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terça-feira, 13 de abril de 2010

BBB transforma ditador assassino de "1984" em diversão


Estou lendo, na língua original (eba!), o livro "1984", de George Orwell. Há tempos queria ler, como obra de fato clássica, consagrada. Mas não imaginava que seria mesmo tão forte e pertinente aos dias atuais.

É claro, todo brasileiro hoje conhece o programa "Big Brother Brasil", ou "BBB". Eu sabia mais ou menos que o livro inspirou esse tipo de programa, dito reality show. Mas não sabia que havia referências tão diretas.

A começar pelo nome. "Big Brother" (Grande Irmão, em tradução literal) é exatamente o nome do poderoso ditador que tudo sabe e tudo vê, no livro "1984".

Há também as câmeras. Claro, é isso o que primeiro nos vem à mente quando pensamos em reality show. Pessoas sendo filmadas o tempo todo.

Privacidade

Vamos a uma diferença:

No jogo-programa BBB, tem trocentas pessoas que se inscrevem, tanto desejando virar celebridades como querendo ganhar o R$ 1 milhão oferecido ao vencedor. Elas têm o livre-arbítrio de se submeter às câmeras.

Na sociedade descrita por Orwell, não há essa escolha. Todos são filmados o tempo todo. O protagonista até mesmo se surpreende quando encontra um cantinho que as câmeras não parecem alcançar.

(Aliás, isto me lembra uma discussão em uma disciplina de pós em Filosofia: quanto mais as pessoas exigem segurança, menos privacidade parecem ter, com as câmeras e tal. É mesmo uma tendência. Como será que essa sociedade de "1984" foi se formar, heim?)

Acusações

Outro paralelo é o de acusações e ataques mútuos. No jogo BBB, os tais paredões definem quem vai sair, quem vai ficar. Para isso, há votação do público, mas há também antes votos (negativos) entre os próprios participantes.

No livro, há também acusações, que seriam correspondentes aos "votos" negativos no BBB (no programa, pela saída dos participantes para longe do sonho milionário).

Essas acusações em "1984" são bastante estimuladas entre os cidadãos. Até crianças são habituadas a fazê-las. Um denuncia o outro, especialmente por "crime de pensamento". Há até mesmo "crime de expressão facial".

Ou seja, o cidadão precisa mostrar que concorda com tudo que está no interesse do Partido (em cujo centro simbolicamente está o tal do Big Brother), que controla tudo.

[Repare a referência direta a países como a China, Cuba, Coreia do Norte e a Rússia na época da União Soviética.]

Se o cidadão não mostrar estar do lado do Partido, de sua causa, e além disso, não se mostrar empolgado com ele, festejando junto todas as suas conquistas... Ai dele.


Vapor ou fama

Ele pode ser muito bem vaporizado. O que seria isso? Não é apenas executado, como é comum em ditaduras da vida real. A criatividade de George Orwell chegou ao ponto de fazer com que, nesta sociedade, estes indivíduos indesejados fossem realmente apagados da História.

Depois de mortos, todos os registros destes indivíduos são apagados, de modo que pareça para as futuras gerações (ou mesmo para a geração presente, já que todo mundo parece esquecer das coisas beem rápido, por força maior) que eles nunca existiram.

Imagina só: além de você perder um ente querido, ainda por cima todas as fotos e lembranças que você pudesse ter dele também devem ser dizimadas.

Por outro lado, no BBB, ao invés de os eliminados do programa serem esquecidos... Pelo contrário, eles ganham um título de nobreza: "ex-BBB". Parece coisa de barão, duque, conde, etc., não? Aqui temos isso, a pessoa entra numa categoria à parte.

Não se identifica mais a pessoa por sua profissão antes do programa.

Como a dançarina Lia ou o personal trainer Cadu ou a dentista Fernanda, ou ainda o lutador Dourado (vencedor), ou seu rival, o maquiador Dicésar, no caso da na edição BBB10.

Após o programa, serão sempre chamados pela mídia de "ex-BBB".

E isso dá as garotas, normalmente, o benefício de posar nua para revistas. Ficam lá bem registradas, cada vez mais. Para não esquecer mais. Especialmente para os meninos procurando fontes de masturbação.

Para exemplificar, temos em abril na "Playboy" a Cacau, e no mês anterior a Tessália (à qual eu estava bem mais familiarizado, já que ela começou como celebridade do Twitter).

Poder


Também há outro ponto a se discutir aqui: o poder.

O poder do simbólico e misterioso Big Brother é total. Seria ele que tudo vê e etc. Mas nunca é visto. A quem podemos compará-lo no programa de TV, que atrai a atenção de tanta gente?

Ao telespectador, é claro. O público se sente na condição de poderoso (ao menos a ideia é essa). É ele que tem o privilégio de observar cada banal e rotineiro movimento e expressão dos participantes (e poderá ver mais ainda se você pagar pelo pay-per-view). E avaliá-los.

