quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Respostas gerais a discursos contra o vegetarianismo

Bom, enfim acabei contando pra turma de quando eu fazia faculdade de Jornalismo que virei vegetariano. E, claro, apareceram várias opiniões. Não tenho como não compartilhar esta discussão no meu blog (só vou preservar suas identidades, vai que eles não querem ser divulgados...):

Uau! Quantos interessados em discutir... Sinceramente, não achava que a turma gostaria de dar sua opinião sobre o assunto...

Bom, vamos lá ver se eu consigo responder alguns comentários:

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Vegano, o vegetariano estrito: por quê?

---Colega 1:

"Voce virou vegan ou vegetariano? Porque, se for vegan, vc nao vai poder comer strogonoff de soja, pois strogonoff leva creme de leite (e, em sua versao mais pobre, so leite). E ovos? Vc come ovos? Os restaurantes vegetarianos indianos nao servem ovos, mas servem leite."

Bom, eu ainda sou simplesmente vegetariano, não vegano. Pra ser mais exato, sou "ovo-lacto-vegetariano", acho que é esse o nome que se dá, porque ainda como ovos e bebo leite, apesar de consumir esses laticínios quase nunca, procuro evitar. Em geral eu consumo laticínios por tabela, em bolos e queijo (em padaria ou lanchonete, normalmente a única opção é algum salgadinho de queijo mesmo).

Mas o estrogofe delicioso que comi em um almoço vegano comunitário (da mesma série daquele que divulguei) realmente era vegano... feito pelo próprio carinha que levou lá. Ele disponibiliza a receita aqui no blog dele: http://sejavegetariano.com.br/blog/?page_id=5

Não sou nenhum ás na cozinha (e acho que nunca serei), mas fazendo uma rápida pesquisa no google, dá pra encontrar outras receitas, também veganas (sem nada de origem animal):



---Ainda Colega 1
: "Pessoalmente, nao vejo muita diferenca entre comer ovo e leite - afinal, em nenhum dos dois vc acaba com a vida de animal algum."

Eu ainda não cheguei a abolir totalmente laticínios de minha vida, nem ovos, como dito; mas não resta dúvida de que não é correto, e cumpre então evitar. Ver texto de Gary Francione, Distinguished Professor de Direito na Universidade de Rutgers, EUA:

"Não há nenhuma diferença significativa entre comer carnes e comer laticínios ou outros produtos animais. Os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados por sua carne, mas são mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do que consumimos sua carne do mesmo jeito. (...) E qualquer um que pensar que um ovo - mesmo o que vem das chamadas "galinhas soltas" - não é produto de um sofrimento tão horrível quanto a carne não conhece muito bem a indústria de ovos."
Mais informações: www.animal-law.org (no original) ou traduzido no www.gato-negro.org

-------Gado brasileiro e seu impacto ambiental

---Ainda Colega 1: "Quanto aos direitos dos animais, vc nao acha que o gado brasileiro vive bem? O que da pena eh a situacao do gado americano, que fica confinado e todo deformado de tanto hormonio. Ja o gado brasileiro vive feliz, andando pelo cerrado, ate ter uma morte rapida e indolor. Ja o gado dos muculmanos precisam ser abatidos lentamente. (...) depois, precisa ainda deixar o sangue esvaziar ateh o animal morrer de verdade. Enfim, gado brasileiro eh gado feliz... O problema eh o biodiesel, haha. "

-Bom, realmente eu não sei exatamente a situação do gado brasileiro em comparação com outros... Mas verificando nesta reportagem da Época: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74465-5856,00.html

Podemos ter alguma idéia. "A maior parte do gado brasileiro é criada pelo sistema extensivo, onde os animais permanecem soltos no campo, ocupando vastas áreas" (aí eu lembro que aprendi isso no cursinho). Então nos deparamos com outro problema, de impacto ambiental:
"Neste sistema, considerado pouco produtivo, cada cabeça de gado necessita de um hectare (10.000 m²) de terra para engordar. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo (mais de 200 milhões de cabeças), que necessita de uma área de pastagem de, no mínimo, 2 milhões de km² para ser sustentado. Esta área equivale a um quarto do território nacional. Estas pastagens eram anteriormente áreas naturais como cerrados, florestas tropicais, entre outros.


Quando ambientes naturais são destruídos para a formação de pastos ocorre a perda de biodiversidade na área: a maior parte dos animais e plantas nativos desaparecem do local, sendo substituídos por forrageiras invasoras e gado. A remoção da cobertura vegetal original transforma completamente o ambiente, tornando-o impróprio para sustentar a maior parte das espécies que antes ali viviam. Ainda, as raras espécies que se adaptam às novas condições tendem a ser eliminadas pelos fazendeiros, uma vez que entram em competição com o gado ou passam a predá-lo devido a ausência de suas presas naturais. Há também várias doenças, como a raiva, o antraz, a toxoplasmose e a febre maculosa, que são transmitidas do gado para os animais silvestres e vice-versa, o que freqüentemente resulta na eliminação dos animais silvestres.


