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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Candidatos municipais animais!

Se voce acha que os animais merecem respeito, pesquise sobre estas opcoes. Conheço todos pessoalmente e são ótimas pessoas; pior que eu nem vou poder votar... porque tô longe e não se vota para o município no exterior:

Em São Paulo:

Prefeita:
Soninha 23 PPS - http://www.soninha.com.br/
Gravou depoimento apoiando a nova Agência de Notícias de Direitos Animais, e é muito ativa com diversos outros movimentos, como de inclusão digital e saúde. Por denunciar o "esquemão" comum de toma-lá-dá-cá de acordos na Câmara recentemente, está sendo bastante atacada pelos colegas vereadores: http://www.estadao.com.br/nacional/eleicoes2008/not_cid236818,0.shtm

Vereador:
Veterinário dr. Marcel Benedeti 43.062 - http://marcelbenedeti.com.br/blog/
Palestrou no Campus Party Br, no Ibirapuera, para onde o convidei, escreveu vários livros sobre defesa animal, e é muito inteligente.

Para Osasco:

Vereador:
Leandro Ativista 43.003 - http://www.leandroativista.com/
Fundador e secretário geral do grupo Ativismo.com, de defesa dos direitos animais, já conversei e quase atuei com ele umas vezes, é bastante dedicado.

Abs!
Maurício Kanno

terça-feira, 25 de março de 2008

10 razões pelos defensores dos direitos animais

Esta lista de pontos foi repassada por Simone Nardi, atribuindo-se a autoria ao filósofo Tom Regan, professor emérito da Universidade de Carolina do Norte. A cada ponto é inserido uma citação atribuída a uma outra personalidade. Útil para uma idéia geral dos pontos dos defensores dos direitos animais.

1. A filosofia dos direitos dos animais é racional

Explicação: Não é racional discriminar de forma arbitrária. E discriminar contra animais não humanos é arbitrário. É errado tratar os seres humanos mais fracos, especialmente aqueles a quem falta a inteligência humana normal, como "ferramentas" ou "fontes renováveis" ou "modelos para testes" ou "mercadorias". Não pode ser correto, por conseguinte, tratar outros animais como se eles fossem "ferramentas", "modelos" ou algo semelhante, se a sua psicologia é tão rica (ou mais rica) do que a destes humanos. Pensar de outro modo é irracional.

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"Descrever os animais como um sistema psicológico e químico de extrema complexidade é sem dúvida perfeitamente correto, exceto que ignora a 'essência' do animal" - E.F. Schumacher


2. A filosofia dos direitos dos animais é científica

Explicação: A filosofia dos direitos dos animais respeita a nossa melhor ciência em geral e a biologia evolucionária em particular. A última ensina que, nas palavras de Darwin, os humanos diferem de muitos outros mamíferos em "grau", não em "natureza". Quanto aos animais usados em laboratórios, é óbvio que, criados para alimentação, e caçados por prazer ou apanhados em armadilhas pelo lucro, por exemplo, são o nosso parente psicológico. Isto não é nenhuma fantasia, é um fato, provado pela nossa melhor ciência.

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"Não existe nenhuma diferença fundamental entre os humanos e os mamíferos superiores nas suas capacidades mentais" - Charles Darwin


3. A filosofia dos direitos dos animais não é preconceituosa

Explicação: Racistas são pessoas que pensam que os membros da sua raça são superiores aos membros de outras raças simplesmente porque os primeiros pertencem à sua raça (a "superior"). Sexistas acreditam que os membros do seu sexo são superiores aos membros do sexo oposto simplesmente porque os primeiros pertencem ao seu sexo (o "superior"). Tanto o racismo como o sexismo são paradigmas de preconceitos insustentáveis. Não existe nenhuma raça ou sexo "superior" ou "inferior". As diferenças raciais e sexuais são diferenças biológicas e não morais.

O mesmo é verdade para o especismo - a visão de que os membros da espécie Homo Sapiens são superiores aos membros de todas as outras espécies apenas porque os seres humanos pertencem à nossa própria espécie (a "superior"). Pois não existe nenhuma espécie superior. Pensar de outro modo é ser não menos preconceituoso do que os sexistas ou os racistas.

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"Se consegues justificar a matança para comer carne, consegues justificar as condições de vida nos guetos. Eu não consigo justificar nenhuma das coisas." - Dick Gregory


4. A filosofia dos direitos dos animais é justa

Explicação: A justiça é o mais elevado princípio da ética. Não vamos permitir ou cometer injustiças para que algum bem possa daí resultar, não vamos violar os direitos de alguns para que muitos possam beneficiar. A escravidão permitia-o. O trabalho infantil permitia-o. A maioria dos exemplos de injustiça social permitem-no. Mas não a filosofia dos direitos dos animais, cujo mais elevado princípio é o da justiça: Ninguém tem o direito de beneficiar em resultado da violação dos direitos de outro, quer esse "outro" seja um ser humano ou algum outro animal.

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"As razões para uma intervenção da justiça em favor das crianças aplicam-se de forma não menos forte ao caso desses infelizes escravos - os (outros) animais." - John Stuart Mill


5. A filosofia dos direitos dos animais possui compaixão

Explicação: Uma vida humana completa exige sentimentos de empatia e simpatia - numa palavra, compaixão - pelas vítimas de injustiça - quer as vítimas sejam humanos ou outros animais. A filosofia dos direitos dos animais apela à virtude da compaixão, e a sua aceitação soma ao crescimento dessa mesma virtude. Esta filosofia é, nas palavras de Abraham Lincoln, "o caminho de um ser humano completo".


"Compaixão na ação pode ser a gloriosa possibilidade que poderia proteger o nosso planeta superpopulado e poluído." - Victoria Moran


6. A filosofia dos direitos dos animais é generosa

Explicação: A filosofia dos direitos dos animais exige um compromisso para servir aqueles que são fracos e vulneráveis - aqueles que, quer sejam humanos ou outros animais, não têm a capacidade de falar por eles próprios ou de se defenderem, e que se encontram necessitados de proteção contra a ganância e a insensibilidade. Esta filosofia requer este compromisso, não porque seja do nosso melhor interesse fazê-lo, mas porque é correto fazê-lo. Por conseguinte esta filosofia apela à generosidade e o seu acolhimento acarinha o crescimento do serviço altruísta.

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"Nós precisamos de uma filosofia moral na qual o conceito de amor, agora tão raramente mencionado pelos nossos filósofos, possa de novo ser um ponto primordial." - Iris Murdoch


7. A filosofia dos direitos dos animais é realizadora individualmente

Explicação: Todas as grandes tradições em ética, tanto as seculares como as religiosas, dão ênfase à importância de quatro aspectos: conhecimento, justiça, compaixão, e autonomia. A filosofia dos direitos dos animais não é exceção. Esta filosofia ensina que as nossas escolhas devem ser baseadas no conhecimento, devem expressar justiça e compaixão, e devem ser tomadas livremente. Não é fácil atingir estas virtudes, ou controlar a inclinação humana para a ganância e a indiferença. Mas uma vida humana completa é impossível sem elas. A filosofia dos direitos dos animais apela a uma realização pessoal do indivíduo, e a sua aceitação soma ao crescimento dessa mesma realização pessoal.

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"A humanidade não é um preceito externo morto, mas um impulso vivo de dentro; não auto-sacrifício, mas realização pessoal" - Henry Salt


8. A filosofia dos direitos dos animais é socialmente inovadora

Explicação: O maior impedimento para a prosperidade da sociedade humana é a exploração de outros animais às mãos dos humanos. Isto é verdade no caso das dietas prejudiciais à saúde, na confiança que a ciência deposita no "modelo animal", e nas muitas outras formas que a exploração animal toma. E não é menos verdade no ensino e na publicidade, por exemplo, que ajudaram a entorpecer a mente humana para as exigências de razão, imparcialidade, compaixão, e justiça. Sob todas estas formas (e mais), as nações permanecem profundamente retrogradas pois falham na tarefa de servir os verdadeiros interesses dos seus cidadãos.

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"A grandiosidade de uma nação e o seu progresso moral podem ser medidos pela forma como os seus animais são tratados." - Mahatma Gandhi


9. A filosofia dos direitos dos animais é ambientalmente sensata

Explicação: As maiores causas da degradação ambiental, incluindo o efeito de estufa, poluição das águas, a perda de terra arável e terrenos férteis, por exemplo, teêm a sua origem na exploração animal. Este mesmo padrão repete-se ao longo do vasto número de problemas ambientais, desde a chuva ácida e o despejo de lixos tóxicos nos mares, até à poluição do ar e destruição do habitat natural. Em todos estes casos, agir para proteger os animais afetados (que são afinal de contas os primeiros a sofrer e a morrer devido a estes problemas ambientais), é agir para proteger a terra.

