domingo, 2 de agosto de 2009
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
10a palestra-debate do Grupo de Estudos de Direitos Animais
06/09/08, sábado, 15h30
1a parte: Da considerabilidade moral dos seres vivos: a bioética ambiental de Kenneth E. GoodPaster (autor: Sônia T. Felipe). Apresentacao por Cláudio Godoy. Disponível em: http://groups.google.com/group/geda-sp/web/da%20considerabilidade%20moral%20dos%20seres%20vivos.pdf
2a parte: Os Argumentos da Excepcionalidade e da Importancia - capitulos 3.8 e 3.9 do livro Etica e Animais, de Carlos Naconecy. Apresentacao por Tania Vizachri.
Mediador: Leonel da Costa Carvalho
O horario sera das 15h30 as 18 horas, no restaurante Vegethus. O endereco e Rua Padre Machado, 51, São Paulo - SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. Acesse aqui o mapa do local.
A participação é gratuita e livre a todos os interessados.
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Assuntos: direitos animais, estudo, ética, Filosofia, Geda, grupo de estudos, Naconecy, Sonia Felipe, Vegethus
quarta-feira, 18 de junho de 2008
8º debate do Geda, no Vegethus: "Valor Inerente e Vulnerabilidade", por Mara Cristina
Neste sábado, 21 de junho, a partir das 15 horas, Mara Cristina da Silva apresentará o artigo Valor inerente e vulnerabilidade: critérios éticos não-especistas na perspectiva de Tom Regan, de autoria da profa. Sônia Felipe, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O artigo está disponível para download em:
http://groups.google.com/group/geda-sp/web/valor%20inerente%20e%20vulnerabilidade.pdf
No final do encontro, podem ser discutidos um capítulo de Ética & Animais, de Carlos Naconecy e/ou questões operacionais do grupo de estudos.
Esta será a oitava palestra-debate do Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda). O local desta vez será o restaurante Vegethus, na Rua Padre Machado, 51, São Paulo - SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. A duração total prevista é de 3 horas.
Contatos para dúvidas:
Maurício (11) 9564-4568 / Leonel (11) 8511-7772
Vegethus (11) 5539-3635
http://groups.google.com/group/geda-sp/
Abraço,
Maurício Kanno
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Maurício Kanno
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Assuntos: direitos animais, ética, Geda, grupo de estudos, Mara Cristina, Sônia Felipe, Tom Regan, Vegethus
terça-feira, 1 de abril de 2008
2a resposta ao biólogo sobre direitos animais
2a resposta ao pesquisador de Biologia Beny Spira, em http://stoa.usp.br/benys/weblog/18926.html.
1) está me parecendo que vc acredita que todas as assim chamadas ciências sociais e humanas não podem ser consideradas "ciências". é isso mesmo?
é curioso, vc insiste em separar "ética" de "ciência". e jogar "ética" junto de "crença", "religião" e "sentimentalismo". como se uma Ética séria não se valesse de diversas normas para fundamentá-la, dentro da Filosofia.
é exatamente contra esse imaginário que estou discutindo aqui. será q vc acha mesmo q os filósofos da USP e de outras universidades pelo mundo que estudam Ética são então nada mais que dogmáticos, religiosos e sentimentais, nem um pouco racionais?
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2) outra coisa, discordo de vc quando diz que a ciencia é essencialmente amoral. assim como tb discordo de se falar em um jornalismo essencialmente imparcial (isso é consenso na faculdade de Jornalismo).
ciencia e jornalismo nao sao amorais, porque o ser humano nao é amoral. e ciencia e jornalismo nao existem sem o ser humano agindo. tudo isso serve a determinados interesses, particulares ou coletivos. assim, a importância das ciências humanas e filosóficas está em verificar que interesses são esses, e se eles são ou não bem fundamentados, etc.
