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sábado, 8 de setembro de 2007

E as plantas? Também não são seres vivos iguais a respeitar?

Texto do professor Gary Francione.

""E as plantas?” é uma das perguntas mais freqüentes que se fazem a um vegano [ou a um vegetariano]. Na verdade, não conheço nenhum vegano que não a tenha ouvido pelo menos uma única vez e a maioria de nós já ouviu esta pergunta várias vezes.

É evidente que quem costuma fazer esta pergunta sabe muito bem que existe uma diferença entre, digamos, uma galinha e um pé de alface. Ou seja, se no próximo jantar você cortar um pé de alface na frente dos seus convidados, eles reagirão de um modo totalmente diferente se você, ao invés disso, fatiar uma galinha viva na frente deles.

Diferenças por senso comum

Se, ao caminhar em seu jardim, eu pisar de propósito em uma flor, você terá toda razão em se zangar comigo, mas se eu chutar o seu cachorro de propósito, você ficará zangado comigo de uma maneira bem diferente. Ninguém considera estas duas ações equivalentes. Sabemos muito bem que existe uma grande diferença entre uma planta e um cachorro, o que faz com que chutar este último seja moralmente muito mais repreensível do que pisar em uma flor.

Consciência do que percebe

A diferença entre um animal e uma planta diz respeito à senciência. Ou seja, os animais não humanos, ou pelo menos aqueles que exploramos rotineiramente, sem dúvida são conscientes de sua percepção sensorial. Criaturas sencientes possuem mentes, logo têm preferências, desejos ou vontades. Isso não significa que as mentes dos animais não humanos sejam parecidas com as nossas. Por exemplo, a mente dos humanos, que fazem uso da linguagem simbólica para interagir com o seu mundo, pode ser bem diferente da mente dos morcegos, que se valem da ecolocalização para interagir com o seu mundo. É difícil saber com precisão.

Mas também é irrelevante, pois tanto os humanos quanto os morcegos são sencientes. Ambos são criaturas que possuem interesses, no sentido em que ambos têm preferências, desejos ou vontades. Um humano e um morcego podem pensar de um modo diferente sobre esses interesses, mas não pode haver a menor dúvida de que ambos possuem interesses, inclusive o interesse de evitar a dor e o sofrimento e o interesse de permanecerem vivos.

Plantas têm interesses ou necessidades?

Já as plantas são qualitativamente diferentes dos humanos e dos outros animais sencientes. Sem dúvida as plantas são seres vivos, mas não são sencientes, pois não possuem interesses. Uma planta não pode ter desejos, vontades ou preferências porque ela não possui uma mente para que possa se ocupar com estas atividades cognitivas. Quando dizemos que uma planta “precisa” ou “necessita” de um pouco de água, não estamos nos referindo ao seu status mental do mesmo modo que não estamos nos referindo à mente de um carro quando dizemos que o seu motor “precisa” ou “necessita” de um pouco de óleo. Trocar o óleo do meu carro pode ser do meu interesse, mas nunca do interesse do carro, pois este não tem interesses.

Uma planta pode reagir à luz do sol e a outros estímulos, mas isso não significa que ela seja senciente. Se eu descarregar uma corrente elétrica em um fio amarrado a um sino, o sino tocará. Mas isso não significa que o sino seja senciente. As plantas não possuem sistemas nervosos, receptores de benzodiazepina ou quaisquer características que estejam relacionadas à senciência. E tudo isso faz sentido do ponto de vista científico.

Reações naturais

Por que elas teriam a necessidade evolucionária de desenvolver a senciência se elas não podem fazer nada para reagir a um ato danoso? Se você atear fogo a uma planta, ela não poderá sair correndo, ela permanecerá no mesmo lugar até queimar. Agora se você atear fogo a um cachorro, ele reagirá exatamente da mesma forma como você reagiria: ele urrará de dor e tentará se livrar das chamas.

A senciência é uma característica que evoluiu em algumas criaturas para que elas pudessem ser capazes de sobreviver ao fugir de um estímulo nocivo. A senciência não teria nenhuma serventia para uma planta, pois elas não podem “fugir”.

