terça-feira, 4 de setembro de 2007

Speedy bloqueia páginas sem querer?

meu caro amigo e colega da Rede Stoa Tom de Everton (eheh explico aqui a piada) anunciou que está tendo um problema semelhante a um que eu tive.

tb tive esse problema. durou cerca de 2 semanas. eu não conseguia acessar página alguma do blogspot. como eu sou um usuário e leitor assíduo de blogs, isso me afetou gravemente. pois eu não podia acessar diveeersos blogs importantes (inclusive este meu, fora do Stoa!!!!)

ligando pro Speedy e pro Terra (meus contratados para fornecer acesso à internet), disseram que não era problema deles, pois se fosse, não haveria como parar só uma página. verificando com o suporte do Google (dono do Blogspot), disseram que também não havia problemas com eles, pois todos os outros conseguem acessar.

e isso ocorria tanto com meu WinXP como com meu Linux Ubuntu, em todos os navegadores.

mistério...

Você usa quadrinhos em sala de aula? (Ou usou?)

olá! eu usei quadrinhos em sala de aula. em minhas aulas na ong Promove, utilizei os quadrinhos do Dilbert para propor aos alunos discutir relações de trabalho...

e tb me recordo como "aprendi" (de forma distorcida) muito sobre Guerra Fria lendo Capitão América... rsrsrs; acredito que se deveriam utilizar mais as HQs do Capitão nas escolas e ongs, mas claro, de maneira crítica.

falei isso porque acabei de saber sobre um blog sobre quadrinhos e educação: http://cartumfazescola.zip.net/ (de André Brown, cartunista e pedagogo, mestre em Educação (UERJ), diretor da Oficina de Desenho André Brown(www.oficinadedesenho.com.br ) e membro do grupo de pesquisa Redes de saberes em Educação e Comunicação: questão de cidadania coordenado pela Prof.ª Dr.ª Nilda Alves (PROPEd / UERJ).)

também há outro muito bom: http://gibitecacom.blogspot.com/ (de Natania Nogueira, professora e historiadora. este blog tem por objetivo divulgar textos e idéias referentes ao uso de HQs (Histórias em Quadrinhos, gibis ou banda desenhada) nas escolas, além de informar sobre o Projeto Gibiteca, da E M Judith Linrz Guedes Machado, localizada na cidade de Leopoldina (MG))

Há também livros sobre o assunto, um de meu ex-orientador prof. Waldomiro Vergueiro com outros autores (este realmente indico, apesar de não ter lido direito; tem bastante material sobre o assunto!); e também um do prof. Flávio Calazans.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Respostas sobre experimentações com animais

respondendo minha querida amiga déa, que se mostrou interessada em discutir os direitos animais (ver seu comentário no post anterior):

bem, quanto à questão da experimentação com animais, com certeza eu me sinto mal com isso, como quando minha mãe contou sobre cãezinhos que minha irmã, que faz Medicina, acabou matando, fazendo cirurgias de teste, que eles não precisavam.

eu estou nessa pelo que for possível; com certeza, é possível ser vegetariano e evitar outros produtos que vieram de animais, principalmente de sua morte, como couro e lã.

mas quanto à essa questão de experiências científicas, eu não sou especialista no assunto, mas posso falar pelo que estudei até agora:

a maioria dos estudos que têm sido feitos com animais normalmente não são publicados, nem são inovadores, e nem trazem de fato benefícios para o ser humano. experimente pesquisar isso. será que conseguimos encontrar pesquisas realmente sérias que contribuem mesmo pela vida dos humanos? provavelmente, mas não são todas.

lembrar que cada vez mais há alternativas tecnológicas, e há muitas pesquisas fúteis (fins apenas comerciais, não essenciais), como para cosméticos e bebidas; como a vida dos animais não humanos é totalmente desprezada, os cientistas acabam com eles à vontade, aos milhares; falta senso de humanidade, isso é fato.

de todo modo, tudo o que estou encontrando e apontando é uma direção; se não puder 100%, que tentemos 90%, ou até 50% de atitudes que possam minimizar o sofrimento dos animais. eu mesmo não sou vegano; sou simplesmente vegetariano, por exemplo.

