quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Brasileiros no filme "Comer Rezar Amar"

Assisti ao filme "Comer Rezar Amar" na outra semana (bem divertido e interessante conhecer o percurso da autora pelos diferentes países! viva a Itália!), e fiquei curioso com os atores que nos interpretaram.

O brasileiro com quem a autora acabou de fato casando (na vida real), no filme era um espanhol, Javier Barden. Leia entrevista com ele no UOL Cinema. Ele diz que procurou "deixar o corpo mais solto", apesar do sotaque.



Armênia (Nercessian de Oliveira) era mesmo o nome de verdade da brasileira (pois é, estranha por não ser muito comum). Mas olha que legal, uma blogueira que leu o livro até escreveu a respeito da brasileira real descrita no livro, e parece que a Armênia original até comentou nesse blog.

A bela atriz que a interpretou, Arlene Tur, nasceu em Miami e é filha de cubanos. Veja no seu perfil do IMDB. Achei que ela pudesse até ser brasileira, mas talvez foi a sua menor participação no filme e palavras em português usadas que esconderam, eheh.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Blog literário em dupla "Impulsos Expulsos"!

Oi! Já falei pelo Twitter, mas ainda não por este blog. Então deixa eu só dar o toque: faz umas semanas que comecei a publicar, uma vez por semana, alguma coisinha que se possa chamar, com alguma bondade e compreensão dos leitores, de "literatura".

Bom, ao menos foi essa a proposta e convite do meu amigo Fernando J. Vieira, meu ex-colega da área de Exatas e dedicado poeta (sim, tem gente que consegue misturar essas coisas, eheh).

Pois bem, já publiquei por lá três poemas, e amanhã publico um continho doido, pra dar uma variada.

O blog é "Impuslsos Expulsos", e os posts são os seguintes:

- Vivaoba! do pesquisador [entra amanhã]
- Poema Monetário
- Poesia é espírito
- Saturno com Lego

domingo, 19 de setembro de 2010

Podcasts pra treinar inglês ouvido

Resolvi compartilhar aqui alguns podcasts que tenho ouvido pra melhorar minha habilidade de "listening in English"! É um belo desafio, só treinando mais e mais... Espero que você também faça um bom proveito!

(Pra quem não sabe, podcast é um áudio gravado para ouvir quando você quiser. como rádio, mas não é ao vivo. você pega e leva pra ouvir no seu tocador de MP3.)

1)
ESL Podcast:
http://www.eslpod.com/website/index_new.html
Esse é o melhor de todos. Tem o podcast normal, que é um diálogo falado mais lento, em uma situação, que depois o cara destrincha, bem didático. depois, o diálogo é repetido em maior velocidade.

E tem também o "english cafe" (alterna-se na mesma sequencia de podcasts), que é uma espécie de boletim em que o apresentador aborda 2 assuntos, como o mágico Houdini e alienígenas, ou então passa umas falas de falantes nativos (como a atriz que fez a voz da Princesa e o Sapo, da Disney), além de responder a dúvidas de inglês, enviadas pelos ouvintes de todo o mundo!

2)
BBC
http://www.bbc.co.uk/podcasts
tb ouço BBC: Global News (várias notícias internacionais, em meia hora, bem pra treinar pra valer, mais difícil); BBC: Documentaries (o mesmo) e BBC: Mundo (neste caso, é em espanhol, se também interessar, com foco em notícias sobre a América Latina). Tem também umas dicas de English da BBC semanais, quebram o galho.

3)
tem tb o Fun English Lessons, que se propõe a ensinar inglês de maneira engraçadinha (o humor do ESL é mais sutil, mas também às vezes consegue estimular um sorriso ou algo mais). não é tão bom qto do ESL, mas tb ajuda. quebra um galho tb.
http://china232.com/

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Desafio Literário de Países Exóticos 2011!

Oi!

Faz tempo que eu tinha planejado isso, e antes que chegue 2011, quero deixar aqui registrada minha proposta!

Proponho o Desafio Literário de Países Exóticos! O objetivo é ampliar nosso conhecimento de visões do mundo, parando de ler só norte-americanos e britânicos, como ocorre geralmente com os livros.

Então, quem quiser, que participe também! Bem, na verdade até já comecei a me esforçar nesse sentido, li um livro de um autor afegão, uma autora indiana, assisti a um filme sobre a Ruanda, etc... Mas agora gostaria de compartilhar isso com você!

E pra ficar uma coisa organizada, proponho as seguintes categorias para caada mês de 2011:

Lista de categorias literárias por países exóticos

(Prioridade nas regiões esquecidas do mundo)

1 (janeiro) –África (do centro ao sul)
2 (fevereiro) – Norte do Brasil
3 (março) – Oceania
4 (abril) - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (não vale Brasil nem Portugal)
5 (maio) – Seu país favorito ou "do coração" (uma colher de chá, eheh)
6 (junho) – Ásia (Oriente Médio, Subcontinente Indiano e ex-União Soviética)
7 (julho) – Nordeste do Brasil
8 (agosto) – Europa Oriental e Países Nórdicos
9 (setembro) – América do Norte e Central (menos EUA)
10 (outubro) – Ásia (Extremo Oriente e Sudeste Asiático)
11 (novembro) – América do Sul (menos Brasil)
12 (dezembro) – África (do norte ao centro)

A ideia então é que, até dezembro de 2010, você publique em seu blog (ou me manda aqui nos comentários ou por e-mail (mpkjor arroba gmail.com) quais são os livros que você pretende ler durante 2011. E então, é mandar ver! Bem, e me avise!

Então, a cada mês, leia o livro, por exemplo, um africano em janeiro, e então comente o que achou do livro (uma resenha) em seu blog. Bem, e me avise a cada vez!

Aceito sugestões sobre como conduzir isto... Talvez criar um blog específico pra divulgar as resenhas da galera, por exemplo. Como é feito com o Desafio Literário by RG 2010. Ah, e espero não estar fazendo concorrência se a Vivi já tiver outra ideia para 2011... eheh

Desafio Literário 2010 by RG

Estou em 2010 participando da melhor forma possível do Desafio Literário 2010, da Vivi, blog Romance Gracinha. Foi esta a inspiração total, claro, eheh. Na verdade, o formato busca ser praticamente igual, apenas sugerindo outras categorias de livros.

Aqui você pode conferir a lista de livros que preparei em dezembro de 2009. De fato, estou conseguindo, mesmo com atrasos e repondo depois, ou não lendo integralmente cada livro, ou trocando um por outro da mesma categoria, estou conseguindo ter sucesso em cumprir uma resenha e leitura por mês!

E esta é a lista de categorias do Desafio Literário organizado pela Vivi.

Se estiver a fim, e não estiver ainda participando, que tal entrar nessa também?

Diversão e aventura com Tolkien, antes de "Senhor dos Anéis"!

Enfim, entendo por que há tantos fascinados pelos livros de J. R. R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien).

Como já assisti aos filmes da saga "O Senhor dos Anéis", resolvi ler "O Hobbit", que conta acontecimentos anteriores aos que passam nos 3 filmes já produzidos.



Pois é, e não tem jeito, acabo visualizando os personagens como os atores caracterizados do filme. Este é um "problema" e "vantagem" de ler um livro que foi adaptado ao cinema (bem, na verdade este ainda não foi, apesar de estar em preparação há uns anos, super-enrolado). Mas o seu universo foi, e isso é o que importa.