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"Até que estabeleçamos uma sentida relação de afinidade entre a nossa própria espécie e aqueles companheiros mortais que compartilham conosco o sol e a sombra da vida neste agonizado planeta, não há qualquer esperança para as outras espécies, não há qualquer esperança para o ambiente, e não há qualquer esperança para nós próprios." - Jon Wynne-Tyson


10. A filosofia dos direitos dos animais é pacifista

Explicação: A exigência fundamental da filosofia dos direitos dos animais é tratar humanos e outros animais com respeito. Fazê-lo requer que não causemos sofrimento a ninguém apenas para que nós próprios ou outros possam beneficiar. É uma filosofia de paz. Mas é uma filosofia que alarga o apelo à paz para além das fronteiras da nossa espécie. Pois existe uma guerra, que se trava todos os dias, contra incontáveis milhões de animais não humanos. Lutar verdadeiramente pela paz é erguer-se firmemente contra o especismo. É uma ilusão acreditar que pode haver "paz na terra" se não conseguimos trazer paz à nosso relação com os outros animais.

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"Se por algum milagre, em toda a nossa luta a terra for poupada ao holocausto nuclear, apenas justiça para todos os seres vivos salvará a humanidade." - Alice Walker

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Blogueiros pelos Direitos Animais no Campus Party!!!

Com muita honra anuncio que terça-feira agora (dia 12 de fevereiro), 20h, eu com outros amigos defensores dos direitos animais (sendo a maioria conhecidos há pouquíssimo tempo, e apenas virtualmente!), vamos apresentar nossa experiência difundindo direitos animais em blogs no mega-evento de tecnologia Campus Party!

Segue divulgação da Lúcia Freitas, coordenadora da área Campus Blog no evento (reproduzido do blog-rede dela, "Faça a sua parte"):

"Nem todo mundo deve saber, mas sou coordenadora da área de blogs na Campus Party, que acontecerá entre os dias 11 e 17 de fevereiro, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo.

E tenho a honra e o prazer de vir aqui no Faça anunciar que logo no primeiro dia de trabalho (12/2, terça-feira) às 20h, teremos um dos muitos eventos do Campus Verde: o debate Blogueiros pelos Direitos Animais. Gente ativa, que participa de grupos, interessantíssima.

Estarão conosco: Maurício Kanno, do Animao; Fábio Paiva, do Pelo Fim do Holocausto Animal; o dr. Marcel Benedeti; Miriam, do Vida de Vegetariana; a Simone Nardi e a Maria Conceição, do Consciência Humana. Será uma mesa entre iguais, mas garanto que presenciaremos os debates acalorados de sempre."

Lembrando apenas que eu tenho 2 blogs praticamente clones: além do Animao, também o Stoa, para interagir mais diretamente com a turma da USP e software livre: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/

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Aproveitando, dei uma caçada no Google e encontrei um interessante post de uma blogueira sobre blogs, considerando a causa dos direitos animais e da natureza como importante bandeira a ser assumida por blogueiros em geral:

"Edição de Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

O Blog em defesa dos animais

Muito já foi comentado sobre a importância do Blog e a sua atuação em diversas áreas. A verdade é que cada vez mais o blog vem criando novos horizontes, tornando-se importante arma de conscientização em defesa de alguma causa. Uma das que acho bastante louvável são os blogs que defendem os direitos dos animais e da natureza. É um movimento que cresce e a cada dia há mais blogs que aderem a esta causa. Eles abordam os principais problemas que os animais enfrentam, desde abandono até informações sobre maus tratos e mortes indiscriminadas.

Em recente navegação li as seguintes palavras no Blog Grupo de Libertação Animal no post do dia 15/01/06: É muito raro encontrar alguém que diga abertamente que não gosta de animais. Muita gente tem em suas casas cães, gatos, pequenas aves, peixes, répteis e até aracnídeos. Algumas são até bastante zelosas tratando os seus animais de companhia com todos os cuidados e afeto, outras dedicam até parte das suas vidas a recolher, tratar e reabilitar cães e gatos que vagueiam pelas ruas. O que estas pessoas não compreendem apesar de ser inegável a sua vontade de ajudar, é que, no fundo, o seu ímpeto solidário apenas substitui os membros da mesma espécie por animais domésticos e não por animais no geral.

No mesmo blog no post do dia 10/12/05, alerta para situação de animais nos circos. Num recente e extensivo trabalho da Associação ANIMAL e da ADI são expostas situações de claro abuso e tortura de animais em circos. O que normalmente poderia passar despercebido está agora à vista de todos e para quem quiser reconhecer a realidade do pior espetáculo do mundo.

Abordando o mesmo tema no Blog Diz Não, no post do dia 30/12/05 intitulado Crueldade atrás do Riso é ainda mais veemente quanta a situação dos animais. Vida dos animais nos circos caracteriza-se pela isolação, maus tratos, o medo e o cativeiro.

Em outros blog vemos animais sendo apresentados á adoção, alguns contam histórias emocionantes onde á crueldade do homem nos choca. No Blog Em Defesa dos Animais no post do dia 08/01/06 relata a história do cão Xico. O relato envolvente nos comove. Estava sozinho e abandonado! Tudo porque já não servia para caçar, pois tinha partido uma pata! Não quiseram saber de mim...

Em outro Blog Ame a Natureza no post coletivo do dia 28/12/05 é citada a música As Baleias de Roberto Carlos, um hino contra a matança indiscriminada de animais.

Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento

Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas

È discurtindo os problema que temos oportunidade de repensar os nossos valores e o Blog no oferece além desta oportunidade a de fazer valer, aquilo o quê acreditamos.

Iara Brandão

Postado por Luana"

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Nota importante
: a blogueira se refere como problema a "morte indiscriminada de animais". O problema não é esse em si, o buraco está mais embaixo: é, além de qualquer tipo de matança de animais, seja discriminada ou não, a consideração de animais como propriedade do ser humano.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Manifestação pelo Dia Internacional dos Direitos Animais 2008



Os grupos Pelo Fim do Holocausto Animal e VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade – realizarão no dia 09 de dezembro uma manifestação em observação ao Dia Internacional dos Direitos Animais. Cerca de 300 pessoas sairão em passeata pela Avenida Pedro Álvares Cabral, em São Paulo, com faixas e cartazes. Um carro de som acompanhará a marcha.

Onde: concentração na área do Monumento às Bandeiras (Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP)
Quando: 09 de dezembro, das 10 às 14 horas.


Os defensores dos direitos animais entendem que os animais não existem para serem explorados pelos humanos. George Guimarães, presidente do VEDDAS, diz que essa manifestação anual é uma oportunidade para convidar as pessoas a refletirem sobre as atrocidades cometidas contra os animais não-humanos cotidianamente. Para ele, os animais não humanos têm o mesmo direito à vida que têm os animais humanos, sendo a sua exploração para fins científicos, alimentares, vestuário ou entretenimento moralmente injustificável.

“É crescente em todo o mundo a percepção de que ações tidas como normais são na verdade uma violação dos direitos animais e não demorará para que uma boa parcela da população passe a condená-las da mesma maneira que hoje condenamos a escravidão e o genocídio”, completa.

Para Fabio Paiva, responsável pelo grupo Pelo Fim do Holocausto Animal, os animais vivem em eterna escravidão. Se não podemos mudar o passado, temos o dever de transformar o presente, restituindo-lhes o direito de viverem sem exploração e de serem livres e respeitados.

O Dia Internacional dos Direitos Animais é comemorado desde 1998, tendo sua origem na Inglaterra. Em São Paulo , esse é o segundo ano em que a data é marcada por uma manifestação pública dos defensores dos direitos animais. Várias outras cidades brasileiras já aderiram e estarão realizando atividades no mesmo dia. Em 2007, foram realizados eventos em 100 cidades em todo o mundo, sendo 10 destes em cidades brasileiras.

Mais informações sobre a manifestação em www.veddas.org.br/dida2007.htm.
As fotos da manifestação em observação ao Dia Internacional dos Direitos Animais de 2006 podem ser vistas em http://community.webshots.com/album/556354281mXBiqE

Saiba mais sobre os protestos realizados em 2006 em todo o mundo em http://www.uncaged.co.uk/iard9.htm

CONTATOS PARA A IMPRENSA
Pelo Fim do Holocausto Animal: www.holocaustoanimal.org / Fabio Paiva: fabiopaiva55@yahoo.com.br cel. 7694.5123

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade: www.veddas.org.br / George Guimarães: veddas@veddas.org.br cel. 9135.2116

(A foto se refere à manifestação de 2006 na Av. Paulista; veja mais fotos.)

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CONVOCAÇÃO DE ATIVISTAS

Os grupos Pelo Fim do Holocausto Animal e VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade convidam para a Manifestação em observação ao DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS ANIMAIS, neste domingo, 09 de dezembro, na área do Monumento às Bandeiras (Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP).

PROGRAMAÇÃO:
10h – Concentração na área do Monumento às Bandeiras (Parque do Ibirapuera), junto ao carro de som
11h30 – Saída em passeata pela Avenida Pedro Álvares Cabral
14h – Término da passeata no mesmo local do início

TODOS ESTÃO CONVIDADOS A PARTICIPAR!

Haverá um carro de som para coordenar as atividades. Para que tenhamos uma manifestação bem organizada, queiram por gentileza ler abaixo as orientações gerais e a convocação de voluntários.

