sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Conto futurista e pinturas de bichos pra fechar bem o ano!

Oi, prezado leitor deste blog esporadicamente atualizado... Pra fechar bem 2012, gostaria de ao menos divulgar por aqui minhas mais novas produções.

A última é literária e se chama "Evoluídos e Dominados". Ambientada no ano de 2.943, mostra um senador que discursa em defesa dos povos escravizados.

Outras produções são visuais e seguem abaixo:



Acima, duas pinturas feitas respectivamente para minha querida Renata Milan e para a priminha Sofia de Paula Navai. Com aquarela e guache na primeira, só guache na segunda.

Abaixo, pinturas produzidas especialmente para o Bazar Vegano, de que participei há duas semanas. Todas com guache TGA, com tempo de produção normalmente por volta de umas 2h30 a 3h cada uma. As pinturas do porquinho, do boizinho e dos ratinhos foram vendidas! :D






Abaixo, desenhos feitos rapidamente (entre segundos e minutos) durante minha viagem por 44 cidades do litoral paulista e Vale do Paraíba!






segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Golpe do primo atropelador no hospital

Cuidado ao atender ligações e o sujeito se apresentar como "Pô, não tá me reconhecendo não? Seu primo..." Acabei caindo nessa de identificar um suposto primo, pois a voz parecia mesmo. 

Ele começou a dizer que se envolveu em um acidente, atropelou uma criança, que estava no hospital, que tinha que pagar x, e precisava de um cheque pro pai dela, que no dia seguinte ele já compensava... 

Como eu não tava entendendo a razão desses trâmites bancários, falei que ia conversar com meu pai, que ele entendia melhor dessas coisas. Este na mesma hora sacou que era golpe e que o cara devia estar ligando de uma penitenciária. Quando voltei ao telefone, já tinha desligado.

Suas Excelências caloteiras, os Senadores

"Prezados Senadores, 

Gostaria de entender como Vossas Excelências tiveram a coragem de transferir a conta dos impostos que deveriam pagar pelos 14o e 15 salários recebidos nos últimos anos para o Senado, ou seja, para a conta do contribuinte, o povo brasileiro. 


Já tinha sido um sinal de extrema desigualdade o privilégio de salários extras concedidos às Vossas Excelências. Muitos brasileiros nem mesmo têm 13o salário, por trabalharem na informalidade. 

Vossas Excelências nem mesmo deveriam ter o direito de decidir sobre livrar-se da conta. Obviamente, por ser assunto de interesse de vocês."

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Esta foi a mensagem que enviei para os gabinetes de todos os senadores, via serviço de telefone "Alô Senado", quinta-feira passada (22). 

Tentei fazer isso primeiro pelo formulário do site,http://www.senado.gov.br/senado/alosenado/fale_senado.asp , mas dava um erro quando tentava enviar, acusando que o número anti-spam de confirmação, no caso 3793, estava errado (mas não estava). 

Ao tentar abrir outra página para tentar de novo com outro número, percebi que o formulário impedia que eu colasse a mensagem que eu tinha digitado anteriormente, "por motivos de segurança". O jeito foi telefonar (notifiquei também o problema do site). Seguramente gastei mais de meia hora nisso, quase 1 hora, mas não pude deixar de me manifestar desta vez. 

O engraçado é que o editorial do Estadão desse dia ("Senado sacramenta mamata"), que me deu a motivação que faltava, também estava registrado no clipping do site do Senado:http://www.senado.gov.br/noticias/opiniaopublica/senamidia/jornal/2012/20121122jo.pdf 





segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Preconceitos e valores raciais na língua para "afros" e "japas"

Participei de um acalorado debate neste domingo sobre o uso de denominações referentes aos afrodescendentes. Isso por causa de um conto que escrevi, reinterpretando o mito do Saci para os dias de hoje, em meio urbano. As críticas sobre o apontado caráter depreciativo (por ingenuidade e ignorância minha) em relação aos afrobrasileiros no meu texto me deixaram tão instigado e preocupado que passei a madrugada sem conseguir dormir, pesquisando e refletindo a respeito. Ficam aqui disponíveis minhas conclusões, para quem se interessar.