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3) concordo sinceramente contigo, podemos começar juntos agora mesmo uma campanha anti-natalidade, assim como existe na China. a hiper-população humana é um desastre, tanto para a coletividade quanto para as milhares de crianças sem condições de vida digna. podemos trabalhar juntos neste ponto.
mas veja os dados da parte inicial do vídeo A Carne é Fraca, a quantidade de bois e porcos, por exemplo, tb é exorbitante. aliás, vc está correto qto ao gás metano, este é um dos argumentos para o vegetarianismo.
concordo contigo que fatores ambientais implicam apenas em um quase total vegetarianismo (que se reduza bastante o consumo de carne; assim como se deveria reciclar praticamente todo nosso lixo, ou todo que fosse possível), não um vegetarianismo total necessariamente. de todo modo, se a população realmente tivesse esta mudança de atitude ao reduzir o consumo de carne ao máximo (digamos umas vezes por semana ou por mês, ao contrário de como é de praxe, que é consumir sempre) já seria excelente, por diversos motivos.
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4) qto aos animais de estimação (ou "pets"), uma idéia interessante é que sejam acolhidos os que já vivem, mas também deve ser desestimulada sua natalidade. é praticamente consenso entre os protetores de animais que haja campanhas de castração de cães e gatos. e que eles nunca sejam vendidos, mas doados quando necessário. (a propósito, este ponto foi discutido na reunião do grupo de estudos de direitos animais que eu coordeno, este sábado, no CCSP)
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5) A respeito das diferenças entre animais e vegetais, obrigado por sua informação sobre nova classificação de reinos, desconhecia. mas ainda assim as diferenças entre eles parecem bem relevantes em termos éticos. A este respeito cumpre indicar 3 textos já escritos, disponíveis em meu outro blog, caso tenha interesse. Eu apreciaria muito se vc, quando puder, fizesse uma crítica a eles (repare que o melhor não é o primeiro, que é meu, mas sim o do professor Gary Francione, que está mais abaixo; e em segundo lugar o da Simone Nardi):
http://mauricio-kanno.blogspot.com/search/label/direitos%20das%20plantas
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6) ah, desculpe, faltou justificar um aspecto sobre
Você está preocupado com o fato de que muitos animais devam ser criados para satisfazer as necessidades humanas e que isto leva a um maior cultivo de vegetais. Certo? Mas não entendi onde está o problema.
falei isto apenas porque vc não está atribuindo valor ético à consciência, senciência, capacidade de sentir e ter interesses, psicologia, que é o critério moral (considerado relevante) dos defensores dos direitos animais, que diferenciaria os animais dos vegetais.
considerando a hipótese de você, assim como eu antigamente, dar um valor à "vida" simplesmente, independente de ser senciente ou não, aquele argumento ecológico serve também a favor do vegetarianismo, pois mostra que se sacrificam mais vidas, sejam elas sencientes ou não, quando as pessoas não são vegetarianas.
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qto ao ponto 2, apenas retifico: me referi à "ciência e ao jornalismo" "aplicados", não "puros" e "ideais", como se isso existisse. é como aquela história do elétron e do observador... foi apenas uma reflexão a mais, mais ampla, por outro ponto de vista.
qto a considerar esta ciência "per se", "pura" e "ideal", não aplicada, há que considerar somente meu ponto 1.
Grande abraço, é um prazer debater contigo.
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Assuntos: agricultura, ambientalismo, animais de estimação, campanha anti-natalidade, ciência, ciências humanas, diferenças animais e vegetais, direitos animais, ecologia, ética, imparcialidade
quinta-feira, 27 de março de 2008
Respostas sobre direitos animais e vegetarianismo a um pesquisador de Biologia
Estas são respostas que dei ao pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP Beny Spira, em seu blog na rede Stoa da USP. Mas é claro que também podem ser interessantes para outros que tenham suas dúvidas quanto aos temas tratados.
1) Ciência: Eu só decidi me tornar vegetariano a princípio quando me dei conta de que muitos vegetais precisam ser sacrificados para a criação e abate de um único animal para a alimentação humana. Este foi o gatilho inicial, acho (sem saber nada sobre "direitos animais"). E isto é plenamente científico, a gente estuda até no cursinho em Ecologia, em cadeia alimentar.
Se você não faz muita distinção entre os animais que não são humanos e os vegetais, apesar de serem de reinos distintos, como eu também não fazia diferença na época... talvez aceite melhor este argumento ecológico, assim como eu tinha aceitado melhor.