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Dois posts já publicados sobre o assunto

bem, veja estes dois posts que já publiquei sobre o assunto e seus comentários...

Não ao uso de animais no ensino: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/4811.html
(neste post muita gente comentou, e eu comecei a experimentar esse debate; o fato é que eu coloquei a cara pra bater aqui, novatão na área, defendendo algo mais radical, mas que me pareceu interessante.)

Faculdade de Medicina do ABC é a primeira a proibir experimentação com animais vivos na graduação: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/5916.html (e aqui a coisa começa a ficar mais concreta, prática; uma das professoras envolvidas na proibição de uso de animais no ensino até comentou no meu post, esclarecendo melhor)

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e para não faltar com minhas citações, para não ficar só uma coisa de "só foi o Maurício que disse", lá vai o filósofo catedrático Peter Singer:

"Entre dezenas de milhões de experimentos realizados, pode-se considerar que apenas alguns contribuem para pesquisas médicas importantes. (...) Muitos outros animais são utilizados com fins comerciais, para testar novos cosméticos, xampus, corantes alimentícios e outros produtos não essenciais. Tudo isso só é possível graças ao nosso preconceito de não levar a sério o sofrimento de um ser que não é membro de nossa própria espécie. (...)

[Os que defendem o experimentos] não podem negar o sofrimento dos animais, pois precisam ressaltar as semelhanças entre humanos e outros animais para alegar que seus experimentos podem ter alguma relevância para fins humanos." (p. 44 do livro Libertação Animal, de Peter Singer, catedrático de Bioética em Melbourne)

O professor Singer diz também: "(...) para se opor ao que acontece hoje, não é preciso insistir em que cessem imediatamente todos os experimentos em animais. Tudo o que precisamos dizer é que os experimentos que não servem a objetivos diretos e urgentes devem cessar imediatamente e, nos demais campos de pesquisa devemos buscar, sempre que possível, a substituição dos experimentos que envolvam animais por métodos alternativos, que não os utilizem." (p. 45)

Já seria um bom passo.
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o que você acha?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Respostas gerais a discursos contra o vegetarianismo

Bom, enfim acabei contando pra turma de quando eu fazia faculdade de Jornalismo que virei vegetariano. E, claro, apareceram várias opiniões. Não tenho como não compartilhar esta discussão no meu blog (só vou preservar suas identidades, vai que eles não querem ser divulgados...):

Uau! Quantos interessados em discutir... Sinceramente, não achava que a turma gostaria de dar sua opinião sobre o assunto...

Bom, vamos lá ver se eu consigo responder alguns comentários:

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Vegano, o vegetariano estrito: por quê?

---Colega 1:

"Voce virou vegan ou vegetariano? Porque, se for vegan, vc nao vai poder comer strogonoff de soja, pois strogonoff leva creme de leite (e, em sua versao mais pobre, so leite). E ovos? Vc come ovos? Os restaurantes vegetarianos indianos nao servem ovos, mas servem leite."

Bom, eu ainda sou simplesmente vegetariano, não vegano. Pra ser mais exato, sou "ovo-lacto-vegetariano", acho que é esse o nome que se dá, porque ainda como ovos e bebo leite, apesar de consumir esses laticínios quase nunca, procuro evitar. Em geral eu consumo laticínios por tabela, em bolos e queijo (em padaria ou lanchonete, normalmente a única opção é algum salgadinho de queijo mesmo).

