sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Conto futurista e pinturas de bichos pra fechar bem o ano!

Oi, prezado leitor deste blog esporadicamente atualizado... Pra fechar bem 2012, gostaria de ao menos divulgar por aqui minhas mais novas produções.

A última é literária e se chama "Evoluídos e Dominados". Ambientada no ano de 2.943, mostra um senador que discursa em defesa dos povos escravizados.

Outras produções são visuais e seguem abaixo:



Acima, duas pinturas feitas respectivamente para minha querida Renata Milan e para a priminha Sofia de Paula Navai. Com aquarela e guache na primeira, só guache na segunda.

Abaixo, pinturas produzidas especialmente para o Bazar Vegano, de que participei há duas semanas. Todas com guache TGA, com tempo de produção normalmente por volta de umas 2h30 a 3h cada uma. As pinturas do porquinho, do boizinho e dos ratinhos foram vendidas! :D






Abaixo, desenhos feitos rapidamente (entre segundos e minutos) durante minha viagem por 44 cidades do litoral paulista e Vale do Paraíba!






segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Golpe do primo atropelador no hospital

Cuidado ao atender ligações e o sujeito se apresentar como "Pô, não tá me reconhecendo não? Seu primo..." Acabei caindo nessa de identificar um suposto primo, pois a voz parecia mesmo. 

Ele começou a dizer que se envolveu em um acidente, atropelou uma criança, que estava no hospital, que tinha que pagar x, e precisava de um cheque pro pai dela, que no dia seguinte ele já compensava... 

Como eu não tava entendendo a razão desses trâmites bancários, falei que ia conversar com meu pai, que ele entendia melhor dessas coisas. Este na mesma hora sacou que era golpe e que o cara devia estar ligando de uma penitenciária. Quando voltei ao telefone, já tinha desligado.

Suas Excelências caloteiras, os Senadores

"Prezados Senadores, 

Gostaria de entender como Vossas Excelências tiveram a coragem de transferir a conta dos impostos que deveriam pagar pelos 14o e 15 salários recebidos nos últimos anos para o Senado, ou seja, para a conta do contribuinte, o povo brasileiro. 


Já tinha sido um sinal de extrema desigualdade o privilégio de salários extras concedidos às Vossas Excelências. Muitos brasileiros nem mesmo têm 13o salário, por trabalharem na informalidade. 

Vossas Excelências nem mesmo deveriam ter o direito de decidir sobre livrar-se da conta. Obviamente, por ser assunto de interesse de vocês."

===

Esta foi a mensagem que enviei para os gabinetes de todos os senadores, via serviço de telefone "Alô Senado", quinta-feira passada (22). 

Tentei fazer isso primeiro pelo formulário do site,http://www.senado.gov.br/senado/alosenado/fale_senado.asp , mas dava um erro quando tentava enviar, acusando que o número anti-spam de confirmação, no caso 3793, estava errado (mas não estava). 

Ao tentar abrir outra página para tentar de novo com outro número, percebi que o formulário impedia que eu colasse a mensagem que eu tinha digitado anteriormente, "por motivos de segurança". O jeito foi telefonar (notifiquei também o problema do site). Seguramente gastei mais de meia hora nisso, quase 1 hora, mas não pude deixar de me manifestar desta vez. 

O engraçado é que o editorial do Estadão desse dia ("Senado sacramenta mamata"), que me deu a motivação que faltava, também estava registrado no clipping do site do Senado:http://www.senado.gov.br/noticias/opiniaopublica/senamidia/jornal/2012/20121122jo.pdf 





segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Preconceitos e valores raciais na língua para "afros" e "japas"

Participei de um acalorado debate neste domingo sobre o uso de denominações referentes aos afrodescendentes. Isso por causa de um conto que escrevi, reinterpretando o mito do Saci para os dias de hoje, em meio urbano. As críticas sobre o apontado caráter depreciativo (por ingenuidade e ignorância minha) em relação aos afrobrasileiros no meu texto me deixaram tão instigado e preocupado que passei a madrugada sem conseguir dormir, pesquisando e refletindo a respeito. Ficam aqui disponíveis minhas conclusões, para quem se interessar.