Quanto às questões éticas em si, se deseja desqualificar uma teoria ética de direitos animais como as dos filósofos Tom Regan e Gary Francione como não científica, então você precisa justificar-se dentro das regras do campo da Filosofia Ética. Ela não é uma "ciência dura" como a Física e a Biologia, mas segue algumas normas, tais como:
-Não cometer falácias (erros de construção lógica em argumentações),
-Princípio da não-contradição,
-Princípio da universalizabilidade (todo debatedor que atribui valor moral ou obrigações éticas a um caso tem que estar disposto a afirmar o mesmo para todos os casos que se assemelhem ao caso dado nos aspectos relevantes,
-Princípio de generalização (quem se propõe a tratar um indivíduo A diferentemente de um indivíduo B é obrigado a dar uma justificativa para isso, ou determinar a diferença moralmente relevante entre A e B).
2) Em termos de nutrição, o que me basta defender aqui é que é possível ter uma vida saudável sendo vegetariano, e eu e diversos conhecidos são exemplo prático disso. Ainda assim, todo cidadão que opta pela dieta vegetariana como eu, antes de fazer isso e depois, se informa sobre os possíveis problemas que PODE ter (e não certamente ou provavelmente terá), como anemia por carência de ferro, e verifica os alimentos a recorrer com mais frequencia.
Isso faz parte da educação nutricional que todo cidadão deve ter, de acordo com suas opções alimentares. Tão conscientes estamos disso, que no jornal vegano que ajudei a fundar, o Salva-Vidas, o primeiro texto relacionado à nutrição explica como otimizar o ferro em uma dieta vegetariana.
De todo modo, mesmo o ferro oriundo de fontes vegetais sendo de menor biodisponibilidade a incidência de anemia ferropriva dentre os vegetarianos é SIMILAR à dos onívoros, como você pode consultar nas seguintes referências:
(A) Messina MJ, Messina VL. The Dietitian's Guide to Vegetarian Diets: Issues and Applications. Gaithersburg, MD: Aspen Publishers; 1996.
(B) 31. Larsson CL, Johansson GK. Dietary intake and nutritional status of young vegans and omnivores in Sweden. Am J Clin Nutr. 2002;76:100-106.
(C) Ball MJ, Bartlett MA. Dietary intake and iron status of Australian vegetarian women. Am J Clin Nutr. 1999;70:353-358.
3) Ética do leão: Não é válido fazer comparações entre nossas atitudes e as atitudes de outros animais, como um leão, pois ele de fato não tem opção para sua sobrevivência (se minha única fonte de alimento possível fosse carne, claro que eu também comeria). Além de o leão ser muito mais instintivo que o ser humano (que também é parcialmente instintivo). O ser humano tem opção de agir por decisões não puramente instintivas. Caso contrário, não haveria civilização.
4) Consciência: Na mesma linha de Tarsila, posso responder que me parece que uma vaca (ou um cão ou gato, que não lhes diferem muito e estão muito mais em nosso convívio; ou ainda camundongos, que estiveram no seu convívio de laboratório) tem consciência da mesma maneira que me parece que um outro ser humano tem consciência. Eu não posso ler a mente de nenhum deles, seja humano ou não, mas de acordo com a maneira como este outro indivíduo age, me parece que ele ficou irritado, contente, está com medo, etc.
5) A capacidade intelectual de um indivíduo, como para capacidade de escrever um blog, é relevante para se decidir se ele merece ou não respeito a direitos básicos, como para não ser morto ou usado como mercadoria?
Outros animais têm características que humanos não têm, como respirar debaixo d'água e voar. Mas elas também não são relevantes para decidir se merecem ou não respeito a seus direitos básicos.
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Assuntos: ciência, consciência, direitos animais, ecologia, ética, ferro, Filosofia, inteligência, nutrição, respostas, vegetarianismo
domingo, 21 de outubro de 2007
A maior defesa para o vegetarianismo e os direitos animais é ética
Respondo aqui minha amiga Dani a respeito do vegetarianismo integral, de maneira que também possa responder aos questionamentos de outras pessoas.