Mas o estrogofe delicioso que comi em um almoço vegano comunitário (da mesma série daquele que divulguei) realmente era vegano... feito pelo próprio carinha que levou lá. Ele disponibiliza a receita aqui no blog dele: http://sejavegetariano.com.br/blog/?page_id=5

Não sou nenhum ás na cozinha (e acho que nunca serei), mas fazendo uma rápida pesquisa no google, dá pra encontrar outras receitas, também veganas (sem nada de origem animal):



---Ainda Colega 1
: "Pessoalmente, nao vejo muita diferenca entre comer ovo e leite - afinal, em nenhum dos dois vc acaba com a vida de animal algum."

Eu ainda não cheguei a abolir totalmente laticínios de minha vida, nem ovos, como dito; mas não resta dúvida de que não é correto, e cumpre então evitar. Ver texto de Gary Francione, Distinguished Professor de Direito na Universidade de Rutgers, EUA:

"Não há nenhuma diferença significativa entre comer carnes e comer laticínios ou outros produtos animais. Os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados por sua carne, mas são mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do que consumimos sua carne do mesmo jeito. (...) E qualquer um que pensar que um ovo - mesmo o que vem das chamadas "galinhas soltas" - não é produto de um sofrimento tão horrível quanto a carne não conhece muito bem a indústria de ovos."
Mais informações: www.animal-law.org (no original) ou traduzido no www.gato-negro.org

-------Gado brasileiro e seu impacto ambiental

---Ainda Colega 1: "Quanto aos direitos dos animais, vc nao acha que o gado brasileiro vive bem? O que da pena eh a situacao do gado americano, que fica confinado e todo deformado de tanto hormonio. Ja o gado brasileiro vive feliz, andando pelo cerrado, ate ter uma morte rapida e indolor. Ja o gado dos muculmanos precisam ser abatidos lentamente. (...) depois, precisa ainda deixar o sangue esvaziar ateh o animal morrer de verdade. Enfim, gado brasileiro eh gado feliz... O problema eh o biodiesel, haha. "

-Bom, realmente eu não sei exatamente a situação do gado brasileiro em comparação com outros... Mas verificando nesta reportagem da Época: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74465-5856,00.html

Podemos ter alguma idéia. "A maior parte do gado brasileiro é criada pelo sistema extensivo, onde os animais permanecem soltos no campo, ocupando vastas áreas" (aí eu lembro que aprendi isso no cursinho). Então nos deparamos com outro problema, de impacto ambiental:
"Neste sistema, considerado pouco produtivo, cada cabeça de gado necessita de um hectare (10.000 m²) de terra para engordar. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo (mais de 200 milhões de cabeças), que necessita de uma área de pastagem de, no mínimo, 2 milhões de km² para ser sustentado. Esta área equivale a um quarto do território nacional. Estas pastagens eram anteriormente áreas naturais como cerrados, florestas tropicais, entre outros.


Quando ambientes naturais são destruídos para a formação de pastos ocorre a perda de biodiversidade na área: a maior parte dos animais e plantas nativos desaparecem do local, sendo substituídos por forrageiras invasoras e gado. A remoção da cobertura vegetal original transforma completamente o ambiente, tornando-o impróprio para sustentar a maior parte das espécies que antes ali viviam. Ainda, as raras espécies que se adaptam às novas condições tendem a ser eliminadas pelos fazendeiros, uma vez que entram em competição com o gado ou passam a predá-lo devido a ausência de suas presas naturais. Há também várias doenças, como a raiva, o antraz, a toxoplasmose e a febre maculosa, que são transmitidas do gado para os animais silvestres e vice-versa, o que freqüentemente resulta na eliminação dos animais silvestres.


A remoção da cobertura vegetal original para formar pastos não apenas compromete a biodiversidade, como também interrompe o equilíbrio e a reciclagem natural de nutrientes, como o que estamos observando no caso da Floresta Amazônica. Locais no planeta onde a atividade de pastoreio é mais antiga são testemunhas de que o homem de fato transforma florestas em desertos. O super-pastoreamento destrói toda a possibilidade de rebrotamento e crescimento vegetal. Além disso, quando o gado pisoteia massivamente o solo, este é compactado. Isto torna a absorção da água dificultada, além de possibilitar o arraste de material superficial pelo vento e pela água, resultando em processos erosivos."