VOLUNTÁRIOS:
Os ativistas que desejarem participar dessa ação coordenada poderão inscrever-se para as atividades que ocorrerão das 10h às 12h:
- Distribuição de panfletos nas faixas de pedestres: 10 ativistas (5 de cada lado da avenida)
- Exposição de 5 faixas sobre a faixa de pedestres: 10 ativistas (6 de um lado da avenida e 4 do outro)
- 15 cartazes nas calçadas: 15 ativistas

INSCRIÇÕES:
Qualquer pessoa pode chegar no local durante o horário combinado. No entanto, para que tenhamos um melhor resultado, pedimos que os ativistas que desejarem participar dessa ação coordenada enviem um e-mail para voluntarios@veddas.org.br aos cuidados de Deolinda informando: NOME, E-MAIL e HORÁRIO para o qual deseja inscrever-se: 10h às 10h30, 10h30 às 11h, 11h às 11h30, 11h30 às 12h

Cada grupo de ativistas terá um coordenador a quem se dirigir em seu espaço de atuação. Dúvidas devem ser encaminhadas ao e-mail acima.

ORIENTAÇÕES SOBRE A CONDUTA:
- Caso seja procurado pela imprensa, encaminhe aos organizadores.
- Não leve nariz de palhaço, máscaras ou outros elementos teatrais. A nossa presença será marcada pela nossa organização, postura e concentração de pessoas.
- Se possível, vá vestido completamente de PRETO (em luto). Os que já possuem a camiseta do Holocausto Animal ou do VEDDAS, podem usá-la. Os que desejarem adquiri-las no dia poderão fazê-lo pelo valor de 20 reais. Em último caso, você pode usar qualquer camiseta preta que desejar.
- Não insista em entregar o panfleto se a pessoa expressar que não quer recebê-lo.
- Jamais ofenda ou aceite provocações de motoristas ou pedestres.

IMPORTANTE:
- Não é necessário levar faixas ou cartazes. Todo o material necessário será disponibilizado pelos organizadores. A sua ajuda deve ser com a sua presença e auxiliando na panfletagem ou segurando os cartazes.

HISTÓRICO:
As fotos da excelente manifestação em observação ao Dia Internacional dos Direitos Animais 2006 podem ser vistas em http://community.webshots.com/album/556354281mXBiqE

Saiba sobre os protestos realizados em todo o mundo em 2006 acessando http://www.uncaged.co.uk/iard9.htm

CONTATOS PARA A IMPRENSA
Pelo Fim do Holocausto Animal: www.holocaustoanimal.org / Fabio Paiva: fabiopaiva55@yahoo.com.br

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade: www.veddas.org.br / George Guimarães: veddas@veddas.org.br

O release para a imprensa pode ser lido em www.veddas.org.br/DIDA2007.htm

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Imaginação e atitudes agressivas do grupo Afropress e ABC sem Racismo

Olha, é extremamente difícil de acreditar que pessoas bem intencionadas como o grupo da Afropress / ong ABC sem Racismo estejam se dedicando a atacar de tal maneira o Fábio Paiva, fundador da ong Pelo fim do holocausto animal. Ele é uma pessoa extremamente séria e dedicado a uma causa nobre, de incentivar às pessoas que respeitem e não causem sofrimentos aos animais.

Não conhecia a equipe da Afropress, mas pelo visto se dedicam a promover a causa das pessoas afrodescendentes. É ótimo haver grupos deste tipo, buscando superar a tradição tão negativa dos anos pós abolição da escravatura no Brasil. Eu mesmo gosto muito da cultura afro-brasileira: pratico capoeira e adoro este esporte/cultura/música, fiquei muito feliz de conseguir meu primeiro cordão, com o mestre João de São Paulo, e aprender a fazer tantas manobras que não conseguia antes.

Aparentemente, apesar desta equipe estar tão afinada com a causa dos afrodescendentes, que já passaram por tantas dificuldades e ainda passam, pela abolição oficial de sua escravatura no Brasil ter sido relativamente recente, no fim do século XIX, esta equipe, apesar de dizer que o faz, não considera o sofrimento dos animais, que são tão sensíveis como os humanos, e assim também merecem a abolição de seu sofrimento e consideração de sua dignidade, e resolve atacar um dos mais ativos defensores dos animais, o Fábio Paiva. Lembrar que os defensores dos animais como ele são extremamente necessários, porque os animais não podem se defender ou lutar por seus direitos.

Dignidade universal

Fábio Paiva, como outros defensores dos direitos animais, tem uma profunda consideração e respeito pela dignidade dos seres. Ora, assim sendo, como poderia ele ter a remota intenção de ofender ou discriminar a segmentos da espécie humana, que também é uma espécie animal, a tal Homo sapiens? É um raciocínio fácil de ser feito, creio eu, que ele não teria essa intenção.

Difícil imaginar como alguém pode entender que a comparação de imagens e fatos feita por Fábio, um ativista dos direitos animais, não esteja se referindo ao sofrimento e discriminação por que passaram animais humanos, neste caso por simples diferença de etnia e/ou religião, e por que ainda passam animais não humanos, neste caso por simples diferença de espécie.

Se alguém quisesse de fato, hipoteticamente, comparar humanos a outros animais (considerando que isso seja uma ofensa; aliás, é interessante notar como é fortíssimo este preconceito humano com os outros animais), não precisaria utilizar imagens de sofrimento. Poderia pegar imagens de humanos e de outros animais numa situação qualquer, mais padrão, digamos.

Quem parece estar agindo de maneira preconceituosa é a ong ABC sem Racismo / Afropress, porque atribuem a hipotética comparação do humano com outros animais como um insulto. Ou seja, consideram os outros animais seres extremamente inferiores. Por isso são incoerentes ao dizer que apóiam a causa animal.

Insulto imaginativo e lembrança do mau

Por que seria um insulto a associação de imagens da crueldade com animais com os sofrimentos, as humilhações, torturas e mortes praticadas no escravismo de negros e no holocausto contra judeus? Ora, certos sofrimentos já são bem reconhecidos pela humanidade; outros não são. E é isso o que aparentemente Fábio Paiva quis mostrar, que o sofrimento de outros animais é tão horrível quanto foi o sofrimento de certas populações humanas.

Por acaso, lembrar sofrimentos significa insultar seus representantes? Ora, quando Picasso pintou Guernica, ele estaria insultando esta população, ao retratar e lembrar o que sofreram? Quando frequentemente se lembra da bomba atômica lançada sobre Hiroshima e Nagasaki, e se mostram os japoneses que sofreram as consequencias, se está insultando estas vítimas? Não. Se está lembrando, buscando mostrar esta dor, para que isto jamais aconteça.

E é por meio desta estrutura de lembrança, que Fábio, na situação criticada, acaba na verdade, tanto por criticar o mau tratamento aos animais, como também aos humanos que sofreram. De maneira alguma é possível imaginar que ele estaria querendo denegrir certos humanos. A frodescendentes e judeus também se manifestaram, concordando com que este insulto é muita imaginação.

De todo modo, o fato de "uma semana depois da denúncia da Afropress" as imagens criticadas terem sido retiradas, só confirma que Fábio nunca teve intenção de ofender, como ele mesmo declarou publicamente.

Conclusão: pacifismo e comunicação

Mal-entendidos sempre podem acontecer. A comunicação humana é passível de falha. E realmente é possível que alguns indivíduos possam se ofender por coisas que outros sequer imaginem. Mas, se por um acaso, Fábio Paiva acabou por ofender a alguém, por que este alguém não entrou em contato com ele, e buscou resolver a coisa de uma maneira civilizada e pacífica, como sempre almejamos todos para resolver os eventuais conflitos? Ele é uma pessoa acessível, sensata e honrada, pelo que pude conversar com ele, e pelas várias mensagens que foram enviadas em seu apoio.

Mas não, ao invés disso a ong ABC sem Racismo resolveu tomar uma decisão agressiva e mover uma representação no Ministério Público contra Fábio Paiva, um cidadão que luta por uma causa nobre. Isso é muito triste.

Maurício Kanno
Jornalista ecologista e defensor dos direitos animais

[Também publicado em http://respeitoatodos.blogspot.com/, mantido por Eliane Lima e Silas Cordeiro]

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Referências:

Ataques:
http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=1381
http://www.afropress.com/editorial.asp

Defesas:

http://www.holocaustoanimal.org/esclarecimento.htm
http://www.veddas.org.br/cartaaomovimentonegro.htm
http://respeitoatodos.blogspot.com/

domingo, 28 de outubro de 2007

Os guerrilheiros da causa animal

Realmente ações fora da lei, do tipo promovido pela ALF (Animal Liberation Front) não são minha praia, mas achei um artigo, escrito pelo jornalista Cédric Gouverneur, bem interessante para reflexão. Já adianto: não estou dizendo que se deve fazer o que eles fazem, só estou refletindo sobre este material. Mais cedo ou mais tarde eu teria que encarar isto e escrever sobre esta turma...

Espero que ninguém me ache criminoso, radical ou idiota por isso. Minha bandeira sempre é da paz, nunca da violência. Aliás, a bandeira da turma da ALF também é da paz. Mas suas atitudes são bem mais controversas. A ver.