Você dá prioridade à questão ambiental, industrial, econômica. Ok, de fato este é um problema grande que, no mundo atual, comer carne provoca, e portanto, somente analisando por este lado, concordo, estaria ok simplesmente reduzir bastante o consumo de carne. Se todo mundo reduzisse seu consumo de carne para somente, digamos, umas vezes por mês, este impacto estaria bem amenizado. Diga-se de passagem, apóio as pessoas que fazem isso.
Ética: igual consideração de interesses
Por isso não creio que a defesa do vegetarianismo mais integral, seja pelo lado ambiental, mas sim pelo lado ético (que de maneira alguma é algo emotivo, mas bastante racional e lógico), da mesma maneira que a defesa dos direitos animais em geral, em que se defende não utilizá-los como "coisas" para fazer roupas, rodeios, etc.
Vamos analisar então: Você diz que a premissa problemática deste tipo de vegetarianismo é "respeitar os animais da mesma forma como respeitamos os seres humanos". Na verdade não é esta a premissa dos defensores dos direitos animais. Ao menos como diz o filósofo Peter Singer, deve-se prestar a cada ser igual consideração de interesses. Assim, por exemplo, um cavalo ou boi não tem interesse em assistir TV ou usar internet, então não há porque exigir este direito para ele, que é algo estritamente humano.
O interesse do boi ou cavalo, facilmente percebido por seu comportamento, é não ser morto ou ferido, além de andar em liberdade, com espaço, e ter supridas suas necessidades higiênicas e alimentares, por exemplo. Necessidades mais básicas, digamos.
Assim como uma criança humana (e vários outros) não tem interesse em discutir sobre Química Quântica. Ela tem outros interesses, como brincar, por exemplo.
Ética: relevância na argumentação
Me parece que você mantém a distinção central: "somos espécies diferentes", humanos e animais. Sim, assim como, entre os humanos, há diferentes etnias e "raças", como negros, japoneses, europeus, índios. Mas qual é a relevância de ser de espécie ou etnia diferente para respeitar ou não o sofrimento de algum ser?
Parece-me que o único critério relevante para se considerar o sofrimento de alguém é se o indivíduo pode ter este sofrimento. Bem, parece bem clara esta idéia.
Afinal, de fato, nós não precisamos nos preocupar de dar um murro numa parede, porque a parede não sente nada (só nós). Mas quando evitamos bater em alguém, não é porque pensamos: "não farei isso porque ele é da minha espécie", mas sim porque "ele vai sofrer, se machucar, se eu fizer isso".
Me baseio em Jeremy Bentham, fundador da Filosofia Utilitarista, no início do século XIX, retomado por Tom Regan, neste século XXI.
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Assuntos: direitos animais, ética, Jeremy Bentham, Peter Singer, Tom Regan, vegetarianismo
sábado, 15 de setembro de 2007
Tchau, Veggy Crispy
O McDonald's foi processado por falsidade ideológica. Apesar de propagandear um lanche vegetariano, admitiu que havia um pouco de frango. "Uma fração", mas havia. Puxa vida, por que colocar, se é lanche vegetariano?
Hoje fui lá pra verificar, sem opções como estava muito tarde, e pedi um Veggy Crispy. Disseram que não tinha mais. É melhor tirar, pensa a rede. Assim não tem mais encrenca com esses vegetarianos chatos. Que não venham mais aqui mesmo! Será que não bastava tirar a bendita fração de frango, pois vegetarianos não comem isso? É ótimo que a rede tenha tido essa iniciativa; mas por que não fazem direito? Com certeza alguém vai dizer: vocês são radicais! Não, queremos simplesmente transparência e lanches vegetarianos.
E lá vai perguntar se não tem algo sem carne: "Tem de frango." Claro, claro. Normal. Não é "carne de frango", é "frango". Carne é só de boi, lógico. Por isso que tem que pedir: sem carne, frango ou peixe. Fiquei com batata frita desta vez.
O curioso é que o site deles ainda não foi atualizado. Continua constando: "Veggie Crispy: uma ótima opção para os vegetarianos." Ver em: http://www.mcdonalds.com.br/produtos/veggie_crispy.asp
Leia mais:
Mc Donald's entra em contradição em relação ao Veggie Crispy e é processado
Confirmado: Veggie Crispy não é vegetariano
Desculpas do Mc Donald´s não elimina processo
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Assuntos: contradição, ética, falsidade, lanchonete, mcdonalds, processo, vegetarianismo, vegetariano
sábado, 8 de setembro de 2007
E as plantas? Também não são seres vivos iguais a respeitar?