Não há muito critério para saber quem dos participantes ganha e quem não ganha. Isso sempre me irritou, essa coisa vaga, sem critérios objetivos na competição. Mas é assim: se você agradar ao público que está te assistindo, ótimo. Viu? É parecido com o universo do livro.

Com a exceção de que as regras são bem mais liberais, claro. Há festas, bebida, música, piscina, etc. no BBB.

Sexo

Vamos falar de sexo.

É bem comum que se formem casais no BBB. Mesmo quando a pessoa tinha namorado(a) lá fora. É tudo liberado. E o que rola debaixo do edredom então, é a maior atração.

Já em "1984", você não pode casar com alguém se tiver interesse sexual na pessoa. Imagina! Não se pode imaginar sexo com outra função que não gerar novos membros para o Partido.

O protagonista da história se lembra de sua esposa deste modo: extremamente leal ao Partido, parecia uma tábua, em termos de frieza sexual. Ela frequentemente o lembrava de fazer sexo, mas com o termo "nosso dever para com o Partido". E simplesmente tirava a saia, se deitava e abria as pernas.


Passado reformulado

Um ponto que me surpreendeu especialmente no livro de Orwell é o fato de ser normal que a História seja reformulada. Constantemente. Tudo no interesse do Partido/Big Brother. E para mostrar que seu governo é sempre melhor. E todos os cidadãos deveriam adorá-lo.

Suponhamos que os impostos sejam de 10% em 2009. E de 15% em 2010. Oras, para se mostrar que os impostos caíram, e assim as coisas vão cada vez melhor, basta alterar os registros históricos (e destruir e reimprimir cada notícia em revista e jornal que mencionava o fato, não sei como, mas é o que ocorre nesse universo).

Assim, altera-se o registro de 2009, e temos arquivado que o imposto era de 20% em 2009. Oras, como agora em 2010 é de 15%, é óbvio que o imposto caiu. Assim, cada cidadão só tem mesmo é que louvar e agradecer ao Big Brother e ao Partido.

Talvez isto pareça exagerado. Mas ilustra a falta de memória crônica de todos da vida real. O esquecimento constante. Não sei se farei ligações com BBB aqui, mas talvez com os políticos? Muito óbvio, ahahah.

O fato é que eu ao menos repito sempre os mesmos erros. E pareço sempre esquecer deles. Como é difícil parar de me agradar, conformado com a situação aparentemente bacana.

Câmeras são as redes sociais



Encerro chamando a atenção a um artigo que li na revista "Newsweek". Cuidado com os seus dados pessoais na internet.

Cada vez mais nós expomos toda a nossa vida pessoal na internet. Quem são nossos amigos, o que estamos fazendo neste momento, do que gostamos, etc.

Tudo isso é registrado por redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Além do poderoso Google, é claro, que cada vez mais a tudo observa, a serviço do internauta.

A melhor metáfora da realidade mesmo é que as câmeras do BBB e de "1984" se transformaram em conexões da internet.

Essas redes sociais oferecem serviços de graça. Será que são assim tão boazinhas? Ou os seus dados pessoais valem mais do que você imagina?

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(Esta resenha foi produzida totalmente estimulada pelo Desafio Literário by Romance Gracinha. Pois é, é esse mesmo o nome, ai. Estou bem atrasado na publicação da resenha, que era pra março, por coincidência quando terminou o BBB10. Veja meu cronograma falhado.

Culpo parcialmente a Amazon, por ter demorado muuuito pra me remeter o livro em inglês. Pois é, fiz questão de ler no original, eheh.)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Gincana Musical Seriada Televisiva!

Continuando a série de gincanas... Quer participar de um desafio musical seriado televisivo? Sim, assim como tivemos nesta semana passada a gincana musical dos desenhos animados, agora é a vez das séries de TV!

Até o dia 16 de dezembro, ou seja, daqui a um prazo de 1 semana, você pode concorrer a um fabuloso retrato desenhado de uma foto sua, ou de quem você quiser! Basta acertar o maior número de trilhas musicais de séries de televisão que você puder, disponíveis nesta página do Portal Universia: http://www.universia.com.br/play/seriesdetv.jsp

Para se inscrever, basta comentar aqui qual foi sua pontuação (porcentagem de músicas que acertou) e também quais foram as músicas que você adivinhou (só os números delas!), além de mandar e-mail para mauricio@kanno.com.br , falando quais foram as músicas! (Pois, se a pessoa já colocar aqui, as outras pessoas que não ouviram ainda não vão ter a chance de tentar lembrar... Ah, pra facilitar, por favor ponha no título algo como "Gincana Musical Seriada de TV")

Meu resultado

Eu fui bem pior que quando tentei acertar os desenhos animados... Tinha acertado 15 animações, agora acertei só 8 séries de TV dos 50 (16%)... De fato, não tenho muito costume de assistir televisão. Foram estas: 1, 4, 12, 18, 22, 37, 38 e 39.

Comentários extras:

A 1 acertei no chute, pois nem vi essa série que todo mundo viu...

A 2 tá dando algum erro, não tá tocando...