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Apesar deste tipo de ações radicais de fato, ou seja, fora da lei, eles conseguiram um bom resultado no Reino Unido: Após 30 anos de luta, hoje é praticamente impossível encontrar um casaco de peles neste país. Sua idéia aparentemente é a seguinte: há pessoas (produtores e responsáveis por instalações, no caso) que não são convencidas por meio de argumentação racional ou emocional; o que seria o mais indicado. Mas por que não são convencidas? Aparentemente por tradição (cultura), interesses egoístas e econômicos. Digo isto porque, após conhecer os argumentos pró-animais este ano, ainda não encontrei refutações adequadas.

Então, para que parem com as crueldades, a estratégia da ALF é que sejam convencidas financeiramente. Ou seja, tendo prejuízos contínuos com suas instalações e tendo de investir com segurança, e serem obrigadas a mudar de ramo.

Valores

Atenção: Mesmo estes militantes têm limites, pois valorizam a vida, então claro, inclusive a humana, assim jamais cometeriam terrorismos como do World Trade Center ou no trem da Espanha, em que tantos morreram. "Mesmo os mais combativos defensores dos direitos animais (os membros da Frente de Libertação Animal, digamos) acreditam que haja limites morais absolutos para o que pode ser feito em nome da libertação animal: certos atos nunca devem ser cometidos, de tão ruins que são. Por exemplo, a Frente se opõe a ferir ou matar seres humanos", escreve o filósofo Tom Regan em Jaulas Vazias. Leia mais em http://blog.kanno.com.br/2007/08/imagem-dos-defensores-dos-direitos.html .

Eles argumentam que pode ser necessário de fato utilizar-se de meios ilegais para defender aqueles que sofrem crueldades. "Na Grã-Bretanha, o movimento pela abolição da escravatura e a luta das feministas pelo direito de voto das mulheres também recorreram a meios ilegais", escreve Cédric. Ou seja, há crueldades e injustiças do passado que só puderam ser resolvidas hoje por ações ilegais no passado.

A questão é: até onde quem defende animais pode ir para alcançar certos objetivos, por mais nobres que sejam? (Aliás, pergunta correspondente as pessoas que defendem exploração dos animais para determinados objetivos poderiam se fazer: Até onde é possível ir na crueldade com animais para obter roupas, alimento, experimentos, etc.? É mesmo possível ir para algum lugar?)

Aliás ainda, o problema é que este tipo de raciocínio pode nos conduzir para atitudes bastante complicadas: se uma família então está morrendo de fome, o pai desempregado e sem formação escolar estaria autorizado moralmente a roubar, agindo assim fora da lei?

Maurício Kanno

O texto que se segue, de autoria do referido jornalista Cédric Gouverneur, foi enviado por Marli Moraes / Rio pela lista holocaustoanimal@yahoogrupos.com.br .

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Os guerrilheiros da causa animal

Na Grã-Bretanha, o movimento ambientalista conquista vitórias na proteção dos direitos dos animais. Entre os que os defendem estão grupos de ecologistas clandestinos que, em nome da causa, desafiam leis e assumem riscos

A organização descentralizada da ALF torna difícil a infiltração da polícia e, assim, sua destruição

Impecável em seu terno de "fibras sintéticas", Robin Webb mais parece um pacato aposentado do que o libertador de zôos enlouquecido do papel desempenhado por Brad Pitt no filme O Exército dos 12 Macacos 1. No entanto, o homem com quem conversamos num pub de Nottingham é o porta-voz legal da Frente de Libertação dos Animais (Animal Liberation Front - ALF), um grupo clandestino perseguido pelas forças antiterroristas da Scotland Yard e do FBI.

"A ALF é invencível: o Estado não pode prender uma idéia", explica Webb, um ex-sindicalista que se tornou vegetariano 2 há 25 anos, "quando passava, uma manhã, em frente a um matadouro". "Qualquer pessoa que pratique uma ação para salvar animais, ou para danificar a propriedade de quem abuse deles – de vidraças quebradas até o incêndio, desde que nenhum animal ou ser humano seja ferido – pode reivindicar sua ação na Internet em nome da ALF que, em contrapartida, lhe dará seu apoio em caso de detenção." A organização descentralizada da ALF torna difícil sua infiltração pela polícia e, conseqüentemente, sua destruição. "O Exército Republicano Irlandês [Irish Republican Army, IRA] também funciona por meio de células autônomas, mas dispõe de um comando centralizado, identificável. A ALF não tem nada disso: se me prenderem para me calar, será uma ação inútil", vangloria-se o porta-voz que, em 1995, passou sete meses na cadeia.

Desde que a organização nasceu, em 1976, cerca de 200 ativistas foram presos devido a milhares de ações praticadas. A ALF até reivindica vários "mártires" – um dos quais, Barry Horne, morreu na prisão, durante uma greve de fome em novembro de 2001, quando cumpria uma pena de dezoito anos por um atentado contra uma loja de peles. Morto "em nome da liberdade daqueles que não podem se defender a si próprios", como diz Webb, os animais.


Militância radical

O recurso ao uso da força por parte desses militantes, egressos de todas as classes sociais, data da década de 60

A Grã-Bretanha sempre teve uma posição avançada em relação aos direitos dos animais. A primeira associação de defesa da fauna e a primeira lei contra mau tratamento infligido aos animais nasceram nesse país, na década de 1820. No ano passado, a Sociedade Real de Prevenção da Crueldade contra os Animais (RSPCA, fundada em 1840), arrecadou 800 milhões de libras esterlinas 3, numa contribuição de cerca de 300 mil doadores.

O recurso ao uso da força por parte desses militantes, egressos de todas as classes sociais, data da década de 60. Em 1963, no sul da Inglaterra, nascia a Associação dos Sabotadores de Caça (Hunt Saboteurs Association , HSA). "O objetivo era interpor-se entre caçadores e caçados para salvar os últimos e forçar o Parlamento a proibir a caça", lembra Robin Webb. "Em 1973, um pequeno grupo, liderado por Ronnie Lee, começou a incendiar os carros dos caçadores. Em seguida, ampliaram sua campanha aos laboratórios de vivissecção e às lojas de peles, adotando o nome de Bando da Misericórdia ( Band of Mercy)."

Três anos depois, um grupo clandestino optou pelo acrônimo ALF: "Nessa época, as frentes de libertação pipocavam na América Latina e na Irlanda: a ALF avalia que a ação violenta pode ser legítima, num curto prazo, para conseguir justiça. Na Grã-Bretanha, o movimento pela abolição da escravatura e a luta das feministas pelo direito de voto das mulheres também recorreram a meios ilegais. Como a sigla ALF é um diminutivo de Alfred, ela tem a vantagem de atrapalhar os grampos telefônicos."


Inviabilização econômica

Com atentados e ameaças, a ALF pretende elevar os custos com segurança até tornar economicamente inviável a "exploração animal"

Por meio dos atentados que praticam e das ameaças, a ALF e seus militantes pretendem elevar os custos com segurança ao ponto de tornar economicamente inviável a "exploração animal". Várias centenas de ativistas estão dispostos a agir fora da lei pela causa. Sua folha corrida é eloqüente: vitrines de açougues despedaçadas, atentados contra peixarias para salvar "lagostins escaldados", incêndios de matadouros e de lojas de peles, assédio a circos e zôos, assaltos a estâncias de criação de martas por comandos encapuzados e libertação dos animais cativos (apesar da devastação provocada sobre a fauna pela invasão de predadores), pilhagem de laboratórios de vivissecção e de estâncias de criação, assédio a seus empregados em frente a suas residências, apedrejamento de suas janelas, destruição de seus carros, incêndios de caminhões frigoríficos de matadouros... Nos Estados Unidos e no norte da Europa, a ALF reivindica constantemente ações da mesma natureza.

Às vezes, essas ações em defesa dos animais desandam em conseqüências mais violentas. Em outubro de 1999, homens armados seqüestraram Graham Hall, um jornalista do Canal 4 que fazia uma matéria sobre os militantes da ALF. Com um ferro em brasa, marcaram suas costas com as três letras: A-L-F. Em fevereiro de 2000, alertas de bombas contra os acionistas do Huntingdon Life Sciences (HLF) provocaram a evacuação de milhares de pessoas que trabalhavam na Bolsa de Valores. No início de 2001, o diretor do HLS, Brian Cass, e um executivo da empresa foram agredidos por um comando de homens encapuzados; cartas-bomba feriram um criador de gado e uma menina de seis anos. Outras pessoas, que participam ou são cúmplices no sofrimento dos animais, sofreram ameaças de morte e de seqüestro de seus filhos. Outras ainda foram vítimas de cartas enviadas a conhecidos seus, acusando-as de pedofilia.