É muito emocionante, já estar familiarizado com grandes personagens como Gandalf, o mago aventureiro que nunca fica parado numa torre; e Gollum/Sméagol, criaturinha horrível e inquietante, mas fascinante; e o tio do Frodo, ver como ele acaba caindo em aventuras nada a ver com seu estilo de vida. É claro, além do aparecimento inicial de "O Anel".

Diversão e narrador presente

O mais legal é que o livro, a narração, é bem engraçada. As situações em que são colocados os personagens são um tanto absurdas às vezes, extremadas, com personagens em apuros tão ai-meu-Deus-do-céu, mas que acabam sendo naturais até, no contexto da obra. O início com o anfitrião recebendo trocentos convidados que não convidou, mas sem querer destratá-los, já mostra a que veio o livro! Uma situação absurda bem divertida!

E o narrador nos conta as histórias como se estivéssemos reunidos em torno de uma fogueira. Ou algo do tipo. FIgamos, ah, mas eu não contei como é um hobbit, contei? Ah, mas vocês também ficariam muito assustados com aquilo, se estivessem lá. Ah, eu não sei como ele foi parar lá, ou de onde ele veio...

Ou seja, há uma semelhança entre este narrador (que nunca se apresenta, apesar das esporádicas referências a "eu" e "você, leitor") e os dos contos-lendas de Clarice Lispector, sobre os quais resenhei no mês anterior. Gostei deste tipo de aproximação com o leitor. Dá um ar gostoso na narrativa.

Sem falar que há muitas exclamações, reticências, etc. É um livro bem vivo! Ok, às vezes é um saco ficar lá lendo umas descrições um pouco longas (que não chegam perto do livro 1 de "Senhor dos Anéis", pelo que me contam), e as várias canções (há várias durante o livro), parece desenho animado da Disney.

Sempre tem gente cantando, de anões, elfos a orcs! Juro que quando jogava RPG, eu nunca vi nenhuma criatura cantando, a não ser o bardo (menestrel, artista ambulante de fantasia medieval). Então, é bem curioso pra mim ver esse povo todo cantando e etc. Até os monstros orcs!

De todo modo, pra mim, que me habituei com esse mundo jogando RPG, é bem legal sentir a expressividade dessas histórias originais em que aparecem essas criaturas fantásticas! O fato é que não consigo parar de ler, no ônibus, metrô, em casa, em qualquer lugar!

(Curiosidade: Tolkien nasceu na África do Sul, mas partiu já com 3 aninhos pro Reino Unido... valeu o toque, chefinho!)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Belas lendas brasileiras por Clarice Lispector

Ouvi maravilhado o livro infantil "Como Nascem as Estrelas" (1987), em que a escritora brasileira Clarice Lispector narra 12 lendas brasileiras.

Cada um desses 12 contos foi narrado por uma atriz brasileira. Aborda de modo bem bonito histórias de índios, de saci, de curupira, de Pedro Malasartes, de Iara (sereia), de boto, de animais falantes.



Um traço marcante de um livro infantil bem escrito como esse é a constante conversa com o pequeno leitor. Parece uma vovó da roça contando histórias tradicionais.

Há vários toques de informalidade, bate-papo, exageros. Algo como "um bicho bem grandão, viu?", "e olha, não sei se você acredita, mas que é verdade, ah, isso é, sim!"



Um clima de mistério, de valorização da própria narrativa, mas sem ficar se achando.

É claro que as próprias atrizes que narraram as histórias ajudam bastante, de parabéns. Tem várias mais idosas, aparentemente, e umas também mais jovenzinhas. E tudo contado com bastante expressividade.

É do Brasil!

Note-se que o universo das narrativas, apesar de serem brasileiras, é bem diferente do meu, um cidadão urbano de São Paulo, capital.

Afinal, todas elas são ambientadas no interior, na roça, no sertão, na floresta. Então também é legal poder mergulhar nesse lado do país.



E além disso, conhecer ou relembrar todo o misticismo e faz-de-conta que existe no nosso próprio Brasil. Não precisamos ir para o norte da Europa pra curtir as lendas celtas, de fadas e magos. Ou vampiros, elfos, orcs, Tolkien.

É assim muito legal curtir todo esse imaginário de Iara que captura os meninos, de índios que se transformam em animais, da esperteza de um caipira Malazarte, de uma festa de animais competindo pra ver quem é o mais esperto, de um negrinho do pastoreio que apanhava tanto, mas que dava um jeito de voltar ao mundo em estado de graça...

TUdo isso com uma mente aberta pra saborear um jeito infantil de perceber o mundo. Ou ainda pra olhar o nosso Brasil com outros olhos, como fonte de mais imaginação e curtição.

Desafio Literário

Repare que o livro original da Lispector que eu havia escolhido em dezembro de 2009 pra resenhar era "A Paixão Segundo G. H.", indicado por uma seleção literária da revista "Bravo".



Mas, no fim das contas, esse audiolivro infantil acabou me cativando mais e minha resenha foi mesmo pra essa versão em áudio desses contos da nossa grande escritora de origem judia e ucraniana.

Este é mais uma resenha motivada pelo Desafio Literário 2010, organizado pela Vivi, do blog Romance Gracinha.

Devo muito a essa iniciativa, por me inspirar a retomar a leitura de livros de histórias, de literatura de verdade, incluindo dos mais diversos tipos, que eu não leria normalmente.



Assim, li e resenhei de modo a:
- Descobrir os românticos romances de banca;
- Entender como o BBB transformou o ditador assassino de "1984" em diversão;
- Saborear perversão de contos de fadas em "Lost Girls";
- Me decepcionar com o chato argentino e dissertativo Borges, mas me lembrar do divertido peruano Llosa;
- Curtir e me entender com a contemporânea e bem-sucedida "literatura de mulherzinha" ou "chick-lit", com um livro sobre um livro picante.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bastidores, barulho e imaginário africano na estreia do Brasil na Copa 2010!

Juro que me esforcei pra assistir à Copa do Mundo. Bem, ao menos à estreia do Brasil. À fraca estreia do Brasil. Contra um time café com leite em Copas (2a participação, após 1966), um país de miseráveis com um ditador excêntrico como governante.

Assisti ao vagaroso primeiro tempo, pelo menos (azar), inteiramente. Bom, cultura geral durante o almoço. "Bom que faz companhia pro seu pai", diz minha mãe, liberada do serviço no banco apesar de ter horror a futebol. A mana caçula diz que torceu pros norte-coreanos.

Vuvuzuela

Minha mãe mostrou horror principalmente dos barulhos das cornetas "vuvuzuelas" e coisa que tal, que a TV britânica BBC pensa até em cortar das transmissões. É realmente engraçado ficar ouvindo o barulho desse negócio o tempo todo durante o jogo, um som transmitido como se fosse trilha sonora da partida, huahua.

Parece que a versão para iPod e iPhone está fazendo sucesso também, eheh. (Eu também testei e brinquei com o aplicativo umas vezes durante o jogo, rs, mas seu barulho não chega perto do original, o que fez minha mãe até ficar feliz com o meu.) E eu soube só hoje que isso é um negócio típico da África do Sul.