(Ilustração produzida pelo artista Tiago Hoisel, para o livro "Saci, juro que te vi", da Editora Mundo Mirim; originalmente disponível no blog http://tiagohoisel.blogspot.com.br/2011/06/saci.html )

- O saci realmente é considerado negro, não mulato, conforme dei uma pesquisada por aí de novo. Não sei por que eu achei que tinha lido mulato anteriormente

- O termo "mulato", na época da escravidão, provavelmente nasceu mesmo de "mula" ou "mulo", termo usado para se referir aos animais híbridos entre cavalo e burro, por exemplo. 

- "Brasil" não tem a ver com a cor preta, mas vermelha, referente ao pigmento usado há tempos em tecidos; vem de "brasa". 

- O termo "negro" veio do latim "necro", que significa morte. Isso teria começado com europeus que aprenderam demais com mestres da civilização do Egito. Mas esses europeus conheceram práticas egípcias frequentemente relacionadas com a morte, como no caso das pirâmides. Depois, passaram a chamar os outros africanos por esse mesmo termo (um tanto mórbido e negativo, não?), que também passou a dar nome à cor preta. Ou seja, é um termo cunhado externamente à população africana, somente a partir da sua relação com os europeus. A história disso está descrita neste livro: "O nome 'negro', sua origem e uso maléfico". Leiam a respeito nos links abaixo, em português no Orkut e em inglês ou na publicação em si na Amazon: 


- Quanto às origens dos nomes dos continentes, encontrei que os nomes para "Europa" e "Ásia" podem ter relação sobre onde o sol nasce e se põe, do ponto de vista dos babilônios, que ficavam entre esses dois continentes, atual Iraque. O sol "asu" no leste (Ásia) e "erebu" no oeste (Europa). 

- Também se pode considerar para Europa a fusão dos termos gregos eurys (largo) e ops (face), designando uma antiga ninfa ou princesa fenícia. Ásia também é correspodente a uma palavra grega que também significa "nascer-do-sol", mas antes referido somente a uma parte da Turquia. 

- Já "África" é um termo de origem latina: os romanos a chamavam de "Terra dos Afri (plural do singular 'afer')". Afer era o nome da província no norte da África cuja capital era Cartago (atualmente Tunísia). Mas de onde veio "afer"? Talvez da palavra fenícia "afar" (pó), pois foi o povo que fundou Cartago [e os romanos chamavam pejorativamente seus inimigos fenícios de "punii"]; ou do nome da tribo nômade berbére Afri, que vivia nessa região; ou até da palavra latina "aprica" (solarengo, relativo a um solar, belo casarão). 

Li a respeito neste link: 

- Japão (ou Napão, daí "nipônico") veio do japonês "Nippon" ou "Nihon", que significa "Origem do Sol". O próprio imperador era considerado o "deus-sol". 

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- Ou seja, tanto os termos "negro" e "mulato", por mais que tenham sido os termos que aprendemos na escola e estão dicionarizados para se referir a esses tipos étnicos hoje, etimologicamente têm uma origem bem depreciativa. Termos derivados do nome do continente África parecem mais adequados, e mesmo assim, olhe lá (se for considerar a hipotética ligação com "pó", mas menos segura). 

- Os termos usados para os continentes Ásia e Europa, assim como Japão, são bem mais respeitosos. Até porque não vieram de uma perspectiva de dominação alheia. 

- Os mitos de cada povo refletem o pensamento de cada época em que foram criados. Assim, provavelmente muitos dos mitos brasileiros sobre o negro refletem uma perspectiva pejorativa em relação a eles. Já mitos japoneses têm boa chance de refletir sentimentos de orgulho, superioridade e disciplina presentes nesse povo (algo disso talvez se reflita em mim também, rs). Então, uma reinterpretação justa dos mitos antigos, hoje, precisa necessariamente passar por uma espécie de política de ação afirmativa (assim como ocorre com cotas em universidades, procurando minimamente amenizar a herança histórica de injustiça). 

