sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pelos direitos das alfaces



Recebi a imagem acima por meio de um amigo no Facebook, e não posso deixar de compartilhá-la.

Realmente, é horrível deixar a pobre alfacinha prisioneira em sua horta, sem deixá-la sair pra passear a vida inteira. Causar-lhe medo e terror quanto ao dia em que será arrancada do solo ou ter o pequenino caule cortado. Sem falar em causar aguda tristeza à mãe alface por seu instinto materno, já que ela não poderá cuidar e alimentar sua sementinha querida.

Ainda bem que nem todos são malvados vegetarianos. Felizmente, existem onívoros não vegetarianos, pessoas que, por definição, não consomem pobres plantinhas como essa.

Os onívoros sim, são pessoas sábias: têm consciência de que existem muitos animais para consumir tranquilamente. Afinal, estes são seres sem instinto materno, emoções em geral, e muito menos têm capacidade de sentir dor ou de se deslocar por aí. Logo, podemos fazer com eles o que quisermos, sem limites.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Livro “Kyoto”, do Nobel Kawabata, é doce sutil no Japão em modernização


[Templo Heyan, em Kyoto, no primeiro dia de 2005, quando estive na cidade]

“Será difícil tecê-lo, mas tentarei de todo coração. O desenho deve ser fruto do afeto de sua filha para com o pai e o carinho do pai para com ela.”

A última frase acima, do terceiro capítulo do livro “Kyoto”, me tocou profundamente. Trata da relação entre a jovem protagonista e o pai, que tenta criar estampas para faixas de quimonos. É nesse tom emotivo e delicado que o livro segue, e acho que é um bom exemplo para situar o leitor desta resenha. Por isso optei por abrir este texto com ela.

Pois bem, foi graças ao Desafio Literário 2012 (em abril dedicado a escritores orientais), que enfim tive coragem para ler até o fim esse livro, do japonês prêmio Nobel Yasunari Kawabata (1899-1972). É uma obra que eu tinha ganhado de um amigo da faculdade de Jornalismo faz alguns anos, achei aparentemente agradável, mas muito parado, ao ler o início. Não havia tido estímulo para sair do começo (como infelizmente tenho feito frequentemente, aliás).

Mas agora li o livro com método: em cerca de dez dias, aproximadamente um capítulo por noite – há nove capítulos. Ocorre que a história não tem lá aquela aventura acontecendo, aqueles conflitos e tensão alucinantes. Tudo é bem suave, sutil.

Se fosse pensar em algum conflito (ou no máximo talvez se pudesse dizer “curiosidade”, “pulga atrás da orelha”), seria o vago interesse da protagonista, Chieko, em saber sobre sua origem, já que é filha adotada – e ouviu uma estranha história dos pais que a criaram sobre ter sido “sequestrada” por eles quando bebê, mas eles às vezes mudam a versão sobre onde foi isso, ou se teria sido abandonada em frente da casa atual.



[Kinkakuji, "Templo do Pavilhão Dourado", em Kyoto]

2) Japão de quimono e motorizado

É muito interessante como o livro fotografa um momento de transição do Japão entre o que costumamos identificar como “antigo, medieval” e “contemporâneo, moderno”: e na metade do século 20! O pai de Chieko é comerciante de quimonos; ele (e ela também, mesmo com seus 20 anos), praticamente só usa quimono; praticamente toda diversão retratada no livro gira em torno de visitar templos, observar cerejeiras e participar de festivais tradicionais. Ou seja, dá pra pensar que a história poderia ser ambientada num Japão bem mais antigo.

Mas aos poucos começamos a notar traços tecnológicos: ônibus, táxi, telefone, o que já dão uma dimensão melhor de época. Há também referências históricas recentes, como ao templo Kinkakuji (Templo do Pavilhão Dourado), que teria acabado de ser reconstruído, em 1955, após ser destruído por incêndio em 1950.