-Há também um problema de recursos para a população humana, de fome e desperdício de recursos:

Marly Winkler, no livro Vegetarianismo: Elementos para uma conversa sobre, relata (baseada no estudo Our Food Our World, EarthSave Foundation, Santa Cruz):

"Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:
-Feijão 11.200
-Maçã 22.400
-Cenoura 34.900
-Batata 44.800
-Tomate 56.000
-Carne 280"

-Ainda assim, há o problema ético. No livro de Tom Regan, professor emérito da Universidade de Carolina do Norte, Jaulas Vazias, encontramos no prefácio:

"Uma vaca quer viver, amamentar seu bezerro, ficar ao ar livre, num mundo natural com vento, sol e outras coisas naturais. Uma vaca é feliz quando faz o que vacas evoluíram para fazer: ter amigos, família - e uma vida. Não uma morte. É isso o que uma vaca quer fazer; isso é o que a deixa feliz. Quando você se pergunta qual a pior coisa que pode acontecer na vida de qualquer animal, conclui: uma morte prematura. Então a filosofia de Tom nos diz que precisamos fazer tudo que pudermos para garantir que nenhum animal morra, a menos que a morte seja natural ou necessária (...)"

Então você fala: ah, mas é só um animal; ele pode morrer de forma prematura. Bem, primeiro lembre-se de que humanos também somos animais. Então você reformula a pergunta: então tá, ah, é só um animal não humano ; ele pode morrer de maneira prematura.

Pois bem; então pensando racionalmente: qual é a razão para se pensar assim? Por que os não humanos podem morrer de maneira prematura e os humanos não? Digamos, você não deixaria algo assim acontecer com seu irmão ou sua namorada, deixaria?

Hipótese
: Você dirá que é natural, porque a cadeia alimentar é assim? Vamos ver o que diz o filósofo Carlos Naconecy, pesquisador na Universidade de Cambridge, em seu livro Ética & Animais (tem umas 10 páginas de argumentação e contra-argumentação, então vou resumir e e pegar só alguns, quem quiser mais adquira o livro):

Ele lembra o "argumento ecológico" utilizado para negar o vegetarianismo: "Na natureza os mais fracos são eliminados. Um animal não respeita o outro. Pelo contrário, eles se matam. O mundo é constituído de predadores e presas, e nós, como mais um predador, estamos no topo da cadeia alimentar. Sendo o predador mais poderoso, temos o direito de explorar as outras criaturas."

Contra-argumentos
:

-Isso sugere que imitemos a conduta dos outros animais. Na natureza, os animais tomam a comida uns dos outros; então também faremos isso entre humanos? Eles também se matam entre si; também faremos isso entre nós? E completo eu: eles andam por aí sem roupas e fazem sexo à por aí à vontade, sem pudor; também famos imitar?

-É verdade que muitos animais matam uns aos outros; mas ou fazem isso para se alimentar ou para se defender. Não têm opções. Humanos matamos por mera conveniência, por escolha. Lembrar, lá no tempo da Era das Cavernas, o que foi a Revolução Neolítica: o advento da agricultura. Nós, que já passamos desse tempo, vivemos em sociedades agrícolas. Não precisamos mais matar para sobreviver.

-Há muitos animais que não matam uns aos outros, como os herbívoros.


---------Falta de "pena" por animais não humanos?

---Colega 2:
"Colega 1, claro que vc acaba com a vida de um animal comendo ovo. Vidas em potenciais viram ovo mexido, cozinho, pochet,... mas eu não tenho a menor pena, acho aves a coisa mais abominável.

