segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Edital: 5º Sarau Animal - 1ª Edição Rio
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Maurício Kanno
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Assuntos: direitos animais, Rio de Janeiro, sarau, sarau animal
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Seleção de escritores para livro sobre direitos animais!
Você curte escrever literatura e é a favor da defesa dos direitos animais? Participe desta seleção de trabalhos para a publicação de um livro e e-book sobre o assunto! O prazo inicialmente definido para envio do texto (ou textos) era até o fim de janeiro de 2014, mas foi prorrogado por mais 3 meses, até o fim de abril de 2014. O estilo e gênero são livres, apesar de eu pessoalmente dar preferência para contos instigantes bem narrados, cheios de ação e bons diálogos.
O tamanho do texto padrão pode ser de cerca de 8.000 caracteres (com espaços), cerca de 1.350 palavras, o que dá pouco mais de duas páginas no Word. Você pode enviar texto maior que isso ou mais de um trabalho, mas nesse caso espera-se que você contribua mais para o projeto (leia mais abaixo).
É importante ter em mente que o tema "direitos animais" aqui significa abolição da escravidão animal e veganismo. Creio que este site esclarece tudo o que é necessário a respeito do tema: http://
Material recebido e título
Já temos mais de 12 contos ou crônicas, 12 poemas e 14 letras de música em português - sim, é até uma possibilidade incluir um CD ou link com MP3 também - e 8 poemas em inglês - sim, podemos também tentar publicar um livro e e-book literário animalista em inglês também!
Entre os nomes pensados até o momento para a publicação, estão: "Os Animais Contam", "Sonhos Abolicionistas", "Sonhos Animalistas", "Libertação Animal em Contos e Poesia", "Contos e Poemas Animalistas" e "Lirismo Animal".
Quanto à editora, estive pensando na Multifoco (RJ), que já deve mesmo publicar um livro meu solo em 2014. Mas isso ainda está a se definir, depois que terminar a etapa de seleção de trabalhos.
Há também descontos, possibilidade de patrocínio, financiamento pelo Proac-ICMS, crowdfunding, etc. Mas é bom que, caso nada disso dê certo, vários autores possam pagar uma parte adiantada, para viabilizar a publicação. E caso isso ocorra, você acaba obtendo todo seu dinheiro de volta, e talvez até um pouco mais, ao vender os livros. Se você tiver dificuldades com isso, vamos conversar. De todo modo, ajuda na distribuição também é fundamental, pois de nada adianta termos um belo livro parado sem leitores, hehe.
Questionário e leitores
Se você não pretende mandar um trabalho literário, mas sim comprar um exemplar, ajudar a distribuir quando for publicado, ou mesmo patrocinar o projeto, agradecemos e garanto que ficará feliz com a obra! É só me escrever! O dia e locais do lançamento ainda não estão definidos, mas pretendo que seja em 2014 mesmo, em diferentes cidades brasileiras simultaneamente - e quem sabe até no exterior também!
Envie trabalhos, sugestões e tire dúvidas por meu e-mail: mauricio.kanno arroba gmail ponto com ou me telefone: (11) 9-9564-4568. E não se esqueça de enviar junto suas respostas a estas questões, principalmente a minibiografia, ok? Abraço!
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Maurício Kanno
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Assuntos: animais, arte animal, contos, direitos animais, literatura, livro, poemas
segunda-feira, 29 de abril de 2013
4º Sarau & Mostra de Artes pelos Direitos Animais!
Desde 2010, todo meio de ano tem Sarau Animal, sempre com muitos novos talentos e novas artes pra mostrar! Em 2013, o evento acontece em 22 de junho, sábado, das 12h às 16h.
Esperamos você também inventar alguma coisa pra levar pra gente! Não precisa ser profissional nem nada do mundo artístico, basta boa vontade e uma mensagem em defesa dos animais! A ideia é estimular a criação de cada um e fornecer o espaço para mostrá-la para todos os interessados!
Pra facilitar a organização, mande um e-mail para grupogeda@gmail.com com sua proposta e vamos lá! (E se você tiver vergonha de falar em público, pode passar seu texto, desenho ou o que for para outra pessoa apresentar pra você, hehe.)
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Veja abaixo a programação confirmada até agora (ordem exata a definir; e há possibilidade de agendarmos um segundo dia de evento, caso a duração inicialmente prevista não seja suficiente para comportar o total de apresentações artísticas inscritas):
2) Performance da atriz Chris Cordovil
3) Música "O Mundo é Vegano", de Luís Martini
4) "Origamis da Fazenda Feliz", montagem da artista-mirim Giullia Luiza Takahashi
5) Coreografia "BellyCats", baseada na dança do ventre; idealizada pela bailarina e professora Nitya Montenegro - que aparece como uma gata cinzenta persalata - , é executada pelo grupo de bailarinas do Rio de Janeiro Bellydance Solidário, contando também com: Laura (Lalitha) - gata branca - ; Dania Ruaida - tigrada - ; Ly Lateef - preta e branca; Nynah Jamile - gata preta; Mayara Rajal - sialata (marrom) - ; e Clarisse Pacheco - amarela mesclada
6) Contação da história no livro "A Galinha Gulosa", pelo autor Raimundo Lonato, de Paulínia
7) Ilustração de Beatriz Rezende Ramos e breve papo com a profissional de moda sobre esse mundo com e sem exploração animal
8) Poema "Mensagem Animalista", de Rogério Ferreira Gonçalves; trata-se de paródia ao poema "E Agora, José?", de Carlos Drummond de Andrade
9) Paródias de marchinhas de carnaval, contos futuristas animalistas e pinturas de Maurício Kanno
10) Paródia literária sobre o Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda), por Cláudio de Godoy
11) Texto literário surpresa da professora de Jornalismo da USP Nancy Nuyen
12) Performance do professor de Artes da USP Artur Matuck
13) Fotografias de detalhes de animais expostos no Mercadão de São Paulo, por Thaís Navarro
14) Shape de skate com desenho de temática animalista, por Paula Dahmer, de Piracicaba
15) Desenhos digitais impressos com processo giclee da exposição “Filhos do Vento”, de Jadiel Rezende
16) Quadro sobre a exploração das galinhas prisioneiras, com desenho a grafite de Maria José Oliveira
17) Histórias "Vizinhança" e "Desventuras de uma Tartaruga Tímida", ambas contadas pelo autor Dimas Gomez, fundador do Núcleo de Escritores (Nuke)
18) Animação "Uma Viagem Inesperada", sobre a aventura de uma menina de fazenda que tenta salvar um pintinho; direção de Gabriela Santiago, com a colaboração de Tânia Regina Vizachri
19) Pinturas em telas, madeiras e outros materiais, por Laura Kim
20) Textos literários de Bruno Muller
21) Música "Em pé", de David Turchick, tocada no violão
A edição 2013 dessa festa artística em homenagem aos animais vai acontecer na Biblioteca Pública Municipal Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo, pertinho da estação de metrô Tatuapé. O endereço é Rua Restinga, 136, na frente da Grande Tinturaria Paulistana.