Texto do professor Gary Francione.
""E as plantas?” é uma das perguntas mais freqüentes que se fazem a um vegano [ou a um vegetariano]. Na verdade, não conheço nenhum vegano que não a tenha ouvido pelo menos uma única vez e a maioria de nós já ouviu esta pergunta várias vezes.
Diferenças por senso comum
Se, ao caminhar em seu jardim, eu pisar de propósito em uma flor, você terá toda razão em se zangar comigo, mas se eu chutar o seu cachorro de propósito, você ficará zangado comigo de uma maneira bem diferente. Ninguém considera estas duas ações equivalentes. Sabemos muito bem que existe uma grande diferença entre uma planta e um cachorro, o que faz com que chutar este último seja moralmente muito mais repreensível do que pisar em uma flor.
A diferença entre um animal e uma planta diz respeito à senciência. Ou seja, os animais não humanos, ou pelo menos aqueles que exploramos rotineiramente, sem dúvida são conscientes de sua percepção sensorial. Criaturas sencientes possuem mentes, logo têm preferências, desejos ou vontades. Isso não significa que as mentes dos animais não humanos sejam parecidas com as nossas. Por exemplo, a mente dos humanos, que fazem uso da linguagem simbólica para interagir com o seu mundo, pode ser bem diferente da mente dos morcegos, que se valem da ecolocalização para interagir com o seu mundo. É difícil saber com precisão.
Mas também é irrelevante, pois tanto os humanos quanto os morcegos são sencientes. Ambos são criaturas que possuem interesses, no sentido em que ambos têm preferências, desejos ou vontades. Um humano e um morcego podem pensar de um modo diferente sobre esses interesses, mas não pode haver a menor dúvida de que ambos possuem interesses, inclusive o interesse de evitar a dor e o sofrimento e o interesse de permanecerem vivos.
Plantas têm interesses ou necessidades?
Já as plantas são qualitativamente diferentes dos humanos e dos outros animais sencientes. Sem dúvida as plantas são seres vivos, mas não são sencientes, pois não possuem interesses. Uma planta não pode ter desejos, vontades ou preferências porque ela não possui uma mente para que possa se ocupar com estas atividades cognitivas. Quando dizemos que uma planta “precisa” ou “necessita” de um pouco de água, não estamos nos referindo ao seu status mental do mesmo modo que não estamos nos referindo à mente de um carro quando dizemos que o seu motor “precisa” ou “necessita” de um pouco de óleo. Trocar o óleo do meu carro pode ser do meu interesse, mas nunca do interesse do carro, pois este não tem interesses.
Uma planta pode reagir à luz do sol e a outros estímulos, mas isso não significa que ela seja senciente. Se eu descarregar uma corrente elétrica em um fio amarrado a um sino, o sino tocará. Mas isso não significa que o sino seja senciente. As plantas não possuem sistemas nervosos, receptores de benzodiazepina ou quaisquer características que estejam relacionadas à senciência. E tudo isso faz sentido do ponto de vista científico.
Reações naturais
Por que elas teriam a necessidade evolucionária de desenvolver a senciência se elas não podem fazer nada para reagir a um ato danoso? Se você atear fogo a uma planta, ela não poderá sair correndo, ela permanecerá no mesmo lugar até queimar. Agora se você atear fogo a um cachorro, ele reagirá exatamente da mesma forma como você reagiria: ele urrará de dor e tentará se livrar das chamas.
A senciência é uma característica que evoluiu em algumas criaturas para que elas pudessem ser capazes de sobreviver ao fugir de um estímulo nocivo. A senciência não teria nenhuma serventia para uma planta, pois elas não podem “fugir”.
Não estou querendo dizer com isso que não existe nenhuma obrigação moral de nossa parte referente às plantas, mas sim que não temos nenhuma obrigação moral para com as plantas. Ou seja, podemos ter a obrigação moral de não cortar uma árvore, mas esta é uma obrigação que não temos para com a árvore. Uma árvore não é o tipo de entidade com a qual nós podemos ter obrigações morais.