Para mim foi muito inusitado imaginar essa situação: gente de quimono andando de carro ou ônibus e falando ao telefone. Já estive no Japão duas vezes, por quase um ano ao todo, e sei que ninguém se veste mais assim, a não ser em situações bem específicas, como o condutor de uma cerimônia do chá (participei de uma com amiga japonesa); ou mulheres em um festival específico (tive a sorte de avistar umas quando estive em Tóquio, creio que estavam assim por esse motivo mesmo).



[Templo de Shitegamoji, em Kyoto, onde participei de cerimônia do ano novo]

3) Minhas lembranças pessoais de Kyoto

Além disso, pessoalmente foi emocionante e deu uma nostalgia ler uma história ambientada em Kyoto, província e cidade que foi capital (imperial) do Japão por mais de mil anos. É que estive lá por uns dois ou três dias, incluindo exatamente a virada do ano entre 2004 e 2005. Foi emocionante passar meu Réveillon nessa cidade que é tida como a mais tradicional do país – mesmo que tenha sido sozinho e economizando ao máximo; tanto que na noite da virada, dormi em um assento de um café que ficava aberto de madrugada; e almoçava com marmitas em Tupperware que levei.

Se há uma coisa que o livro esbanja, são citações históricas e de locais reais e específicos de Kyoto. Assim, há o já citado, famoso e lindíssimo Kinkakuji, que eu visitei; além dos incríveis templos Shitegamoji e Heyan (e nomes similares são exemplos do roteiro dos personagens do livro, mas, por confusão de grafia e tradução, não tenho certeza se foram exatamente os mesmos).

Um personagem estudante universitário amigo da protagonista me lembrou de uma das raras pessoas com quem pude conversar em inglês em Kyoto, me dando dicas no ônibus sobre o bairro de Gion - é onde as gueixas costumam ficar, confirmava ele.

Por falar nesse bairro, a narrativa também o cita frequentemente – não pude visitá-lo na ocasião pela correria, mas que fique como justificativa para voltar a Kyoto um dia!



[Folhas nevadas no jardim do Kinkakuji, no inverno de 2004-2005]

4) Glossário chato e sintonia emocional

O que é chato é o livro ficar remetendo tanto ao glossário que há no fim (explicando sobre personagens históricos, templos, correntes artísticas, pontos geográficos, etc.). Se ao menos remetesse a notas de rodapé na mesma página, a leitura seria bem mais fluente, apesar da contínua “aula de história”.

Apesar disso, se você conseguir sintonizar-se com o ritmo suave e lento da narrativa e embarcar nela como eu fiz, poderá degustar uma bela e doce obra.

Aliás, o último capítulo, quando cada vez mais a protagonista se envolve com a irmã perdida, é de dar vontade de chorar de emoção, de alegria, de carinho.

No entanto, não espere um final “de verdade”. É daquelas histórias que terminam sem solucionar as dúvidas que estavam no ar. Fica mesmo pro leitor imaginar.



[Parque imperial de Kyoto; todas as fotos neste post eu tirei na virada 2004-2005, quando estive na cidade, durante uma semana de férias de meu trabalho como peão de fábrica no Japão.]

(A propósito, essa coisa de “falta de conflito” e “final aberto” também é o que parece ter ocorrido com o meu último conto... Se quiser, dê uma espiada. É infanto-juvenil e chama-se “O mais longe possível”. Acho que no fim eu também tenho um gosto de fazer a coisa mais suave. Apesar de que deve ser bom eu experimentar também outros voos mais ousados na minha escrita da próxima vez...)

terça-feira, 20 de março de 2012

Desafio Literário: Lista de livros para 2012

Olá, prezados.

Volto a utilizar este blog hoje para anunciar mais uma tentativa de participar do Desafio Literário, neste caso em sua edição 2012. Participei da edição de 2010, quando escrevi e publiquei, neste mesmo blog, 7 resenhas sobre os livros que eu tinha lido naquele ano (ou seja, cumpri em boa parte o desafio, mas não totalmente).

Eu tinha até me autoproposto e pensado em organizar um Desafio Literário de Países Exóticos, mas acabei desistindo.