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- Além disso tudo, independente da etimologia, este artigo alerta sobre os estereótipos carregados ao longo dos tempos em termos como "negro" e "mulato", "mulata", que tendem por exemplo para o "malandro" e a mulher puramente sexualizada. Coisas que não se encontram em termos como "branco", por exemplo: 

- Também vale refletir a respeito de por que chamaríamos alguém por um traço físico (como a cor da pele) ao invés do nome de seu país de origem (ou outra característica). O equivalente para "negro" talvez fosse "de olho puxado", no caso japonês, chinês e coreano, por exemplo? Ou talvez "amarelo"? (Apesar de que nunca vi um japonês dessa cor...) É claro, isso considerando a falta de outra alternativa, como o nome da pessoa. 

Estes textos também trazem discussões interessantes a respeito: 

- Há também um chamado "movimento mestiço", que luta para que se reconheça a existência dos mestiços, pois o governo federal aparentemente estaria querendo forçar as pessoas a se decidirem por um tipo étnico específico. Citam caso de recenseador que, quando um cidadão se afirmou "mulato", o funcionário retrucou: "não, você é negro". Os cafuzos e caboclos, que possuem ancestrais indígenas, seriam incluídos entre os "pardos". Bem, há o meu próprio caso também: sempre fui ensinado em casa que eu sou "mestiço". Mas sempre serei considerado "japa" por aí (ou "amarelo", pelo censo).

Aqui se informa algo mais a respeito da denominada "mestiçofobia":

Bem, é isso aí por hoje!
Abraço,
Maurício

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pinturas a guache de paisagens da semana!

Resolvi publicar aqui pinturas que tenho feito. Lá vão duas, de hoje e ontem:


Foram feitas em guache, conjuntinho TGA de 3 cores primárias e PB, a partir de fotos do Coliseu romano e de fiorde da Noruega! Cada uma em 2h15 aproximadamente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Acompanhando a formação de uma bruxa moderna

Há tempos eu tinha no armário o livro "Brida", de Paulo Coelho, entre os outros do mesmo autor, mas este nunca tinha lido... Eu, quando adolescente, adorei ler "O Alquimista", "O Diário de um Mago", entre outros do escritor brasileiro de mais sucesso que nós temos por aqui...

Mas talvez tenha parado de lê-lo por conta de sua obra ser considerada "baixa literatura", coisa que fui "aprendendo" na faculdade. Bobagem. O que importa é que, enfim me deparei com esse livro que faltava, e o devorei em uns três dias!



Ou seja, não é à toa que esse cara faz tanto sucesso. Ele escreve de um jeito que realmente captura o leitor. Um jeito suave, mágico, emitindo verdades dos personagens, como se eles soubessem o que fazem e por que as coisas acontecem de tal jeito. Ou seja, eles percebem sinais, possuem sabedorias apuradas, coisas que nós leitores adoraríamos ter também.

Quanto à essa obra específica, eu fiquei muito interesado ao ler a sinopse e perceber que se tratava de um relato sobre a formação de uma bruxa - cujo nome é o título do livro - que o próprio Paulo Coelho conheceu pessoalmente, quando era peregrino no chamado Caminho de Roma.

(Acho inclusive bacana ele mencionar brevemente como a conheceu no prefácio da história, como ela a princípio aceitou que ele escrevesse um livro sobre ela, mas depois foi impondo obstáculos...)



Enfim, acompanhar os percalços da aprendiz de bruxa moderna foi muito estimulante e curioso. Todo esse papo de "Tradição do Sol", "Tradição da Lua", cartas, dança, a Floresta Escura, a força do sexo, a Outra Parte, uma mestra bruxa, um mestre mago, o namorado da protagonista assistente de um professor de Física... Foi mesmo uma pena quando ela "se formou" ou "se iniciou" como bruxa e acabou a história!

Resenha escrita por ocasião do Desafio Literário, tema "Mitologia Universal". A pintura no alto é de minha autoria, feita em aquarela e baseada na capa da edição que eu li.


É um inferno atravessar o Inferno de Dante

Claro que dá um gostinho especial ler uma obra tão clássica como "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. Mas aviso: o leitor vai precisar de muita paciência. A propósito, o nome do livro não é "Comédia" por ser engraçado, hehehehe... Mas simplesmente porque trata de temas contraditórios, profanos ou triviais misturados com os sublimes ou religiosos, por exemplo. Era o que uma "comédia" significava nos anos de 1200.