África

Aliás, se eu vejo algo bom nessa história de Copa do Mundo 2010, é exatamente o lugar: pela primeira vez, na África! Claro, na África do Sul, que é o país com maior chance de alguma estrutura decente no continente. Mas é mesmo ótimo, porque assim o mundo pode ver a África com outros olhos (aliás, até prestar atenção um pouco nela, porque geralmente esse continente é simplesmente um ilustre desconhecido para todos nós, não? ou vc vai dizer que sabe onde fica Gana? Zâmbia? Ruanda?).

Sim, olhar a África com outros olhos. Porque nas raras vezes em que se pensa na África, só lembramos de pobreza, fome, Aids, etc. Aliás, fui buscar uns dias atrás na locadora algum filme pra assistir que não fosse norte-americano, estadunidense. To de saco cheio dessa dominação cultural, e tenho até um projeto pessoal a respeito que vou apresentar em detalhes em breve.

Hotel Ruanda

Bem, o fato é que, buscando algo o mais exótico possível, o melhor que pude encontrar na locadora do bairro foi "Hotel Ruanda", sobre o massacre hutus sobre tutsis no país, e a história dramática de um hotel grã-fino que buscava abrigar perseguidos, já que até os países ricos e ONU largaram mão do lugar (por mais que indivíduos isolados não africanos fizessem o máximo pra ajudar, como da Crz Vermelha e ONU; um jornalista gringo,, que recebeu ordem pra voltar, afirmava-se "envergonhado").

Foi horrível, pesado demais assistir a esse filme (mais duro que mtos filmes de terror). Mas ao menos deu pra sentir um gostinho da África, incluindo nomes de pessoas e umas dancinhas das crianças. E, claro, sua dura realidade. Mas espero achar algum filme mais divertido do lugar ainda. Afinal, o Brasil também não é só dureza, apesar dos filmes daqui que ficam famosos lá fora.

Aliás, parabéns à Folha pela nova seção na primeira página "Boa Notícia", uma ideia que eu já tinha antes desde 2005, mas não coloquei em prática nem por blog.

Sobre o jogo enfim

Pra não dizer que não acabei de falar sobre o jogo de estreia do Brasil, realmente fui azarado em assistir todo o lerdo primeiro tempo e perder boa parte do segundo. Foi divertido o gol "sem querer" que abriu o placar, do Máicon.

O gol do Elano foi bonito, e foi mesmo irônico ele ter sido substituído logo em seguida. Mas meu pai disse que o gol de contra-ataque dos norte-coreanos, que completou 2 a 1 pro Brasil, foi o mais bonito de todos. Pena que perdi justamente esse...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Contos de fadas pervertidos em HQ e outros erotismos


"Garotas Perdidas". É esse o nome que ficaria em português do nome original do "romance em quadrinhos", ou graphic novel "Lost Girls", do renomadíssimo quadrinhista britânico Alan Moore (roteiro) e sua esposa Melinda Gebbie (arte).

Trata-se de um grande festival de pornografia em quadrinhos com três protagonistas de contos de fadas que povoam nosso imaginário: Alice, de "Alice no País das Maravilhas"; Wendy, de "Peter Pan"; e Dorothy, de "O Mágico do Oz".

Devo dizer que conheci as duas primeiras personagens por adaptações infantis da Disney para desenho animado e quadrinhos; e a última, Dorothy, por peça de teatro infantil adaptada.

Ou seja, elas costumam estar sempre associadas a algo realmente infantil. Quebrar esta dimensão, ou seja, transpor as personagens para o universo especificamente adulto, por tratar de sexo e pornografia, é realmente fascinante. Dá outra perspectiva para as coisas.

De fato, é divertido ver a relação "diferenciada e bem próxima" entre Wendy e Peter Pan, especialmente, foi a que me pareceu mais interessante, mais cativante. A história de Alice ficou transposta para um mundo surreal cheio de erotismo. E a de Dorothy mostra sua também "diferenciada e bem próxima" relação com o homem de lata, espantalho e leão...

Comparando com "literatura de mulherzinha"

Vale a pena aqui fazer comparações com outras obras, para contextualizar melhor.

Publiquei há dois dias uma resenha sobre o livro voltado ao público feminino "Marsha Mellow e Eu". Lá eu escrevia que havia a possibilidade de chamar esse livro de "pervertido". Mas fica muito longe de "Lost Girls" nesse quesito.

Afinal, apenas no máximo são narradas situações em que a mocinha protagonista vivencia o sexo bem adoravelmente, ou o imagina, ou ainda o descreve --baseada nas experiências do "aventureiro" amigo gay-- no seu próprio livro "Anéis nos Dedos Dela".

Ela fica até encabulada quando são citados trechos pervertidos de seu livro (cuja autoria ela não assume), mas mostra-se bem cheia de desejo e empolgação quando tem oportunidade de viver a própria vida sexual (bem escassa, segundo ela mesma), com um ou outro homem que a atraia.

Ressalte-se que ela deixa claro ao parceiro que há limites, não aceita bizarrices como ménage à trois ou casa de swing. Ou seja, aparenta ser uma garota "normal".

Mundo bissexual

Já em "Lost Girls", a coisa é bem diferente. Além de mostrar com imagens trocentas cenas fortes (que eu não vou mostrar aqui, pra que este blog não fique impróprio pra menores) (e apelo visual no sexo é melhor para homens que para mulheres, aprendi), a liberalidade sexual é total. Vale tudo.

O que importa aqui é o prazer sexual, não importa se com homem, com mulher, com só uma ou com várias pessoas ao mesmo tempo. O interessante é que tudo isso parece absolutamente normal. Todos parecem se entregar sem problemas a esta festa coletiva onde todos são bissexuais.

(Ok, há alguns trechos em que se mostra o tradicionalismo e moralismo restringindo sequer a possibilidade de uma vida sexual "normal", entre marido e mulher. Mas é a exceção.)

Análise quadrinhística

Como obra em quadrinhos, não gostei.

A arte visual é finamente trabalhada por Melinda Gebbie. Como se fosse mesmo cada quadro uma pintura a ser exposta em museu. São lindas. Mas estáticas. Sem aquela boa sensação de ação, de dinâmica, de movimento.

Com enoorme frequência, os textos utilizados aparecem fora dos balões. E, aliás, na verdade bem frequentemente não há balões. Os textos são colocados para fora do quadro, como mini-livros. Os textos são gigantes. Isso não é para quadrinhos. Isso cansa.

Tanto que eu nem tive saco para acabar de ler as 320 páginas de seus três sub-livros em formato grandão (maior que tamanho sulfite A4!). [Comprei o original em inglês; no Brasil, foi publicado separadamente nos 3 sub-livros, cada um bem caro.]

Dá impressão até que foi uma obra originalmente escrita em livro só texto, depois bem mal adaptada para quadrinhos, como quem não sabe fazê-lo. Então, me estranha muito que o renomado Alan Moore a tenha escrito. Enfim, quis ousar, sei lá. Ele pode, né?

Além disso, chega uma hora em que começa a cansar o roteiro da história. Não muda muita coisa, não há grandes reviravoltas, é tudo meio repetitivo, tanto no caso das lembranças eróticas das protagonistas em flashback como o próprio transcorrer em si da história. Apenas o sexo, festejado das costumeiras maneiras pervertidas.

