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terça-feira, 1 de abril de 2008

2a resposta ao biólogo sobre direitos animais

2a resposta ao pesquisador de Biologia Beny Spira, em http://stoa.usp.br/benys/weblog/18926.html.

1) está me parecendo que vc acredita que todas as assim chamadas ciências sociais e humanas não podem ser consideradas "ciências". é isso mesmo?

é curioso, vc insiste em separar "ética" de "ciência". e jogar "ética" junto de "crença", "religião" e "sentimentalismo". como se uma Ética séria não se valesse de diversas normas para fundamentá-la, dentro da Filosofia.

é exatamente contra esse imaginário que estou discutindo aqui. será q vc acha mesmo q os filósofos da USP e de outras universidades pelo mundo que estudam Ética são então nada mais que dogmáticos, religiosos e sentimentais, nem um pouco racionais?

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2) outra coisa, discordo de vc quando diz que a ciencia é essencialmente amoral. assim como tb discordo de se falar em um jornalismo essencialmente imparcial (isso é consenso na faculdade de Jornalismo).

ciencia e jornalismo nao sao amorais, porque o ser humano nao é amoral. e ciencia e jornalismo nao existem sem o ser humano agindo. tudo isso serve a determinados interesses, particulares ou coletivos. assim, a importância das ciências humanas e filosóficas está em verificar que interesses são esses, e se eles são ou não bem fundamentados, etc.

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3) concordo sinceramente contigo, podemos começar juntos agora mesmo uma campanha anti-natalidade, assim como existe na China. a hiper-população humana é um desastre, tanto para a coletividade quanto para as milhares de crianças sem condições de vida digna. podemos trabalhar juntos neste ponto.

mas veja os dados da parte inicial do vídeo A Carne é Fraca, a quantidade de bois e porcos, por exemplo, tb é exorbitante. aliás, vc está correto qto ao gás metano, este é um dos argumentos para o vegetarianismo.

concordo contigo que fatores ambientais implicam apenas em um quase total vegetarianismo (que se reduza bastante o consumo de carne; assim como se deveria reciclar praticamente todo nosso lixo, ou todo que fosse possível), não um vegetarianismo total necessariamente. de todo modo, se a população realmente tivesse esta mudança de atitude ao reduzir o consumo de carne ao máximo (digamos umas vezes por semana ou por mês, ao contrário de como é de praxe, que é consumir sempre) já seria excelente, por diversos motivos.

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4) qto aos animais de estimação (ou "pets"), uma idéia interessante é que sejam acolhidos os que já vivem, mas também deve ser desestimulada sua natalidade. é praticamente consenso entre os protetores de animais que haja campanhas de castração de cães e gatos. e que eles nunca sejam vendidos, mas doados quando necessário. (a propósito, este ponto foi discutido na reunião do grupo de estudos de direitos animais que eu coordeno, este sábado, no CCSP)

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5) A respeito das diferenças entre animais e vegetais, obrigado por sua informação sobre nova classificação de reinos, desconhecia. mas ainda assim as diferenças entre eles parecem bem relevantes em termos éticos. A este respeito cumpre indicar 3 textos já escritos, disponíveis em meu outro blog, caso tenha interesse. Eu apreciaria muito se vc, quando puder, fizesse uma crítica a eles (repare que o melhor não é o primeiro, que é meu, mas sim o do professor Gary Francione, que está mais abaixo; e em segundo lugar o da Simone Nardi):

http://mauricio-kanno.blogspot.com/search/label/direitos%20das%20plantas

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6) ah, desculpe, faltou justificar um aspecto sobre

Você está preocupado com o fato de que muitos animais devam ser criados para satisfazer as necessidades humanas e que isto leva a um maior cultivo de vegetais. Certo? Mas não entendi onde está o problema.

falei isto apenas porque vc não está atribuindo valor ético à consciência, senciência, capacidade de sentir e ter interesses, psicologia, que é o critério moral (considerado relevante) dos defensores dos direitos animais, que diferenciaria os animais dos vegetais.

considerando a hipótese de você, assim como eu antigamente, dar um valor à "vida" simplesmente, independente de ser senciente ou não, aquele argumento ecológico serve também a favor do vegetarianismo, pois mostra que se sacrificam mais vidas, sejam elas sencientes ou não, quando as pessoas não são vegetarianas.

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qto ao ponto 2, apenas retifico: me referi à "ciência e ao jornalismo" "aplicados", não "puros" e "ideais", como se isso existisse. é como aquela história do elétron e do observador... foi apenas uma reflexão a mais, mais ampla, por outro ponto de vista.

qto a considerar esta ciência "per se", "pura" e "ideal", não aplicada, há que considerar somente meu ponto 1.