Vitórias notáveis

Vários locais de criação de cães e gatos destinados a pesquisas foram levados à falência devido ao assédio

Dois grupos de eco-warriors – a Milícia dos Direitos dos Animais (ARM) e o Departamento da Justiça (JD) – defendem o uso da violência contra quem tortura animais. Os mesmos ecologistas provavelmente são ligados à ALF, à ARM ou ao JD e escolhem um tipo de reivindicação de acordo com a ação cometida. Receando por sua vida, quase 2 mil diretores de empresas ligadas ao sofrimento de animais conseguiram do governo britânico autorização para que seus endereços fossem retirados das listas comerciais. Entretanto, "como o drama da menina ferida prejudicou sua causa, os extremistas passaram a tomar o cuidado de não tocar em ninguém", pondera um dos alvos em potencial, Mark Matfield, diretor da Sociedade de Defesa da Pesquisa (RDS), um lobby de experiências com animais. "Suas ações decorrem mais da intimidação: nunca mataram ninguém". Os únicos mortos em conseqüência dessa luta, além do ecologista e grevista de fome Barry Horne, foram dois "sabotadores de caça" e uma manifestante que protestava contra a exportação de gado vivo – todos eles atropelados por carros na década de 90.

Em trinta anos de luta, o movimento pela libertação de animais obteve vitórias notáveis. Conseguir um casaco de peles na Grã-Bretanha tornou-se quase impossível. Nos últimos anos, vários locais de criação de cães e gatos destinados a pesquisas experimentais foram levados à falência devido ao assédio. Em janeiro de 2004, a Universidade de Cambridge teve que abandonar um projeto de pesquisa neurológica em laboratório que envolvia experiências atrozes com primatas 4 . Uma campanha de pressão sobre as empresas que colaboravam com o projeto foi coordenada, pela Internet, por Mel Broughton, amigo de Barry Horne, que passou quatro anos na cadeia por posse de explosivos: em três anos, o projeto, que envolvia um simples laboratório, ganhou proporções de uma fortaleza e seu custo chegou a um número entre 24 e 32 milhões de libras esterlinas (de 135 a 175 milhões de reais). O conselho administrativo de Cambridge, avaliando o custo inviável, decidiu abandonar o projeto, para desespero de Anthony Blair, preocupado com o desenvolvimento da pesquisa, e de Matfield, que cita essa data como "um dia negro para os pacientes". O ecologista Mel Broughton pretende levar ao fracasso um projeto semelhante em Oxford: "Eles podem enfrentar uma manifestação por ano", explica. "Mas não uma pressão constante sobre seus acionistas e seus fornecedores". Procurado em março de 2004 pelos defensores dos animais, o grupo BTP (Travis Perkins) abandonou o projeto de Oxford quase instantaneamente.


Cidadela intocável

O principal inimigo dos guerrilheiros da ecologia, o Huntingdon Life Sciences (HLS), continua em plena atividade

Mas o principal inimigo dos guerrilheiros da ecologia, a cidadela cercada por arame farpado sobre a qual concentram sua ofensiva há quatro anos e que, às vezes, comparam a um campo de concentração, continua em plena atividade: O Huntingdon Life Sciences (HLS), maior laboratório de vivissecção da Europa: "Acredito no que faço", diz Brian Cass, seu diretor e arquiinimigo da ALF há vinte anos. "Os benefícios trazidos pela experiência com animais são inegáveis para os pacientes", declara. Nesse centro do condado de Cambridgeshire, 70 mil animais servem anualmente de cobaias para a indústria mundial. "85% são peixes e roedores", explica um dirigente do HLS. "Os cães e os macacos não passam de 1% do total". O que, de qualquer maneira, significa 700 deles submetidos à tortura...

Em 1996, uma jornalista, Zoe Broughton, conseguiu emprego como assessora no HLS. Escondida sob sua blusa branca, tinha uma câmera minúscula. Em março de 1997, o Canal 4 divulgou o resultado de seis meses de pesquisa, um documentário intitulado É uma Vida de Cão – o público descobre funcionários do laboratório espancando beagles para submetê-los a doações de sangue, sob o olhar indiferente dos colegas. Em campanha eleitoral, o Partido Trabalhista retirou do HLS seu fundo de pensão e alguns clientes do laboratório rescindiram seus contratos. Dois empregados foram demitidos e processados e as autoridades suspenderam, pelo prazo de seis meses, a licença que permitia ao grupo fazer experiências com animais. A equipe dirigente foi destituída e Brian Cass, ex-dono do laboratório Covance, foi nomeado diretor da empresa.


Conduta "correta"

Londres proibiu experiências com animais para o desenvolvimento de produtos de beleza, o que não ocorre em Paris

O HLS abriu as portas à imprensa. Por ocasião de nossa visita, os cães parecem ser corretamente tratados: correm para as visitas em busca de carinhos. Um deles, no entanto, treme de medo quando nos aproximamos... Limpos, suas gaiolas se comunicam duas a duas, para que possam socializar-se. Os beagles têm direito a um passeio de 30 minutos por dia... num corredor. Os funcionários do laboratório demonstram delicadeza, embora isso seja relativo: administram diariamente aos animais produtos misturados com sua comida ou por meio de uma máscara incubadora. Salvo exceções, todos serão submetidos à eutanásia para a realização dos exames post-mortem. E, ao longo de suas vidas, nunca terão corrido por um campo aberto. "É evidente que eles não pediram para estar aqui", diz um cientista contratado após o escândalo de 1997. "Mas nós os tratamos da melhor maneira possível. De qualquer modo, os efeitos clínicos do estresse irão adulterar os resultados das experiências. Ninguém, aqui, gosta de usar cachorros como cobaias, mas não existe uma alternativa", afirma.

"Desenvolvemos o uso de leitões em substituição aos cachorros", explica outro pesquisador, "mas dispomos de mais dados sobre o beagle, que vem sendo utilizado em pesquisa desde a década de 60." "No momento, a generalização do uso de leitões seria preferível em termos de relações públicas, mas não do ponto de vista científico", acrescenta outro responsável. Cass relativiza o sofrimento causado: "750 milhões de animais são abatidos anualmente neste país para alimentação, contra 3 milhões para experiências. Tudo isso tem uma alta conotação cultural: na Coréia, o cachorro é consumido como alimento, mas na Grã-Bretanha são arrecadados mais fundos para o bem-estar de velhos cavalos de corridas do que para órfãos. E as condições das experiências são bem melhores aqui do que na França!" Desde 1997, Londres proibiu experiências com animais para o desenvolvimento de produtos de beleza, ao contrário do que ocorre com Paris, devido à influência da indústria cosmética.


Experiências cruéis

O teste de um remédio para ossos encomendado por uma empresa japonesa: 37 cachorros tiveram patas fraturadas

Alguns vazamentos, entretanto, revelaram experiências particularmente cruéis perpetradas no HLS, como os efeitos de gases CFC testados em cães, em 2003, quinze anos após terem sido proibidos 5 . Ou, segundo algumas fontes convergentes, o teste de um remédio para os ossos mediante encomenda de uma empresa japonesa: 37 cachorros teriam tido suas patas fraturadas...

O HLS afirma que, antes da comercialização de um produto farmacêutico ou industrial, a lei obriga a que se façam testes sobre duas espécies de mamíferos – quase sempre ratos e cães – para evitar qualquer efeito indesejável sobre o ser humano ou o meio ambiente. A realidade é mais complexa. Uma fonte do Ministério do Interior britânico faz o seguinte comentário sobre o Medicine Act (1968), inspirado na catástrofe da talidomida 6 : "A legislação não impõe que se façam testes com animais, caso dados confiáveis possam ser obtidos por outros meios. Existe uma forte presunção de que os testes com animais sejam, provavelmente, uma etapa obrigatória para se lançarem produtos eficientes e seguros para o ser humano". Forte presunção, probabilidade, mas não uma certeza científica. Os adversários da vivissecção dão exemplos de drogas que tiveram efeitos colaterais sobre o organismo humano, mas nenhum sobre os animais, e vice-versa.


Interesses econômicos

As empresas querem vender seus produtos em várias regiões econômicas e, por isso, exigem a realização de testes

Robert Combes é o diretor científico do Fundo para Substituição de Animais em Experiências Médicas (Frame). Suas equipes pesquisam soluções alternativas às da experiência com animais com o objetivo de eliminá-la, no médio prazo, por meio do financiamento de associações de defesa dos animais, tais como as empresas farmacêuticas – o que torna a Frame um "alvo legítimo" da ALF. Segundo o professor Combes, a suposta necessidade de testes com animais decorre, em grande parte, do "conservadorismo científico". "A pesquisa fundamental não se interessa pelas alternativas. O enorme potencial da simulação informática, por exemplo, é pouco desenvolvido". A necessidade é, principalmente, econômica: "No Japão e nos Estados Unidos, os testes com animais são obrigatórios", explica. Nossa fonte no Ministério do Interior confirma: "As empresas querem vender seus produtos em várias regiões econômicas e, devido a isso, estabelecem a realização de testes." O professor Combes acrescenta: "Os testes com animais são mais simples para realizar e as alternativas, subfinanciadas, não são uma prioridade."

A indústria farmacêutica lançou uma campanha sobre a "triste necessidade" da vivissecção, mas se mostra bem mesquinha na hora de investir nas alternativas a essa opção. O HLS deu ao Frame uma participação simbólica que é veiculada com bastante cuidado. A saúde é uma indústria e o HLS, a empreiteira de empresas que são movidas pela lógica do lucro: lançar um produto no mercado mundial, a um custo mínimo, salvaguardando-se legalmente para uma hipótese imprevista para a saúde do ser humano ou do meio ambiente.