Aliás, eu não tenho pena de animais, especialmente os de criação. Acho que tem que ser comidos mesmo, de preferência bem passados, temperados com sal, azeite e ervas; caso contrário, eles nem existiriam. Só sou contra hormônios... devem fazer mal... pra gente. "

Bem, aqui foi colocado "não ter pena de animais". Isso significa que os animais não humanos não têm direitos ao bem estar, à vida, à mínima consideração, etc. e os humanos têm? Por quê?

Vamos investigar um pouco o passado, com pensamentos de importantes intelectuais na História, com a ajuda do livro Animals and Why They Matter, de Mary Midgley:

"Os problemas da posição das mulheres, dos escravos, de outras raças, e de animais não humanos, mais do que uma lógica similar, têm um histórico bastante similar. O que os une é que quase nunca eles são bem examinados. Os teóricos fogem deles.

No primeiro livro de Aristóteles de sua Política, sua discussão sobre escravos, além de imoral, é confusa e inútil. Escreve como um cidadão ateniense típico de sua época, apenas expressando suas dificuldades e preconceitos claramente, mas sem conceitos mais abstratos que o poderiam ajudar a resolvê-los.
Hume e Kant, da mesma forma, sobre a diferença sexual, apenas repetem clichês. Rousseau descreve as mulheres inicialmente em seu estado de natureza como também desejando viver de maneira independente; mas assim que a sociedade é formada, sua liberdade simplesmente some, sem explicação. A idéia de que "todos (...) alienam sua liberdade apenas para sua própria vantagem" não se aplica a elas. Basicamente a idéia fica como "Mulheres são feitas especialmente para o proveito do homem." Rousseau defende a idéia de opressão feminina com argumentos tolos, como o perigo da traição delas.

(...)

A respeito do colonialismo, é impressionante como frequentemente os imigrantes europeus que iam a locais como América e Austrália desconsideravam as demandas dos habitantes nativos, embora eles mesmos tivessem saído de seus lares originais para escapar das tiranias e desigualdades da Europa, e tinham visões explicitamente opostas a estas. Sua atitude era, na prática, a mesma que um fazendeiro no Brasil deu a um jornalista: "Índios e porcos são a mesma coisa. Se um deles entra no meu caminho, eu não penso duas vezes: eu os mato.

(...)

Para Rousseau, a mulher é uma parte interna da vida de um homem.
"
Sobre este último aspecto, também lembrar do Gênesis na Bíblia.

Argumento do favor

---Repetindo um trecho da fala de Colega 2:

"Acho que tem que ser comidos mesmo, de preferência bem passados, temperados com sal, azeite e ervas; caso contrário, eles nem existiriam."

A este argumento, o filósofo brasileiro Carlos Naconecy chama "o argumento do favor". Vamos ver como ele contra-argumenta:

"De fato, nos sistemas atuais de criação, uma infinidade de animais são trazidos à vida. Eles só existem porque nós decidimos criá-los. Mas a maioria desses animais leva uma vida tão miserável que seria melhor - do ponto de vista dos próprios animais - não terem existido. É melhor não nascer para levar uma vida inteira de miséria, com uma morte prematura no final. Não faz sentido então imaginar que tais animais deveriam ser "gratos" a seus criadores por existirem em condições tão deploráveis."

Ainda: Suponhamos que alguém não visse nada de errado em criar um porco visando exclusivamente matá-lo para depois comê-lo. Pois bem, vamos agora pensar em um casal que decidisse ter um filho, visando depois canibalizá-lo com a idade de 9 meses. Um bebê nessa idade não compreende psicologicamente sua situação melhor do que um porco. Assim, os dois casos seriam equivalentes do ponto de vista da vítima.

Agora vamos pensar em uma civilização perdida que criasse uma raça de humanos (pigmeus albinos, digamos) visando usá-los como escravos. Ora, os nativos também argumentariam que a comunidade de pigmeus nem mesmo existiria se eles não os criassem para a escravidão.


