quarta-feira, 9 de julho de 2008

Fotos de viagem para Yokohama, Japão

Graças à JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), cheguei neste domingo à noite (6 de julho de 2008) aqui em Yokohama, província de Kanagawa, Japão, para onde já estou partindo para outra cidade, Tsukuba, província de Ibaraki, amanhã cedo. Seguem algumas daqui de Yokohama:



(Prédio da JICA!)



(Minha turma desta semana para as palestras de apresentação da JICA e do Japão!)





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Produzi várias fotos e vídeos, sem grandes pretensões a não ser mostrar o que tá rolando, ok? Em algumas pode até rolar algo de qualidade artística melhor, vá... Por enquanto lá vai então o link dos álbuns de fotos:

Durante os vôos e aeroportos: http://picasaweb.google.com/mpkjor/MaratonaDeAeroportoBRJP

===> E o que interessa mesmo: no japão de fato, em Yokohama: http://picasaweb.google.com/mpkjor/YokohamaJICA

(Ah, também tem eu em casa antes de ir: http://picasaweb.google.com/mpkjor/PartindoAoNihon2008)

Coloque no modo "apresentação de slides" (botão em cima, setinha verde), que vai mais fácil a visualização!

Grande abraço!

Maurício

quarta-feira, 18 de junho de 2008

8º debate do Geda, no Vegethus: "Valor Inerente e Vulnerabilidade", por Mara Cristina

Neste sábado, 21 de junho, a partir das 15 horas, Mara Cristina da Silva apresentará o artigo Valor inerente e vulnerabilidade: critérios éticos não-especistas na perspectiva de Tom Regan, de autoria da profa. Sônia Felipe, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O artigo está disponível para download em:
http://groups.google.com/group/geda-sp/web/valor%20inerente%20e%20vulnerabilidade.pdf

No final do encontro, podem ser discutidos um capítulo de Ética & Animais, de Carlos Naconecy e/ou questões operacionais do grupo de estudos.

Esta será a oitava palestra-debate do Grupo de Estudos de Direitos Animais (Geda). O local desta vez será o restaurante Vegethus, na Rua Padre Machado, 51, São Paulo - SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. A duração total prevista é de 3 horas.

Contatos para dúvidas:
Maurício (11) 9564-4568 / Leonel (11) 8511-7772
Vegethus (11) 5539-3635
http://groups.google.com/group/geda-sp/

Abraço,
Maurício Kanno

sexta-feira, 6 de junho de 2008

"Carta ao Futuro", pelo promotor público Laerte Levai

"Escrevo sem saber se esta mensagem será um dia lida por alguém ou mesmo se ela conseguirá vencer a barreira do tempo, porque o mundo do futuro – tão incerto quanto desconhecido - soa ainda inimaginável aos nossos olhos aflitos. O que terá sido feito da Terra e dos animais? Os seres mais fracos continuarão sendo, no futuro, sistematicamente explorados? Ainda haverá leis para regular a sociedade humana? E nossos mais fiéis companheiros de jornada, por onde andarão? Que memória ficará da época em que se subjugava a natureza para atender a interesses econômicos diversos?

Restará alguma lembrança das criaturas perseguidas, abatidas e extintas pela espécie que se autodenomina racional e inteligente? E o sangue nos matadouros, que tinge de rubro a nossa consciência, ainda escorrerá impune? Haverá girassóis nesse mundo longínquo? Seja como for, seja onde for, esperamos que nesses dias futuros o respeito impere em relação a todos as criaturas, que a ética não tenha fronteiras e que a educação seja algo tão natural e espontâneo que supere a força da lei.

Porque o nosso tempo, bem sabem os filósofos, é ainda um tempo de injustiças e de desigualdades, que separa dominantes e dominados, que estabelece quem manda e quem obedece, que decide quem vive e quem deve morrer. Basta olhar para as matas devastadas, para a miséria das ruas ou para a realidade dos campos sem fim, na qual animais são perseguidos e explorados até o limite de suas forças.