Acionistas no alvo

Assediados, preocupados com a tranqüilidade de seus funcionários, os acionistas do HLS retiraram seu capital

Para a guerrilha dos defensores dos animais e contra a vivissecção, o HLS tornou-se um símbolo a ser eliminado. O grupo SHAC (Stop Huntingdon animal cruelty) divulga em seu site, na Internet 7 , os nomes das empresas que cooperam com o HLS e convida seu público a agir: mensagens eletrônicas ou por fax, telefonemas e piquetes constantes em frente aos escritórios, com fotos de cães decepados. Em seguida, vêm as manifestações noturnas em frente às residências dos executivos do HLS, às vezes com ações violentas contra seus bens ou pessoas da família, já que os endereços dos funcionários também circulam pela Internet. Ao contrário da ALF, oficialmente o SHAC "não incentiva, nem incita à prática de ações ilegais", embora o responsável pelo grupo, Greg Avery, já tenha sido condenado várias vezes por ter recorrido ao uso da força.

Localizado na Oxford Street, em Londres, onde recolhia assinaturas para um abaixo-assinado e coletava donativos para o SHAC, Avery declarou: "O fechamento de Hillgrove [uma estância de criação de gatos para laboratórios, levada à falência em 1999] nos mostrou como conseguir nossos objetivos atingindo os acionistas". Assediados, preocupados com a tranqüilidade de seus funcionários, os acionistas do HLS retiraram, um por um, seu capital: os bancos Barclays, HSBC, Oracle, Merrill Lynch...


"Terrorismo do investimento"

A City [local onde fica a Bolsa de Londres] aponta o "terrorismo do investimento" que ameaça o setor de pesquisa

Em janeiro de 2001, a pressão levou o Royal Bank of Scotland a também abandonar o HLS, que foi salvo in extremis de ir à falência por um investidor norte-americano, o Stephens Group. Em 2002, o HLS tentou se livrar do SHAC retirando suas ações da Bolsa de Londres e transferindo-as para a Nasdaq, em Nova York, onde os acionistas podem permanecer anônimos. Mas seu escritório de consultoria, Deloitte & Touche, passou então a ser pressionado e cancelou sua colaboração... Pouco depois, aconteceu o mesmo com o escritório Marsh & McLellan, o que obrigou o Estado britânico a dar garantias diretas ao laboratório. Seus clientes japoneses sofreram perseguições em Londres e Tóquio, na Suécia, na Suíça, na Itália...

Na noite de 25 de setembro de 2003, um atentado à bomba, na Califórnia, reivindicado pelo grupo "Células Revolucionárias", destruiu os escritórios de um cliente japonês do HLS. O ministro britânico da Ciência, Lorde Sainsbury, teve que viajar até Tóquio para dar garantias à indústria farmacêutica. A City [local onde fica a Bolsa de Londres] mencionou o "terrorismo do investimento" que ameaçava o setor de pesquisa e planejou oferecer um prêmio a quem obtivesse informações que pudessem confundir o SHAC. Saindo em defesa da Bolsa de Valores, o Financial Times publicou: "Um pequeno grupo de ativistas está conseguindo o que Karl Marx, o grupo Baader-Meinhoff e as Brigadas Vermelhas não conseguiram."

Por um custo de "uma centena de milhares de libras", segundo Brian Cass, o HLS obteve, em 2003, uma determinação legal impedindo que os manifestantes se aproximassem dos escritórios e das residências de seus funcionários. Seus clientes fizeram o mesmo. O SHAC contornou o obstáculo passando a assediar "alvos secundários", sem condições de desembolsarem as 20 mil libras necessárias à obtenção dessa medida judicial, ao mesmo tempo em que duplicava o número de ações violentas (46 no primeiro trimestre de 2004). Em quatro meses, 22 empresas já tinham rompido seus vínculos com o HLS – algumas delas mantêm apenas uma relação tênue com o laboratório, tais como a empresa de táxis que transporta seus executivos e clientes. Mark Matfield contabilizou 400 pessoas prejudicadas e tenta, agora, reuni-las numa associação de vítimas. "Algumas delas sofrem de depressão nervosa. Suas famílias foram aterrorizadas..." Jonathan Djanogly, deputado conservador que defende o Huntingdon, exige uma repressão mais forte, do tipo da que enquadra os hooligans: "Esses terroristas atacam os princípios da democracia", declara.


"Democracia participativa"

Os ecologistas defensores dos animais mostram que é possível mexer com a democracia parlamentar britânica

O movimento de libertação dos animais prefere chamar suas práticas de "democracia participativa", diante da inércia da democracia representativa. "Antes de vencer a eleição, em 1997, o New Labour multiplicava promessas aos defensores dos animais. Renegou-as", lembra Mel Broughton, responsável pela falência do laboratório de Cambridge. "Barry Horne optou por morrer de fome para que Blair se lembrasse de seu programa. Os políticos estão ligados demais à oligarquia para que possam agir: a ação popular direta permite impor-lhes uma agenda política". Diante dos grupos de pressão industriais, a ação dos defensores dos animais influencia a tomada de decisões políticas. O próprio Matfield admite que "suas manifestações legais contribuíram para o debate e permitiram que o país adotasse, em 1986, a lei sobre experiências com animais mais rigorosa do mundo". Num movimento paralelo, Londres se apressa em endurecer a repressão contra os eco-warriors e promete a criação de um vasto centro nacional para pesquisar as alternativas às experiências com animais.

Num país com um sólido bipartidarismo, em que a alternativa eleitoral se limita a uma opção entre os trabalhistas neoliberais de Anthony Blair e a ultradireita dos herdeiros conservadores de Margaret Thatcher, algumas faixas da opinião pública sofrem com uma ausência de representatividade. Nesse sentido, as ações – não violentas – dos ecologistas defensores dos animais mostram que é possível mexer com a democracia parlamentar britânica. E defender uma causa nobre.

(Tradução: Jô Amado)


Notas:

1 - Filme de Terry Gilliam (1995), inspirado no curta-metragem La Jetée, de Chris Marker, e protagonizado por Bruce Willis e Brad Pitt.
2 - Quatro milhões de ingleses são vegetarianos. Cerca de 250 mil deles não consomem produto algum de origem animal: carne, ovos, leite, manteiga, queijo, couro, lã... N.T.: No caso desses vegetarianos radicais, usa-se, em francês, o termo végétalien em vez de végétarien.
3 - Cerca de 440 milhões de reais.
4 - Com a caixa craniana aberta, eram implantados elétrodos no cérebro dos macacos para o estudo do funcionamento dos neurônios durante seis horas por dia, cinco dias por semana. Os partidários dessas experiências apelavam para a proximidade entre o homem e o macaco, enquanto seus adversários argumentavam que era justamente essa proximidade que tornava o sofrimento eticamente injustificável.
5 - The Observer, 20 de abril de 2003.
6 - Esse medicamento foi responsável por uma catástrofe sanitária em 1957. Receitada para mulheres grávidas, a talidomida provocou o nascimento de milhares de crianças sem braços. Para os adversários da vivissecção, isso prova a inutilidade das experiências com animais, as quais nada haviam revelado. Seus defensores, no entanto, lastimam o número insuficiente de experiências com animais.
7 - http://www.shac.net/

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Por que discriminar um animal é tão ilógico quanto discriminar um negro?

Nos anos de 1800, no Brasil, era normal se tratar uma pessoa negra como uma "coisa", que podia ser vendida e comprada num mercado. Essas pessoas só serviam para satisfazer os interesses das "brancas".

Hoje, as pessoas negras são consideradas, de maneira geral, "pessoas" de verdade, que temos que respeitar. Apesar de ainda haver preconceitos em relação a elas, não são mais consideradas "coisas".

Pois um dos valores mais nobres defendidos atualmente são os "direitos humanos". E eles valem para todos os humanos, independente de etnia, sexo, idade, etc. Mas por que os humanos têm esses direitos? Já se perguntou?

Que tal dizer: "Os seres humanos têm direitos porque eles são humanos." Normalmente só se responde isso. Mas acho que isso não explica nada, certo? É a mesma coisa que dizer "porque sim", porque se está apenas repetindo a mesma coisa.

Que tal então: "Os seres humanos têm direitos porque são seres racionais." Bem, e o que inteligência tem a ver com direitos? Por acaso alguém negaria direitos para uma pessoa com deficiência mental, ou para uma criança ou bebê?

Então, afinal de contas, por que as pessoas têm direitos? Porque precisamos nos preocupar com elas? Quais são razões de fato relevantes para os direitos das pessoas? Nós podemos sentir e sofrer. O que acontece com nossos corpos e nossas vidas é importante para nós. Temos uma biografia, com família, amigos, etc. Essas questões são relevantes para se preocupar com alguém, concorda?

Um momento. Mas e quanto aos animais em geral, como cães, vacas, galinhas, pássaros? Eles também podem sentir e sofrer (aliás, muitos têm sentidos até mais aguçados que os humanos); o que acontece com seus corpos e suas vidas é importante para eles; e têm biografia, com família, amigos, etc. Eles preenchem todos os critérios relevantes para se respeitar um humano.