Argumento típico: "tadinhos dos vegetais"!

---Colega 3:

"E ninguem vai defender as verduras? Elas também têm vida e são assassinadas quando arrancadas desde a raiz. Ou mutiladas."

Esse era o argumento que eu utilizava quando ainda não era vegetariano, para negar o vegetarianismo. Mas lembrar antes que não são só verduras que são alimento vegetariano.
Basicamente, a diferença é que as plantas não têm um sistema nervoso desenvolvido como dos animais; e, de todo modo, ao nos alimentarmos de plantas, ao invés de animais, reduzimos a quantidade delas que são mortas. Pois a criação de animais para o consumo humano exige que eles consumam muito mais plantas...

Para detalhes, ver o artigo de Yves Bonnardel:


---Mais Colega 3: "O jeito é virar aquelas pessoas que só comem as frutas que caem no chão. Esses não têm como sofrer da consciência."

Não necessariamente. Ao comer cereais ou frutas em geral (o que já é boa parte da dieta vegetariana, apesar de também haver legumes e verduras, etc.) não estamos causando mortes em absoluto, nem de vidas vegetais. Mas, para quem não quer ser um crudívoro (acho que é esse o nome, apesar de eu nunca ter conhecido nenhum), também há a opção intermediária de vegetarianismo, que já causa bem menos impactos que ser onívoro.

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Ufa! Mais, só na semana que vem... Espero que tenha contribuído de alguma maneira... Senão, de todo modo vai pro meu mestrado...

Bem, aguardo as respostas, se houver interesse, estou sempre à disposição.

Abraço,
Maurício Kanno

domingo, 26 de agosto de 2007

A exploração injustificada das espécies (post 150)

Olá, neste post número 150, vou apenas fazer alguns questionamentos:

Qual é a grande diferença que existe entre os humanos e uma vaca ou um boi? E a diferença que existe entre nós e um cachorro ou um gato? Parece ser semelhante, não? Por que então a sociedade brasileira acha normal matar uma vaca ou boi, e os chineses acham normal matar um cachorro ou gato? Ou seja, não há diferenças “naturais” que justifiquem esse comportamento.

Qual é a grande diferença entre uma galinha, um peru, e um humano, que não há entre nós e um periquito, um canário? Por que nos permitimos comer um e amar o outro? Apenas pensamos de maneira utilitarista? O periquito e o canário só sobrevivem porque cantam (de tristeza)? Por que alguns peixes os humanos comem, e outros cuidam em um aquário? Por que alguns merecem a morte, e outros a prisão? Esse tipo de diferenças que os humanos fazem com as diferentes espécies animais é a mesma diferenciação que se costumava fazer (ou ainda se costuma) entre diferentes ditas "raças" humanas, ou nacionalidades, ou classes sociais... Sempre uma exploração, violenta; abuso de poder.

A lógica do discurso de que, pela cadeia alimentar, humanos somos superiores aos outros animais é a mesma utilizada para que humanos ricos e privilegiados explorem aos pobres.
Nem adianta também dizer que a razão é que, na Natureza, os animais se comem uns aos outros; não são todos, e eles nem têm a tal auto-consciência de que nos vangloriamos tanto; o ser humano é um ser ético, e precisa se responsabilizar por isso.

Somos seres éticos e racionais, e temos liberdade de escolha entre causar sofrimento a outros seres sencientes ou não; os outros animais não, eles seguem instinto, além de não terem escolhas como ir a um super-mercado e ter uma diversidade de alimentos para selecionar...

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Para quem se interessar em ler mais sobre o assunto, indico os links:

"Por que pautar nossa alimentação pela dor dos animais se eles se devoram sem piedade?"