Pois bem, como motivação para me fazer apreciar e aprender mais literatura, vamos lá então a uma tentativa de lista para este ano.

Incluo mais de um livro por mês como possibilidade, praticamente todos sugeridos no site do desafio; incluo também livros referentes a janeiro e fevereiro, para quem sabe "recuperar" depois; além de livros já lidos antes, que não valem para o objetivo do desafio, mas dos quais talvez eu possa fazer "resenhas extras rememorativas").

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[Nota de blogueiro:

Faz cerca de um ano e meio que escrevi o último post neste blog, em outubro de 2010, pelo que vejo... Em compensação, eu segui publicando no blog literário Impulsos Expulsos, com meu amigo Fernando J. Vieira. Foram 17 textos literários meus, entre contos, crônicas e poemas, entre setembro de 2010 até abril de 2011.

Fora isso, tornei-me relativamente ativo nas redes sociais Facebook e deviantArt, esta última, focada em arte!).]

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A Lista 2012

Janeiro - Literatura Gastronômica

- A Fantástica Fábrica de Chocolates, de Roald Dahl

Fevereiro - Nome Próprio (de pessoas)

- Frankenstein, de Mary Shelley
- Drácula, de Bram Stoker
- Fausto, de Goethe
- Pollyanna. de Eleanor H. Porter [já lido]
- Iracema, de José de Alencar [já lido]

Março - Serial Killer

- O Nome da Rosa, de Umberto Eco [só filme assistido]
- O Caso dos Dez Negrinhos/E Não Sobrou Nenhum..., de Agatha Christie
- O Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris
- Dexter - A mão esquerda de Deus, de Jeff Lindsay
- Zodíaco, de Robert Graysmith

Abril - Escritor(a) oriental

- Kyoto (Yasunari Kawabata) [Nobel de Literatura] [livro em mãos]
- As Boas Mulheres da China, de Xinran

Maio - Fatos Históricos

- Xógum - A Gloriosa Saga do Japão [Shōgun {将軍} - A Novel of Japan], de James Clavell - guerra pelo xogunato, nos anos 1600 [em mãos]
- O menino do pijama listrado, de John Boyne – Holocausto [quase em mãos]
- O Diário de Anne Frank, de Anne Frank - Holocausto
- Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway – Guerra Civil Espanhola

Junho - Viagem no Tempo

- A Máquina do Tempo, de H. G. Wells [ouvida versão em audionovela; original em mãos, mas só em texto digital]
- Os Correios do Tempo, de Robert Silverberg
- O fim da eternidade, de Isaac Asimov
- Contato, de Carl Sagan
- O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

Julho - Prêmio Jabuti

- Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado – Romance 1959
- O Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo - Romance 1966
- A Hora da Estrela, de Clarice Lispector – Romance 1978 [já lido]
- O Filho Eterno, de Cristovão Tezza – Romance 2008
- Cordilheira, de Daniel Galera – Romance 2009

Agosto - Terror

- Contos do Terror, de Edgar Allan Poe
- A Casa das Bruxas, de H. P. Lovecraft
- Celular, de Stephen King

Setembro - Mitologia universal

- As Brumas De Avalon - Livro 1 - A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley [já lido, não lembro se todos os quatro volumes]
- Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare [lida versão infanto-juvenil]
- A Divina Comédia, de Dante Alighieri
- Os Trabalhos de Hércules, de Agatha Christie
- Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato

Outubro - Graphic Novel

- Persépolis, de Marjane Satrapi [estou pra ler faz tempo!]
- Gen Pés Descalços - uma história de Hiroshima, de Keiji Nakazawa [já lidos os quatro volumes]
- V de Vingança, de Alan Moore, David Lloyd [já lido]
- Watchmen, de Alan Moore [já lida série completa em quatro volumes]
- Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman [já lido]

Novembro - Escritor(a) africano

- A Vida dos Animais, de J. M. Coetzee – África do Sul [já lido]
- Cotoco, John van de Ruit – África do Sul
- O Vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa – Angola
- Geração da Utopia, de Pepetela - Angola

Dezembro – Poesia

- As coisas, de Arnaldo Antunes
- Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes, de João Cabral de Melo Neto [já lido]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Brasileiros no filme "Comer Rezar Amar"

Assisti ao filme "Comer Rezar Amar" na outra semana (bem divertido e interessante conhecer o percurso da autora pelos diferentes países! viva a Itália!), e fiquei curioso com os atores que nos interpretaram.