Por que negar então direitos aos animais à vida, à liberdade, ao bem estar, entre outros, se não há razão lógica alguma para isso? Pelo mesmo motivo pelo qual se negava os direitos às pessoas de pele negra, lá nos anos 1800. Para que pudessem ser exploradas.

Maurício Kanno

Baseado principalmente no livro "Jaulas Vazias – encarando o desafio dos direitos animais", de Tom Regan, professor de Filosofia da Universidade da Carolina do Norte.

[Atenção: admitir que os animais tenham direitos não é dizer que seus direitos sejam os mesmos dos humanos. Leia mais neste meu texto recente, sobre a igual consideração de interesses, formulada pelo filósofo Peter Singer.]

domingo, 21 de outubro de 2007

A sensibilidade das plantas e o vegetarianismo

Sem dúvida as plantas têm alguma sensibilidade. Inclusive comprei um provocativo livro (apesar de não ter lido ainda) chamado "A vida secreta das plantas", de Peter Tompkins e Christopher Bird, de 1975, que mostra que as plantas são seres sensíveis. Na contracapa escreve-se que as plantas "memorizam experiências de prazer e dor, sentem afeto e medo, são capazes de comunicar-se com os homens".

No entanto, há que se pensar sobre graus. Quem "sente" mais? É fácil perceber que os animais sentem muitíssimo mais que as plantas. Você precisa utilizar aparelhos de medição e ter muita paciência para verificar a sensibilidade das plantas, o que não é necessário para os animais.

Sistema nervoso

O sistema nervoso dos outros mamíferos, por exemplo, é bem equivalente ao humano no que toca à sensibilidade, e em muitos casos superior (há animais que enxergam, ouvem, etc. muito melhor que o humano). A diferença em termos neurológicos do humano em relação aos animais é principalmente no que toca ao intelectual, ao racional. Bem, e creio que ser inteligente não é relevante para discutir se devemos ou não nos importar com seu sofrimento, certo?

Verificar também o que escreve o geneticista Alyson Muotri: "não é porque alguns “acham” que as plantas sentem algo é que vamos extrapolar isso para um sistema nervoso organizado. Afinal, semelhanças moleculares entre neurônios e células vegetais não querem necessariamente dizer que a propagação de sinais é a mesma entre células, tecidos ou órgãos." Ele cita um estudo dizendo que "os neurotransmissores não são transportados de célula a célula por longas distâncias, como seria o caso da auxina [hormônio vegetal]."

Alimentação necessária

Não estarei sendo ético comigo mesmo se eu me deixar morrer, certo? Então preciso me alimentar de algo, porque preciso comer para viver. Mas é melhor me utilizar de seres que não são assim tão sensíveis. Dos males o menor.

Lembrar também que a criação de animais para consumo humano envolve a morte de muitos outros vegetais por meses ou anos, pois esta é a alimentação do animal futuramente abatido... Assim, comer animais por tabela mata bem mais vegetais que numa alimentação que diretamente consumisse os vegetais. Assim, a opção vegetariana também inclui respeito pelos vegetais.

Aliás, nem sempre a comida vegetariana depende de algum tipo de "morte": frutas, grãos, folhas, entre outros, não implicam em morte de um vegetal. Creio que principalmente o consumo de raízes implica nesta morte vegetal, pelo que diz Swami Yogananda, apesar de eu não conhecer tão bem como é o processo agrário.

Para mais detalhes, ler:

-A sensibilidade que as pessoas atribuem às plantas, de Simone Nardi

-E as plantas? Também não são seres vivos iguais a respeitar?, de Gary Francione

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Empresa de servidores patrocina sites que defendem direitos animais!

Recebi há algum tempo uma mensagem de uma empresa que não conhecia, chamada www.knwork.com/

Dizem que "responsabilidade social não basta. O KNWORK patrocina sites relacionados com a defesa dos direitos dos animais." Basta ter um link na página principal para o site deles. Que fantástico, não conhecia este engajamento empresarial internético!

Fico muito feliz com uma diretoria como esta, incentivando a propagação deste tipo de valor tão urgente hoje em dia, com tanta exploração e desrespeito que existe hoje em dia em relação aos outros animais.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Miss Universo ouve protestos e diz não aos casacos de peles

Da France Presse

Bebeto Matthews/AP

A japonesa Riyo Mori, Miss Universo 2007, se negou nesta terça-feira a usar peles naturais e declarou seu amor aos animais durante uma campanha de protestos em favor dos direitos civis dos animais.

"Vou dizer isso em voz alta: não vou usar peles. Eu amo os animais e concordo com quem é contrário ao uso de produtos feitos com peles", declarou.

A organização Ethical Treatment of Animals (Peta) lançou uma campanha na semana passada para pressionar Mori a renunciar às peles depois que a Miss usou um casaco de peles nas passarelas.

Mori também recebeu milhares de e-mails de outros militantes pelos direitos animais que a convenceram a se unir à campanha. A Miss de 20 anos também disse que quer atuar em campanhas de combate à Aids e que espera, um dia, pode se apresentar na Broadway.

http://divirta-se.correioweb.com.br/ultimas.htm?ultima=2722669

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Encaminhado por (Marilda | JotaPê) & Limberger por [veg-brasil@yahoogrupos.com.br]

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Reparar algo negativo, no entanto: no último parágrafo, como observa Silas Cordeiro, também membro da lista [veg-brasil], a miss fala em "defender animais, ecologia, combater aids, etc." Isso seria algo que "tá na moda (e, muitas vezes, infelizmente, fica só nisso)".

Bem, mas penso que, se ao bordão das misses de "desejo a paz mundial" se juntar "desejo que as pessoas respeitem os direitos dos animais", já seria uma boa, de qualquer maneira... Apesar de que a segunda idéia já estar inclusa na primeira, normalmente este ponto é ignorado, então é necessário reforçar. Podia ser algo como "desejo a paz mundial... inclusive para os outros animais!"

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Imagem dos defensores dos direitos animais e o livro do professor Tom Regan

Tenho percebido que a imagem que algumas pessoas (ou várias) têm a respeito dos defensores dos direitos animais, como os vegetarianos, é um tanto negativa além da medida. Por isso, vou reproduzir a seguir alguns trechos do livro que estou lendo, do professor emérito em Filosofia Tom Regan: Jaulas Vazias – encarando o desafio dos direitos animais (2006, Editora Lugano).

Nos capítulos que selecionei, o autor fala sobre como os defensores dos direitos animais têm sua imagem bastante distorcida e prejudicada pela grande mídia, influenciada pelas influentes e ricas indústrias que exploram as vidas dos animais não humanos. Assim, também existe o problema de se pensar nos defensores dos direitos animais com alguns estereótipos, como terroristas, negativos e arrogantes. Basicamente o problema é de generalização e interesses financeiros de empresas influentes.

Os trechos selecionados a seguir são cruciais para se esclarecer essas questões.

(Sobre o autor: Tom Regan publicou centenas de ensaios profissionais e mais de 20 livros; ao se aposentar, em 2001, recebeu a medalha William Quarles Holliday, a maior honra que a Universidade do Estado da Carolina do Norte pode conferir a um membro de seu professorado.
Para saber mais sobre a carreira dele, veja o arquivo de Direitos Animais Tom Regan, instalado pela Biblioteca de sua universidade: http://www.lib.ncsu.edu/animalrights/ Contato com ele: http://tomregan-animalrights.com/contact.html .)

A inverdade dos rótulos (p. 12-13)

“Os opositores acham que direitos animais é uma idéia radical ou extrema, e não raramente rotulam os defensores dos direitos animais de “extremistas”. É importante entender de que forma esse rótulo é usado como instrumento retórico para evitar a discussão informada e justa; do contrário, aumentam as chances de não termos uma discussão com esses atributos.

“Extremistas” e “extremismo” são palavras ambíguas. Em um sentido, extremistas são pessoas que fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas do World Trade Center eram extremistas nesse sentido; estavam determinados a fazer de tudo para conquistarem seus fins, mesmo que isso significasse matar milhares de seres humanos inocentes.

Os defensores dos direitos animais (DDAs ou ativistas) não são extremistas nesse sentido. Vou repetir: os DDAs não são extremistas nesse sentido. Mesmo os mais combativos defensores dos direitos animais (os membros da Frente de Libertação Animal, digamos) acreditam que haja limites morais absolutos para o que pode ser feito em nome da libertação animal: certos atos nunca devem ser cometidos, de tão ruins que são. Por exemplo, a Frente se opõe a ferir ou matar seres humanos.

Em outro sentido, a palavra extremista se refere à natureza incondicional daquilo em que as pessoas acreditam. Neste sentido, os defensores dos direitos animais são extremistas. De novo, deixe-me repetir: os DDAs realmente são extremistas, neste sentido. Eles realmente acreditam que é errado treinar animais selvagens a representar atos para o entretenimento humano, por exemplo. Mas, neste sentido, todo mundo é extremista. Por quê? Porque há algumas coisas às quais todos nós (espero) nos opomos sem restrições.