(E claro, ser um texto tão antigo é um fator importante que dificulta muito a leitura...)


O livro narra a hipotética travessia que o próprio Dante faz do Inferno, Purgatório e Céu, mesmo enquanto vivo. Enquanto passa pelo Inferno, por exemplo, vai encontrando muitas pessoas conhecidas (para ele, de sua época; precisamos sempre checar as notas do tradutor) e conversando com elas. Mas é tudo muito repetitivo, muito parecido. "Oh, o que você, vivo, faz aí? Eu sou tal pessoa, fiz tal pecado e agora sofro de tal jeito..."

No Inferno estão, basicamente, todos os inimigos políticos de Dante e também altos sacerdotes hipócritas da própria Igreja, entre outros que o autor julgou merecer esse destino. Sobre cada um, vai contando quais foram os pecados e como agora estão sofrendo, cada um de um jeito diferente, conforme a transgressão. Os que se suicidaram, viraram árvores (porque rejeitaram o próprio corpo...), por exemplo!



Bem, eu estou na página 73, canto 17 (há um total de 34 cantos, ou partes do poema da parte do Inferno, que estou lendo até em formato de prosa). Porém, não creio que vou prosseguir a leitura. Tá chato demais... E depois tem ainda o Purgatório e Céu, que dizem ser partes ainda mais chatas, hehehe.

Mas dei uma espiadinha adiante. Verifiquei, por exemplo, com as importantíssimas explicações do tradutor, que o Purgatório foi localizado em uma ilha montanhosa; enquanto o Céu vai partindo desde a Lua até cada um dos outros planetas e também o Sol, seguindo a astronomia da época - em que a Terra estaria no centro do Universo.

O interessante é perceber toda essa construção elaborada de cada setor dos três "reinos", com bem definidas hierarquias, categorias ou "círculos", em que são separadas as almas em cada nível ou tipo de pecado ou santidade. Com certeza há o que aprender com este livro. Mas uma delas, sem dúvida, será paciência, hehe.


[As belas ilustrações em preto e branco são de Gustave Doré, representando o Inferno; são as mesmas da publicação que estou lendo. A colorida é uma pintura de Domenico di Michelino, em que se representa o próprio Dante com seu livro; à esquerda, uma fila de pecadores em procissão para o Inferno; atrás dele, a ilha montanhosa do Purgatório; à direita, a cidade de Florença, de onde muitos ex-habitantes aparecem durante a obra; e, acima, os diferentes níveis planetários do Céu.]

Esta resenha foi publicada por ocasião do Desafio Literário, tema "Mitologia Universal". 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aprendendo terror e mistério com titio Poe!

Oiê!

Venho hoje falar sobre o livro "Histórias Extraordinárias", do mega-supra-sumo-mais-que-clássico Edgar Allan Poe (1809-1849). Bem diferente da minha tentativa de leitura anterior (Jorge Amado, com "Gabriela..."), este cara não enrola. É que nem dá pra fazer muito disso mesmo, porque suas histórias são curtas. Parece que Poe não gostava de escrever romance, realmente se especializou em escrever contos. E são contos bem legais, especialmente os de terror!



A propósito, todos os textos desse lendário literato norte-americano parecem conservar o mesmo estilo elegante e sóbrio, com recursos de linguagem como "não me lembro desta parte" e "naquela ocasião", como que buscando persuadir o leitor de que o narrado realmente aconteceu, dando-lhe mais credibilidade. E frequentemente o narrador assume o papel de um personagem secundário na história, contando a história de um "amigo" que conheceu.

As 7 histórias da coletânea que chegou às minhas mãos são: "O gato preto", "Manuscrito encontrado em uma garrafa", "Os crimes da rua Morgue", "A carta roubada", "O poço e o pêndulo", "O escaravelho de ouro" e "A queda da casa de Usher".



1- A primeira história, "O gato preto", é o que realmente pode se chamar de terror. Creio já tê-la lido antes durante um curso de inglês, no original. Ainda assim, seguiu bastante horripilante; apesar de que as organizações de direitos animais poderem atacar o protagonista, este não era maldoso só com os animais... Ficou louco de tudo! Agora, de onde veio essa loucura, fica no ar... E os estranhos acontecimentos desta história só são explicáveis por vias sobrenaturais...