Podemos ter obrigações morais para com todas as criaturas sencientes que vivem em uma árvore ou dependem dela para a sua sobrevivência. Podemos ter obrigações morais para com os outros seres humanos e para com os outros animais não humanos que habitam o planeta no que se refere à não destruição de árvores a torto e a direito. Mas não podemos ter nenhuma obrigação moral para com uma árvore, pois só podemos ter obrigações morais para com criaturas sencientes e uma árvore não é nem senciente nem possui interesses, pois ela não tem preferências, vontades nem desejos.
Direitos das árvores
Uma árvore não é o tipo de entidade que se preocupa com o que fazemos com ela. Uma árvore é um “objeto”. Já o esquilo e os pássaros que vivem nela sem dúvida têm o interesse de que nós não a derrubemos, mas a árvore não. Pode ser moralmente repreensível derrubar uma árvore por capricho, mas este tipo de ação é qualitativamente diferente do ato de atirar em um cervo.
Quando se fala em “direitos” para as árvores, como querem alguns, procura-se igualar as árvores aos animais não humanos e este tipo de comparação só pode se dar em detrimento destes últimos.
Recursos naturais para serem usados?
De fato, é comum ouvir ambientalistas falar sobre a nossa responsabilidade na preservação de nossos recursos naturais, considerando inclusive os animais não humanos como um “recurso” a ser preservado. E isso é um grande problema para aqueles como nós que não consideram os animais não humanos como “recursos” destinados ao nosso uso. Árvores e outras plantas são recursos que podemos utilizar. Temos a obrigação de usar estes recursos com sabedoria, mas esta é uma obrigação que nós temos apenas para com as outras pessoas, sejam elas humanas ou não humanas.
E os insetos?
Para finalizar, existe uma variação da pergunta sobre as plantas: “e os insetos, eles são sencientes?” Até onde eu posso saber, ninguém ainda sabe com certeza. Mas certamente eu concedo aos insetos o benefício da dúvida. Eu não mato insetos em minha casa e procuro sempre evitar pisar em um deles quando caminho. No caso dos insetos, pode ser difícil traçar o limite, mas isso não significa que este limite não possa ser traçado com precisão na maioria dos casos. Matamos e comemos pelo menos dez bilhões de animais terrestres todos os anos apenas nos Estados Unidos.
Esta cifra não inclui todos os animais marinhos que matamos e comemos. Talvez possa haver alguma dúvida se animais como mariscos ou mexilhões sejam mesmo sencientes, mas sem dúvida todas as vacas, porcos, galinhas, perus, peixes, etc. são sencientes. Os animais não humanos dos quais tiramos o leite e os ovos sem dúvida são sencientes.
O fato de não sabermos ao certo se os insetos são sencientes não significa que devemos ter qualquer dúvida sobre o fato de que todos estes outros animais não humanos são sencientes, pois estamos absolutamente certos quanto a isso. E, ao dizer que o fato de que não estamos certos se os insetos são sencientes nos impede de avaliar a moralidade de se comer carne ou de usar produtos oriundos de animais não-humanos que sabemos sem sombra de dúvida serem sencientes ou de avaliar a moralidade de trazer estes animais não humanos à existência com o objetivo de usá-los como nossos “recursos” evidentemente é um absurdo."
Por Gary L. Francione
www.guiavegano.com/artigos/gary/faq.htm
Gary Francione é Distinguished Professor de Direito e o Katzenbach Scholar de Direito e Filosofia na Universidade de Rutgers, EUA. Seu último livro é o Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog? (Temple University Press, 2000). Publicou The Personhood of Animals, em maio de 2007, pela Columbia University Press. O Professor Francione também tem um excelente site, www.animal-law.org, que traz algumas apresentações em vídeo explicando sua filosofia em palavras e imagens.