Basta ver o que se esconde sob o véu dos espetáculos públicos, nas fazendas, nas arenas, nas jaulas e nos picadeiros. Basta enxergar o drama dos animais submetidos às agruras da criação industrial, aos horrores dos matadouros e às terríveis experiências científicas, dentre outras situações em que se lhes impinge dor e sofrimento. Este é o nosso tempo, tão bem retratado pela sensibilidade poética de Sophia Breyner:

"Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa dos chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam"


Gostaria de consignar, na presente carta, um pouco das nossas falhas e contradições. Digo isso porque no Brasil vigora uma Constituição que veda expressamente a submissão de animais de atos cruéis. Essa lei, todavia, é vilipendiada e rasgada e todo instante. Não é preciso muito esforço imaginativo para constatar que muitas vezes as suas idéias não correspondem aos fatos. A maioria das leis brasileiras que se propõe a proteger os animais sucumbe diante da indiferença humana ou da crueldade institucionalizada pelo poder público.

A Lei de Proteção à Fauna estimula a caça de animais; a Lei do Abate Humanitário faz em seu texto concessões macabras, representadas por palavras terríveis: eletrochoque, corredor de abate, pistola de impacto, área de vômito, canaleta de sangria, etc; a Lei da Vivissecção legitima a tortura em nome de um suposto progresso cientifico, como se fossemos ingênuos o suficiente para acreditar que a ciência seja neutra ou que ela busca a paz. Nesse amplo cenário de servidão, seres sencientes tornam-se objetos descartáveis, peças de reposição, criaturas eticamente neutras.

O vocabulário jurídico do nosso tempo é igualmente cruel ao se referir aos animais: a lei brasileira, via de regra, considera-os propriedade, coisas de alguém, objetos materiais, recursos naturais ou bens de uso comum do povo. Como o Direito pode ser justo se, em nome de seus fins, retira dos animais o que eles têm de mais precioso?

Um célebre filósofo do século XIX, Arthur Schopenhauer, escreveu em 'Dores do Mundo' que a compaixão é uma das principais virtudes humanas, lembrando que uma mesma essência atravessa o céu, as águas, as florestas e os seres vivos, cuja existência é uma experiência fascinante e única:

"A suposta ausência de direitos dos animais, assim como o argumento de que nossa conduta em relação a eles não tem valor moral algum, é de uma ignorância revoltante".

É certo que nosso país, como poucas nações do mundo, estabeleceu a tutela dos animais como princípio constitucional. Apesar disso, a cultura, os costumes, os interesses científicos e econômicos transformam essa norma protetora em letra morta. A ideologia do consumo que se faz no Brasil contribui para a sistemática e incondicional exploração dos animais, mostrando que a nossa legislação – tida como uma das mais avançadas do planeta – convive com uma realidade bem diversa da que se preconiza no papel.

Homens do futuro, escrevo-lhes de um tempo sem limites, de um tempo de jaulas, de arpões, de correntes e de chibatas, de um tempo insano em que magarefes, no exercício de sua atividade brutalizada, apunhalam dezenas de vidas a cada minuto. Tempo de escravidão. De tortura. Tempo de chacinas em ritmo industrial. A chamada 'cultura do churrasco', mola propulsora da crueldade no agronegócio, tornou-se instituição nacional, apesar dos grandes latifúndios que poderiam ser utilizados no plantio de vegetais e grãos capazes de suprir as necessidades alimentares humanas. E pensar que, mesmo assim, gente ainda morre de fome no Brasil e em várias partes do mundo. Queremos o fim de tanta miséria.

A história das lutas pela libertação, ao superar as barreiras do preconceito, demonstra que os grandes movimentos de transformação social começaram sempre com pequenos gestos libertários e idéias de alguns raros e loucos que ousaram sonhar. Sabemos que todo movimento de quebra de paradigmas passa por três fases, na seguinte ordem: ridicularização, tolerância e aceitação. Em que fase estaremos? Quero crer que na fase intermediária, caminhando para uma libertação que esperamos se concretize no futuro.