O brasileiro com quem a autora acabou de fato casando (na vida real), no filme era um espanhol, Javier Barden. Leia entrevista com ele no UOL Cinema. Ele diz que procurou "deixar o corpo mais solto", apesar do sotaque.



Armênia (Nercessian de Oliveira) era mesmo o nome de verdade da brasileira (pois é, estranha por não ser muito comum). Mas olha que legal, uma blogueira que leu o livro até escreveu a respeito da brasileira real descrita no livro, e parece que a Armênia original até comentou nesse blog.

A bela atriz que a interpretou, Arlene Tur, nasceu em Miami e é filha de cubanos. Veja no seu perfil do IMDB. Achei que ela pudesse até ser brasileira, mas talvez foi a sua menor participação no filme e palavras em português usadas que esconderam, eheh.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Blog literário em dupla "Impulsos Expulsos"!

Oi! Já falei pelo Twitter, mas ainda não por este blog. Então deixa eu só dar o toque: faz umas semanas que comecei a publicar, uma vez por semana, alguma coisinha que se possa chamar, com alguma bondade e compreensão dos leitores, de "literatura".

Bom, ao menos foi essa a proposta e convite do meu amigo Fernando J. Vieira, meu ex-colega da área de Exatas e dedicado poeta (sim, tem gente que consegue misturar essas coisas, eheh).

Pois bem, já publiquei por lá três poemas, e amanhã publico um continho doido, pra dar uma variada.

O blog é "Impuslsos Expulsos", e os posts são os seguintes:

- Vivaoba! do pesquisador [entra amanhã]
- Poema Monetário
- Poesia é espírito
- Saturno com Lego

domingo, 19 de setembro de 2010

Podcasts pra treinar inglês ouvido

Resolvi compartilhar aqui alguns podcasts que tenho ouvido pra melhorar minha habilidade de "listening in English"! É um belo desafio, só treinando mais e mais... Espero que você também faça um bom proveito!

(Pra quem não sabe, podcast é um áudio gravado para ouvir quando você quiser. como rádio, mas não é ao vivo. você pega e leva pra ouvir no seu tocador de MP3.)

1)
ESL Podcast:
http://www.eslpod.com/website/index_new.html
Esse é o melhor de todos. Tem o podcast normal, que é um diálogo falado mais lento, em uma situação, que depois o cara destrincha, bem didático. depois, o diálogo é repetido em maior velocidade.

E tem também o "english cafe" (alterna-se na mesma sequencia de podcasts), que é uma espécie de boletim em que o apresentador aborda 2 assuntos, como o mágico Houdini e alienígenas, ou então passa umas falas de falantes nativos (como a atriz que fez a voz da Princesa e o Sapo, da Disney), além de responder a dúvidas de inglês, enviadas pelos ouvintes de todo o mundo!

2)
BBC
http://www.bbc.co.uk/podcasts
tb ouço BBC: Global News (várias notícias internacionais, em meia hora, bem pra treinar pra valer, mais difícil); BBC: Documentaries (o mesmo) e BBC: Mundo (neste caso, é em espanhol, se também interessar, com foco em notícias sobre a América Latina). Tem também umas dicas de English da BBC semanais, quebram o galho.

3)
tem tb o Fun English Lessons, que se propõe a ensinar inglês de maneira engraçadinha (o humor do ESL é mais sutil, mas também às vezes consegue estimular um sorriso ou algo mais). não é tão bom qto do ESL, mas tb ajuda. quebra um galho tb.
http://china232.com/