Grande abraço, é um prazer debater contigo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Respostas sobre direitos animais e vegetarianismo a um pesquisador de Biologia

Estas são respostas que dei ao pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP Beny Spira, em seu blog na rede Stoa da USP. Mas é claro que também podem ser interessantes para outros que tenham suas dúvidas quanto aos temas tratados.

1) Ciência: Eu só decidi me tornar vegetariano a princípio quando me dei conta de que muitos vegetais precisam ser sacrificados para a criação e abate de um único animal para a alimentação humana. Este foi o gatilho inicial, acho (sem saber nada sobre "direitos animais"). E isto é plenamente científico, a gente estuda até no cursinho em Ecologia, em cadeia alimentar.

Se você não faz muita distinção entre os animais que não são humanos e os vegetais, apesar de serem de reinos distintos, como eu também não fazia diferença na época... talvez aceite melhor este argumento ecológico, assim como eu tinha aceitado melhor.

Quanto às questões éticas em si, se deseja desqualificar uma teoria ética de direitos animais como as dos filósofos Tom Regan e Gary Francione como não científica, então você precisa justificar-se dentro das regras do campo da Filosofia Ética. Ela não é uma "ciência dura" como a Física e a Biologia, mas segue algumas normas, tais como:

-Não cometer falácias (erros de construção lógica em argumentações),
-Princípio da não-contradição,
-Princípio da universalizabilidade (todo debatedor que atribui valor moral ou obrigações éticas a um caso tem que estar disposto a afirmar o mesmo para todos os casos que se assemelhem ao caso dado nos aspectos relevantes,
-Princípio de generalização (quem se propõe a tratar um indivíduo A diferentemente de um indivíduo B é obrigado a dar uma justificativa para isso, ou determinar a diferença moralmente relevante entre A e B).

2) Em termos de nutrição, o que me basta defender aqui é que é possível ter uma vida saudável sendo vegetariano, e eu e diversos conhecidos são exemplo prático disso. Ainda assim, todo cidadão que opta pela dieta vegetariana como eu, antes de fazer isso e depois, se informa sobre os possíveis problemas que PODE ter (e não certamente ou provavelmente terá), como anemia por carência de ferro, e verifica os alimentos a recorrer com mais frequencia.

Isso faz parte da educação nutricional que todo cidadão deve ter, de acordo com suas opções alimentares. Tão conscientes estamos disso, que no jornal vegano que ajudei a fundar, o Salva-Vidas, o primeiro texto relacionado à nutrição explica como otimizar o ferro em uma dieta vegetariana.

De todo modo, mesmo o ferro oriundo de fontes vegetais sendo de menor biodisponibilidade a incidência de anemia ferropriva dentre os vegetarianos é SIMILAR à dos onívoros, como você pode consultar nas seguintes referências:

(A) Messina MJ, Messina VL. The Dietitian's Guide to Vegetarian Diets: Issues and Applications. Gaithersburg, MD: Aspen Publishers; 1996.
(B) 31. Larsson CL, Johansson GK. Dietary intake and nutritional status of young vegans and omnivores in Sweden. Am J Clin Nutr. 2002;76:100-106.
(C) Ball MJ, Bartlett MA. Dietary intake and iron status of Australian vegetarian women. Am J Clin Nutr. 1999;70:353-358.

3) Ética do leão: Não é válido fazer comparações entre nossas atitudes e as atitudes de outros animais, como um leão, pois ele de fato não tem opção para sua sobrevivência (se minha única fonte de alimento possível fosse carne, claro que eu também comeria). Além de o leão ser muito mais instintivo que o ser humano (que também é parcialmente instintivo). O ser humano tem opção de agir por decisões não puramente instintivas. Caso contrário, não haveria civilização.

4) Consciência: Na mesma linha de Tarsila, posso responder que me parece que uma vaca (ou um cão ou gato, que não lhes diferem muito e estão muito mais em nosso convívio; ou ainda camundongos, que estiveram no seu convívio de laboratório) tem consciência da mesma maneira que me parece que um outro ser humano tem consciência. Eu não posso ler a mente de nenhum deles, seja humano ou não, mas de acordo com a maneira como este outro indivíduo age, me parece que ele ficou irritado, contente, está com medo, etc.

5) A capacidade intelectual de um indivíduo, como para capacidade de escrever um blog, é relevante para se decidir se ele merece ou não respeito a direitos básicos, como para não ser morto ou usado como mercadoria?