Comparando com clássicos ocidentais

Eu já li (e vi) também outros clássicos quadrinhos eróticos. Creio que o principal europeu na área é Milo Manara, e o principal brasileiro, Carlos Zéfiro. Estas histórias, além de serem bastante excitantes, também tinham histórias com muita ação, divertidas, envolventes, penso eu

(Por mais doidas que fossem, como a aventura da jornalista Cristiane investigando um templo de culto às energias do orgasmo na Amazônia, na obra "Cliic 3", do Manara. Também é cativante a história de Gullivera... versão feminina sexy do relativamente gigante Guilliver.)

Para não deixar minha opinião sobre o roteiro de "Lost Girls" simplesmente negativa, então, vou concluir que haja aí uma linguagem mais... poética, e assim não tão inteligível.

Comparando com mangás

A delicadeza do mangá "Futari H" é bem diferente. Apesar de ser um "guia do sexo", explorando didática e explicitamente diversas posições e dicas sexuais, tudo isso aparece especialmente na relação de um casalzinho "normal": um homem e uma mulher.

Apesar de incluir vários devaneios de hipotéticas "traições" heterossexuais do protagonista Makoto... Não se ousa tocar no ponto do homossexualismo, por exemplo.

Além disso, tudo é explorado de modo bem delicado, inclusive nos desenho, tudo "kawaii", fofinho.

Um ponto curioso nos mangás eróticos que li é que nunca aparece o pênis dos personagens masculinos. Em "Futari H", propositadamente sempre ele fica escondido, às vezes até com uma espécie de tarja. (A exceção fica para as didáticas explicações anatômicas e enciclopédicas, sempre divertidas.)

Até mesmo nas obras em quadrinhos de Senno Knife, como "Sade" e "Tempest", que adapta clássicos literários com tendências bem fortes ao horror e uma abordagem do sexo bem mais pesada, com estupros, "sadismo" e etc..... Até neste caso o pênis é censurado, e no máximo é representado por uma espécie de facho energético... Curioso, não?


Resenha produzida para o Desafio Literário 2010, organizado pelo blog Romance Gracinha. O objetivo era ler e resenhar algum livro baseado em contos de fadas... eheh.

[Veja minha lista de livros programados para 2010 aqui.]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O chato argentino Ficciones + divertido peruano Pantaleón


Olá!

Como parte do Desafio Liteário 2010, eu também busquei um livro de um escritor latino-americano. Devo ter lido em alguma seleção cult que o argentino Jorge Luis Borges seria um dos melhores contistas e escritores do mundo.

Além disso, eu me lembro de que achei interessante um de seus contos, sobre um mundo povoado por livros praticamente infinitos, com todas as combinações de textos possíveis. "A Biblioteca de Babel". É da época da faculdade.

Então fui buscar, em espanhol mesmo, o livro "Ficciones", que inclui esse conto singular.

Foi interessante reler o conto que tinha estudado na faculdade de Comunicação, mas desta vez no idioma original. E a ideia é boa. Pena que não se desenvolva além da proposta de descrição do universo, para uma trama concreta.


Deste modo, não foi interessante ler os outros contos também. O fato é que nem tive saco pra ler a metade final dos contos.

De fato, ao contar a uma amiga argentina que eu estava lendo esse livro, ela contou mesmo que teve que estudá-lo na época da escola, mas que era um escritor considerado "difícil".

Por que, afinal, não gostei dos textos? Porque não contam histórias. São mais dissertativos que outra coisa. Parece que, em cada "conto", descreve-se e argumenta-se sobre alguma ideia, mas não há emoção alguma, divertimento.

Os textos parecem mais tratados ou artigos científicos que contos de fato. Em um deles, por exemplo, fala-se de uma suposta região chamada Uqbar. Não há estória a respeito, com personagens e etc., mas somente desfile de números, anotações, discussões enciclopédicas.

Há também "Pierre Menard, autor del Quijote". Esta é uma ideia interessante: alguém quer reescrever Dom Quixote, de Cervantes... Mas praticamente refazendo a obra toda, como se fosse de fato Cervantes. Como fazer isso, né?

Pantaleón y las Visitadoras

Para que este post salve-se com alguma obra mais divertida a indicar, também vou falar sobre o peruano Mario Vargas Llosa, com seu livro "Pantaleón y las Visitadoras". (Não li agora, mas anos atrás.)

Basicamente, se você quer se divertir mesmo, dar boas risadas, com um escritor importante latino-americano, recomendo este segundo livro.

A obra contrasta um fiel militar cumpridor do dever e tradicionalista com uma missão a que ele é alocado: montar um serviço de "visitadoras" para os militares, ou seja, prostitutas.

A situação fica tão absurda, e é narrada de maneira tão inteligente, que vale mesmíssimo a leitura.

Misturar instituições que parecem tão constrastantes, uma tão oficialesca e outra tão de periferia... tentar oficializar a atividade de prostituição e fazer as mulheres deste serviço virarem oficiais e tratá-las de modo tão institucional, realmente foi uma grande ideia, bem cômica.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Livro quase picante reúne absurdos da mente feminina


Estou nas últimas páginas do livro "Marsha Mellow e Eu", de Maria Beaumont. Foi a minha terceira viagem literária ao universo feminino. (Veja as primeiras aqui.) E, devo dizer, adorei. Muito divertido.

A ideia em maio era conhecer algo da chamada "literatura de mulherzinha", ou "chick-lit", como parte do Desafio Literário do qual participo neste ano.

Pois bem, sei que o clássico da área é "O Diário de Bridget Jones", mas preferi outra opção oferecida pela namorada. Basicamente a capa foi um fator que atraiu bastante, ahah. Veja abaixo.

Pensei em chamar o livro, no decorrer da leitura, de "pervertido". É claro, na verdade é uma história SOBRE um livro pervertido. Deste modo, de um jeito ou de outro, a história acaba tendo certos toques picantes mesmo (e deliciosamente descritos) e aborda o sexo, de uma maneira bem divertida.

Isso é legal, na verdade eu não estava muito acostumado com romances que incluem sexo assim, e foi interessante perceber como as mulheres já estão acostumadas com este tipo de leitura. "Meu Deus, o que essas garotas estão lendo...", poderia pensar. [Mas acontece que os garotos preferem VER, e não LER, sobre esse tema, aprendi, eheh.]

Mas não é nada de mais, este é apenas um aspecto entre outros do cotidiano doido da garota protagonista da história.

Absurdos imaginativos

Pra valer mesmo, um dos pontos mais importantes a se desfrutar na obra é acompanhar as loucuras e exageros da imaginação da protagonista. E a rede de mentiras em que ela se vê envolvida.

Para começar, tem o livro picante que ela escreveu, mas não quer assumir, claro. E também tem o melhor amigo, gay aventureiro que a mãe dela, tradicionalista, pensa que é seminarista...


Tem vezes em que eu não sabia se torcia contra ou a favor da protagonista, de tão absurdas eram as coisas que ela fazia, e tão ridículos os seus motivos. Mas é muito legal aprender mais sobre a maneira feminina de pensar [por mais que exagerada, claro, não me entendam mal].

Por mais que eu pudesse fazer pouco caso de alguns de seus motivos (fúteis? como passar por tantas enrascadas só pra se esconder da fúria da mãe, ainda que a protagonista more até sozinha?), e de suas mudanças de ideia repentinas... Talvez isto mostre mesmo bastante sobre algo da mente emocional feminina, uma tarefa deliciosa à qual estou me dedicando.