Fica bem próximo do Shopping Boulevard Tatuapé, seguindo direto para a esquerda depois de sair descer para o nível da rua e passar pelo estacionamento e por baixo do sinal de limite de altura máxima de veículos. Você vai chegar à Rua Cristais e então é só seguir por ela até a Rua Restinga, que é continuação.
Veja o mapa no site da biblioteca ou ainda veja os arredores da biblioteca no Google Maps e Street View. Qualquer dúvida extra, ligue para o organizador do evento, Maurício Kanno: (11) 9-9564-4568. :)
[O Sarau nasceu em meio às atividades do Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda), como uma extensão mais divertida, lúdica e artística dos trabalhos em prol da difusão do respeito aos animais!]
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Assuntos: arte animal, artes, direitos animais, sarau, sarau animal
sexta-feira, 8 de março de 2013
Plano para o meu Desafio Político 2013: Adotando Parlamentares!
[Para saber mais sobre os propósitos e o funcionamento deste projeto, leia aqui.]
(Fique à vontade para se inspirar nesta lista para fazer também a sua!
Apenas saiba que, no meu caso, selecionei três parlamentares que demonstraram apoio à causa dos direitos animais; outros quatro que me pareceram valorosos de algum modo; e de resto me concentrei nos que representam São Paulo, cidade e Estado onde moro.)
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Assuntos: abolicionismo, Adote um Vereador, deputados, direitos animais, política
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Marchinhas de Carnaval em Defesa dos Animais!
O que é que um ativista defensor dos animais faz no Carnaval? Oras, tradicionais marchinhas pra celebrar o mais brasileiro dos feriados brasileiros, se divertir e cair na folia, ao mesmo tempo em que difunde a causa!!! :D
Espero que você se divirta tanto quanto eu me diverti ao compor estas paródias! E inspire-se!!! ;)
(As letras de cada música estão no campo de informações de cada vídeo no YouTube!)
MARCHINHAS DE CARNAVAL EM DEFESA DOS ANIMAIS
Lista de paródias já publicadas:
1) Ave depenada não voa mais [A pipa do vovô]:
( http://youtu.be/P1A9m0Vcr6w )
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5) Laticinio faz bezerro chorar [Mamãe eu quero]
( http://youtu.be/G7DztM10u30 )
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7) Peixe não é fruta [Cachaça não é água]
( http://youtu.be/lMj9baRFhOU )
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A publicar:
2) Maria no Zoológico [Maria Sapatão]
3) Peixe voador [Allah-la ô]
4) Olha que sacana esse caubói! [Olha a cabeleira do Zezé]
6) Golfinho infeliz [A pipa do vovô]
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Maurício Kanno
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Assuntos: artes, ativismo, direitos animais, música, veganismo
sábado, 15 de agosto de 2009
A transformação de uma peixa japonesa e uma sereia em humanas na animação
(20/02/09) O que dizer de um peixe, ou mais propriamente, uma peixa, que deseja, com todas as suas forças, virar humana? E ela de fato se transforma. Tudo isto para ficar junto de um menino humano da superfície. Esta é a idéia principal de Ponyo (2008), o último filme do consagrado cineasta de animação japonesa Hayao Miyazaki. O nome original é Gaku no ue no Ponyo, o que significa algo como “Ponyo no alto do penhasco”.
A idéia não é nova. Apesar de ter ficado famosa no cinema com A pequena sereia (1989), dos estúdios Disney, há também uma versão de filme francês (1980), russo (1976), tchecoslovaco (1975) e também outra animação japonesa (1975). Todas baseadas em história original escrita por Hans Christian Andersen (1805-1875), escritor dinamarquês famoso por seus contos de fadas.
As diferenças principais são que, ao contrário de a protagonista no original e no filme Disney ser uma sereia, ou seja, uma criatura metade humana, metade peixe, que vive no fundo do mar; na versão de Miyazaki ela é uma peixe mesmo. Além disso, em Disney, ao invés de a relação se dar entre jovens, o que gera um apelo explicitamente romântico; no filme, a relação se dá entre crianças, criando assim um clima de amizade pura e inocente mesmo.
No entanto, que mensagem passa, afinal, essa dedicação tão forte em essas garotas, sejam peixe ou sereia, virem para o lado de cá, dos humanos? Largarem mão de toda a sua vida lá e virem pra cá?
O que mais deve transparecer em uma análise crítica, claro, é a de superioridade que a espécie humana se arroga sobre os outros animais. Na história, é o animal, ou meio animal, que necessita se transformar em humano; e não o contrário. Isso não parece positivo. É uma supervalorização do mundo humano.
Contexto, dominação e valorização de classes
É importante lembrar também do contexto da história original: Andersen viveu no século XIX na Europa, a época do imperialismo das potências européias sobre os continentes africano e asiático. Qual era o discurso que legitimava toda essa invasão? Levar o “progresso técnico-científico” para os povos “sem cultura”, “não evoluídos”. Aliás, o Japão também foi potência imperialista. Assim, pode haver uma comparação destes povos com os imaginários “meio-animais”, que também ficariam admirados com o “mundo superior”.
Ressalte-se que as personagens peixe ou sereia fazem todo o esforço do mundo, usam magia e tudo o mais para alcançar seu objetivo. Isso também demonstra uma força de vontade fenomenal tanto das personagens femininas como animais.
De qualquer modo, podemos deixar de lado a questão de superioridade humana citada, para destacar mais a questão da amizade entre mundos. Nós somos humanos, e o filme é dirigido para nós. Seria talvez difícil o público entender tão bem a história se a amizade se passasse entre peixes. O enfoque que dá Miyazaki à amizade entre seres de universos diferentes é belíssima. Tumultuada, desesperada, encantada e transcendente.
A história tem muita magia envolvente, cheia de ondas e peixes gigantescos, tsunamis, a coragem da mãe durona do garoto, entre outros encantos que se dão bem com o estilo de desenho colorido e denso de Miyazaki. Este autor, diretor do Studio Gibli, tambem produziu Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Animado (2004), conhecidos no Brasil.