A 11 parece música de desenho animado antigo...

A 13 não me é estranha... Parece uma série bem legal!

18 (ah.... q lindo! esta nunca poderia faltar!)

22 (uhú! obaobaoba! q bom q colocaram esta!)

A 24 não me é estranha...

Topa o desafio???

Obs.: as inscrições feitas em meu blog na rede Stoa USP também valem: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/11691.html

Obs.2: quem já ganhou na gincana anterior não pode ganhar prêmio de novo, mas pode participar por esporte!

sábado, 17 de novembro de 2007

Videoblog Animao 1: Introdução!

Oiê, este é o meu primeiro videopost do Videoblog Animao que estou começando, uma versão em vídeo que estou experimentando, para dar outra cara e novos recursos aos meus blogs: http://animao.com.br (este aqui mesmo) e http://stoa.usp.br/mauriciokanno/ (na rede Stoa da USP).



Esta é apenas uma introdução para meu videoblog iniciante, que falará sobre direitos animais, vegetarianismo, gatos, ecologia, internet, software livre, séries de TV como Heroes, animações, quadrinhos, críticas de filmes e outras obras, etc.

Espero que você goste! Teve até participações especiais (e inesperadas) de outros sujeitos!...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Piada de jornalista: "Tom de Everton?"

Puxa vida, esta é realmente uma bela anedota sobre jornalistas... vai virar "piada de jornalista", assim como tem "piada de português"... rsrsrsrs... e olha que eu sou jornalista e tenho algum ancestral português. (Se bem que, de português, que brasileiro não tem um pouco no sangue, afinal foram eles nossos "colonizadores"...?)

Reprodução do blog na Rede Stoa USP, de Tom, como é conhecido Everton Zanella Alvarenga: http://stoa.usp.br/tom/weblog/5728.html

"Uma confusão que fizeram com o nome de um amigo agora, além de minha namorada ter contado a estória para umas amigas dela no fim de semana, me fez lembrar uma confusão que uma jornalista fez no começo do ano com meu nome.

Eu estava voltando para São Paulo da Ilha do Mel, no Paraná, com minha namorada, após ter passado a virada do ano nessa ilha acampando. Tivemos que pegar um ônibus para Curitiba e um outro para São Paulo.

Com as peles douradas e mochilões nas costas, éramos turistas facilmente identificáveis. Enquanto esperávamos o ônibus para a volta, uma repórter da TV Bandeitantes nos parou perguntando se podia fazer umas perguntas para uma matéria para o jornal da Band sobre a volta das férias para o trabalho. Aceitamos.

Ela (infelizmente esqueci o nome) começou a fazer perguntas como para onde tínhamos ido, se foi possível descansar para a volta às nossas atividades, qual minha atividade etc.. A última pergunta foi, 'Como você se chama?' Acabei respondendo apenas meu apelido, explicando a origem, 'Tom, de Everton'.

Após responder todas perguntas, a repórter pediu que eu as repitisse para gravar. Tudo acertado, começou a gravação e a moça:

- "Estamos aqui com Tom de Everton para falar sobre..."

A gravação foi até o fim e ia passar no jornal da Band à noite desse dia. Pena que eu estava no ônibus e não pude gravar."

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Super-heróis jornalistas em debate

Bem, eu estava por fora nos últimos dias, e nem fiquei sabendo, mas ontem à noite houve um debate na TV Cultura sobre ética de super-heróis jornalistas, como Peter Parker e Clark Kent... Na verdade, foi devido ao marco dos 100 anos de Tintim.

Pena que não pude assistir, já que meu trabalho final do curso de jornalismo foi exatamente sobre esse tema. Se bem que não abordei Tintim (apesar de gostar), porque tinha que centrar em alguma coisa.

Bem, para quem quiser ler meu trabalho, tá aqui: http://kanno.com.br/tcc-mauricio.pdf


Não vou ficar repetindo tudo o que já foi discutido em outros blogs, mas indico os posts do Blog dos Quadrinhos do Paulo Ramos, que participou de minha banca examinadora quando me formei: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/arch2007-06-01_2007-06-30.html#2007_06-19_14_21_51-10623622-25

E também o post do Sidney Gusman, que foi um dos participantes da mesa redonda na TV Cultura: http://universohq.blogspot.com/2007/06/esses-hericos-jornalistas-sem-tica-um.html

aqui tem um resumo-conclusão de meu TCC: http://www.eca.usp.br/agaque/nucleousp/noticias_reuniao_08_06-tcc.asp

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Rádio e TV livre na ocupação da reitoria da USP

Bom, meu amigo Júlio Boaro acabou de me passar:

Rádio livre:

http://stream.paraguas.org:8000/radio.ogg

TV livre:

http://stream.paraguas.org:8000/tvlivre.ogg

mas por enquanto testei e não consegui assistir ou ouvir a nada, tá dando erro...

o julio falou q é melhor testar fora da escola do futuro, vamos ver.

e tb instalar o programa VLC.