Outros animais têm características que humanos não têm, como respirar debaixo d'água e voar. Mas elas também não são relevantes para decidir se merecem ou não respeito a seus direitos básicos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sobre a relatividade do "imprescindível" "avanço" com experimentos com animais

Olá, o amigo de Stoa Oda pediu opinião a respeito de uma reportagem da revista Fapesp sobre experimentos com animais. Então lá vai:

O pensamento dos cientistas, salvo exceções, é de simplesmente fechar os olhos para toda o sistema de dominação e exploração de que fazem parte, assim como a maioria das pessoas fecha os olhos para o sistema de exploração de animais em geral para diversos fins. Pq é mais fácil assim; assim como, no século XVIII e XIX, muitas pessoas fechavam os olhos para a escravidão e dominação dos negros no Brasil. Quando interrogados a respeito, a opinião oficial era de que, se eles fossem libertos, a economia do Brasil iria quebrar, seria uma total catástrofe!!!

Repare nos tïtulos da reportagem citada: "Sem eles não há avanço", "Experiências com animais seguem imprescindíveis, ao contrário do que dizem ativistas". Repare que palavras lindas e fortes: "avanço" e "imprescindíveis". Uau!!! Bem parecido com o pensamento do século XIX em relação aos negros!!! Sua escravidão na época também era totalmente "NECESSÁRIA" para o país!!!

Mas que tal parar para pensar um pouco? Avanço para quê e para quem e com que custo? Fazer avançar a ciência é SEMPRE necessário assim, não importam os males que nossa espécie inflija aos de outras espécies, mesmo que eles também sejam seres tão sensíveis ou mais que nós?

Tenho impressão de que essa ciência virou um novo deus que cada vez mais sobrepuja todo o respeito pelos outros. Quanto mais certos tipos de ciência avançam, menos o ser humano evolui.

Imagine se não fosse nossa espécie a ter alcançado a dominação do planeta, você concordaria que uma outra espécie mais evoluída se utilizasse de seres humanos nas pesquisas deles? Afinal, o discurso deles é que isso é "imprescindível" para o "avanço"!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Textos sobre abolição da escravidão animal e documento anti-vivissecção (e de volta ao Linux!)

Escrevo para divulgar alguns textos que acabei de descobrir, via Andressa Pimentel, estudante de Biologia, que está fazendo seu TCC anti-vivissecção de animais.

Documento em inglês de 300 páginas anti-vivissecção: http://www.health.org.nz/cover.html
ANIMAL RESEARCH T A K E S LIVES
- Humans and Animals BOTH Suffer

is produced for

THE NEW ZEALAND ANTI-VIVISECTION SOCIETY (INC)
PO BOX 9387
ADDINGTON
CHRISTCHURCH 8243
NEW ZEALAND
http://www.nzavs.org.nz

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Luciano Cunha: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9999919545396556098

"Artigo que escrevi explicando porque defendemos a abolição da escravidão animal. Se quer entender, acesse:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_0006_top.html


Outro artigo meu, sobre o conceito de ética:

parte 1 de 6:

http://www.sentiens.net/pensata/PA_ACD_lucianocunha_03_p1.html

parte 2 de 6:

http://www.sentiens.net/pensata/PA_ACD_lucianocunha_03_p2.html

parte 3 de 6

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_04_p3_top.html

parte 4 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_04_p4_top.html

parte 5 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_05_p5_top.html

parte 6 de 6:

http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_lucianocunha_05_p6_top.html

Outros artigos meus:

http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_lucianocunha_06_top.html


http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_eticaglobal_luciano_05_top.html "

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Retorno ao Linux

Meu Window$ XP foi pro brejo, não abre mais, e um carinha de uma loja de informática aqui perto nem conseguiu arrumar. Parece que vai ter que formatar. Se não tivesse Linux em dual boot, teria perdido todos os meus arquivos. Graças ao dual boot, pude entrar no meu Ubuntu Linux e fazer backup de tudo.

O Ubuntu tava ainda com vários paus... Mas graças a Deus, depois de muita aflição tentando resolver problemas de permissão, de paus para desligar (não desligava, tinha que apertar o botão), para fazer atualização, instalações de coisas... Enfim, deu certo a atualização para o Ubuntu 7.10 - Gutsy e isso aparentemente resolveu praticamente todos meus problemas! Agora sou um linuxeiro feliz!