"Mas na Natureza os animais são carnívoros, matam uns aos outros"

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Faculdade de Medicina do ABC é a primeira no País a proibir experimentação com animais vivos na graduação

Viva! Boa notícia! ABC dando ousados passos éticos na frente das outras faculdades brasileiras! Segue:

"A Faculdade de Medicina da Fundação do ABC proibiu o uso de qualquer animal vivo nas aulas de graduação. Portaria em vigor desde 17 de agosto coloca a instituição como primeira no País a abolir completamente essa prática, que agora fica liberada somente para pesquisas inéditas, com relevância científica e previamente aprovadas pelo CEEA - Comitê de Ética em Experimentação Animal da FMABC.

Apesar de comum em faculdades e universidades com graduações em saúde, a experimentação animal é proibida por lei “sempre que existirem recursos alternativos”. Nos Estados Unidos, instituições de renome como Harvard, Yale, Stanford e Mayo Medical School há tempos não utilizam animais no ensino médico.

“Existe movimento mundial para substituição do uso de animais na graduação por outros modelos. Atendemos solicitações de diversos docentes e alunos e resolvemos tentar, para posteriormente termos opinião definitiva. Quanto à pesquisa, as práticas continuam inalteradas. Nesse caso, até que se prove o contrário, o modelo animal é insubstituível”, explica o Diretor da Faculdade de Medicina do ABC, Dr. Luiz Henrique Paschoal.

A substituição de animais por métodos alternativos chega a 71% em instituições de ensino superior da Itália. Além disso, 68% das escolas médicas norte-americanas não usam animais em cursos de farmacologia, fisiologia ou cirurgia. “Usar animais vivos é prática cruel e desestimula o aluno. O estudante de graduação aprende e incorpora informações sem necessidade de subjugar outro ser vivo”, acrescenta a professora da FMABC e membro do CEEA, Dra. Odete Miranda.

As alternativas para substituição de animais vivos vão desde softwares (programas de computador) e bonecos até auto-experimentação, uso de animais quimicamente preservados e incorporação dos cursos básicos à prática clínica – quando o aluno passa a aprender com casos reais, em seres humanos.

“Nossa missão é formar médicos humanos, mais envolvidos com o paciente e sensíveis à dor do próximo. Evitar que o aluno seja coadjuvante da morte ou do sofrimento de animais melhora o aprendizado, pois elimina o estresse do sentimento de culpa, além de incentivar a valorização e o respeito por toda forma de vida. Isso certamente será refletido na relação médico/paciente após a formação acadêmica”, completa Dra. Nédia Maria Hallage, professora da FMABC e membro do Comitê de Ética em Experimentação Animal.

Para a Dra. Odete Miranda, a continuidade da experimentação animal no País tem como principais motivos tradição e resistência a mudanças, desconhecimento de métodos substitutivos e atraso tecnológico: “O Brasil está quase dois séculos atrás de países europeus e dos Estados Unidos”, garante.

Em relação à economia, a Dra. Nédia Maria Hallage considera mito achar mais barato a morte de animais: “É comum pensar que matar animais sai mais barato que investir em tecnologia alternativa. Para utilizar animais no ensino é necessária manutenção ética, que implica em alimentação digna, funcionários habilitados, controle de zoonoses e estrutura própria no biotério para cada espécie. No caso do investimento em bonecos ou softwares, são todas técnicas duráveis, que abrangem maior número de alunos e que substituem animais em diversos temas de aulas”, completa Dra. Nédia.

Informações à Imprensa com Eduardo Nascimento
MP & Rossi Comunicações
(11) 4992-6379 / 8163-5265
www.mprossi.com.br

(Foto: Diretor e Vice-diretora da FMABC, Dr. Luiz Henrique Paschoal e Dra. Maria Alice Tavares, com "Sorriso" - o cachorro mascote da Faculdade.)"

[Fonte intermediária: DeolinDA www.gatoverde.com.br em Defesa dos Direitos Animais, por meio da lista veg-brasil@yahoogrupos.com.br ]