No Brasil, ainda deve estrear entre junho e outubro de 2009. Será bom poder assistir em português. Por mais que tenha sido possível pegar uma idéia geral da história em japonês no Japão (sem legendas em inglês), não foi assim tão simples entender, apesar de desfrutar o original em primeira mão...
[Originalmente publicado como Artigo 8 para a ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais) em 20/02/09; como minha coluna saiu do ar lá por um tempo, apesar de agora retornar aos poucos, em dupla, republico aqui, no momento em que "Ponyo" está como um dos 10 "trending topics" do Twitter]
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Maurício Kanno
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Assuntos: Agência de Notícias de Direitos Animais, animação, animação animal, animais, artes, cinema, direitos animais
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Minha experiência no 12º Festival Vegano Internacional e Grupo de Estudos de Direitos Animais
Geda, interação, palestras ao mesmo tempo, programação no site e refeições
(10/08/09) Fui convidado para apresentar neste festival, em palestra, a experiência com o Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda), que fundei em São Paulo. O convite partiu de Marly Winckler, organizadora do evento, que aconteceu no Rio de Janeiro, entre 22 e 25 de julho de 2009.
Ela me pediu um depoimento, e aqui está. Para mim foi sinceramente uma honra participar, ainda por cima como palestrante, de um evento como este, tão grandioso e com convidados internacionais e também de diferentes Estados do Brasil. Aliás, rever a própria Marly, que eu havia conhecido pessoalmente e encontrado apenas uma vez, quando estava começando meu caminho no movimento, e com quem me correspondia com alguma requência, também era importante. Ela era uma inspiração.
Ultimamente, eu estava procurando me afastar um tanto das atividades pelos direitos animais, focando questões pessoais em atraso, especialmente profissionais. Por isso inclusive a socióloga e professora Tânia Vizachri acabou assumindo a organização do Geda, com apoio de outros importantes colaboradores, a quem agradeço. Assim, o tempo e dinheiro investido na viagem me faziam hesitar.
Mas a oportunidade de apresentar o grupo em um evento como este e conhecer o Rio de Janeiro – famosíssima cidade em que eu jamais havia colocado os pés, mesmo morando em Estado vizinho – me impulsionaram muito na decisão de aceitar o convite e ir. Além de ter o amigo Bruno Müller para hospedar e desfrutar da companhia na cidade.
Minha palestra sobre o Geda
Por volta de 12 pessoas assistiram minha apresentação, com powerpoint atualizado no dia da partida, sexta-feira – viajei de madrugada para poupar tempo. Foi mesmo muito gratificante ver pessoas de outro lugar do Brasil interessadas na experiência do grupo de estudos, perguntando detalhes de organização e programação, pensando até em montar atividades similares em sua própria cidade.
A maioria, me parece, eram mesmo do Rio, mas também havia um rapaz de Belo Horizonte, que havia conversado comigo antes da palestra, logo que cheguei ao evento, já demonstrando seu interesse no tema. Charles de Freitas Lima, famoso ativista que conhecia de nome pelas listas de discussão sobre direitos animais, foi outro presente que me honrou com sua presença e interesse.
Quem se interessar, pode ver o powerpoint aqui:
E pode ouvir o áudio da palestra aqui (que vergonha!):
http://geda.podomatic.com/entry/2009-08-09T23_06_02-07_00
Nesta página aparecem informações sobre o Geda e eu mesmo, no site do Festival.
(download do ppt aqui: http://sites.google.com/site/grupogeda/arquivos/historia-geda-24-07-09.ppt )
Festival e o grupo de estudos
Pra ser sincero, mesmo sendo novo no movimento, já estou um pouco cansado de palestras sobre direitos animais. Parece paradoxal dizer isso, vindo de alguém de um grupo de estudos, não? Mas a dinâmica de eventos proposta do Geda é bastante diferente.
Ao invés de uma grande concentração de palestras em alguns dias seguidos, fazemos apenas duas, separadas por um intervalo com lanche e bate-papo, e tudo isso em apenas 3 horas, uma vez por mês. Isso é mais palatável para mim.
É claro, eventos de imersão como este 12º Festival Vegano Internacional, além do 2º Seminário de Direitos Animais da USP e o 1º Encontro Nacional de Direitos Animais, tendo participado destes últimos no ano passado, são louváveis, especialmente para quem mora longe dos grandes centros urbanos e fica mais fácil separar dias seguidos para viajar e se dedicar. É minha posição pessoal, mas de todo modo ofereço a proposta alternativa a quem interesse.
Interação com os participantes
Foi muito bacana poder conversar com pessoas de países diferentes; por exemplo, em inglês com um professor que trabalhou toda a vida em Londres e agora mora na Califórnia; em espanhol com uma estudante intercambista que veio da Califórnia, filha de indianos; e conhecer especialmente tanta gente do Rio, entre outros que só conhecia virtualmente, como Thaís Shanti e Eliane Lima. Além de rever os ativistas de São Paulo.
Na verdade, para mim, isto é o essencial de um evento grande como este: conhecer pessoas diferentes. Então, tinha vezes até que acabava ficando mesmo de fora das palestras pra bater um papo com alguns. Esta interação informal me parece essencial, e seria bacana oferecer mais espaço para isso.
Pena que perdi a oportunidade de conhecer pessoalmente o Carlos Naconecy, doutor em Filosofia cujo livro “Ética & Animais: um guia de argumentação filosófica” foi essencial para mim e foi base para muitos dos primeiros eventos do Geda. Um mentor a quem devo muita orientação, inclusive pela troca de ideias por e-mails.
Quando o festival estava encerrando, eu, caindo de sono de cansaço, acabei indo embora, e meu amigo Leon Denis me disse que Naconecy havia me procurado pouco depois de minha saída, com a amiga Vânia Daró.
Palestras ao mesmo tempo
Não sei se é estratégico colocar mais de uma palestra ao mesmo tempo, ainda mais tantas de cada vez. Isso sobrecarrega e dispersa a atenção dos participantes. Era triste ver meio vazio o auditório grande em que ocorreu a palestra da esperada escritora Regina Rheda, que veio dos EUA.
Ouvi frustração a respeito de haver na programação ao mesmo tempo mais de um super-palestrante que o participante queria ver, por exemplo. Quando isso ocorria comigo – e era frequente – a minha própria tática, apesar de isso parecer não muito polido, além de superficial; foi ver um pedaço da palestra de um, e um pedaço da palestra de outro; como fiz com a Patrícia, que falou sobre sua bela experiência do Santuário das Fadas.