De todo modo, não querendo generalizar comportamentos femininos encontrados, caricaturizados, claro, é mesmo muito divertido ver até onde pode levar uma rede de mentiras proferidas sem parar, por simples covardias de encarar certas pessoas e por causa também de uma imaginação que viaja e parece transformar alguns fatos tão "bobinhos" em coisas terríveis.

É mesmo legal ver como a história é construída de maneira divertidamente absurda, guiados pelas impressões bem particulares e devaneios da Amy, a insegura. Ou seja, tem vezes em que a gente se confunde e acaba até entrando nas loucuras dela... Afinal, é esse o poder do narrador, não é mesmo?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Livros pra ouvir: inglês e português

Uma boa ideia para quem tem ou está com dificuldades de leitura é ouvir livros. Sim, existem os audiolivros, que você pode ouvir até em seu MP3 player.

No entanto, várias das melhores obras e sites-projetos de narrações de livros que encontrei são de livros em inglês.

Para os brasileiros, isso restringe um tanto a quem entende bem inglês, claro. Para quem entende mais ou menos... Vale o esforço para treinar!

Há também livros lidos em português, mas boa parte deles são pagos, ou não tenho interesse neles, ou são piratas (não vou indicar nenhum destes por aqui, eheh).

Projetos em obras em inglês

Os melhores projetos/sites em inglês são dois: Librivox e Free Classic Audio Books.

Ambos são ótimos. O Librivox é mais estruturado, com políticas de voluntariado transparente, e com mais de 3.000 livros publicados. Pesquise e veja (e ouça!) se encontra algo que você goste nessa infinidade de livros.

Neste primeiro, encontrei:

- Vários contos de Sherlock Holmes;
- Les Misèrables (Os Miseráveis), de Victor Hugo, em francês e inglês, bela iniciativa social que mostra e questiona a situação dos pobres;
- A Divina Comédia, de Dante Alighieri, clássico italiano gigante sobre uma jornada pelo inferno até o Paraíso;
- E ainda 1.001 Noites, a longa sequência de histórias árabes que entrou pra valer no imaginário ocidental, e que gira em torno da esperta Sherazade e do rei Shariah.

O Free Classic Audio Books tem a vantagem de mostrar logo de cara quais são suas quase 30 obras oferecidas, em 3 páginas (sem ter que ficar pensando qual procurar). Tem um visual mais amador, com vários anúncios do Google Adsense em volta, além de anúncios para obras pagas a US$ 10. Pode valer a pena também.

Veja quais achei bacanas lá:

- War of the Worlds (Guerra dos Mundos), de George Orwell, que assustou muita gente achando que havia uma real invasão de ETs;
- Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas), do Lewis Carrol, super na moda atualmente, agora que o filme estreou;
- Romeu e Julieta, o clássico mais que romântico e trágico de William Shakespeare;
- Sonetos de Shakespeare, para quem ainda não se cansou dele;
- Robinson Crusoe, de William Defoe, bela e clássica história de aventura do náufrago;
- Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito), de Jane Austen, clássico precursor da "literatura feminina" ou algo do tipo (precioso de minha querida )
- Frankenstein, de Mary Shelley --muita gente conhece derivados mas não o original.

Em português

Tem o site da Universidade Falada, com vários livros em português à venda. Entre uns legais que achei nessa categoria, tem uns do Sherlock Holmes, como o pioneiro Estudo em Vermelho.

Também tem uns nesse site, bem poucos e a maioria chatos, gratuitos. Um que pareceu melhor éABC dos Mitos. Mas tem que se cadastrar pelo visto para baixar.

Ouvi de outro lugar dois livros espíritas, o "Nosso Lar", que seria a narração de um espírito sobre como é a vida e organização sócio-econômica depois da morte; e o "Livro dos Espíritos", com várias perguntas e respostas sobre a doutrina espírita.

(Infelizmente não acho os links desses dos que baixei; só que foi chato demais ouvir o "Nosso Lar" com voz automática de software gerador de áudio, tome cuidado com esses áudios.)

O site da BibVirt também disponibiliza vários livros clássicos em português, daqueles que se transformaram em chatice pra gente especialmente por ser "livro de escola" ou "de vestibular". Em todo caso... esse site está agora em manutenção.

sábado, 24 de abril de 2010

Poema: Bola de Gude







Um dia fui parar em Londres

Daquelas que temos na imaginação

Cheias de névoas e edifícios clássicos

Edifícios que parecem castelos --como são mesmo, eu vi!


Meus óculos ficaram embaçados com esse fog, essa neblina

Eu tentei limpar, mas não consegui.

Limpei muitas vezes, mas meus descolados óculos

Azul e laranja

Não paravam de embaçar.


Eu me lembrei que na infância,

Antes dos meus 12 anos,

Óculos não usava não.


Assim, fui depois parar na papelaria,

Daquelas da infância,

Onde a gente compra todo tipo de papel que a professora pede

Pras atividades de escola.

Eu moleque como era (e precisa ser uma criança)

Fui correndo na frente do vendedor

Derrubei a estante de papéis

E o celofane transparente caiu sobre mim também.


Assim, equipado pras minhas artes,

Não tive dúvidas, só faltava

Um doce ar de natureza.

É assim que o doce das abelhas me atraiu.

Favos de mel: é só o que vejo agora.


Natureza não existe

Só em florestas e campinas e montanhas

Minha natureza: é ser diferente

Em tudo o que puder.

É isso o que me faz autêntico,

Até uma brincadeira fora do lugar.


Nunca fui de me divertir tanto

Com jogos do tempo do papai e do vovô

Livro TV e videogame era meu costume

Em tempo de criança.


Pipa, onde está?

Voou, voou.

Bolas, onde estão?

Rolaram, rolaram.

Mas tudo para bem longe da minha mão.


Um homem no entanto não pode ficar sem

Certos instrumentos que o compõem assim.

A bola de gude que eu joguei fora

E que aparecia só em livros de história

Voltou pra bem perto de minha mente.


Sem saber como ela voltou, ou talvez estivesse sempre lá.

Como se querendo que eu lembrasse

Do meu destino de criança sapeca

Que precisa brincar até virar adulto

E não perder graça e vontade de rir.


Natureza não existe

Só em florestas e campinas e montanhas

Minha natureza: é ser diferente

Em tudo o que puder.

É isso o que me faz autêntico,

Até uma brincadeira fora do lugar.


24/04/10 – 3h26

terça-feira, 13 de abril de 2010

BBB transforma ditador assassino de "1984" em diversão


Estou lendo, na língua original (eba!), o livro "1984", de George Orwell. Há tempos queria ler, como obra de fato clássica, consagrada. Mas não imaginava que seria mesmo tão forte e pertinente aos dias atuais.

É claro, todo brasileiro hoje conhece o programa "Big Brother Brasil", ou "BBB". Eu sabia mais ou menos que o livro inspirou esse tipo de programa, dito reality show. Mas não sabia que havia referências tão diretas.

A começar pelo nome. "Big Brother" (Grande Irmão, em tradução literal) é exatamente o nome do poderoso ditador que tudo sabe e tudo vê, no livro "1984".

Há também as câmeras. Claro, é isso o que primeiro nos vem à mente quando pensamos em reality show. Pessoas sendo filmadas o tempo todo.

Privacidade

Vamos a uma diferença:

No jogo-programa BBB, tem trocentas pessoas que se inscrevem, tanto desejando virar celebridades como querendo ganhar o R$ 1 milhão oferecido ao vencedor. Elas têm o livre-arbítrio de se submeter às câmeras.