A remoção da cobertura vegetal original para formar pastos não apenas compromete a biodiversidade, como também interrompe o equilíbrio e a reciclagem natural de nutrientes, como o que estamos observando no caso da Floresta Amazônica. Locais no planeta onde a atividade de pastoreio é mais antiga são testemunhas de que o homem de fato transforma florestas em desertos. O super-pastoreamento destrói toda a possibilidade de rebrotamento e crescimento vegetal. Além disso, quando o gado pisoteia massivamente o solo, este é compactado. Isto torna a absorção da água dificultada, além de possibilitar o arraste de material superficial pelo vento e pela água, resultando em processos erosivos."


-Há também um problema de recursos para a população humana, de fome e desperdício de recursos:

Marly Winkler, no livro Vegetarianismo: Elementos para uma conversa sobre, relata (baseada no estudo Our Food Our World, EarthSave Foundation, Santa Cruz):

"Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:
-Feijão 11.200
-Maçã 22.400
-Cenoura 34.900
-Batata 44.800
-Tomate 56.000
-Carne 280"

-Ainda assim, há o problema ético. No livro de Tom Regan, professor emérito da Universidade de Carolina do Norte, Jaulas Vazias, encontramos no prefácio:

"Uma vaca quer viver, amamentar seu bezerro, ficar ao ar livre, num mundo natural com vento, sol e outras coisas naturais. Uma vaca é feliz quando faz o que vacas evoluíram para fazer: ter amigos, família - e uma vida. Não uma morte. É isso o que uma vaca quer fazer; isso é o que a deixa feliz. Quando você se pergunta qual a pior coisa que pode acontecer na vida de qualquer animal, conclui: uma morte prematura. Então a filosofia de Tom nos diz que precisamos fazer tudo que pudermos para garantir que nenhum animal morra, a menos que a morte seja natural ou necessária (...)"

Então você fala: ah, mas é só um animal; ele pode morrer de forma prematura. Bem, primeiro lembre-se de que humanos também somos animais. Então você reformula a pergunta: então tá, ah, é só um animal não humano ; ele pode morrer de maneira prematura.

Pois bem; então pensando racionalmente: qual é a razão para se pensar assim? Por que os não humanos podem morrer de maneira prematura e os humanos não? Digamos, você não deixaria algo assim acontecer com seu irmão ou sua namorada, deixaria?

Hipótese
: Você dirá que é natural, porque a cadeia alimentar é assim? Vamos ver o que diz o filósofo Carlos Naconecy, pesquisador na Universidade de Cambridge, em seu livro Ética & Animais (tem umas 10 páginas de argumentação e contra-argumentação, então vou resumir e e pegar só alguns, quem quiser mais adquira o livro):

Ele lembra o "argumento ecológico" utilizado para negar o vegetarianismo: "Na natureza os mais fracos são eliminados. Um animal não respeita o outro. Pelo contrário, eles se matam. O mundo é constituído de predadores e presas, e nós, como mais um predador, estamos no topo da cadeia alimentar. Sendo o predador mais poderoso, temos o direito de explorar as outras criaturas."

Contra-argumentos
:

-Isso sugere que imitemos a conduta dos outros animais. Na natureza, os animais tomam a comida uns dos outros; então também faremos isso entre humanos? Eles também se matam entre si; também faremos isso entre nós? E completo eu: eles andam por aí sem roupas e fazem sexo à por aí à vontade, sem pudor; também famos imitar?

-É verdade que muitos animais matam uns aos outros; mas ou fazem isso para se alimentar ou para se defender. Não têm opções. Humanos matamos por mera conveniência, por escolha. Lembrar, lá no tempo da Era das Cavernas, o que foi a Revolução Neolítica: o advento da agricultura. Nós, que já passamos desse tempo, vivemos em sociedades agrícolas. Não precisamos mais matar para sobreviver.

-Há muitos animais que não matam uns aos outros, como os herbívoros.


---------Falta de "pena" por animais não humanos?

---Colega 2:
"Colega 1, claro que vc acaba com a vida de um animal comendo ovo. Vidas em potenciais viram ovo mexido, cozinho, pochet,... mas eu não tenho a menor pena, acho aves a coisa mais abominável.

Aliás, eu não tenho pena de animais, especialmente os de criação. Acho que tem que ser comidos mesmo, de preferência bem passados, temperados com sal, azeite e ervas; caso contrário, eles nem existiriam. Só sou contra hormônios... devem fazer mal... pra gente. "

Bem, aqui foi colocado "não ter pena de animais". Isso significa que os animais não humanos não têm direitos ao bem estar, à vida, à mínima consideração, etc. e os humanos têm? Por quê?