Por outro lado, é claro que isso possibilita um grande leque de opções para os participantes, claro. Dificilmente a minha palestra aconteceria se houvesse apenas uma por vez, que privilegiaria os medalhões do movimento. Isso possibilitou que o público pudesse tomar contato com diferentes experiências e ideias, até com as minhas, de um novato de apenas pouco mais de um ano e meio de ativismo.
Programação no site
Outra dificuldade que tive foi me programar com antecedência, já que eu sabia apenas o horário da minha palestra. Pude ver folhetos completíssimos com a farta programação ao chegar, mas realmente não consegui encontrar pelo site antes essa programação, somente os nomes dos convidados e suas biografias, sem referências específicas de horários.
Um destaque para a tabela geral no menu principal do topo ia bem. Depois acabei achando, mas estava em ordem alfabética no vasto menu lateral como “Programa”, o que um desavisado como eu acabou deixando passar.
Refeições
Também proponho dar mais atenção às refeições. Parecia não haver oferta de almoço pra valer na hora do almoço, mas somente lanches dos estandes. É claro, adorei prová-los, deliciosos, como hambúrgueres e pastéis, mas ouvi queixas de participantes a respeito dessa falta durante a semana, tendo que se virar com os lanches. Um deles resolveu até sair do festival para almoçar fora em um dos dias.
Infelizmente perdi o “Junta-Prato” que ocorreu somente no sábado; acabei me dando conta de que ocorria quando já estava terminando...
Maurício Kanno
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Assuntos: animais, direitos animais, evento, Geda, Rio de Janeiro
domingo, 2 de agosto de 2009
"Pierre e os veganos", narração - parte 1
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Migração para Agência de Notícias de Direitos Animais e Twitter
Oiê, turma... Só gostaria de dizer que tô sumido deste meu blog Animao no Blogger, há um bom tempo, primeiro por ter aderido à rede de blogs Stoa da USP, que tem muito mais acesso e comentários.
Depois, por ser responsável, há um mês e meio, por uma coluna semanal sobre animação, quadrinhos e direitos animais, na Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA). Aí acaba não sobrando muito tempo pra blogar, sabe como é... Produzir esses artigos dá um certo trabalho, mas é legal, porque une os assuntos que mais curto, e me força a escrever de maneira bem feita e trabalhada, pesquisada e estruturada. Toda sexta-feira tem artigo novo, amanhã chega o sétimo.
Ainda me dá vontade de blogar sempre, mas pra isso acabei aderindo ao sistema do Twitter, em que o tamanho do post é mínimo: 2 linhas. Lá estou atualizando sempre, é uma ótima pra contar algo de novo de maneira bem concisa, e sem investir tanto tempo. Ótimo treinamento jornalístico, por sinal, eheh. A indicação foi da colega de profissão Carolina de Barros.
Grande abraço e grandioso 2009!
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Assuntos: agência de notícias, Agência de Notícias de Direitos Animais, ANDA, animação, artigos, blog, coluna, direitos animais, escrever, mini-posts, quadrinhos, tempo, Twitter
sábado, 6 de dezembro de 2008
Panorama internacional de direitos animais em evento de 1 ano de debates do Grupo de Estudos de Direitos Animais

No dia 13 de dezembro de 2008, o Grupo de Estudos de Direitos Animais (GEDA) realiza seu 13º evento mensal de formação sobre o assunto, livre e gratuito aos interessados. Será no sábado, das 15h30 às 18h30, no restaurante Vegethus, com mediação de Cláudio Godoy.
- Primeiro estará em debate a situação dos direitos animais no mundo, com experiências nos Estados Unidos (professor da USP Artur Matuck e nutricionista George Guimarães), Inglaterra (estudante de Direito da USP Bruna Moliga), Israel (advogado Hugo Chusyd) e Japão (jornalista graduado na USP Maurício Kanno).
- Em seguida, o redator Dimas Gomez explicará como responder a três argumentos contrários aos animais: da Biodiversidade (animais usados não estão ameaçados de extinção), do Favor (muitos animais só existem por serem criados pelos humanos) e o Pragmático (seria impossível viver sem causar algum sofrimento aos animais). Os argumentos são os últimos analisados no livro Ética & Animais – Um Guia de Argumentação Filosófica, do filósofo Carlos Naconecy. E este é o último de nove encontros independentes em que a obra está sendo estudada.
- Almoço comemorativo - Antes do evento em si, às 14 horas, no mesmo dia e local, acontece o almoço comemorativo de 1 ano do grupo de estudos. Se interessar, o sistema é self-service, inclui sucos e sobremesas, e tem o preço fixo de R$ 19,50.
O endereço do Vegethus – Vila Mariana é Rua Padre Machado, 51, São Paulo – SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. Telefone: (11) 5539-3635.
Mais informações: (11) 9564-4568 ou grupogeda@gmail.com , com Maurício.
[arte do Logo: Rogério Carnaval]
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Caso possível, por favor, imprima o pdf de divulgação e divulgue na instituição que freqüenta!
Grande abraço,
Maurício Kanno
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Assuntos: animais, argumentação, direitos animais, educação, Estados Unidos, Geda, grupo de estudos, Inglaterra, internacional, Israel, japão, Vegethus
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Mesa-redonda hoje: Como a política pode ajudar o abolicionismo?
Olá, vou mediar hoje uma mesa-redonda virtual, 20-21h (horário de Brasília), realizada pelo VotoVegano.org.
Estarão presentes políticos, em geral candidatos a vereador, que assinaram a carta abolicionista, cujo princípio central é ser contra a escravidão de seres sencientes, que inclui os humanos e a ampla maioria dos demais animais.
Assinaram a carta até agora 9 deles, de diferentes partidos. Seus Estados são: 4 de São Paulo, 3 do Rio Grande do Sul, 1 de Minas Gerais e 1 do Rio de Janeiro.
Confirmaram presença no debate até o momento 5 políticos.
Participe:
www.votovegano.org/debate
Saiba mais:
Políticos que assinaram a carta abolicionista (e o texto): http://www.votovegano.org/euprometo/
Convite detalhado para participar do debate: http://www.votovegano.org/debate/convite.pdf
Grande abraço.
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Assuntos: abolicionismo, candidatos, debate, direitos animais, mesa redonda, política, veganismo, vereadores
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Candidatos municipais animais!