2- "Manuscrito encontrado em uma garrafa" não é lá tão interessante quanto as outras histórias. Blá, blá, blá. O título refere-se ao conto inteiro. A ideia é que o narrador passa por aventuras em alto mar, que descreve em seu manuscrito, ao qual acabamos tendo acesso de algum modo.

3- Ah! Como eu estava ansioso por conhecer "Os crimes da rua Morgue"! Afinal, eu tinha pesquisado anos atrás, e descobri que esta foi a história fundante das histórias de mistério policial, que deram origem a Sidney Sheldon, Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle.

(Só atenção, gente como o argentino Jorge Luis Borges nos adverte a não ler esse conto fundante com olhos tão críticos, acostumados com as histórias posteriores; é claro que os que vieram depois devem ter sido mais legais, pois beberam do pioneiro!)

De todo modo, foi bem bacana e emocionante ler essa história, protagonizada pelo detetive amador (no sentido de que não era um profissional, não trabalhava na polícia, aliás, não trabalhava em lugar algum) Dupin. Bem interessante ler todo o mistério e depois acompanhar todas as deduções do personagem mega-inteligente, apesar de pobretão.

4- "A carta roubada" é outra história protagonizada por Dupin, o inteligentíssimo "amigo do narrador". Mesmo esquema narrativo do conto anterior. Mistério, resolução e explicação. Neste caso, o detetive já se mostra com alguma fama, já que o delegado vai recorrer a ele. Lembra até Batman e sua relação com o comissário Gordon. Opa! Poe veio muito antes de Batman, então provavelmente os criadores das histórias de Batman se inspiraram em Poe...



5- "O poço e o pêndulo" é uma história bem maluca, em que uma vítima da Inquisição medieval conta sobre como está sendo punida, em uma câmara dos horrores da Igreja. Cada artimanha dos caras, cada engenhoca doida, buscando enlouquecer ao máximo o "herege", viu!

6- "O escaravelho de ouro". Curioso que, bem quando estive lendo este livro, estive também auxiliando em um livro o professor de Artes na USP Artur Matuck, que menciona este conto de Poe como fundante da "Escrita Combinatória" ou "Escrita Computacional". Afinal, trabalha com cifras, códigos, e apresenta o enigma como boa parte da resolução de um problema da narrativa. Novamente, é um "amigo" inteligentíssimo (e bizarro) do narrador que mostra a solução... Bem divertido esse jogo!

7- Por último, temos no livro "A queda da casa de Usher". Este volta ao terror sobrenatural. E lá vai outro "amigo do narrador", maluquinho por sinal - de novo. O narrador vai passar um tempo na casa do homem, em estado cada vez mais demente, e lá vamos nós entrar em suas loucuras, que também envolvem sua irmãzinha... A história é razoável.

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Por coincidência, no último mês também acabei lendo o clássico poema de Poe "O corvo", por conta de um curso de roteiro de quadrinhos com Marcela Godoy, na Quanta Academia de Artes. E não só ele, mas também um texto bem legal e didático do escritor em que ele explica como compôs sua obra-prima! Não é massa? Chama-se "Filosofia da composição". Recomendo!

Antes de encerrar, devo lembrar que este texto foi produzido seguindo proposta do Desafio Literário 2012, promovido pela increíble Viviane Lima! Próxima parada? "Mitologia universal". Minha obra escolhida? "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. Uau, que chique, né? Mas vou ler uma tradução que se diz mais "inteligível para nossos dias", em umas 300 e poucas páginas, o que já é desafio mais que suficiente para este mês caótico de minha vida...

Abs e até a próxima!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vota em mim como "novo escritor" na Bienal do Livro?

Oi! Estou concorrendo a participar de uma mesa de debates do Sesc na Bienal do Livro para falar sobre meu primeiro romance, que gostaria de publicar! Chama-se "A Menina que Ouvia Demais". 

Você pode me ajudar, votando em meu vídeo de 2 minutos sobre o livro, neste link!