Ainda próximo de nosso tempo, na India, um líder pacifista clamou por piedade por todos os animais vítimas da tirania humana, certo de que eles não têm forças para nos resistir. Esse homem, chamado Mahatma Ghandi, morreu assassinado pelas mãos da intolerância. Pena que em nosso tempo ainda não se conhece o verdadeiro significado da Ética, porque interesses humanos dos mais diversos desnaturam esse conceito a ponto de transformá-lo em uma palavra vazia de sentido.

Outra grande personalidade do século XX, que cantou o amor ao imaginar um mundo mais pacífico para todos, também não resistiu ao treslocado gesto reafirmador de uma cultura permeada pela violência. Morto John Lennon, suas canções viverão sempre dentro de nós.

Assim escreveu o sociólogo Roberto Gambini, ao refletir sobre a condição dos animais inseridos em nosso perverso sistema antropocêntrico:

"Sem defesa, sem voz e sem protesto, os animais vão sumindo, um a um, abatidos, baleados , encurralados em becos sem saída, banidos até os limites dos campos habitáveis. Antes que tudo se perca, é necessário acordar do pesadelo para que possamos continuar sonhando. Trabalhar com o inconsciente, compreender a verdade profunda dos instintos e da alma, perceber a presença do divino dos olhos de um animal. Essa talvez seja a última utopia pela qual ainda possa valer a pena dedicar uma vida de estudo e trabalho"

Aprendemos, afinal, que há uma essência única entre todos os seres vivos, que a inteligência não é privilégio da espécie humana, tampouco a capacidade de experimentar dores e sofrimentos. Aprendemos também, com Cesare Goretti, autor do pioneiro ensaio jurídico intitulado "L'animale quale soggeto di diritto", que "o homem possui, a um só tempo, deve legal e moral para com os animais".


Já para Piero Martinetti, segundo os comentários de Alessandro di Chiara no prefácio de 'Pietá verso gli animali", "a dor dos animais assim como o sofrimento dos inocentes testemunha o mistério da existência e ao mesmo tempo revela o aspecto trágico da realidade, na qual o problema do mal confirma a maldade e a aparência do mundo fenomênico. Diante dessas insuperáveis dificuldades que assinalam a vida, Martinetti propõe uma moral superior, na qual a justiça e a caridade orientem o homem além de uma Ética baseada em um fundamento religioso. Por esse motivo, a piedade representa, para ele, o verdadeiro símbolo da união que deve ocorrer entre o homem, a natureza e os animais".

Grandes filósofos dos direitos animais surgiram em nosso tempo. O primeiro, Peter Singer, ampliou o princípio da igualdade de interesses; o segundo, Tom Regan, atribuiu direitos a todos os sujeitos-de-uma-vida; o terceiro, Gary Francione, mostrou os fundamentos abolicionistas da verdadeira libertação. Os direitos animais, aqui no Brasil, encontram sua maior expressão no trabalho filosófico de Sônia Felipe, cujos alunos têm a missão de levar nossa causa para o futuro.

Porque acreditamos em mudanças, porque não queremos mais compacturar com a mentalidade especista que está impregnada em nossa sociedade e porque sabemos que se trata de uma questão de justiça, decidimos enfim nos reunir. De 1 a 4 de maio de 2008, em um ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacifico, ao Sul do Equador, em um sítio de uma pequena cidade do interior paulista, aqui estamos todos juntos para traçar os rumos do movimento abolicionista em favos dos animais.

Buscando sonhar novas utopias, em um país ainda debutante no exercício das liberdades, começamos a articular um movimento capaz de ultrapassar nossa última fronteira ética e, assim, reconhecer em plenitude os direitos dos animais. Ousamos lançar ao solo as sementes de uma nova conciência e juventude, para que no futuro elas frutifiquem em favor de todos os seres vulneráveis que precisam de nossa ajuda. Cada participante deste encontro torna-se, assim por dizer, um semeador.