Tanto que enviei a seguinte mensagem para a nova amiga ativista pelos direitos animais (havia relatado problemas com o pacote Office e havia acabado de formatar a máquina):

"mas larga essa de pacote office e Windows!

instala o BrOffice, que é totalmente livre e sem pirataria!
http://www.broffice.org/download

e instala Ubuntu Linux, que dá muito menos pau que Window$ e não tem vírus! (aproveita que já formatou a máquina mesmo...)
http://www.ubuntu-br.org/download"

Agora só falta eu aprender a editar vídeos e arrumar todos os codec necessários para assistir meus animes pelo meu Linux Ubuntu... além de usar internet wireless!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Ratos: vítimas da ciência

Independente de toda discussão sobre contra ou favor de usar ratos em experimentos, encontrei uma comunidade no orkut chamada "Heróis da ciência", e quero dizer que este nome é incoerente e errado. Heróis se sacrificam ou lutam por algum ideal por iniciativa própria. Ratos não fazem isso. Eles são usados contra sua vontade. Como a maior parte dos outros animais, aliás...

É um grande sofisma cultural essa história de os animais fazerem as coisas pelo nosso bem, por sua própria vontade... Que nem nos livrinhos didáticos do primário: "a vaca nos dá seu leite e sua carne"...

sábado, 28 de julho de 2007

Vidas humanas não são superiores às de animais, nem o contrário


(Foto tirada por mim da colega e amiga Renata Summa com um cãozinho do sítio em que ficou a turma em Porto Feliz)

Bem, após uma semana, cá estão minhas humildes respostas para as questões que me foram enviadas sobre meu último post por Renato Callado Borges, em meu blog clone na Rede Stoa da USP:

"Mauricio, todos os pontos que você levantou me parecem corretos, mas nao há uma unidade entre eles."

Bom, a unidade pretendida foram os direitos da vida, principalmente dos animais, ignorados.

"A unidade que eu penso é a unidade da sobrevivência e do egoísmo ilustrado. Em poucas palabras, cada um por si, mas sabendo que a miséria dos outros irá afetar a própria pessoa, e portanto por egoísmo devemos ser altruístas."

Tudo bem, você pode até pensar assim, se quiser, é uma maneira de encarar as coisas; mas penso inicialmente por princípio ético de respeito pela vida senciente (ser consciente capaz de sentir dor ou alguma fruição).

"Eu gostaria de fazer algumas perguntas para você: como jornalista, você concorda que a única maneira de provocar as pessoas sobre o problema dos animais de laboratório é lançando mão de argumentos apelativos (vide a charge do Renato Coutinho)?"

Como jornalista e como ser humano, discordo parcialmente de que a única maneira de chamar a atenção das pessoas sobre o tema é lançar mão de argumentos apelativos. Repare que, neste blog (na rede Stoa da USP), fiz exatamente isso, eu chamei a atenção de vocês sobre o tema, utilizando-me apenas de uma divulgação de petição, leis, argumentos lógicos e... sim, apelo humanitário, pela vida.

Aí temos que pensar no que é "ser apelativo". Sempre que procuramos chamar a atenção de alguém para algo, precisamos apelar para algum valor; seja ele valor monetário, valor humanitário, valor religioso, valor ambiental, valor sentimental, valor sexual, enfim.

Aliás, não sei que charge é essa a qual se refere, poderia passar o link?

"Como cidadão, você concorda que é mais importante o cirurgião do hospital público saber manejar um bisturi do que, digamos, meia dúzia de cães e gatos viverem?"

Como cidadão e como ser humano, antes lhe chamo a atenção de que não é meia dúzia de cães e gatos que são assassinados (ou são mortos, como preferir; mas reparar que como eles são pegos totalmente indefesos, o termo mais correto seria assassinar) por práticas experimentais para a formação de um médico. Não arrisco um número, mas com certeza é muuuito superior ao seu.

Depois disso, gostaria de lhe dizer que não caio nessa de hierarquizar vidas. Vidas humanas não são assim superiores a vidas de outros animais, nem vidas de outros animais superiores a vidas humanas. Assim, o que se deve pensar é em buscar uma forma conciliatória de lidar com a tragédia.

"E uma última: você acredita que resolver esse problema deveria ser uma prioridade para os brasileiros?"

Com certeza acho que resolver isso deveria ser uma prioridade para os brasileiros. Afinal, você mesmo apontou, anteriormente, que esse fato é uma tragédia. E tragédias, a não ser as teatrais, com certeza devem ser evitadas. Vamos lembrar o que você disse antes:

"Eu concordo que é uma tragédia. Você não concorda que, para mudar a situação, é necessário apresentar primeiro uma proposta de educação alternativa, incluindo nessa proposta sua viabiliade econômica?"

Gostaria de retomar esta sua primeira pergunta, então. Minha resposta é discordo. Não sou especialista no assunto; então, quis primeiro mostrar e divulgar a gravidade da situação, que é uma tragédia, como você mesmo concorda, então ótimo, estamos de acordo. A partir daí, vamos pensar, juntos, em soluções para o caso.