Fonte intermediária: rede orkut, em http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=31732485&tid=2547213743831821955
(Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Nasturcija1.jpeg )
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Assuntos: ambientalistas, consciência, direitos das plantas, ética, Gary Francione, insetos, obrigações morais, plantas, vegetarianismo, vegetariano
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Faculdade de Medicina do ABC é a primeira no País a proibir experimentação com animais vivos na graduação
Viva! Boa notícia! ABC dando ousados passos éticos na frente das outras faculdades brasileiras! Segue:
"A Faculdade de Medicina da Fundação do ABC proibiu o uso de qualquer animal vivo nas aulas de graduação. Portaria em vigor desde 17 de agosto coloca a instituição como primeira no País a abolir completamente essa prática, que agora fica liberada somente para pesquisas inéditas, com relevância científica e previamente aprovadas pelo CEEA - Comitê de Ética em Experimentação Animal da FMABC.
MP & Rossi Comunicações
(11) 4992-6379 / 8163-5265
www.mprossi.com.br
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Assuntos: ABC, animais, bioética, boa notícia, direitos animais, ética, experimentação, experimentação animal, Faculdade de Medicina, graduação, humanitário
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Almoço Vegano Comunitário
Laura Kim Barbosa, gentil vegetariana vegana, convida a todos os interessados para seu almoço vegano comunitário. O próximo será este domingo, às 14 horas, em sua própria casa. É na Vila Mariana, em São Paulo, perto do metrô Santa Cruz. Não sabe o que é "vegano"? Eu também não sabia há uns meses. 
"Vegano" é quem não se alimenta de nada derivado de animais. Diferencia-se de "vegetariano", porque estes, como eu, também se alimentam de queijo e leite, entre outros derivados; simplesmente não comem carne. Ah, os veganos costumam usar também "vegan" (neste caso, "e" pronunciado como "i", por ser palavra oriunda do inglês), mas eu não gosto do estrangeirismo.
Eu já participei de um desses encontros, e na ocasião levei algumas frutas para colaborar, como ainda não sei cozinhar muito bem. Nem cozinhar comida em geral, nem especificamente vegana... além disso, sou vegetariano há apenas 3 meses. Devo dizer que me sinto bem mais leve, mais saudável, mais limpo.
Minha experiência no almoço
E realmente é muito interessante, o clima é bem bacana, livre e familiar. Essa Laura é uma pessoa cheia de felicidade e contagia as pessoas, alguém muito generosa. E pude conhecer várias pessoas legais, além de conhecer mais sobre o vegetarianismo vegano, experimentando na prática!
Inclusive foi a primeira vez em que comi estrogofe de soja... Muito bom! Havia vários salgados e doces, pude me fartar de delícias, sem nada de carne, leite ou queijo. Cada vez mais reconheço que esse é um mundo totalmente possível. Espero ir novamente.
As fotos deste post são do dia em que fui, mas não apareço nelas. São do blog da Miriam (Vida de Vegetariana), uma das pessoas que conheci lá. É claro, indico esse blog para quem quiser conhecer mais sobre o vegetarianismo de maneira bem dia-a-dia. A anfitriã Laura é a penúltima moça à direita, nesta segunda foto (bem, dá pra concluir algo por seu sobrenome "Kim", não?).
Detalhes, pela anfitriã
"Entrada: um prato vegan, frutas ou pães
- aos que quiserem mostrar os dotes culinários, podem levar um prato VEGAN doce ou salgado; quem não puder, pode levar pães ou frutas para fazermos suco.
- mas não precisam se preocupar: já deixarei algo pronto, tipo salgados vegetais, bolo de frutas etc.
- lembrando: o ambiente é familiar, portanto convidem aquele amigo/a, colega de trabalho, vizinho, parente, enfim, vamos difundir o vegetarianismo, trocar receitas e idéias sobre proteção/ação animal!
- nada de drogas/álcool/afins!
- todos são muito bem-vindos! aguardo confirmações! vegan hoje!!"
Mais informações: (11) 6839-1932 / 8195-4623 ou lauravegan@yahoo.com.br
[Este evento também está sendo divulgado no site da Revista dos Vegetarianos, publicação da Editora Europa.]
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Maurício Kanno
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Assuntos: alimentação, alimento, almoço, animais, encontro, ética, evento, laura kim, saúde, vegan, veganismo, vegetarianismo, vegetariano