Se voce acha que os animais merecem respeito, pesquise sobre estas opcoes. Conheço todos pessoalmente e são ótimas pessoas; pior que eu nem vou poder votar... porque tô longe e não se vota para o município no exterior:
Em São Paulo:
Prefeita:
Soninha 23 PPS - http://www.soninha.com.br/
Gravou depoimento apoiando a nova Agência de Notícias de Direitos Animais, e é muito ativa com diversos outros movimentos, como de inclusão digital e saúde. Por denunciar o "esquemão" comum de toma-lá-dá-cá de acordos na Câmara recentemente, está sendo bastante atacada pelos colegas vereadores: http://www.estadao.com.br/nacional/eleicoes2008/not_cid236818,0.shtm
Vereador:
Veterinário dr. Marcel Benedeti 43.062 - http://marcelbenedeti.com.br/blog/
Palestrou no Campus Party Br, no Ibirapuera, para onde o convidei, escreveu vários livros sobre defesa animal, e é muito inteligente.
Para Osasco:
Vereador:
Leandro Ativista 43.003 - http://www.leandroativista.com/
Fundador e secretário geral do grupo Ativismo.com, de defesa dos direitos animais, já conversei e quase atuei com ele umas vezes, é bastante dedicado.
Abs!
Maurício Kanno
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Assuntos: 2008, Câmara dos Vereadores, candidatos, defensores dos direitos animais, direitos animais, Dr. Marcel Benedeti, eleições, Leandro Ativista, política, prefeitura, Soninha
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
10a palestra-debate do Grupo de Estudos de Direitos Animais
06/09/08, sábado, 15h30
1a parte: Da considerabilidade moral dos seres vivos: a bioética ambiental de Kenneth E. GoodPaster (autor: Sônia T. Felipe). Apresentacao por Cláudio Godoy. Disponível em: http://groups.google.com/group/geda-sp/web/da%20considerabilidade%20moral%20dos%20seres%20vivos.pdf
2a parte: Os Argumentos da Excepcionalidade e da Importancia - capitulos 3.8 e 3.9 do livro Etica e Animais, de Carlos Naconecy. Apresentacao por Tania Vizachri.
Mediador: Leonel da Costa Carvalho
O horario sera das 15h30 as 18 horas, no restaurante Vegethus. O endereco e Rua Padre Machado, 51, São Paulo - SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. Acesse aqui o mapa do local.
A participação é gratuita e livre a todos os interessados.
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Assuntos: direitos animais, estudo, ética, Filosofia, Geda, grupo de estudos, Naconecy, Sonia Felipe, Vegethus
domingo, 31 de agosto de 2008
Assassinato em massa pode ser "humanitario"?
Um estudante de Engenharia de Alimentos orgulhosamente mostrou em seu blog um video com metodos "humanitarios" de assassinato de animais. Veja o video voce mesmo e diga o que te parece:
Minha resposta a ele:
"Ola.
Para um sistema de assassinato em massa, nao posso aceitar a nomenclatura de "humanitario". Voce aceitaria chamar de "humanitarias" as camaras de gas nazistas, pelotoes de fuzilamento deste ou de outros periodos? Nao sei o quanto duravam estas mortes ou o quanto sofriam as pessoas nestes casos, mas mesmo que fossem mortes com sofrimento tendendo a zero, voce concordaria com elas?
Voce se referiu a algumas organizacoes que utilizam este termo, incluindo uma certa Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA). Devo esclarecer-lhe que esta organizacao eh bem-estarista, ou seja, nao esta dentro do movimento de defesa dos direitos animais. Apenas busca formas consideradas "aceitaveis" pela sociedade em geral, para que se possa continuar explorando e matando os animais, continuando a violar seus direitos basicos.
Voce disse que um dos criterios eh:
"os animais não podem ser estressados desnecessariamente"
Oras, mas podemos viver muito bem sem matar o animal, que quer viver tanto quanto voce e eu. Leia trecho da carta Seja Vegano, de Claudio Godoy:
"Do ponto de vista da nossa saúde, não é só inteiramente possível como até mesmo desejável a adoção de uma dieta que não inclua nenhum produto de origem animal em todas as fases da vida, como atesta o parecer da Associação Dietética Americana de 2003. De acordo com este parecer, todos os profissionais de saúde têm o dever de estimular e orientar aqueles que desejam adotar este tipo de alimentação e não podem mais dissuadí-los."
Assim, provavelmente, algum estresse deve haver em um processo de morte, concorda? Como alguem se sentiria a caminho da morte? Assim, este criterio nao eh valido.
Estes metodos não demonstram "crueldade" para com o animal? Matar um animal sadio nao eh crueldade? Se fosse matar um animal humano sadio, isso seria considerado crueldade? Sugiro colocar-se no lugar destes seres, pois eles tambem tem vidas a serem respeitadas.
Pergunto seriamente: Qual eh a caracteristica relevante eticamente que todos os humanos tem, que nenhum animal tem, que permite respeitar direitos basicos humanos e nao fazer o mesmo com outros animais?
Realmente nao posso respeitar uma industria de morte, prefiro respeitar industrias da paz. Espero que os consumidores destas industrias cada vez mais se voltem para outros produtos, assim como os empresarios e trabalhadores destas industrias cada vez mais se voltem para outras atividades.
Paz a voce e grande abraco."
Leia o post original da discussao aqui:
http://stoa.usp.br/oliveiraramon/weblog/26886.html
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Assuntos: alimentação, animais, assassinato, direitos animais, humanitário, video
quarta-feira, 18 de junho de 2008
8º debate do Geda, no Vegethus: "Valor Inerente e Vulnerabilidade", por Mara Cristina
Neste sábado, 21 de junho, a partir das 15 horas, Mara Cristina da Silva apresentará o artigo Valor inerente e vulnerabilidade: critérios éticos não-especistas na perspectiva de Tom Regan, de autoria da profa. Sônia Felipe, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O artigo está disponível para download em:
http://groups.google.com/group/geda-sp/web/valor%20inerente%20e%20vulnerabilidade.pdf
No final do encontro, podem ser discutidos um capítulo de Ética & Animais, de Carlos Naconecy e/ou questões operacionais do grupo de estudos.
Esta será a oitava palestra-debate do Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda). O local desta vez será o restaurante Vegethus, na Rua Padre Machado, 51, São Paulo - SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. A duração total prevista é de 3 horas.
Contatos para dúvidas:
Maurício (11) 9564-4568 / Leonel (11) 8511-7772
Vegethus (11) 5539-3635
http://groups.google.com/group/geda-sp/
Abraço,
Maurício Kanno
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Assuntos: direitos animais, ética, Geda, grupo de estudos, Mara Cristina, Sônia Felipe, Tom Regan, Vegethus
sexta-feira, 6 de junho de 2008
"Carta ao Futuro", pelo promotor público Laerte Levai
"Escrevo sem saber se esta mensagem será um dia lida por alguém ou mesmo se ela conseguirá vencer a barreira do tempo, porque o mundo do futuro – tão incerto quanto desconhecido - soa ainda inimaginável aos nossos olhos aflitos. O que terá sido feito da Terra e dos animais? Os seres mais fracos continuarão sendo, no futuro, sistematicamente explorados? Ainda haverá leis para regular a sociedade humana? E nossos mais fiéis companheiros de jornada, por onde andarão? Que memória ficará da época em que se subjugava a natureza para atender a interesses econômicos diversos?