Na sociedade descrita por Orwell, não há essa escolha. Todos são filmados o tempo todo. O protagonista até mesmo se surpreende quando encontra um cantinho que as câmeras não parecem alcançar.

(Aliás, isto me lembra uma discussão em uma disciplina de pós em Filosofia: quanto mais as pessoas exigem segurança, menos privacidade parecem ter, com as câmeras e tal. É mesmo uma tendência. Como será que essa sociedade de "1984" foi se formar, heim?)

Acusações

Outro paralelo é o de acusações e ataques mútuos. No jogo BBB, os tais paredões definem quem vai sair, quem vai ficar. Para isso, há votação do público, mas há também antes votos (negativos) entre os próprios participantes.

No livro, há também acusações, que seriam correspondentes aos "votos" negativos no BBB (no programa, pela saída dos participantes para longe do sonho milionário).

Essas acusações em "1984" são bastante estimuladas entre os cidadãos. Até crianças são habituadas a fazê-las. Um denuncia o outro, especialmente por "crime de pensamento". Há até mesmo "crime de expressão facial".

Ou seja, o cidadão precisa mostrar que concorda com tudo que está no interesse do Partido (em cujo centro simbolicamente está o tal do Big Brother), que controla tudo.

[Repare a referência direta a países como a China, Cuba, Coreia do Norte e a Rússia na época da União Soviética.]

Se o cidadão não mostrar estar do lado do Partido, de sua causa, e além disso, não se mostrar empolgado com ele, festejando junto todas as suas conquistas... Ai dele.


Vapor ou fama

Ele pode ser muito bem vaporizado. O que seria isso? Não é apenas executado, como é comum em ditaduras da vida real. A criatividade de George Orwell chegou ao ponto de fazer com que, nesta sociedade, estes indivíduos indesejados fossem realmente apagados da História.

Depois de mortos, todos os registros destes indivíduos são apagados, de modo que pareça para as futuras gerações (ou mesmo para a geração presente, já que todo mundo parece esquecer das coisas beem rápido, por força maior) que eles nunca existiram.

Imagina só: além de você perder um ente querido, ainda por cima todas as fotos e lembranças que você pudesse ter dele também devem ser dizimadas.

Por outro lado, no BBB, ao invés de os eliminados do programa serem esquecidos... Pelo contrário, eles ganham um título de nobreza: "ex-BBB". Parece coisa de barão, duque, conde, etc., não? Aqui temos isso, a pessoa entra numa categoria à parte.

Não se identifica mais a pessoa por sua profissão antes do programa.

Como a dançarina Lia ou o personal trainer Cadu ou a dentista Fernanda, ou ainda o lutador Dourado (vencedor), ou seu rival, o maquiador Dicésar, no caso da na edição BBB10.

Após o programa, serão sempre chamados pela mídia de "ex-BBB".

E isso dá as garotas, normalmente, o benefício de posar nua para revistas. Ficam lá bem registradas, cada vez mais. Para não esquecer mais. Especialmente para os meninos procurando fontes de masturbação.

Para exemplificar, temos em abril na "Playboy" a Cacau, e no mês anterior a Tessália (à qual eu estava bem mais familiarizado, já que ela começou como celebridade do Twitter).

Poder


Também há outro ponto a se discutir aqui: o poder.

O poder do simbólico e misterioso Big Brother é total. Seria ele que tudo vê e etc. Mas nunca é visto. A quem podemos compará-lo no programa de TV, que atrai a atenção de tanta gente?

Ao telespectador, é claro. O público se sente na condição de poderoso (ao menos a ideia é essa). É ele que tem o privilégio de observar cada banal e rotineiro movimento e expressão dos participantes (e poderá ver mais ainda se você pagar pelo pay-per-view). E avaliá-los.

Não há muito critério para saber quem dos participantes ganha e quem não ganha. Isso sempre me irritou, essa coisa vaga, sem critérios objetivos na competição. Mas é assim: se você agradar ao público que está te assistindo, ótimo. Viu? É parecido com o universo do livro.

Com a exceção de que as regras são bem mais liberais, claro. Há festas, bebida, música, piscina, etc. no BBB.

Sexo

Vamos falar de sexo.

É bem comum que se formem casais no BBB. Mesmo quando a pessoa tinha namorado(a) lá fora. É tudo liberado. E o que rola debaixo do edredom então, é a maior atração.

Já em "1984", você não pode casar com alguém se tiver interesse sexual na pessoa. Imagina! Não se pode imaginar sexo com outra função que não gerar novos membros para o Partido.

O protagonista da história se lembra de sua esposa deste modo: extremamente leal ao Partido, parecia uma tábua, em termos de frieza sexual. Ela frequentemente o lembrava de fazer sexo, mas com o termo "nosso dever para com o Partido". E simplesmente tirava a saia, se deitava e abria as pernas.


Passado reformulado

Um ponto que me surpreendeu especialmente no livro de Orwell é o fato de ser normal que a História seja reformulada. Constantemente. Tudo no interesse do Partido/Big Brother. E para mostrar que seu governo é sempre melhor. E todos os cidadãos deveriam adorá-lo.

Suponhamos que os impostos sejam de 10% em 2009. E de 15% em 2010. Oras, para se mostrar que os impostos caíram, e assim as coisas vão cada vez melhor, basta alterar os registros históricos (e destruir e reimprimir cada notícia em revista e jornal que mencionava o fato, não sei como, mas é o que ocorre nesse universo).

Assim, altera-se o registro de 2009, e temos arquivado que o imposto era de 20% em 2009. Oras, como agora em 2010 é de 15%, é óbvio que o imposto caiu. Assim, cada cidadão só tem mesmo é que louvar e agradecer ao Big Brother e ao Partido.

Talvez isto pareça exagerado. Mas ilustra a falta de memória crônica de todos da vida real. O esquecimento constante. Não sei se farei ligações com BBB aqui, mas talvez com os políticos? Muito óbvio, ahahah.

O fato é que eu ao menos repito sempre os mesmos erros. E pareço sempre esquecer deles. Como é difícil parar de me agradar, conformado com a situação aparentemente bacana.

Câmeras são as redes sociais



Encerro chamando a atenção a um artigo que li na revista "Newsweek". Cuidado com os seus dados pessoais na internet.

Cada vez mais nós expomos toda a nossa vida pessoal na internet. Quem são nossos amigos, o que estamos fazendo neste momento, do que gostamos, etc.

Tudo isso é registrado por redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Além do poderoso Google, é claro, que cada vez mais a tudo observa, a serviço do internauta.

A melhor metáfora da realidade mesmo é que as câmeras do BBB e de "1984" se transformaram em conexões da internet.

Essas redes sociais oferecem serviços de graça. Será que são assim tão boazinhas? Ou os seus dados pessoais valem mais do que você imagina?

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(Esta resenha foi produzida totalmente estimulada pelo Desafio Literário by Romance Gracinha. Pois é, é esse mesmo o nome, ai. Estou bem atrasado na publicação da resenha, que era pra março, por coincidência quando terminou o BBB10. Veja meu cronograma falhado.

Culpo parcialmente a Amazon, por ter demorado muuuito pra me remeter o livro em inglês. Pois é, fiz questão de ler no original, eheh.)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Filme dos EUA lotado de música brasileira (e até com personagem brasileiro sedutor engraçado)




Oi!