Por exemplo, todos os que estão lendo estas palavras são extremistas, quando se trata de estupro; somos contra o estupro o tempo todo. Cada um de nós é um extremista quando se trata de abuso infantil; somos contra o abuso infantil o tempo todo. De fato, todos nós somos extremistas quando se trata de crueldade com os animais; nunca somos a favor disso.

A verdade pura e simples é que pontos de vista extremos são, às vezes, pontos de vista corretos. Assim, o fato de nós sermos extremistas, no sentido de termos crenças incondicionais a respeito do que seja certo ou errado, não oferece, por si só, razão para se pensar que estejamos errados. Então a questão a ser examinada não é: “Os DDAs são extremistas?” A questão é: “Eles estão certos?” Como veremos, esta pergunta quase nunca é feita, e, menos ainda, respondida adequadamente. Uma conspiração entre a mídia e alguns fortes interesses se encarrega disso.”

A mídia (p. 13-14)

“Como a mídia procura o que é sensacional, pode-se contar com ela para cobrir direitos animais quando alguma coisa bizarra ou fora-da-lei acontece. Membros da Frente de Libertação Animal (ALF, na sigla em inglês) explodem uma bomba num laboratório. Um ativista contra o uso de peles atira uma torta na cara de Calvin Klein. Este é o tipo de matéria que a gente costuma ver ou ler.

E quanto ao protesto pacífico de ontem, do lado de fora de uma loja de peles, ou à palestra sobre direitos animais na faculdade de Direito na noite passada? Isso raramente é noticiado. Notícias que não sejam sensacionalistas não “sangram” suficientemente para o gosto da mídia. Não admira que o público em geral veja os defensores dos direitos animais como um mero bando de palhaços e de desajustados sociais. Quase sempre, essa é a única mensagem que passa pelos filtros da mídia.”

A política de interesses específicos (p. 14-17)

“O fato de o público em geral tender a fazer uma imagem negativa dos ativistas dos direitos animais não resulta apenas do apetite da mídia pelo sensacionalismo; deve-se também ao material de que a mídia se alimenta, fornecido pelos relações-públicas das grandes indústrias de exploração animal. Por “grandes indústrias de exploração animal”, entenda-se: a indústria da carne, a indústria da pele, a indústria de animais para entretenimento e a indústria de pesquisa biomédica, por exemplo. As pessoas que trabalham nessas indústrias falam com uma só voz, contam a mesma história e usam até as mesmas palavras para denegrir seu inimigo comum: os extremistas dos direitos animais.

A origem do capítulo mais recente dessa história, aqui nos Estados Unidos, não é difícil de encontrar. Foi a publicação, em 1989, de um relatório da Associação Médica Americana (AMA) chamado “O Uso de Animais na Pesquisa Biomédica: O Desafio e a Resposta”. Entre as recomendações da AMA: pessoas que acreditam em direitos animais “precisam ser mostradas como (a) responsáveis por atos violentos e ilegais que colocam em perigo a vida e a propriedade, e (b) uma ameaça à liberdade de escolha do povo”.

Os DDAs têm de ser vistos como “radicais”, “militantes” e “terroristas” que se “opõem ao bem-estar humano”. Em contraste, pessoas sãs, sensatas e decentes devem ser mostradas como favoráveis ao bem-estar animal, entendido como o uso humanitário e responsável de animais por humanos e para humanos.

A estratégia da AMA era simples e inspirada. Se a percepção pública do uso de animais em pesquisas pudesse ser estruturada como uma disputa entre, de um lado, ignorantes extremistas, defensores dos direitos animais, que odeiam humanos e têm um apetite insaciável pela violência, e, do outro lado, inteligentes e moderados cidadãos que são os verdadeiros amigos da humanidade e favoráveis ao bem-estar dos animais, então os DDAs seriam repudiados e a ideologia do uso humanitário e responsável haveria de prevalecer.

Desde 1989, uma enxurrada de press releases, memorandos, e-mails, entrevistas coletivas à imprensa e websites condenando os extremistas dos direitos animais e elogiando os sensatos adeptos do bem-estar animal tem jorrado, direto da AMA e de outros escritórios de relações públicas da indústria de pesquisa biomédica, para as mãos de repórteres, diretores de reportagens e editores.

(...)

Funciona? Será que a mídia faz coberturas tendenciosas por causa de esforços como os da FBR [Fundação de Pesquisas Biomédicas, que produziu uma espécie de “cartilha para jornalistas”]? Antes de responder, vamos imaginar um pouco. Temos aqui um enérgico repórter, com seus quarenta e poucos anos, com a sorte de ter um emprego fixo; seu salário, junto com o da esposa, está longe de cobrir todas as suas despesas, agora que seus dois filhos estão matriculados em faculdades de prestígio. Seu campo inclui pesquisa biomédica. Todo mês ele recebe os folhetos com as dicas da FBR. Todo dia ele recebe a mais recente leva de citações autorizadas de “experts” que apóiam pesquisas usando animais. E em momentos oportunos, ele recebe uma lista atualizada das “atividades criminosas cometidas em nome dos 'direitos animais'”.

Então nos perguntamos: quais são as chances de esse repórter fazer uma matéria justa e imparcial sobre “a última descoberta científica usando animais”? Não estariam essas chances um pouquinho mais direcionadas para uma direção do que para outra? Será que deveríamos mencionar que entre os maiores anunciantes do jornal estão grandes indústrias que usam animais, incluindo interesses economicamente fortes (as grandes companhias farmacêuticas, por exemplo) representados pela FBR? Ou que os fundos de pensão do repórter investem pesadamente nessas mesmas indústrias, assim como os de quem publica o jornal e os do pessoal da editoria?”

(...)

“O fato é que muita gente tem uma imagem negativa dos direitos animais porque grande parte da mídia mostra os defensores dos direitos animais sob uma luz desfavorável.”

Muitas mãos em muitos remos











O chega-pra-lá do “anti”
(p. 229)

“(...) os defensores dos direitos animais são vistos, frequentemente, como um bando de gente “anti”: anticarne, antilaticínios, antipeles, anticouro, anticaça, anti-rodeios. Esta lista continua. Isso é um convite para o familiar “Sim, mas...”: “Sim, eu abraçaria a causa dos direitos animais, mas quem quer ficar rodeado de gente tão negativa?”

Eu não peço desculpas em nome dos DDAs. Nós realmente somos contra todas essas (no nosso modo de ver) abominações, e muitas outras. Mas espero que ninguém se esqueça de que há um outro lado naquilo que valorizamos e em que acreditamos: o lado “pró”. Com raras exceções, os defensores dos direitos animais defendem o amor à família e ao país, os direitos humanos e a justiça, a liberdade e a igualdade humanas, a compaixão, a paz e a tolerância, a consideração especial dos que têm necessidades especiais, um ambiente limpo e sustentável, e os direitos dos filhos dos nossos filhos – nossas gerações futuras.”

O chega-pra-lá da certeza exagerada da própria virtude (p. 232-234)

"Alguns relutantes são desencorajados pela certeza exagerada da própria virtude com que se deparam: “Sim, direitos animais é uma nobre idéia”, dizem eles, “mas veja o que essa idéia faz com as pessoas; faz com que elas pensem que são tão boas, tão puras. Quem quer ser assim?”Eu consigo me identificar com essa reação. Conheço alguns defensores dos direitos animais que se acham tão virtuosos que eu até desvio do meu caminho, só para não ter de lidar com eles.

(...) eu conheço alguns desses defensores que querem que você saiba o quanto você é mau e o quanto eles são bons, quando se trata das roupas que vestem e dos sapatos que você calça. Quer dizer, eu conheci alguns que podem soltar fogo pelo nariz na cara das pessoas que não se vestem direito.

Os defensores dos direitos animais que se comportam dessa maneira não vivem no mundo real.”

A idéia é que “os corpos de literalmente bilhões de animais são intencional e deliberadamente feridos a cada ano”, “a liberdade de centenas de milhões de animais é intencional e deliberadamente negada a cada hora” e “a própria vida de dezenas de milhares de animais é intencional e deliberadamente tirada a cada minuto” por causa da indústria das peles, couro ou lã.

Mas veja o algodão, por exemplo. Por causa dos produtos químicos que são aplicados ao algodão, levados pelas águas, matam peixes e outros animais. E ainda outros animais são mortos quando lavradores mecanizados preparam o solo para o plantio.

Quanto aos sapatos e cintos feitos com couro falso (sintético): são sub-produtos da indústria petroquímica. Isso significa derramamento de óleo, e números incontáveis de animais feridos e mortos.

“Portanto, não: os defensores dos direitos animais não têm razão para se considerar perfeitos exemplos de virtude, como se o mundo fosse dividido entre Puros (esses seríamos nós) e Impuros (esses seriam o resto da humanidade). Moralmente, somos todos matizes de cinza. (...) nenhuma pessoa sozinha fala em nome de todos os defensores.”

[Fontes das imagens utilizadas neste post:
http://www.ringue.blogger.com.br/
http://www.naxoscomercial.com.br
www.svb.org.br/livros/trecho-jaulas.htm
www.ul.pt
historianet.com.br/

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