(Ilustração produzida pelo artista Tiago Hoisel, para o livro "Saci, juro que te vi", da Editora Mundo Mirim; originalmente disponível no blog http://tiagohoisel.blogspot.com.br/2011/06/saci.html )

- O saci realmente é considerado negro, não mulato, conforme dei uma pesquisada por aí de novo. Não sei por que eu achei que tinha lido mulato anteriormente

- O termo "mulato", na época da escravidão, provavelmente nasceu mesmo de "mula" ou "mulo", termo usado para se referir aos animais híbridos entre cavalo e burro, por exemplo. 

- "Brasil" não tem a ver com a cor preta, mas vermelha, referente ao pigmento usado há tempos em tecidos; vem de "brasa". 

- O termo "negro" veio do latim "necro", que significa morte. Isso teria começado com europeus que aprenderam demais com mestres da civilização do Egito. Mas esses europeus conheceram práticas egípcias frequentemente relacionadas com a morte, como no caso das pirâmides. Depois, passaram a chamar os outros africanos por esse mesmo termo (um tanto mórbido e negativo, não?), que também passou a dar nome à cor preta. Ou seja, é um termo cunhado externamente à população africana, somente a partir da sua relação com os europeus. A história disso está descrita neste livro: "O nome 'negro', sua origem e uso maléfico". Leiam a respeito nos links abaixo, em português no Orkut e em inglês ou na publicação em si na Amazon: 


- Quanto às origens dos nomes dos continentes, encontrei que os nomes para "Europa" e "Ásia" podem ter relação sobre onde o sol nasce e se põe, do ponto de vista dos babilônios, que ficavam entre esses dois continentes, atual Iraque. O sol "asu" no leste (Ásia) e "erebu" no oeste (Europa). 

- Também se pode considerar para Europa a fusão dos termos gregos eurys (largo) e ops (face), designando uma antiga ninfa ou princesa fenícia. Ásia também é correspodente a uma palavra grega que também significa "nascer-do-sol", mas antes referido somente a uma parte da Turquia. 

- Já "África" é um termo de origem latina: os romanos a chamavam de "Terra dos Afri (plural do singular 'afer')". Afer era o nome da província no norte da África cuja capital era Cartago (atualmente Tunísia). Mas de onde veio "afer"? Talvez da palavra fenícia "afar" (pó), pois foi o povo que fundou Cartago [e os romanos chamavam pejorativamente seus inimigos fenícios de "punii"]; ou do nome da tribo nômade berbére Afri, que vivia nessa região; ou até da palavra latina "aprica" (solarengo, relativo a um solar, belo casarão). 

Li a respeito neste link: 

- Japão (ou Napão, daí "nipônico") veio do japonês "Nippon" ou "Nihon", que significa "Origem do Sol". O próprio imperador era considerado o "deus-sol". 

==

- Ou seja, tanto os termos "negro" e "mulato", por mais que tenham sido os termos que aprendemos na escola e estão dicionarizados para se referir a esses tipos étnicos hoje, etimologicamente têm uma origem bem depreciativa. Termos derivados do nome do continente África parecem mais adequados, e mesmo assim, olhe lá (se for considerar a hipotética ligação com "pó", mas menos segura). 

- Os termos usados para os continentes Ásia e Europa, assim como Japão, são bem mais respeitosos. Até porque não vieram de uma perspectiva de dominação alheia. 

- Os mitos de cada povo refletem o pensamento de cada época em que foram criados. Assim, provavelmente muitos dos mitos brasileiros sobre o negro refletem uma perspectiva pejorativa em relação a eles. Já mitos japoneses têm boa chance de refletir sentimentos de orgulho, superioridade e disciplina presentes nesse povo (algo disso talvez se reflita em mim também, rs). Então, uma reinterpretação justa dos mitos antigos, hoje, precisa necessariamente passar por uma espécie de política de ação afirmativa (assim como ocorre com cotas em universidades, procurando minimamente amenizar a herança histórica de injustiça). 

