparação com os lábios do mocinho, mas enfim...

Aliás, cumpre informar que o título original, em inglês, era “Moon Hunter”, ou seja “Caçador da Lua”. Sinto que teria muito mais a ver, porque a história trata de aventura pela floresta pelos EUA, em época de Conquista do Oeste (ou Faroeste).

Isso é algo que me chama a atenção, claro, pois fui jogador de RPG por muitos anos, por toda a adolescência. RPG: jogo em que se interpretam personagens, com ficha, números, dados, narração, e frequentes combates com seres perigosos.

A história em si é divertida, envolvente. Novelinha básica: mocinha encontrada em apuros na floresta, com sua filhinha fruto do casamento zoado com um cretino. Ela acaba conhecendo um moço protetor que faz de tudo para protegê-la, super bem intencionado. Ele parece ter apenas a nobre missão de proteger os fracos e comprimidos...

Dilemas amorosos

Mas claro, Mack, o gentil e cavalheiro mocinho da história, acaba ficando apaixonado pela moça, enquanto a acompanha até levá-la em segurança. Apesar de não querer admitir isso. E fica naquele vai-não-vai.

O moço fica no dilema de querer apenas cumprir sua missão de proteção, tentando se recuperar de um passado dele, em que teria falhado vergonhosamente. Além disso, ele preza muito sua vida independente para formar laços com qualquer mulher que seja.

Acho que este é um ponto bem importante: de fato os rapazes costumam enfrentar este dilema mesmo: sua independência e liberdade versus envolver-se (até que ponto?) com a garota que mexe com eles?

Mas a mulher que ele acompanha (e cuida dos ferimentos dele, além de também ajudá-lo contra uns selvagens que aparecem, pois ela é durona mesmo!) é cada vez mais irresistível para ele.

Por seu lado, a moça, Rebeca, só queria saber de cuidar de sua filhinha. Depois de sua experiência anterior horrível, não quer mais nunca saber de homens. Apenas tolera o tal Mack para seguir protegida pela floresta até algum lugar mais seguro.

Mas ela acaba ficando balançada, enfim. A história ondula entre as dúvidas amorosas dos dois protagonistas. Foi uma novelinha e romance (no que se trata de amor, claro), gostosa de acompanhar. Inclusive há de fato trechos picantes, eheh. Interessante esse tipo de narrativa com detalhes e descrições do percurso amoroso. Não conhecia, mas hiper-aprovei, apesar dos exageros caricatos às vezes.

"O Anel da Vida"

Bem, se citei no fim “exageros caricatos” para o outro livro... “O Anel da Vida” sim, é cheio deles. Tanto para a descrição dos personagens, excessivamente lindos e maravilhosos, além de suas emoções, barrocas, derramadas.

Clichês não faltam, mas sempre funcionam.

A começar, temos a Cinderela: Martha, totalmente explorada pelos irmãos e pela mãe, demônios em pessoa. Eles a exploram, o chefe da empresa também, os colegas de trabalho também.

E ela sem coragem alguma de revidar. De ter iniciativa para mudar esta situação. De exigir justiça. Uma fraca.

Mas eis que, assim como acontece nas histórias do Homem-Aranha, em que o estudante CDF e alvo de todos os bad boys da escola Peter Parker vira um fortão e ágil super-herói; ou mesmo Harry Potter, em que o também explorado pela “família” e órfão garoto vira um feiticeiro, pré-destinado a salvar o mundo dos bruxos e ser o maior de todos, mesmo ainda criança...

Algo acontece para a pobre e medrosa Martha. Ela ganha um anel (sim, o do título do livro, que agora sim tem a ver com a história, huahua). Um anel que tem o poder de dar força interior, coragem, para que a moça vença todos os seus desafios.

Bom, essa história de misticismo, esotérico, foi algo bacana que apareceu também, que também me chama a atenção, lembrando de meu histórico de jogador de RPG, em que também muita magia é obrigatória.

Mulher moderna

Um diferencial interessante para a história é que trata da vida da “mulher moderna”, que busca sua independência financeira e nos demais setores da vida (li algo assim mesmo sobre esse tipo de romance de banca em alguma matéria por aí).

Isso mesmo: mostra como, ao fim e ao cabo, ela consegue ser bem-sucedida em todos os aspectos de sua vida: não só o amoroso, como foi mais centrado o romance que li da “Sabrina Sensual”, mas também o lado profissional e familiar.

Aliás, o lado profissional é bem importante mesmo nesta história; é claro, bastante interligado com o lado amoroso e místico, até porque a mocinha da história consegue o trabalho novo via anel místico e via um belíssimo “Senhor Perfeito”, como ela o chama em pensamento.

Tem também um lado de suspense policial, mistério, que a mocinha acaba também tendo de lidar no seu trabalho, que a coloca até em perigo.

Ou seja, nisso tudo, o lado de romance “romântico” acaba sendo mais um detalhe. Mas bem derretido e caricato, com certeza.

Posso até chamar a história de bobinha, mas é divertida, curiosa, completa, e não me deixou parar de ler nem um instante, até terminar, eheheh.

Além de ter o mérito de chamar a atenção para o sucesso profissional feminino e até mesmo de fazer os leitores (e especialmente as leitoras, ahah) refletir sobre as besteiras que têm feito em sua própria medrosa vida pessoal, profissional, amorosa, etc. Neste sentido, é bem um livro de auto-ajuda sim. ;)