Sabemos que o caminho para a libertação animal não está nos discursos na ONU, nem nos tratados ou convenções internacionais, nem nas leis positivas que traduzem – clara ou dissimuladamente – intenções humanas egoístas. Depende, sim, de mudanças interiores. Isso explica porque a Ética e a Moral , como atividades de reflexão, precisam estar sempre acima do Direito. E o Direito não deve ser considerado como mero instrumento de controle social, que garante interesses particulares e divide bens, mas um caminho para a retidão, para a virtude, para a solidariedade, para a paz. Sem o reconhecimento dos direitos animais, a justiça torna-se injusta.

Amigos do futuro, nestes tempos de perplexidade e de indiferença pela vida, faço questão de ressaltar que há dissidentes no sistema, pessoas que ousaram desafiar o modus vivendi, que ainda têm a capacidade de acreditar em mudanças e que, dia após dia, lutam por elas. Podemos dizer que, em meio a este tempo de incertezas, ainda há quem expresse seu inconformismo em face à barbárie institucionalizada perante a qual a maioria das pessoas permanece cega, surda e muda.

Por isso quero deixar registrado, nesta carta, a alegria de conhecer gente que ainda tem a capacidade de se indignar. Este auditório, repleto de idealistas, vegetarianos, veganos e ativistas, é a maior prova disso. Todos os participantes deste célebre encontro tornam-se fundamentais no atual momento político. Que no futuro, não muito distante, sejam colhidos os frutos desse trabalho. George Guimarães, ativista pelos direitos animais e organizador do 1º ENDA, é uma dessas pessoas. Porque sua luta é toda ela empenhada à causa dos animais, uma causa digna, uma causa justa, uma causa que talvez represente a última das utopias pelas quais se vale a pena viver.

Provavelmente todos o que se reuniram aqui, nestes dias frios e chuvosos, têm um ideal comum: decretar o fim da exploração dos animais. Inconfidentes contemporâneos, não apenas inconfidentes mineiros, mas inconfidentes paulistas, baianos, catarinenses, cariocas, goianos, paranaenses, cearenses, gaúchos, capixabas, enfim, representantes de todo o país em busca de tempos melhores para os animais.

Por isso ora reafirmamos, ao presente e ao futuro, o nosso ideal de buscar mudanças, mudanças tão necessárias quanto urgentes, na esperança de que todos possam um dia viver em paz, compartilhando um mundo menos cruel e menos injusto.

Como mensagem de despedida aos nossos pósteros, evoco uma frase do grande militante revolucionário do século XX, um homem que percorreu a América com seu sonho de liberdade e que, a exemplo de outros grandes mártires do nosso tempo, perdeu a vida em prol de seus ideais.

Seu nome é Ernesto Che Guevara: "Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros".



Porangaba, 04 de maio de 2008.


Laerte Levai"

Palestra proferida pelo promotor de justiça Laerte Levai durante o Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA), em Porangaba, São Paulo, em 4 de maio de 2008 (leia mais em: www.veddas.org.br/enda ).

segunda-feira, 26 de maio de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Entenda a diferença entre o abolicionismo da escravidão animal e o bem-estarismo

Esta mensagem foi escrita para o prezado Eduardo Hegenberg, na lista abolicionistas, mas pode ser para você também, caro leitor.

A diferença entre os abolicionistas e os bem-estaristas está neste ponto:

- Os abolicionistas acham que não é correto usar animais como escravos para o que bem entendermos e desrespeitá-los em sua individualidade e interesses; a idéia principal é que animais não são objetos, mercadorias ou propriedades.
- Os bem-estaristas acham que é correto usar animais como escravos, mas para eles durarem mais; e para sua exploração ser mais eficiente, é preciso ter certos cuidados, assim como você precisa fazer manutenção no seu carro de vez em quando.

É entre estas idéias que você precisa se decidir. É como diz Tom Regan: "Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias."

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Mas compreendo o que você quer dizer sobre união e isolamento. Eu também já tive esta intenção de que as frentes se unissem, até que pude compreender melhor a falha nesta estratégia. Se abolicionistas aceitam apoiar bem-estaristas, o que vai acontecer? Vão dar a entender que aceitam que animais, se menos mal-tratados, sejam usados como escravos. E não queremos passar esta mensagem de maneira alguma.