Vamos investigar um pouco o passado, com pensamentos de importantes intelectuais na História, com a ajuda do livro Animals and Why They Matter, de Mary Midgley:

"Os problemas da posição das mulheres, dos escravos, de outras raças, e de animais não humanos, mais do que uma lógica similar, têm um histórico bastante similar. O que os une é que quase nunca eles são bem examinados. Os teóricos fogem deles.

No primeiro livro de Aristóteles de sua Política, sua discussão sobre escravos, além de imoral, é confusa e inútil. Escreve como um cidadão ateniense típico de sua época, apenas expressando suas dificuldades e preconceitos claramente, mas sem conceitos mais abstratos que o poderiam ajudar a resolvê-los.
Hume e Kant, da mesma forma, sobre a diferença sexual, apenas repetem clichês. Rousseau descreve as mulheres inicialmente em seu estado de natureza como também desejando viver de maneira independente; mas assim que a sociedade é formada, sua liberdade simplesmente some, sem explicação. A idéia de que "todos (...) alienam sua liberdade apenas para sua própria vantagem" não se aplica a elas. Basicamente a idéia fica como "Mulheres são feitas especialmente para o proveito do homem." Rousseau defende a idéia de opressão feminina com argumentos tolos, como o perigo da traição delas.

(...)

A respeito do colonialismo, é impressionante como frequentemente os imigrantes europeus que iam a locais como América e Austrália desconsideravam as demandas dos habitantes nativos, embora eles mesmos tivessem saído de seus lares originais para escapar das tiranias e desigualdades da Europa, e tinham visões explicitamente opostas a estas. Sua atitude era, na prática, a mesma que um fazendeiro no Brasil deu a um jornalista: "Índios e porcos são a mesma coisa. Se um deles entra no meu caminho, eu não penso duas vezes: eu os mato.

(...)

Para Rousseau, a mulher é uma parte interna da vida de um homem.
"
Sobre este último aspecto, também lembrar do Gênesis na Bíblia.

Argumento do favor

---Repetindo um trecho da fala de Colega 2:

"Acho que tem que ser comidos mesmo, de preferência bem passados, temperados com sal, azeite e ervas; caso contrário, eles nem existiriam."

A este argumento, o filósofo brasileiro Carlos Naconecy chama "o argumento do favor". Vamos ver como ele contra-argumenta:

"De fato, nos sistemas atuais de criação, uma infinidade de animais são trazidos à vida. Eles só existem porque nós decidimos criá-los. Mas a maioria desses animais leva uma vida tão miserável que seria melhor - do ponto de vista dos próprios animais - não terem existido. É melhor não nascer para levar uma vida inteira de miséria, com uma morte prematura no final. Não faz sentido então imaginar que tais animais deveriam ser "gratos" a seus criadores por existirem em condições tão deploráveis."

Ainda: Suponhamos que alguém não visse nada de errado em criar um porco visando exclusivamente matá-lo para depois comê-lo. Pois bem, vamos agora pensar em um casal que decidisse ter um filho, visando depois canibalizá-lo com a idade de 9 meses. Um bebê nessa idade não compreende psicologicamente sua situação melhor do que um porco. Assim, os dois casos seriam equivalentes do ponto de vista da vítima.

Agora vamos pensar em uma civilização perdida que criasse uma raça de humanos (pigmeus albinos, digamos) visando usá-los como escravos. Ora, os nativos também argumentariam que a comunidade de pigmeus nem mesmo existiria se eles não os criassem para a escravidão.


Argumento típico: "tadinhos dos vegetais"!

---Colega 3:

"E ninguem vai defender as verduras? Elas também têm vida e são assassinadas quando arrancadas desde a raiz. Ou mutiladas."

Esse era o argumento que eu utilizava quando ainda não era vegetariano, para negar o vegetarianismo. Mas lembrar antes que não são só verduras que são alimento vegetariano.
Basicamente, a diferença é que as plantas não têm um sistema nervoso desenvolvido como dos animais; e, de todo modo, ao nos alimentarmos de plantas, ao invés de animais, reduzimos a quantidade delas que são mortas. Pois a criação de animais para o consumo humano exige que eles consumam muito mais plantas...

Para detalhes, ver o artigo de Yves Bonnardel:


---Mais Colega 3: "O jeito é virar aquelas pessoas que só comem as frutas que caem no chão. Esses não têm como sofrer da consciência."

Não necessariamente. Ao comer cereais ou frutas em geral (o que já é boa parte da dieta vegetariana, apesar de também haver legumes e verduras, etc.) não estamos causando mortes em absoluto, nem de vidas vegetais. Mas, para quem não quer ser um crudívoro (acho que é esse o nome, apesar de eu nunca ter conhecido nenhum), também há a opção intermediária de vegetarianismo, que já causa bem menos impactos que ser onívoro.