Restará alguma lembrança das criaturas perseguidas, abatidas e extintas pela espécie que se autodenomina racional e inteligente? E o sangue nos matadouros, que tinge de rubro a nossa consciência, ainda escorrerá impune? Haverá girassóis nesse mundo longínquo? Seja como for, seja onde for, esperamos que nesses dias futuros o respeito impere em relação a todos as criaturas, que a ética não tenha fronteiras e que a educação seja algo tão natural e espontâneo que supere a força da lei.
Porque o nosso tempo, bem sabem os filósofos, é ainda um tempo de injustiças e de desigualdades, que separa dominantes e dominados, que estabelece quem manda e quem obedece, que decide quem vive e quem deve morrer. Basta olhar para as matas devastadas, para a miséria das ruas ou para a realidade dos campos sem fim, na qual animais são perseguidos e explorados até o limite de suas forças.
Basta ver o que se esconde sob o véu dos espetáculos públicos, nas fazendas, nas arenas, nas jaulas e nos picadeiros. Basta enxergar o drama dos animais submetidos às agruras da criação industrial, aos horrores dos matadouros e às terríveis experiências científicas, dentre outras situações em que se lhes impinge dor e sofrimento. Este é o nosso tempo, tão bem retratado pela sensibilidade poética de Sophia Breyner:
"Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa dos chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam"
Gostaria de consignar, na presente carta, um pouco das nossas falhas e contradições. Digo isso porque no Brasil vigora uma Constituição que veda expressamente a submissão de animais de atos cruéis. Essa lei, todavia, é vilipendiada e rasgada e todo instante. Não é preciso muito esforço imaginativo para constatar que muitas vezes as suas idéias não correspondem aos fatos. A maioria das leis brasileiras que se propõe a proteger os animais sucumbe diante da indiferença humana ou da crueldade institucionalizada pelo poder público.
A Lei de Proteção à Fauna estimula a caça de animais; a Lei do Abate Humanitário faz em seu texto concessões macabras, representadas por palavras terríveis: eletrochoque, corredor de abate, pistola de impacto, área de vômito, canaleta de sangria, etc; a Lei da Vivissecção legitima a tortura em nome de um suposto progresso cientifico, como se fossemos ingênuos o suficiente para acreditar que a ciência seja neutra ou que ela busca a paz. Nesse amplo cenário de servidão, seres sencientes tornam-se objetos descartáveis, peças de reposição, criaturas eticamente neutras.
O vocabulário jurídico do nosso tempo é igualmente cruel ao se referir aos animais: a lei brasileira, via de regra, considera-os propriedade, coisas de alguém, objetos materiais, recursos naturais ou bens de uso comum do povo. Como o Direito pode ser justo se, em nome de seus fins, retira dos animais o que eles têm de mais precioso?
Um célebre filósofo do século XIX, Arthur Schopenhauer, escreveu em 'Dores do Mundo' que a compaixão é uma das principais virtudes humanas, lembrando que uma mesma essência atravessa o céu, as águas, as florestas e os seres vivos, cuja existência é uma experiência fascinante e única:
"A suposta ausência de direitos dos animais, assim como o argumento de que nossa conduta em relação a eles não tem valor moral algum, é de uma ignorância revoltante".
É certo que nosso país, como poucas nações do mundo, estabeleceu a tutela dos animais como princípio constitucional. Apesar disso, a cultura, os costumes, os interesses científicos e econômicos transformam essa norma protetora em letra morta. A ideologia do consumo que se faz no Brasil contribui para a sistemática e incondicional exploração dos animais, mostrando que a nossa legislação – tida como uma das mais avançadas do planeta – convive com uma realidade bem diversa da que se preconiza no papel.
Homens do futuro, escrevo-lhes de um tempo sem limites, de um tempo de jaulas, de arpões, de correntes e de chibatas, de um tempo insano em que magarefes, no exercício de sua atividade brutalizada, apunhalam dezenas de vidas a cada minuto. Tempo de escravidão. De tortura. Tempo de chacinas em ritmo industrial. A chamada 'cultura do churrasco', mola propulsora da crueldade no agronegócio, tornou-se instituição nacional, apesar dos grandes latifúndios que poderiam ser utilizados no plantio de vegetais e grãos capazes de suprir as necessidades alimentares humanas. E pensar que, mesmo assim, gente ainda morre de fome no Brasil e em várias partes do mundo. Queremos o fim de tanta miséria.
A história das lutas pela libertação, ao superar as barreiras do preconceito, demonstra que os grandes movimentos de transformação social começaram sempre com pequenos gestos libertários e idéias de alguns raros e loucos que ousaram sonhar. Sabemos que todo movimento de quebra de paradigmas passa por três fases, na seguinte ordem: ridicularização, tolerância e aceitação. Em que fase estaremos? Quero crer que na fase intermediária, caminhando para uma libertação que esperamos se concretize no futuro.
Ainda próximo de nosso tempo, na India, um líder pacifista clamou por piedade por todos os animais vítimas da tirania humana, certo de que eles não têm forças para nos resistir. Esse homem, chamado Mahatma Ghandi, morreu assassinado pelas mãos da intolerância. Pena que em nosso tempo ainda não se conhece o verdadeiro significado da Ética, porque interesses humanos dos mais diversos desnaturam esse conceito a ponto de transformá-lo em uma palavra vazia de sentido.
Outra grande personalidade do século XX, que cantou o amor ao imaginar um mundo mais pacífico para todos, também não resistiu ao treslocado gesto reafirmador de uma cultura permeada pela violência. Morto John Lennon, suas canções viverão sempre dentro de nós.
Assim escreveu o sociólogo Roberto Gambini, ao refletir sobre a condição dos animais inseridos em nosso perverso sistema antropocêntrico:
"Sem defesa, sem voz e sem protesto, os animais vão sumindo, um a um, abatidos, baleados , encurralados em becos sem saída, banidos até os limites dos campos habitáveis. Antes que tudo se perca, é necessário acordar do pesadelo para que possamos continuar sonhando. Trabalhar com o inconsciente, compreender a verdade profunda dos instintos e da alma, perceber a presença do divino dos olhos de um animal. Essa talvez seja a última utopia pela qual ainda possa valer a pena dedicar uma vida de estudo e trabalho"
Aprendemos, afinal, que há uma essência única entre todos os seres vivos, que a inteligência não é privilégio da espécie humana, tampouco a capacidade de experimentar dores e sofrimentos. Aprendemos também, com Cesare Goretti, autor do pioneiro ensaio jurídico intitulado "L'animale quale soggeto di diritto", que "o homem possui, a um só tempo, deve legal e moral para com os animais".