Há também o grande problema do tempo, que é precioso e LIMITADO para cada um de nós. Se você tem, em um dia, digamos, 1 hora para agir em defesa dos animais, em que você vai investir? Vai procurar difundir a idéia de que animais deveriam ser menos maltratados ou vai procurar difundir a idéia de que animais não devem ser escravos dos humanos? Ou pode ainda dividir seu tempo, claro. Mas a força da sua mensagem vai também se dispersar.

Outra coisa: não é significativa a redução de "maus tratos" para que isto um esforço válido. Vamos comparar com um escravo humano, há um ou dois séculos. Será que vale a pena ficarmos insistindo em que o senhor dele lhe dê, ao invés de 20 chibatadas, 15 ou 10 chibatadas por dia para trabalhar? Ou é melhor insistirmos que lhe seja concedida liberdade?

É claro que, uma vez que um capanga tenha decidido por espancar ou violar uma mulher, eu vou dizer que o que este capanga está fazendo é errado, mesmo que ele tenha espancado ou a violado apenas uma vez ou várias. Simplesmente ele estará repetindo a coisa errada se fizer de novo. Assim como no caso das chibatadas no escravo, ou estupros em uma vaca, ou aprisionamento de um animal, ou sua escravidão para produzir algum trabalho forçado. É isso que deve ficar claro.

Se uma empresa adotar medidas bem-estaristas, provavelmente ela está fazendo isso para poder aumentar a sua lucratividade. E esta estratégia quem deve aplaudir são os executivos. Não nós. Ela com isso vai ter suas propriedades escravas durando mais e sendo mais produtivas; e terá algum motivo até para aumentar o preço final de seus produtos.

Assim, se os bem-estaristas querem aplaudir estes "avanços", fiquem à vontade. Mas acho melhor dedicar meu tempo para outra coisa.

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Concordo contigo de que também seja necessário pensar em reservas para abrigar os animais livres. Mas algum abolicionista disse que discorda disto? Isto é mais para longo prazo. Simplesmente, antes de pensar em reservas, é preciso convencer as pessoas de que os animais merecem respeito.

Agora, se você fosse um bicho, humano ou não humano, você não iria preferir nada se você não existisse, isto é algo que eu já disse antes. Não é uma idéia razoável? Lembre-se da idéia-chave de Descartes: "Cogito, ergo sum." => "Penso, logo existo." E o contrário também vale: se você não existe, você não tem como pensar.

Mas, uma vez que existimos, com certeza devemos ter o direito de desfrutar de liberdade, integridade física, etc. E é por esta idéia que os abolicionistas lutam. Pelos que já existem e pelos que vão existir.

Quanto aos humanos trabalhadores, você falou bem quando especificou "guardadas as devidas proporções". Mas, para ser mais correto, não dá pra falar em "proporções", quando se compara a situação dos trabalhadores humanos com os outros animais. Pois os outros animais são nossos escravos o tempo todo; nós não somos escravos. Por mais que tenhamos dificuldades no trabalho, e possamos ficar cansados, temos a liberdade de buscar educação, melhorar nossas possibilidades, e mudar de trabalho, inclusive para um com o qual temos mais afinidade; e com o dinheiro de nosso trabalho, temos a liberdade de obter coisas para satisfazer nossos interesses e dos outros.

Para finalizar: não sei de onde você tirou que as vacas vivem essa vida idílica que você mencionou...

Abs,
Maurício Kanno

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Presenciei um assassinato hoje


Hoje, no caminho para o trabalho, ouvi gritos de uma mulher, e uma movimentação de uns homens, um deles com um grande pedaço de madeira na mão. Então apareceu, correndo e desesperado, um pequeno que foi perseguido e chutado pelos sádicos e divertidos marmanjões, provavelmente se achando heróis. Com um chute, foi parar em meio aos veículos na rua; bateu numa moto e também ficou atropelado por carros que passavam.
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Era um rato, um dos seres que o ser humano mais despreza. Foi a primeira vez que pude ver um deles, ainda mais tão de perto. Seus olhos e suas atitudes assemelhavam-se a qualquer cãozinho fugindo, e também a qualquer criança humana fugindo, fragilizada.