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Ufa! Mais, só na semana que vem... Espero que tenha contribuído de alguma maneira... Senão, de todo modo vai pro meu mestrado...

Bem, aguardo as respostas, se houver interesse, estou sempre à disposição.

Abraço,
Maurício Kanno

7 comentários:

Dea Soares disse...

hahaha Xenonio, nao necessariamente somos contra o vegetarianismo, muitas vezes so queremos bancar advogado do diabo mesmo...e falando nisso, queria saber sua opinao sobre mais uma questao: se um dos principais argumentos e a questao do sofrimento animal (ja que vc refutou tambem a ideia da criacao organica), como ficam as pesquisas cientificas, grande parte das quais so avanca pela experimentacao com animais? Imagino que, obviamente, muitos sejam contra a explicita cureldade com animais, mas ha procedimentos que nao sao em geral vista como cureldade, mas de qq modo fazem o animal "sofrer" (fazendo cortes, aplicando substancias, etc..). E ai? Leigamente, acho que se voce eh contra todo e qq tipo de uso de animais pela ciencia, exterminaria muito de seus progressos, inclusive muitos dos quais responsaveis por nossa propria vida ate hoje...Just a thought....

Dea Soares disse...

ah, mais uma coisa, a Lucia me falou que vc ta fazendo mestrado nisso? que legal!! Onde? Deveria ter desconfiado pela quanidade de bibliografia que vc tem sobre o assunto! hehehe
Bjos

Mao disse...

oiê, déa! é ótimo bancar advogado do diabo. sempre tive também esse costume com os amigos, até porque dificilmente tive opiniões muito bem formadas... então sempre era o caso de ficar testando argumentações para verificar. mas eu acho um bom exercício, só assim se conseguirá verificar a solidez de opiniões.

ah, nao to fazendo mestrado não, quem tá é a marina, na unicamp. eu tô é preparando um projeto de mestrado sobre o assunto. de todo modo, isso me ajuda primeiro a eu mesmo entender melhor o assunto, e depois também colaborar com os outros...

quanto à minha resposta, ficou tão grande (pra variar) que resolvi publicar um post sobre o assunto, tá? veja em http://blog.kanno.com.br/2007/09/respostas-sobre-experimentaes-com.html

Mao disse...

ah, mas agora entendi pq vc falou sobre vcs serem contra o vegetarianismo... é que o título que eu dei no meu último post foi "Respostas gerais a opiniões da turma contra o vegetarianismo". pois é... a idéia não era falar que vocês são contra, mas que o discurso é. vamos ver se consigo arrumar isso...

Clara Liz disse...

Oi, Maurício...
Não sou muito de postar comentários em blog alheio, mas parece que estou me vendo há vinte anos atrás, quando resolvi cortar de vez a carne do cardápio. Ouvi os mesmos comentários, as mesmas piadinhas e os mesmos argumentos... o que não mudou em nada a minha decisão. É um caminho sem volta - no turning point! Depois disso, virei leitora habitual de rótulos (ingredientes de origem animal são traiçoeiros e se escondem sob códigos e siglas indecifráveis)e descobri que meus verdadeiros amigos preferem abrir mão do churrasco para terem o prazer da minha companhia. E olhe que moro em uma região em que a economia gira em torno da criação de gado e a população espera o ano inteiro por uma festa do peão - com direito a rodeio e muito churrasquinho. Por isto, me considero credenciada para alertar seu Colega 1 sobre a "felicidade" do rebanho brasileiro: morte rápida e indolor? Ele nunca visitou a seção de abate de um frigorífico... Aliás,citando uma frase dita por(acho) Sir Paul McCartney, "se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todo mundo seria vegetariano."

Mao disse...

concordo, cara nova amiga Clara...

depois acabei assistindo o A Carne é Fraca, e acabei descobrindo melhor como o abate NUNCA é "rápido e indolor"...

SAMARA disse...

Eu gostei muito do seu texto! Eu estava procurando um artio que eu li ha um tempao sobre isso! Dizia todos esses argumentos usados para defender o consumo de carne ( do das plantinhas, viver so de alface, etc,etc) e rebatia todos muito bem!! Achei muitooo bom!!!! Mas nao consegui mais achar, nem me lembro se foi em portugues ou ingles que eu li....

Na parte que vc fala sobre o impacto ambiental da producao do gado faltou falar, que alem do empobrecimento do solo pela erosao (do gado pisando e da chuva caindo no solo desmatado) tem tb os excrementos do gado que sao absorvidos pelo solo e contaminam as aguas, alem dos gases metano (pum do gado) que contrubui para o aquecimento global