Assisti ontem a um filme mto bacana, e "de grátis"! Foi nesta mostra na biblioteca pública Viriato Corrêa, e o lugar parece até cinema mesmo! Aprovadíssimo!

Enfim, fui com a , quem achou essa preciosidade, e o filme se chama "PRÓXIMA PARADA: WONDERLAND". É de 1998 e faz parte da produção estadunidense. A sinopse oficial segue abaixo, mas não conta o mais relevante para nós, tupiniquins:

"Além de ter perdido a esperança de encontrar sua cara metade, Erin recebe a visita de sua mãe bisbilhoteira e casamenteira. A situação piora quando a mãe, para ajudá-la, coloca um anúncio com a descrição da filha nos classificados."

Ok, mesmo sem contar o mais relevante pros brazucas, a sinopse conseguiu me chamar a atenção o suficiente pra ir até lá. Pareceu divertido, especialmente com o que negritei. Mas faltou informação, por isso a necessidade de eu blogar sobre isso.

Pois então, chega de enrolar: desde a primeira música brasileira que apareceu, fiquei muito surpreso, até pensei que fosse uma adaptação, que na versão com legendas para o Brasil colocaram a música, sei lá, que absurdo, né?

Tudo isso porque não imaginei que um filme estadunidense pudesse utilizar músicas brasileiras de trilha sonora.

Mas acontece que depois apareceu outra música brasileira, e mais outra, e mais outra. A princípio, eu, que não conheço direito nossa música (ou qualquer outra), associei o estilo com MPB clássica. Acho que havia "Garota de Ipanema", e também "Carinhoso". (Mas depois, se especifica no filme que é Bossa Nova, "algo que é ao mesmo tempo alegre e triste".)

Então, chega uma hora em que a protagonista declara para alguém que adora música brasileira, e então está tudo explicado. Outra hora, pra esclarecer ainda mais a presença de tanta trilha sonora assim, alguém conta que o bar ou restaurante ao qual ela vai a toda hora sempre toda música brasileira.

(A propósito, fiquei muito feliz também quando eu, no Japão, em um restaurante vegano (vegetariano puro, sem laticínios e ovos) lá, em Tokyo, também comecei a ouvir Elis Regina! uau! aí depois comentei com alguém do restaurante, e me disseram que a dona do lugar curte nossa música...)


Brasileiro hondurenho

Pois bem, e como se não bastasse tanto Brasil na trilha sonora, ainda por cima um personagem brasileiro (não ator) invade o cenário, com um papel especial. Ele tem muito melhor sucesso que os outros pretendentes à protagonista. Além disso, é divertido, os outros eram tão chatos. Mas também maluco, pensando nas propostas que ele faz. Mas maluco do bem, não do mal, como faziam os outros, rs. Super-romântico.

Ele acaba não sendo assim tão bem-sucedido como queria, mas não desiste e parte pra outra. mas, como a Rê percebeu, enquanto tava ainda com esperanças, ele não foi buscar outros rabos de saia não, pois não cedeu ao charme de outra mocinha antes.

assim, a imagem que fica do brasileiro no filme é: um cara bacana, divertido, engraçado, sedutor, leal, meio louco indicando aventuras!)... e além disso, lembra que "sou brasileiro e não desisto nunca!"

ah, ele tb adora usar musicas brasileiras com letras românticas pra ficar paquerando. Ele canta em "português" enrolado, aí a moça fala q não entende, e ele vai traduzindo... oh...

só é engraçado ele falar q vai voltar para São Paulo, onde ele mora, e ficar falando tanto de litoral, praias, corcovado, oferendas a iemanjá etc. rs. aqui em SP não tem nada disso! eheh.

A propósito, dá pra perceber que o ator não é brasileiro porque ele resolve cantarolar a todo momento umas musiquinhas brazucas, e pelo sotaque dá pra perceber que não é brasileiro de jeito maneira. Só gostaria de saber de que país ele é. Chutei na hora que ele fosse estadunidense, Rê que fosse argentino ou outro latino-americano.

(...) tempo para pesquisa (...)

ok, acabo de descobrir. depois de passar pelo IMDB, maior site de referência de cinema, descubro que o ator que interpreta o "brasileiro Andre de Silva" se chama José Zuñiga.

Também descubro, na ficha do ator no IMDB, que ele já trabalhou nas séries "CSI" (detetive Cavalière), "Lie to me" (detetive Molina), "Grey´s Anathomy" (Anthony Meloy), "Prison Break", "The OC"... e até no filme "Crepúsculo" (! como Mr. Molina, professor de Biologia da Bella, em uma aula em que ela está com Edward; no livro, o nome original do professor era Mr. Banner)

E, ao buscar na Wikipédia, descubro que o cara que representou o Brasil para o mundo nasceu em Honduras! ahah. (apesar de também estar registrado o cara como "american actor", ou seja, na verdade ele já deve ter vivido mtos anos nos EUA)

Você vê só, e pouco mais de 10 anos depois, o presidente expulso de Honduras Manuel Zelaya, todo com seu chapelão e botas, se instala em nossa embaixada no país dele pra tentar voltar... abusando de nossa boa vontade. mesmo assim, parece que não deu muito certo não, eheh. E pelo que li na Folha Online, ele tá lá até agora, desde setembro! isso sim, é uma comédia diplomática.


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A propósito, tem alguém que já fez uma resenha brasileira em seu blog, mais atenta à trama em si do filme do que eu: Claudia Pereira. A propósito, adorei a trama tb, bem montadinha e bonitinha, apesar de em certos momentos do meio ser bem parada!

ah, e adorei essa homenagem gratuita toda do filme para coisas do Brasil! mas bem que podiam ter pegado um ator brasileiro, oras! só não podia pegar alguém como Rodrigo Santoro, que ia ser mais galã que o galã principal do filme... [que, aliás, se encontrou com a protagonista de repente demais, a meu ver! sem preparação nenhuma pra eles, apesar de que o clima foi bem montado em termos de trama.] e não me parece que santoro ia ser tão engraçado e divertido como tinha que ser o personagem.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Minha descoberta dos românticos romances de banca


Olá.

Lá vai meu comentário/resenha sobre a leitura de janeiro de 2010 proposta pelo chamado Desafio Literário, organizado pela Vivi, do blog (ai!) Romance Gracinha.

Pra começar bem o ano (ahah), a sugestão foi ler um chamado “romance de banca”. Leia-se: Julia, Sabrina, Bianca, Mirela, etc. Até então eu nunca havia dado muita atenção para eles. Duas razões principais: parece (e é) coisa de mocinha e também parece literatura “pobre”.

No entanto, resolvi render-me à minha curiosidade científica (eheh) e fazer a leitura sim. Aliás, isto ajuda muito a compreender melhor o universo feminino, pois elas não adoram tanto este tipo de leitura?

Confesso que gostei. Gostei muito, como há tempos não apreciava leitura de livros. Talvez desde a adolescência até, quando meu índice de leitura de histórias em livros era trocentas vezes maior.

Livro com história. Sim, porque tenho lido muito mais livros teóricos do que de histórias nos últimos tempos, quando leio algum livro qualquer inteiro.

O fato foi que li, no prazo recorde de uns quatro dias após emprestados pela Rê, autora do blog O Gato Risonho, dois livros de uma vez. E somente em meus trajetos de ônibus e metrô do jornal para casa e vice-versa, tentando conciliar com a básica leitura do jornal, claro. Aliás, é impossível ler jornal em transporte público lotado, mas livrinho dá ;).