========

- Além disso tudo, independente da etimologia, este artigo alerta sobre os estereótipos carregados ao longo dos tempos em termos como "negro" e "mulato", "mulata", que tendem por exemplo para o "malandro" e a mulher puramente sexualizada. Coisas que não se encontram em termos como "branco", por exemplo: 

- Também vale refletir a respeito de por que chamaríamos alguém por um traço físico (como a cor da pele) ao invés do nome de seu país de origem (ou outra característica). O equivalente para "negro" talvez fosse "de olho puxado", no caso japonês, chinês e coreano, por exemplo? Ou talvez "amarelo"? (Apesar de que nunca vi um japonês dessa cor...) É claro, isso considerando a falta de outra alternativa, como o nome da pessoa. 

Estes textos também trazem discussões interessantes a respeito: 

- Há também um chamado "movimento mestiço", que luta para que se reconheça a existência dos mestiços, pois o governo federal aparentemente estaria querendo forçar as pessoas a se decidirem por um tipo étnico específico. Citam caso de recenseador que, quando um cidadão se afirmou "mulato", o funcionário retrucou: "não, você é negro". Os cafuzos e caboclos, que possuem ancestrais indígenas, seriam incluídos entre os "pardos". Bem, há o meu próprio caso também: sempre fui ensinado em casa que eu sou "mestiço". Mas sempre serei considerado "japa" por aí (ou "amarelo", pelo censo).

Aqui se informa algo mais a respeito da denominada "mestiçofobia":

Bem, é isso aí por hoje!
Abraço,
Maurício

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pinturas a guache de paisagens da semana!

Resolvi publicar aqui pinturas que tenho feito. Lá vão duas, de hoje e ontem:


Foram feitas em guache, conjuntinho TGA de 3 cores primárias e PB, a partir de fotos do Coliseu romano e de fiorde da Noruega! Cada uma em 2h15 aproximadamente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Acompanhando a formação de uma bruxa moderna

Há tempos eu tinha no armário o livro "Brida", de Paulo Coelho, entre os outros do mesmo autor, mas este nunca tinha lido... Eu, quando adolescente, adorei ler "O Alquimista", "O Diário de um Mago", entre outros do escritor brasileiro de mais sucesso que nós temos por aqui...

Mas talvez tenha parado de lê-lo por conta de sua obra ser considerada "baixa literatura", coisa que fui "aprendendo" na faculdade. Bobagem. O que importa é que, enfim me deparei com esse livro que faltava, e o devorei em uns três dias!



Ou seja, não é à toa que esse cara faz tanto sucesso. Ele escreve de um jeito que realmente captura o leitor. Um jeito suave, mágico, emitindo verdades dos personagens, como se eles soubessem o que fazem e por que as coisas acontecem de tal jeito. Ou seja, eles percebem sinais, possuem sabedorias apuradas, coisas que nós leitores adoraríamos ter também.

Quanto à essa obra específica, eu fiquei muito interesado ao ler a sinopse e perceber que se tratava de um relato sobre a formação de uma bruxa - cujo nome é o título do livro - que o próprio Paulo Coelho conheceu pessoalmente, quando era peregrino no chamado Caminho de Roma.

(Acho inclusive bacana ele mencionar brevemente como a conheceu no prefácio da história, como ela a princípio aceitou que ele escrevesse um livro sobre ela, mas depois foi impondo obstáculos...)



Enfim, acompanhar os percalços da aprendiz de bruxa moderna foi muito estimulante e curioso. Todo esse papo de "Tradição do Sol", "Tradição da Lua", cartas, dança, a Floresta Escura, a força do sexo, a Outra Parte, uma mestra bruxa, um mestre mago, o namorado da protagonista assistente de um professor de Física... Foi mesmo uma pena quando ela "se formou" ou "se iniciou" como bruxa e acabou a história!

Resenha escrita por ocasião do Desafio Literário, tema "Mitologia Universal". A pintura no alto é de minha autoria, feita em aquarela e baseada na capa da edição que eu li.