Obrigações morais

Não estou querendo dizer com isso que não existe nenhuma obrigação moral de nossa parte referente às plantas, mas sim que não temos nenhuma obrigação moral para com as plantas. Ou seja, podemos ter a obrigação moral de não cortar uma árvore, mas esta é uma obrigação que não temos para com a árvore. Uma árvore não é o tipo de entidade com a qual nós podemos ter obrigações morais.

Podemos ter obrigações morais para com todas as criaturas sencientes que vivem em uma árvore ou dependem dela para a sua sobrevivência. Podemos ter obrigações morais para com os outros seres humanos e para com os outros animais não humanos que habitam o planeta no que se refere à não destruição de árvores a torto e a direito. Mas não podemos ter nenhuma obrigação moral para com uma árvore, pois só podemos ter obrigações morais para com criaturas sencientes e uma árvore não é nem senciente nem possui interesses, pois ela não tem preferências, vontades nem desejos.

Direitos das árvores

Uma árvore não é o tipo de entidade que se preocupa com o que fazemos com ela. Uma árvore é um “objeto”. Já o esquilo e os pássaros que vivem nela sem dúvida têm o interesse de que nós não a derrubemos, mas a árvore não. Pode ser moralmente repreensível derrubar uma árvore por capricho, mas este tipo de ação é qualitativamente diferente do ato de atirar em um cervo.

Quando se fala em “direitos” para as árvores, como querem alguns, procura-se igualar as árvores aos animais não humanos e este tipo de comparação só pode se dar em detrimento destes últimos.

Recursos naturais para serem usados?

De fato, é comum ouvir ambientalistas falar sobre a nossa responsabilidade na preservação de nossos recursos naturais, considerando inclusive os animais não humanos como um “recurso” a ser preservado. E isso é um grande problema para aqueles como nós que não consideram os animais não humanos como “recursos” destinados ao nosso uso. Árvores e outras plantas são recursos que podemos utilizar. Temos a obrigação de usar estes recursos com sabedoria, mas esta é uma obrigação que nós temos apenas para com as outras pessoas, sejam elas humanas ou não humanas.

E os insetos?

Para finalizar, existe uma variação da pergunta sobre as plantas: “e os insetos, eles são sencientes?” Até onde eu posso saber, ninguém ainda sabe com certeza. Mas certamente eu concedo aos insetos o benefício da dúvida. Eu não mato insetos em minha casa e procuro sempre evitar pisar em um deles quando caminho. No caso dos insetos, pode ser difícil traçar o limite, mas isso não significa que este limite não possa ser traçado com precisão na maioria dos casos. Matamos e comemos pelo menos dez bilhões de animais terrestres todos os anos apenas nos Estados Unidos.

Esta cifra não inclui todos os animais marinhos que matamos e comemos. Talvez possa haver alguma dúvida se animais como mariscos ou mexilhões sejam mesmo sencientes, mas sem dúvida todas as vacas, porcos, galinhas, perus, peixes, etc. são sencientes. Os animais não humanos dos quais tiramos o leite e os ovos sem dúvida são sencientes.

O fato de não sabermos ao certo se os insetos são sencientes não significa que devemos ter qualquer dúvida sobre o fato de que todos estes outros animais não humanos são sencientes, pois estamos absolutamente certos quanto a isso. E, ao dizer que o fato de que não estamos certos se os insetos são sencientes nos impede de avaliar a moralidade de se comer carne ou de usar produtos oriundos de animais não-humanos que sabemos sem sombra de dúvida serem sencientes ou de avaliar a moralidade de trazer estes animais não humanos à existência com o objetivo de usá-los como nossos “recursos” evidentemente é um absurdo."

Por Gary L. Francione

www.guiavegano.com/artigos/gary/faq.htm
Gary Francione é Distinguished Professor de Direito e o Katzenbach Scholar de Direito e Filosofia na Universidade de Rutgers, EUA. Seu último livro é o Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog? (Temple University Press, 2000). Publicou The Personhood of Animals, em maio de 2007, pela Columbia University Press. O Professor Francione também tem um excelente site, www.animal-law.org, que traz algumas apresentações em vídeo explicando sua filosofia em palavras e imagens.

Fonte intermediária: rede orkut, em http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=31732485&tid=2547213743831821955


(Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Nasturcija1.jpeg )

domingo, 21 de janeiro de 2007

Remexendo... NPHQ, animação 3D, redigir, auto-escola...