Imagine só se você descobrisse que o posto de saúde do seu bairro está sem remédios (para ficar em algo que também envolve a vida); ou descobrisse uma chacina na favela próxima; ou um menino fosse arrastado por quilômetros. Você iria ficar pensando em diversas soluções infalíveis sob o ponto de vista sociológico, orçamentário, político, filosófico, primeiro, antes de denunciar a situação? NÃO! Quando você percebe algo alarmante, a primeira coisa a fazer é GRITAR, para reunir pessoas que também se sintam constrangidas com a situação e pensar então juntos; além de fazer pressão para que autoridades pensem mais no caso; e os tais especialistas também.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Pesquisa no Yale Medical Journal prova: vegetarianos são melhores atletas

Isto realmente surpreende, chama muita atenção mesmo, ainda mais para quem acreditava que os vegetarianos seriam pessoas mais fraquinhas, e precisariam de proteína animal... Realmente parece duvidoso à primeira vista, mas o pesquisador concluiu que atletas onívoros (que também comem carne) são menos fortes até mesmo que vegetarianos sedentários! E a conclusão foi publicada no Yale Medical Journal, o que dá a ela muita credibilidade! (Foto da Yale University, de seu site.)

Bem, mesmo se não for totalmente correto isto, de todo modo, é um forte indicativo de uma tendência positiva do modo de vida vegetariano. Um grande problema: o livro que relata a pesquisa (Diet for a New America) é de 1987, ou seja, de 20 anos atrás. Vou ver se encontro referências mais atuais depois. Isso é importante para a credibilidade da coisa.

"Na Universidade de Yale, o professor Irving Fisher projetou uma série de testes que comparavam a resistência e força dos onívoros e os vegetarianos. Ele selecionou homens de 3 grupos: atletas que comiam carne, atletas vegetarianos e vegetarianos sedentários. Fisher relatou os resultados no Yale Medical Journal. Esses resultados não parecem dar credibilidade ao preconceito popular de que a carne dá força.

'Dos 3 grupos comparados, os ... que comiam carne demonstraram bem menor resistência do que os abstêmios (vegetarianos), menor até mesmo daqueles que levavam uma vida sedentária.' A média de pontuação dos vegetarianos foi mais do que o dobro dos que comiam carne, mesmo a metade dos vegetarianos sendo sedentários, enquanto todos os onívoros eram atletas.

Um estudo similar foi conduzido pelo Dr. J. Ioteyko da Academia de Medicina de Paris. O Dr. Ioteyko comparou a resistência dos vegetarianos e onívoros com todos os estilos de vida em uma variedade de testes. Os vegetarianos atingiram uma média de resistência 2 a 3 vezes maior do que os que comiam carne. E ainda mais surpreendentemente, eles levaram 1/5 do tempo para se recuperar da exaustão, comparados aos que comiam carne.

Em todos os testes dessa natureza que já foram realizados nos últimos anos, os resultados têm sido similares. Um grupo de médicos na Bélgica compararam sistematicamente o número de vezes que vegetarianos e onívoros eram capazes de comprimir um medidor de força manual. Os vegetarianos foram vitoriosos com uma média de 69 vezes, enquanto os que comiam carne atingiram a média de apenas 38. E como em todos os outros estudos que mediram o tempo de recuperação dos músculos, os vegetarianos aqui se livraram da fadiga bem mais rapidamente do que os que comiam carne."

Fonte e leia mais -> Sítio Vegetariano: http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=547&Itemid=122

Ou em inglês, sobre o livro Diet for a New America (1987): http://www.michaelbluejay.com/veg/books/dietamerica.html

Também em inglês, dividido pelos países que fizeram pesquisas: http://www.rawfoodlife.com/Articles___Research/Raw_food_for_Athletes/Vegetarians_have_more_Stamina_/vegetarians_have_more_stamina_.htm

terça-feira, 1 de maio de 2007

Heróis deficientes? Deficientes heróis?


Numa lista de discussão sobre acessibilidade e pessoas com deficiência de que participo, enviaram um artigo sobre o cientista Stephen Hawkings, retratado como um herói. Leia: http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7414,00.html

E eu inclusive aproveitei para responder automaticamente, falando das "heroínas bailarinas" cegas, a cujo show assisti neste sábado (descrito no meu post anterior, neste blog-> http://mauricio-kanno.blogspot.com/2007/04/bal-de-cegos.html).

Mas aconteceu o seguinte: houve uma reação negativa ao artigo, em relação ao termo "herói". Disse Marta Gil:

"(...) quanto ao termo "herói"/"heroína" há que ficar alerta.

Tomo a liberdade de reproduzir o comentário de Paulo Romeu a esse feito do Stephen Hawkings. Outros se manifestaram na mesma direção.