E fiquei tão curioso na leitura, que acabei na verdade adiantando em dezembro o que deveria ler em janeiro, eheh. E li dois, apesar da proposta de ler só um!

Bem, na verdade, acho que não é segredo que os livros “cult” são frequentemente chatos pra burro. É claro, não vou desistir de lê-los, eu que sempre achei tão importante esse tipo de leitura, mas... Putz, diversão e prazer são coisas muito importantes, além do intelectualismo, não?

Eu mesmo comecei a ler há um tempo atrás “Cem Anos de Solidão”, do conceituadíssimo Gabriel García Marquez... Fui até a metade de suas quase 400 páginas, mas parei. Tudo bem, era profundíssimo e cheio de recursos poéticos, genial, mas comecei a cansar. Espero voltar um dia.

Seleção dos títulos

Vamos então aos livros em si. Li primeiro “O Anel da Vida” (116 p.), de Loreley McKenzie, da coleção “Amores Eternos” (que singelo!), da Mythos Books. Em seguida, li “Lábios de Mel” (186 p.), de Deanna Mascle, este sim da mais famosa coleção “Sabrina Sensual” (uau!), editora Nova Cultural.

Os dois livros foram escolhidos, dos que me foram oferecidos, baseando-me no nível de romantismo, aventura e sensualidade que transpareciam. Para isso, a imagem da capa e a sinopse da contra-capa (ou quarta capa, nunca sei, aquela outra visível, atrás do livro), foram fundamentais.

Nada de coisa comportada, como alguns outros pareciam, estilo “família” demais.

“Lábios de Mel”

Este me chamou mais a atenção, por isso começo por ele, apesar de ser o segundo que li.

Para começar: o título super-genérico não tem nada a ver com a história, como parece ser mesmo comum para este tipo de publicação. Ok, uma única vez a mocinha da história faz a comparação com os lábios do mocinho, mas enfim...

Aliás, cumpre informar que o título original, em inglês, era “Moon Hunter”, ou seja “Caçador da Lua”. Sinto que teria muito mais a ver, porque a história trata de aventura pela floresta pelos EUA, em época de Conquista do Oeste (ou Faroeste).

Isso é algo que me chama a atenção, claro, pois fui jogador de RPG por muitos anos, por toda a adolescência. RPG: jogo em que se interpretam personagens, com ficha, números, dados, narração, e frequentes combates com seres perigosos.

A história em si é divertida, envolvente. Novelinha básica: mocinha encontrada em apuros na floresta, com sua filhinha fruto do casamento zoado com um cretino. Ela acaba conhecendo um moço protetor que faz de tudo para protegê-la, super bem intencionado. Ele parece ter apenas a nobre missão de proteger os fracos e comprimidos...

Dilemas amorosos

Mas claro, Mack, o gentil e cavalheiro mocinho da história, acaba ficando apaixonado pela moça, enquanto a acompanha até levá-la em segurança. Apesar de não querer admitir isso. E fica naquele vai-não-vai.

O moço fica no dilema de querer apenas cumprir sua missão de proteção, tentando se recuperar de um passado dele, em que teria falhado vergonhosamente. Além disso, ele preza muito sua vida independente para formar laços com qualquer mulher que seja.

Acho que este é um ponto bem importante: de fato os rapazes costumam enfrentar este dilema mesmo: sua independência e liberdade versus envolver-se (até que ponto?) com a garota que mexe com eles?

Mas a mulher que ele acompanha (e cuida dos ferimentos dele, além de também ajudá-lo contra uns selvagens que aparecem, pois ela é durona mesmo!) é cada vez mais irresistível para ele.

Por seu lado, a moça, Rebeca, só queria saber de cuidar de sua filhinha. Depois de sua experiência anterior horrível, não quer mais nunca saber de homens. Apenas tolera o tal Mack para seguir protegida pela floresta até algum lugar mais seguro.

Mas ela acaba ficando balançada, enfim. A história ondula entre as dúvidas amorosas dos dois protagonistas. Foi uma novelinha e romance (no que se trata de amor, claro), gostosa de acompanhar. Inclusive há de fato trechos picantes, eheh. Interessante esse tipo de narrativa com detalhes e descrições do percurso amoroso. Não conhecia, mas hiper-aprovei, apesar dos exageros caricatos às vezes.

"O Anel da Vida"

Bem, se citei no fim “exageros caricatos” para o outro livro... “O Anel da Vida” sim, é cheio deles. Tanto para a descrição dos personagens, excessivamente lindos e maravilhosos, além de suas emoções, barrocas, derramadas.

Clichês não faltam, mas sempre funcionam.

A começar, temos a Cinderela: Martha, totalmente explorada pelos irmãos e pela mãe, demônios em pessoa. Eles a exploram, o chefe da empresa também, os colegas de trabalho também.

E ela sem coragem alguma de revidar. De ter iniciativa para mudar esta situação. De exigir justiça. Uma fraca.

Mas eis que, assim como acontece nas histórias do Homem-Aranha, em que o estudante CDF e alvo de todos os bad boys da escola Peter Parker vira um fortão e ágil super-herói; ou mesmo Harry Potter, em que o também explorado pela “família” e órfão garoto vira um feiticeiro, pré-destinado a salvar o mundo dos bruxos e ser o maior de todos, mesmo ainda criança...

Algo acontece para a pobre e medrosa Martha. Ela ganha um anel (sim, o do título do livro, que agora sim tem a ver com a história, huahua). Um anel que tem o poder de dar força interior, coragem, para que a moça vença todos os seus desafios.

Bom, essa história de misticismo, esotérico, foi algo bacana que apareceu também, que também me chama a atenção, lembrando de meu histórico de jogador de RPG, em que também muita magia é obrigatória.

Mulher moderna

Um diferencial interessante para a história é que trata da vida da “mulher moderna”, que busca sua independência financeira e nos demais setores da vida (li algo assim mesmo sobre esse tipo de romance de banca em alguma matéria por aí).

Isso mesmo: mostra como, ao fim e ao cabo, ela consegue ser bem-sucedida em todos os aspectos de sua vida: não só o amoroso, como foi mais centrado o romance que li da “Sabrina Sensual”, mas também o lado profissional e familiar.

Aliás, o lado profissional é bem importante mesmo nesta história; é claro, bastante interligado com o lado amoroso e místico, até porque a mocinha da história consegue o trabalho novo via anel místico e via um belíssimo “Senhor Perfeito”, como ela o chama em pensamento.

Tem também um lado de suspense policial, mistério, que a mocinha acaba também tendo de lidar no seu trabalho, que a coloca até em perigo.

Ou seja, nisso tudo, o lado de romance “romântico” acaba sendo mais um detalhe. Mas bem derretido e caricato, com certeza.

Posso até chamar a história de bobinha, mas é divertida, curiosa, completa, e não me deixou parar de ler nem um instante, até terminar, eheheh.

Além de ter o mérito de chamar a atenção para o sucesso profissional feminino e até mesmo de fazer os leitores (e especialmente as leitoras, ahah) refletir sobre as besteiras que têm feito em sua própria medrosa vida pessoal, profissional, amorosa, etc. Neste sentido, é bem um livro de auto-ajuda sim. ;)