Já para Piero Martinetti, segundo os comentários de Alessandro di Chiara no prefácio de 'Pietá verso gli animali", "a dor dos animais assim como o sofrimento dos inocentes testemunha o mistério da existência e ao mesmo tempo revela o aspecto trágico da realidade, na qual o problema do mal confirma a maldade e a aparência do mundo fenomênico. Diante dessas insuperáveis dificuldades que assinalam a vida, Martinetti propõe uma moral superior, na qual a justiça e a caridade orientem o homem além de uma Ética baseada em um fundamento religioso. Por esse motivo, a piedade representa, para ele, o verdadeiro símbolo da união que deve ocorrer entre o homem, a natureza e os animais".
Grandes filósofos dos direitos animais surgiram em nosso tempo. O primeiro, Peter Singer, ampliou o princípio da igualdade de interesses; o segundo, Tom Regan, atribuiu direitos a todos os sujeitos-de-uma-vida; o terceiro, Gary Francione, mostrou os fundamentos abolicionistas da verdadeira libertação. Os direitos animais, aqui no Brasil, encontram sua maior expressão no trabalho filosófico de Sônia Felipe, cujos alunos têm a missão de levar nossa causa para o futuro.
Porque acreditamos em mudanças, porque não queremos mais compacturar com a mentalidade especista que está impregnada em nossa sociedade e porque sabemos que se trata de uma questão de justiça, decidimos enfim nos reunir. De 1 a 4 de maio de 2008, em um ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacifico, ao Sul do Equador, em um sítio de uma pequena cidade do interior paulista, aqui estamos todos juntos para traçar os rumos do movimento abolicionista em favos dos animais.
Buscando sonhar novas utopias, em um país ainda debutante no exercício das liberdades, começamos a articular um movimento capaz de ultrapassar nossa última fronteira ética e, assim, reconhecer em plenitude os direitos dos animais. Ousamos lançar ao solo as sementes de uma nova conciência e juventude, para que no futuro elas frutifiquem em favor de todos os seres vulneráveis que precisam de nossa ajuda. Cada participante deste encontro torna-se, assim por dizer, um semeador.
Sabemos que o caminho para a libertação animal não está nos discursos na ONU, nem nos tratados ou convenções internacionais, nem nas leis positivas que traduzem – clara ou dissimuladamente – intenções humanas egoístas. Depende, sim, de mudanças interiores. Isso explica porque a Ética e a Moral , como atividades de reflexão, precisam estar sempre acima do Direito. E o Direito não deve ser considerado como mero instrumento de controle social, que garante interesses particulares e divide bens, mas um caminho para a retidão, para a virtude, para a solidariedade, para a paz. Sem o reconhecimento dos direitos animais, a justiça torna-se injusta.
Amigos do futuro, nestes tempos de perplexidade e de indiferença pela vida, faço questão de ressaltar que há dissidentes no sistema, pessoas que ousaram desafiar o modus vivendi, que ainda têm a capacidade de acreditar em mudanças e que, dia após dia, lutam por elas. Podemos dizer que, em meio a este tempo de incertezas, ainda há quem expresse seu inconformismo em face à barbárie institucionalizada perante a qual a maioria das pessoas permanece cega, surda e muda.
Por isso quero deixar registrado, nesta carta, a alegria de conhecer gente que ainda tem a capacidade de se indignar. Este auditório, repleto de idealistas, vegetarianos, veganos e ativistas, é a maior prova disso. Todos os participantes deste célebre encontro tornam-se fundamentais no atual momento político. Que no futuro, não muito distante, sejam colhidos os frutos desse trabalho. George Guimarães, ativista pelos direitos animais e organizador do 1º ENDA, é uma dessas pessoas. Porque sua luta é toda ela empenhada à causa dos animais, uma causa digna, uma causa justa, uma causa que talvez represente a última das utopias pelas quais se vale a pena viver.
Provavelmente todos o que se reuniram aqui, nestes dias frios e chuvosos, têm um ideal comum: decretar o fim da exploração dos animais. Inconfidentes contemporâneos, não apenas inconfidentes mineiros, mas inconfidentes paulistas, baianos, catarinenses, cariocas, goianos, paranaenses, cearenses, gaúchos, capixabas, enfim, representantes de todo o país em busca de tempos melhores para os animais.
Por isso ora reafirmamos, ao presente e ao futuro, o nosso ideal de buscar mudanças, mudanças tão necessárias quanto urgentes, na esperança de que todos possam um dia viver em paz, compartilhando um mundo menos cruel e menos injusto.
Como mensagem de despedida aos nossos pósteros, evoco uma frase do grande militante revolucionário do século XX, um homem que percorreu a América com seu sonho de liberdade e que, a exemplo de outros grandes mártires do nosso tempo, perdeu a vida em prol de seus ideais.
Seu nome é Ernesto Che Guevara: "Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros".
Porangaba, 04 de maio de 2008.
Laerte Levai"
Palestra proferida pelo promotor de justiça Laerte Levai durante o Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA), em Porangaba, São Paulo, em 4 de maio de 2008 (leia mais em: www.veddas.org.br/enda ).
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Assuntos: carta, direitos, direitos animais, ENDA, Laerte Levai, manifesto, promotor público
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Entenda a diferença entre o abolicionismo da escravidão animal e o bem-estarismo
Esta mensagem foi escrita para o prezado Eduardo Hegenberg, na lista abolicionistas, mas pode ser para você também, caro leitor.
A diferença entre os abolicionistas e os bem-estaristas está neste ponto:
- Os abolicionistas acham que não é correto usar animais como escravos para o que bem entendermos e desrespeitá-los em sua individualidade e interesses; a idéia principal é que animais não são objetos, mercadorias ou propriedades.
- Os bem-estaristas acham que é correto usar animais como escravos, mas para eles durarem mais; e para sua exploração ser mais eficiente, é preciso ter certos cuidados, assim como você precisa fazer manutenção no seu carro de vez em quando.
É entre estas idéias que você precisa se decidir. É como diz Tom Regan: "Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias."