A cada dia, vamos aprendendo com as vivências e reflexões do grupo.

Abraços,
Marta Gil"

"Realmente, a notícia é muito legal, exceto pelo fato de o terem chamado de
herói.

Não queremos que nos vejam nem como heróis nem como coitadinhos. Queremos
ser vistos com todas as nossas virtudes e com todas as nossas fraquezas como
qualquer pessoa."

Abraço: Paulo Romeu"
(imagino que Paulo seja cego)
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Bem, vejam só o que escrevi como resposta:

ahá!

"herói" está em discussão? é minha especialidade...

o fato é que eu nem tinha dado muita importância para o termo "herói" referido a Hawkings... Só fiz um paralelismo automático com as bailarinas.

Bem, mas vamos investigar então o termo a fundo. Vou reproduzir alguns trechos de meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo: Jornalismo nas Histórias de Super-Heróis: Os quadrinhos de Clark Kent e Peter Parker.

Na Justificativa:

"Mas que conceito de herói – dos muitos existentes – estamos utilizando nessa correlação? No ensaio "Heróis e Super-Heróis", Jeph Loeb e Tom Morris (2005: 25) ressaltam um dos conceitos-chave para um verdadeiro herói: "homem [considerado como ser humano em geral] admirável por feitos e qualidades nobres", estando esta nobreza inclusa até em pessoas comuns sem super-poderes, como "bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros e professores".

Os autores afirmam ainda que "as pessoas nesses empregos geralmente transcendem o interesse próprio normal, colocando os interesses dos outros em primeiro lugar na lista de prioridades". E mais: "Eles são os guerreiros da vida diária cujos sacrifícios e atos nobres beneficiam a todos nós." Claro, bela visão, mas limitada, como os próprios autores a seguir reparam: "Qualquer pessoa que defende o bem e o certo, contra todas as forças contrárias que tentam minar seus esforços, pode ser vista como heróica." (LOEB; MORRIS, 2005: 26)
(...)

No capítulo 4.3.3:

Jeph Loeb e Tom Morris, no artigo Heróis e Super-Heróis (2005: 24), nos dão conceitos interessantes: um herói é um "homem extraordinário por seus feitos guerreiros" e "um super-herói é um indivíduo de força extraordinária". Tais idéias nos remetem a praticamente todos os poderosos aventureiros comuns das histórias em quadrinhos, sendo assim certeiras no que se refere à imaginação coletiva.

Outro entendimento é pensar no "super-herói como uma pessoa que arrisca a vida pelos outros e leva o prefixo 'super' para designar a posse de super-poderes", o que faz algumas pessoas acreditarem que o conceito de um super-herói é problemático, e até uma contradição, segundo os autores. Pois "o que há de tão heróico em impedir um assalto à mão armada, se a sua pele é à prova de balas e sua força é irresistível em comparação com qualquer malfeitor de rua, comum ou fora do comum?"

Assim, quanto mais super um indivíduo é, menos heróico ele pode ser, pela contradição do fator de risco de vida com o de super-poderes. Idéia que Dias-Pino (1972: 56) reforça: "Coragem é a do bandido que, em condição subinferior, enfrenta os super-heróis." O próprio personagem super-herói Capitão Marvel admite: "Esses bombeiros... são os verdadeiros heróis! Eu... sou só um sortudo com superpoderes!" (Shazam! 0: 54)

Porém, Loeb e Morris advertem que essa é uma confusão do conceito original de herói. Esclarecem-nos que "herói" é um termo derivado do grego antigo, significando "homem com qualidades magnânimas [grande de alma, conforme o dicionário Aurélio (2000)]; semideus". Desta maneira, o conceito de "super-herói" não é um paradoxo, porque ele deve juntar as duas características. "Nenhum nível de realizações e feitos é suficiente para fazer de alguém um herói [...] tal pessoa deve personificar qualidades nobres, também", seu "nobre caráter o leva a fazer atos dignos."

Para Martin Cezar Feijó (1987: 12), o nascimento do herói se deu com o mito. Pois "todos os povos chamados de primitivos têm em seus mitos e em seus ritos e cultos a presença de vários indivíduos destacados, superdotados, valentes, diferentes da média dos homens, que nós chamamos de heróis", sendo que os gregos que deram a eles o nome de heróis, assim como foram os mitos gregos que mais sobreviveram hoje e que não se transformaram em religião.

Bastaria então a palavra "herói", ao invés da "super-herói", já que a definição grega original de herói também envolvia "qualidades sobre-humanas"? Os autores explicam que o conceito crucial de um herói se metamorfoseou com o tempo, passando por uma idéia que nem envolvia super-poderes até a noção mais moderna que enfoca os grandes feitos e a nobreza moral", e por isso "é necessário um termo que traga o componente de poder superior de volta ao equilíbrio".