Basta fazer um rápido cadastro com nome, e-mail, CPF e uma senha qualquer. 

Se quiser me avaliar primeiro, lendo um pouco de minha literatura, tem aqui. Para saber mais sobre este concurso promovido pelo Sesc, denominado "Escritores in Progress", consulte esta página.

Agradeço toda ajuda redivulgando este pedido! É muito importante pra mim! :D

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cade a Gabriela, Jorge Amado?

Resovi ler a consagrada obra do baiano Jorge Amado "Gabriela, Cravo e Canela". Uma vencedora do prêmio Jabuti de literatura brasileira (entre outros prêmios), traduzida para ao menos 15 outras línguas e adaptada para outras tantas mídias, como a novela que passa agora na televisão.

Sônia Braga ficou famosa por interpretar a protagonista. E agora, Juliana Paes. Que, pelo que eu soube, na novela aparece desde o primeiro episódio.

Não é o caso do livro, onde só depois de quase 100 páginas (de um total de umas 450) ela vai começar a aparecer numa ceninha.

Antes disso, há só uma expectativa para que ela apareça, pois mostra-se o árabe Nacib procurando feito louco por uma cozinheira. Será ela então que ele vai encontrar? Afinal de contas... na verdade, apesar de a mulata Gabriela não ter aparecido de fato em tantas páginas, a primeira frase do livro é dedicada a ela:

"Naquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do árabe Nacib,  estação das chuvas tanto se prolongara além do normal e necessário que os fazendeiros..."

Ou seja, o autor até usou um recurso interessante. Anunciou no título e na primeira frase do livro que teríamos uma Gabriela e com quem ela ficaria. O que me criou expectativa, quando vi que o tal Nacib procurava uma cozinheira.

Isso não seria um problema em si, acredito, a não ser pelo fato de que eu gostaria de conhecer essa bendita Gabriela logo - então é melhor assistir à novela, certo? ;)

O problema mesmo é tanto falar de Ilhéus, da cultura do cacau, que a cidade está se desenvolvendo com o cacau, que o progresso chegou a Ilhéus, vejam que temos uma nova rota, vejam o problema para os navios entrarem em Ilhéus, vejam que bonito o discurso do Doutor, não, prefiro o discurso do Capitão...

Sinto dizer, mas isso tudo é um saco! Quanta nove-hora! Quanta enrolação! Não acontece nada que me cause emoção, que me traga empatia! Jorge Amado pode ser bem amado pela Academia e por muita gente, mas não serei eu mais um a me declarar por este livrinho grosso não...

Decidi então que não vou passar das 50 páginas, porque, pelo andar da carruagem...Dá pra ver que tenho coisa melhor pra fazer na vida. Por exemplo, ler os instigantes contos do Edgar Allan Poe!!! Isso sim que é uma boa maneira literária de curtir a vida.

Esta resenha desaforada, se é que se pode chamar este texto de algo assim, foi feita em prol do Desafio Literário 2012. Espero em umas 2 semanas publicar uma resenha mais bem-humorada sobre o tio Poe. ;)

(Mas essa é de fato uma lição, minha gente: não vamos perder tempo de nossa vida de lazer dedicados a um negócio só porque dizem que é o que é... A vida é muito curta! Tem trocentos outros "clássicos imperdíveis" pra curtir, entre outros contemporâneos que podem se encaixar melhor no seu gosto.)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Estreias no cinema e otras cositas até o fim de 2012!

Só um lembrete do que vai ter até o fim do ano de legal, pra não esquecer depois!
 
- Musical A Família Addams, com Marisa Orth e Daniel Boaventura, no Teatro Abril; produção acabando de sair da Broadway (R$ 70 - R$ 220; aceitam meia)  
(Este estreou em março e já assisti! Vá, que é muuuuuito bom! Um verdadeiro espetáculo, com arte refinadíssima da orquestra, canto dos atores, intepretação, até a comédia!)
 
- Pinacoteca apresenta história da arte no Brasil com 500 obras até anos de 1930 (até 30/dez, R$ 6)

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Junho

15: Estreia Prometheus. Eu não tava dando muita bola pra esse filme, mas o professor de ficção científica Luiz Braz disse que deve valer a pena! Então bora lá!
 
