Enfim, entendo por que há tantos fascinados pelos livros de J. R. R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien).
Como já assisti aos filmes da saga "O Senhor dos Anéis", resolvi ler "O Hobbit", que conta acontecimentos anteriores aos que passam nos 3 filmes já produzidos.

Pois é, e não tem jeito, acabo visualizando os personagens como os atores caracterizados do filme. Este é um "problema" e "vantagem" de ler um livro que foi adaptado ao cinema (bem, na verdade este ainda não foi, apesar de estar em preparação há uns anos, super-enrolado). Mas o seu universo foi, e isso é o que importa.
É muito emocionante, já estar familiarizado com grandes personagens como Gandalf, o mago aventureiro que nunca fica parado numa torre; e Gollum/Sméagol, criaturinha horrível e inquietante, mas fascinante; e o tio do Frodo, ver como ele acaba caindo em aventuras nada a ver com seu estilo de vida. É claro, além do aparecimento inicial de "O Anel".
Diversão e narrador presente
O mais legal é que o livro, a narração, é bem engraçada. As situações em que são colocados os personagens são um tanto absurdas às vezes, extremadas, com personagens em apuros tão ai-meu-Deus-do-céu, mas que acabam sendo naturais até, no contexto da obra. O início com o anfitrião recebendo trocentos convidados que não convidou, mas sem querer destratá-los, já mostra a que veio o livro! Uma situação absurda bem divertida!
E o narrador nos conta as histórias como se estivéssemos reunidos em torno de uma fogueira. Ou algo do tipo. FIgamos, ah, mas eu não contei como é um hobbit, contei? Ah, mas vocês também ficariam muito assustados com aquilo, se estivessem lá. Ah, eu não sei como ele foi parar lá, ou de onde ele veio...
Ou seja, há uma semelhança entre este narrador (que nunca se apresenta, apesar das esporádicas referências a "eu" e "você, leitor") e os dos contos-lendas de Clarice Lispector, sobre os quais resenhei no mês anterior. Gostei deste tipo de aproximação com o leitor. Dá um ar gostoso na narrativa.
Sem falar que há muitas exclamações, reticências, etc. É um livro bem vivo! Ok, às vezes é um saco ficar lá lendo umas descrições um pouco longas (que não chegam perto do livro 1 de "Senhor dos Anéis", pelo que me contam), e as várias canções (há várias durante o livro), parece desenho animado da Disney.
Sempre tem gente cantando, de anões, elfos a orcs! Juro que quando jogava RPG, eu nunca vi nenhuma criatura cantando, a não ser o bardo (menestrel, artista ambulante de fantasia medieval). Então, é bem curioso pra mim ver esse povo todo cantando e etc. Até os monstros orcs!
De todo modo, pra mim, que me habituei com esse mundo jogando RPG, é bem legal sentir a expressividade dessas histórias originais em que aparecem essas criaturas fantásticas! O fato é que não consigo parar de ler, no ônibus, metrô, em casa, em qualquer lugar!
(Curiosidade: Tolkien nasceu na África do Sul, mas partiu já com 3 aninhos pro Reino Unido... valeu o toque, chefinho!)