Bom... Se você descer lá embaixo na postagem anterior, vai ver umas coisas que escrevi que foi uma postagem feita originalmente em novembro de 2006, quando pensei originalmente em recomeçar um blog. Mas acabei largando mão. E tentei voltar hoje a usar este blog -> http://blogdomao.blogspot.com/, mas não consegui. Não sei pq. bolas. agora vai ficar essa página aí, sem eu conseguir mexer. fazer o quê, né.

preferia usar esse outro endereço, que é mais fácil: blogdomao. e não este outro, mauricio.kanno. é mais difícil de as pessoas lembrarem. enfim, ao menos é meu nome. então fica direitinho.

bom, o que eu poderia contar aqui? poderia dizer que to cheio de insetos aqui em casa, saco. q bolas. enfim. caramba. tá difícil me livrar deles. bom, é isso. q insetos? pulgas, é, tadinhos dos meus gatinhos. ficam se coçando bastante. e de mim tb. deve ser tudo pq eu fiz carinho nuns cachorros de rua lá na usp. q burro!!! bom, e a gente gastou bastante comprando uns remédios aí... q chato!!!

projetos: auto-escola e animação 3D
tenho vários projetos, alguns um pouco mais próximos de se realizar: auto-escola e aprender animação/games. pq acabei de fazer matrícula no senac da lapa para fazer um curso de blender, um software livre para mexer com animação e games 3D (entre neste link pra saber mais sobre o maravilhoso curso de um mês e meio que vou fazer enfim!!!!). pois é, demorei pra caramba pra me decidir q curso eu iria fazer. mas tá aí. o fato é que este ano eu me decidi que queria entrar na área de animação, e estamos aí então.

tb falei de auto-escola, né? então, me matriculei numa auto-escola aqui pertinho de casa, que sorte, né? no curso de moto e de carro ao mesmo tempo. enfim, vou aprender a dirigir carro e pilotar moto!!! é claro, comprar os veículos é outra coisa, mas enfim, já vai ser legal.

voluntário: redigir e núcleo de HQ
agora to fazendo o q? tava tentando dar conta de uns trampos voluntários. pois é. me comprometo, mas depois vou deixando quieto. puxa, é trabalho voluntário, é bonito, mas aí eu vou esquecendo (mas tá tudo marcadinho pra fazer), vou fazendo outras coisas, enfim...

bom, tinha que mandar umas fotos pros alunos do redigir pra quem dei aula, e tb um arquivo de áudio que foi nosso trabalho final. eu dei aula pra eles com o julio da agencia usp, e montamos uma radionovela sobre retirantes nordestinos vindo pra SP. foi bacana. deixei aqui por enquanto, olha: clique aqui

na verdade, esse áudio está hospedado dentro do site do NPHQ, dentro do servidor da ECA, espero que o Waldomiro não ache ruim. bom, é um trabalho da ECA tb, né, poxa.
e eu to cuidando do site do NPHQ sem cobrar nada tb, né, poxa. enfim.

aliás, por falar nisso, então, esse é um trabalho voluntário que vou fazendo tb... cuidar do site do NPHQ (Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos). da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP. q chique, né? pois é, só de bom coração. ah, e é bom pra praticar cuidar de um site. enfim. é bacana. mas tem vezes que tb enche o saco. bom, é bom fazer algo de útil, né? então vamos lá... ah, quer ver como tá agora?

a última vez que atualizei ele foi lá pra novembro de 2006, já faz uns 2 meses... mas enfim, é o que to fazendo agora, cuidando desse site agora. q a próxima reunião já vai ser em fevereiro, dia 2 de fevereiro, e quero que o site esteja direitinho o quanto antes, pra anunciar até que vai ter essa reunião, né. bom, o site é este: www.eca.usp.br/agaque

sinto falta que o pessoal tb não colabora muito. deviam mandar suas pesquisas, indicar mais coisas, pesquisas, do brasil todo, pra colocar lá. sem vontade da galera não rola. vamos ver. vou fazendo minha parte. enfim.

bom, acho que ter este blog é uma boa coisa a fazer. vamos ver no que dá. é só tb não escrever taaaanto. não enrolar tanto. bora lá. vamos cuidar dessas coisas. vamos fazer algo produtivo.

tem tb um livro que quero publicar. mas isso é assunto pra outro dia...