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Mas compreendo o que você quer dizer sobre união e isolamento. Eu também já tive esta intenção de que as frentes se unissem, até que pude compreender melhor a falha nesta estratégia. Se abolicionistas aceitam apoiar bem-estaristas, o que vai acontecer? Vão dar a entender que aceitam que animais, se menos mal-tratados, sejam usados como escravos. E não queremos passar esta mensagem de maneira alguma.
Há também o grande problema do tempo, que é precioso e LIMITADO para cada um de nós. Se você tem, em um dia, digamos, 1 hora para agir em defesa dos animais, em que você vai investir? Vai procurar difundir a idéia de que animais deveriam ser menos maltratados ou vai procurar difundir a idéia de que animais não devem ser escravos dos humanos? Ou pode ainda dividir seu tempo, claro. Mas a força da sua mensagem vai também se dispersar.
Outra coisa: não é significativa a redução de "maus tratos" para que isto um esforço válido. Vamos comparar com um escravo humano, há um ou dois séculos. Será que vale a pena ficarmos insistindo em que o senhor dele lhe dê, ao invés de 20 chibatadas, 15 ou 10 chibatadas por dia para trabalhar? Ou é melhor insistirmos que lhe seja concedida liberdade?
É claro que, uma vez que um capanga tenha decidido por espancar ou violar uma mulher, eu vou dizer que o que este capanga está fazendo é errado, mesmo que ele tenha espancado ou a violado apenas uma vez ou várias. Simplesmente ele estará repetindo a coisa errada se fizer de novo. Assim como no caso das chibatadas no escravo, ou estupros em uma vaca, ou aprisionamento de um animal, ou sua escravidão para produzir algum trabalho forçado. É isso que deve ficar claro.
Se uma empresa adotar medidas bem-estaristas, provavelmente ela está fazendo isso para poder aumentar a sua lucratividade. E esta estratégia quem deve aplaudir são os executivos. Não nós. Ela com isso vai ter suas propriedades escravas durando mais e sendo mais produtivas; e terá algum motivo até para aumentar o preço final de seus produtos.
Assim, se os bem-estaristas querem aplaudir estes "avanços", fiquem à vontade. Mas acho melhor dedicar meu tempo para outra coisa.
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Concordo contigo de que também seja necessário pensar em reservas para abrigar os animais livres. Mas algum abolicionista disse que discorda disto? Isto é mais para longo prazo. Simplesmente, antes de pensar em reservas, é preciso convencer as pessoas de que os animais merecem respeito.
Agora, se você fosse um bicho, humano ou não humano, você não iria preferir nada se você não existisse, isto é algo que eu já disse antes. Não é uma idéia razoável? Lembre-se da idéia-chave de Descartes: "Cogito, ergo sum." => "Penso, logo existo." E o contrário também vale: se você não existe, você não tem como pensar.
Mas, uma vez que existimos, com certeza devemos ter o direito de desfrutar de liberdade, integridade física, etc. E é por esta idéia que os abolicionistas lutam. Pelos que já existem e pelos que vão existir.
Quanto aos humanos trabalhadores, você falou bem quando especificou "guardadas as devidas proporções". Mas, para ser mais correto, não dá pra falar em "proporções", quando se compara a situação dos trabalhadores humanos com os outros animais. Pois os outros animais são nossos escravos o tempo todo; nós não somos escravos. Por mais que tenhamos dificuldades no trabalho, e possamos ficar cansados, temos a liberdade de buscar educação, melhorar nossas possibilidades, e mudar de trabalho, inclusive para um com o qual temos mais afinidade; e com o dinheiro de nosso trabalho, temos a liberdade de obter coisas para satisfazer nossos interesses e dos outros.
Para finalizar: não sei de onde você tirou que as vacas vivem essa vida idílica que você mencionou...
Abs,
Maurício Kanno
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Assuntos: abolicionismo, animais, bem-estarismo, direitos animais
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Presenciei um assassinato hoje

Hoje, no caminho para o trabalho, ouvi gritos de uma mulher, e uma movimentação de uns homens, um deles com um grande pedaço de madeira na mão. Então apareceu, correndo e desesperado, um pequeno que foi perseguido e chutado pelos sádicos e divertidos marmanjões, provavelmente se achando heróis. Com um chute, foi parar em meio aos veículos na rua; bateu numa moto e também ficou atropelado por carros que passavam.
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Era um rato, um dos seres que o ser humano mais despreza. Foi a primeira vez que pude ver um deles, ainda mais tão de perto. Seus olhos e suas atitudes assemelhavam-se a qualquer cãozinho fugindo, e também a qualquer criança humana fugindo, fragilizada.
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Assuntos: animal, assassinato, covardia, direitos animais, perseguição, sadismo
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Acolhemos os animais que já existem, mas não queremos novos dependentes
Esta é uma resposta que fiz para um colega de lista "abolicionistas", baseado em estudos com Cláudio Godoy no Grupo de Estudos de Direitos Animais e textos de Gary Francione.
"prezado,
todos defendemos a vida dos animais que já existem; o que nao se deve defender é que apareçam novos animais em uma situação dependente e escravizada. estes hipotéticos futuros novos escravizados nao podem ter opiniao a respeito, já que eles nao existem ainda.
a vaca é um exemplo de animal que o ser humano fez eugenia: selecionando artificialmente os melhores espécimes para sua necessidade específica. assim como certos grupos político-militares podem fazer com seres humanos: matar alguns e deixar viver outros que lhe sejam de interesse. havia ancestrais da vaca e boi que viviam muito bem adaptados à vida selvagem.
resumindo: a domesticação (dependência e escravismo) é um problema criado pelo ser humano, e os seres humanos devem resolver esse problema, acolhendo os animais que já existem, mas impedindo que novos apareçam.
grande abraço,
maurício kanno"
[Leia mais em http://www.gato-negro.org/content/view/27/48/ ]
===========Escrevi em resposta ao seguinte:
"Gostaria de saber como o abolicionista costuma
se posicionar frente ao seguinte problema:
"O abolicionista, quando defende o direito do animal
de não ser abatido (de viver) em nome da não-exploração,
na prática cria uma situação que fere o seu próprio princípio:
Se não há abate, não há recurso para manter o animal. Logo
não há vida.
Exploração é um conceito humano. Vaca e frango são animais
domesticados há milênios, possivelmente geneticamente menos
preparados para uma vida "selvagem". Se o animal pudesse
saber que existem pessoas -- os abolicionistas, em oposição aos
bem-estaristas -- que decidiram por ele a preferência de não existir a
viver uma vida de bem-estar (no entanto "explorada"), será que
ele concordaria com eles?"
[]s
Edu" [Eduardo Hegenberg]
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