Charles Tagliaferro e Craig Lindahl-Urben (2005: 79) explicam-nos eticamente: o herói é aquele que, no dilema típico entre salvar um indivíduo ou um grupo de pessoas, é incapaz de fazer a escolha. E o passo seguinte o eleva ao status de super-herói: ele, de fato, salva tanto o indivíduo inocente quanto o grupo. Para eles, essa é aplicação máxima da "ética personalista", uma filosofia que "atribui a todos os indivíduos um valor fundamental e irredutível".

Ariel Dorfman (1978: 27) chama a todos os heróis de ficção da cultura de massas de "super-heróis", sem se importar com super-poderes; o que importa para ele é a ocorrência constante de "um homem superdotado que consegue superar qualquer obstáculo que lhe aparece no caminho", por meio da "força física, perícia e habilidade, capacidade de persuasão pela palavra, e sua moral irrepreensível". Em relação ao personagem específico que analisou, o Llanero Solitário (traduzido como Zorro no Brasil e marcado pela sua despedida "Aiou, Silver!"), por exemplo, ele diz que "é dotado física e intelectuamente, mesmo que não apresente características sobrenaturais como as do Super-Homem". (p. 54-55)"
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Ok. Dados esses conceitos, o que pensar do caso do cientista e do caso das bailarinas?

1 - O fator moral está em jogo? Ou seja, são admiráveis por feitos e qualidades nobres? Apresentam qualidades magnânimas? São grandes de alma? Arriscam a vida pelos outros? Transcendem o interesse próprio normal, colocando os interesses dos outros em primeiro lugar na lista de prioridades? Seus sacrifícios e atos nobres beneficiam a todos nós? Defendem o bem e o certo, contra todas as forças contrárias que tentam minar seus esforços?

Bem, a princípio, não me parece que nem Stephen Hawkings, nem as bailarinas cegas, estejam desempenhando ações típicas de Jesus Cristo ou Madre Teresa de Calcutá, ou quem sabe Super-Homem... Não estão sendo "bonzinhos", "bondosos" com as outras pessoas. Sequer estão sendo voluntários em algum trabalho beneficente, não estão colaborando em nenhuma atividade pelos mais necessitados que eles. Estão simplesmente fazendo seu trabalho, desenvolvendo seus potenciais, fazendo o que gostam. Desta forma, o termo "herói" não caberia. Será isso mesmo?

Vejamos: "Ele mesmo [Stephen] admite que boa parte da motivação para tomar parte na aventura veio da idéia de encorajar a humanidade a acreditar na ocupação do espaço. Para ele, não há outra saída para a continuada existência humana, senão a exploração de outros mundos além da Terra."

Ou seja, aparentemente, há um sentido humanitário assumido em suas ações. Então, tudo o que ele faz, sim, se converte em algo moralmente positivo, nobre, ao menos pelo que dá a entender a reportagem. Eu já discordo dessa maneira de ajudar a Humanidade, mas enfim, falarei disso depois. Ver aqui, em meu post seguinte: http://mauricio-kanno.blogspot.com/2007/05/humanos-vrus.html

E as bailarinas? Entre as suas apresentações, elas dão depoimentos, mostrando como têm sido bom para elas trabalhar com a dança. "Senti meu sonho se realizando", conta Geyza Pereira. "Conhecer a dança era o que eu mais queria, pois através dela posso entrar num mundo mais bonito e esquecer os problemas que nos circulam...". "Marina Alonso aprendeu a confiar em si mesma e, hoje, ela pode dizer que tem uma historia, mas ainda tem muitos sonhos para serem realizados, como dançar em palcos europeus e principalmente o sonho de conseguir um patrocínio e, assim, poder viver da dança."

Não encontrei nada no site delas falando que há uma intenção nobre, em ajudar as outras pessoas, e assim por diante. Talvez tenham dito algo nos depoimentos ao vivo sobre isso, mas não me lembro exatamente do que disseram.

2- O fator de poder está em jogo? Ou seja, têm força extraordinária? São extraordinários por seus feitos guerreiros? Têm super-poderes? Qualidades sobre-humanas? São indivíduos destacados, superdotados, valentes? Realizam grandes façanhas?

Com certeza o cientista e as bailarinas não fazem feitos "guerreiros", nem são superdotados. Nem têm força física extraordinária, mas com certeza força de vontade extraordinária. E com certeza são também muito valentes. Além de realizarem com certeza grandes façanhas. Agora, super-poderes? Qualidades sobre-humanas? Como saber?