29: Estreia Era do Gelo 4: A Deriva Continua! (2 semanas antes que no resto do mundo, apesar de Carlos Saldanha sair da direção bem neste filme!)

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Julho: 

3: Estreia o novo filme do Homem-Aranha!

20: Estreia o terceiro filme do Batman com Christopher Nolan!

20: Estreia Valente, novo longa da Pixar (Emma Thompson faz voz da rainha Ellinor)

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Novembro:

16: Estreia Crepúsculo - Amanhecer - parte 2

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Dezembro: 
 
14: Estreia O HobbitUma Jornada Inesperada, parte 1
 
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- Aliás, parece que já acabou, mas eu assisti no começo do ano PPP@WllmShkspr.Br, com os comediantes Parlapatões, e foi muito divertido! Recomendo esses caras! Foi um espetáculo sobre toda a obra de Shakespeare em 90 min! (R$ 30)
 
É isso aí! Té mais!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Turismo ao passado gera superlotação em locais históricos

Não se engane com o título deste livro: "Os Correios do Tempo" (1969), de Robert Silverberg. Não se trata de "carteiros intertemporais", como eu estava imaginando. Na verdade, seriam "guias turísticos intertemporais". E só ao passado, e no mesmo local geográfico, pois são essas as limitações da tecnologia disponível.

Não entendo o motivo do título, a não ser que tenha a ver com a versão lusitana do português... O título original é "Up the Line", já que os personagens no livro referem-se à viagem no tempo como atravessar ou seguir "a linha".

Boa parte do início e meio do livro é meio chato, sem parecer que a história vai para algum lugar definido. A gente chega ao primeiro capítulo esperando por viagem, aventura, e nada disso. A gente vai entrar nisso aos poucos só depois. O problema da história é que o protagonista não parece ter uma motivação bem definida.

O que me manteve lendo foi saber da sinopse, na contracapa do livro. Havia a promessa de que o homem do futuro se apaixonaria por uma mulher do passado. Mas isso demora bastante para acontecer.




PROGRESSÃO

De todo modo, acompanhamos como, meio por acaso, com indicação de um amigo, esse graduado em história acaba ingressando na carreira do "Serviço do Tempo". E vai então descobrindo suas regras, a "Patrulha do Tempo", que coíbe violações - como fazer algo no passado que mude épocas posteriores, até o presente. Acompanhamos também os estágios que Jud faz em excursões, principalmente na área de Constantinopla (ou Bizâncio, ou Istambul, na Turquia, área de preferência dele).

De fato é interessante fazer esse "passeio" literário por um mundo e sistema de turismo com viagens ao passado. Pontos especialmente interessantes são os paradoxos, violações por baixo dos panos e a cultura bastante liberal em termos de sexo da galera.

Acontece que, como se parte de vários tempos no futuro (dias, meses ou anos) para o mesmo tempo no passado - como a crucificação de Jesus Cristo -, um mesmo guia veterano pode ser encontrado 22 vezes na região, acompanhando diferentes grupos em excursão. É o caso de Metaxas, o mais experiente da turma.

Além disso, esse veterano resolveu estabelecer para si uma luxuosa residência permanente por volta do século 12, além de ter a meta de dormir com o maior número possível de suas antepassadas - tudo isso totalmente proibido.

Aliás, o que não falta é sexo no livro. A cultura da época demonstra ser bastante liberal, com encontros casuais à vontade - apesar da proibição de se fazer isso com pessoas do passado.

A história pega fogo mesmo quando o protagonista Jud é cada vez mais influenciado pelo seu coleguinha veterano...

Pois bem, apesar do início devagar, torna-se mesmo bem divertido fazer o passeio por esse mundo onde as viagens no tempo são uma atividade comercial - ainda que restrita aos turistas mais ricos e aos funcionários do "Serviço do Tempo".

Outro mérito bem legal do livro é que nos coloca em contato profundo com figuras históricas do passado, anônimas ou célebres; ou simplesmente "cópias" que produzimos ao viajar no tempo. Todas com suas motivações, consciências, etc., apesar da bagunça causada pelas viagens no tempo.

(Livro lido por indicação do Desafio Literário 2012!)