O fato é que todas as pessoas possuem defeitos e poderes, alguns super-defeitos e super-poderes. Não dá pra generalizar e falar de maneira absoluta. Claro, o Super-Homem aparentemente só tem super-poderes; mas acontece que ele também tem super-defeitos: por acaso ele é um bom namorado, um bom marido para sua namorada ou esposa Lois Lane? Ele sempre a deixa largada para combater seus vilões. O líder dos super-heróis X-Men, Charles Xavier, anda em cadeira de rodas, mas consegue ler a mente dos outros, tem grandes poderes mentais.

Com certeza, se falarmos de pessoas cegas, já falamos de pessoas que têm um super-poder ao contrário; mas, assim como Xavier, elas podem ter "super-poderes" em outras áreas. Assim, poderíamos falar em poder, se considerarmos a super-força de vontade das pessoas em vencer seus desafios. O talento científico; o talento artístico. É preciso verificar que poder é importante para a vida da pessoa e se destacar.

3- O fator de pouco poder com grandes desafios está em jogo? Ou seja, deveríamos ir pelo caminho dos que criticam o conceito comum de super-herói, inclusive apontado pelo personagem Shazam: "Esses bombeiros... são os verdadeiros heróis! Eu... sou só um sortudo com superpoderes!" Pois "o que há de tão heróico em impedir um assalto à mão armada, se a sua pele é à prova de balas e sua força é irresistível em comparação com qualquer malfeitor de rua, comum ou fora do comum?"

Parece que é este o conceito que o repórter Salvador Nogueira adota. Vejamos:

"Mas hoje eu vou falar de um herói que não tem nenhuma dessas características, e talvez por isso valha mais do que todos os outros."

"Heróis da vida real, diferentemente daqueles que usam capa vermelha nas histórias em quadrinhos, têm mesmo seus defeitos e falhas. Se isso faz algo por Hawking, é aproximá-lo ainda mais de nós, como um homem, não como uma criatura mítica. E tê-lo por perto ao longo das últimas décadas foi uma ótima coisa para o mundo."

"Mesmo que ele não chegue lá, Steve já fez o mais importante. Depois dele, não há mais dúvida de que, se alguém realmente se determina a fazer algo, não há nada no mundo que possa impedi-lo. Se isso não é ser um herói, então não sei o que pode ser."

"Sua viagem foi muito mais do que meramente um entretenimento caro para um corpo quase totalmente desfalecido -- como cabe bem aos heróis, a ação do famoso cientista tem uma "moral da história". Ela diz: se até alguém como Steve pode ir ao espaço, qualquer um pode.

(...)

Entretanto, o que mais impressiona não é a mensagem que Hawking envia ao flutuar no ar, mas a que ele enviou durante muitos anos ao perambular pelo mundo em sua cadeira de rodas. Ele é a personificação do que o espírito humano é capaz quando há determinação e alegria de viver, a despeito de quaisquer impedimentos."

Bem, considerações semelhantes podem ser aplicadas às bailarinas: fazem um trabalho magnífico, belíssimo, mesmo com suas dificuldades inerentes à falta da visão. E, claro, isso é um exemplo para todos.

Lembrar que este terceiro conceito é criticado pelos autores Loeb e Morris, por ser, segundo eles, uma confusão em relação ao conceito grego original, que une os dois conceitos: a nobreza de caráter e a possibilidade de realizar grandes façanhas.

4- Então, façamos a pergunta mais importante: As bailarinas e o cientista conseguem unir realmente a nobreza de caráter com a possibilidade de realizar grandes façanhas?

Realmente, não sei sobre a nobreza de caráter deles, ao menos isso não transparece, não fica evidente, como dissemos. Grandes façanhas, com certeza eles fazem, são pessoas destacadas.

Então, podemos dizer que são parcialmente heróis, se pegarmos este conceito mais restrito. Se tomarmos outros conceitos, a resposta varia, conforme vimos no decorrer desta discussão.

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Comento agora o que disse Paulo Romeu: "Não queremos que nos vejam nem como heróis nem como coitadinhos. Queremos ser vistos com todas as nossas virtudes e com todas as nossas fraquezas como qualquer pessoa."

Ok. Reparar o seguinte, no entanto: não é simplesmente porque uma pessoa perde algum dos sentidos, por exemplo, que ela ganha essa categoria de herói ou coitadinho. Creio que, indepentemente disso, as pessoas podem se destacar de certas maneiras.

Bem, pensemos nos conceitos apresentados sobre o "herói". Talvez possamos começar a encontrar mais heróis... Ou não, se preferirem ignorar o termo, por considerarem que esses conceitos não valem.