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domingo, 5 de agosto de 2007

Peixe no aquário? Curta "A Fish with a Smile" e sinta-se aquarificado


Versão resumida (1 minuto e meio)


Versão integral (10 minutos)

Comentando

Assistindo a versão resumo deste premiado curta de Jimmy Liao, de Taiwan (ilha entre China e Japão), já dá pra pegar bem a idéia de "A Fish with a Smile" (traduzindo, "Um peixe com um sorriso"... título que para mim não tem nada a ver; mas no original taiwanês devia ter.). Pois é, a edição resumida consegue mostrar as partes essenciais sim; é até um belo exercício de síntese. Mas vale bem a pena acompanhar a versão completa, com cada um de seus detalhes sensíveis.

Basicamente, um homem que se afeiçoa muito a um peixe, e depois, colocando-se no lugar dele, se dá conta de que o animalzinho seria bem mais feliz solto, pelo oceano. É muito sensível o beijinho que eles se dão, como boa noite antes de dormir, quando o peixe ainda estava no aquário, e depois, quando já está livre. Isso mostra que a amizade, o laço entre os dois, ainda permaneceria. E é essa repetição que é tão marcante e sensível na obra.

O interessante é observar como, primeiro, é o peixe imerso no universo do ser humano, preso no aquário; no fim, é o ser humano imerso no universo do peixe, no pequeno barco.

Não há mostras pelo peixe em si de que estaria infeliz lá dentro do aquário; ele parece conformado. Quem aparece desesperado é o homem, em seu sonho/viagem dimensional, colocando-se no lugar do peixe.

E de fato, o ser humano frequentemente não percebe o que sentem os animais. Mas tem autonomia para sentir empatia por eles e melhorar suas condições de vida.

Bem, creio que foi via lista de discussão Veg Brasil que soube desta animação... Belo curta. Mas foi apenas hoje, quando resolvi realmente blogar e comentar sobre, que descobri que divulgaram somente a versão de um minuto e meio. Bem que achei que estava com cara de trailer... O original tem 10 minutos, como soube por meio de um texto no site do autor. E então pude assistir a versão completa.



Procurando Nemo

E agora, vamos sair por aí quebrando todos os aquários? É claro que não é tão simples. Seria bem possível que, logo após enfim o peixinho ganhar sua liberdade no oceano, fosse devorado por um peixão. No longa animado Procurando Nemo, aparece bem essa questão dos predadores do mar. E também aparece a questão do aquário como prisão torturante para os peixes. (Até é o peixinho capturado e preso no aquário que motiva toda a aventura pelo oceano do peixe pai.)

Repare bem a diferença: enquanto o foco de Procurando Nemo, seu ponto de vista, é dos peixes, em A Fish with a Smile o foco fica nas emoções humanas. Mas nas emoções de um ser humano se "comunicando" com o peixe, sentindo algo "comum", sentindo o que ele deveria estar sentindo.

O interessante é que ambos os filmes abordam, muito bem, esse tema delicado: como o ser humano deixa animais cativos (e confinados em um espaço reduzidíssimo) por motivos egoístas, e como isso os faz sofrer. Por mais que possa haver um laço afetivo entre humano e peixe, por que um pode ter sua liberdade e o outro não? De todo modo, o importante é chamar a atenção para tal questão.

Linguagem

Ah, claro, é importante notar como a linguagem do filme é poética, com uso bem refinado e exclusivo da música, ao invés das falas. Cada vez mais percebo a importância da música na animação e nos filmes em geral para passar a mensagem, dar o tom da narrativa. Um dos resultados é que dispensa legendas, é mais fácil para internacionalizar o filme.

Premiado

Bem, não posso deixar de mencionar que o filme foi selecionado e premiado no 56o Berlin Film Festival, na Alemanha. Mas não foi só isso; também há vários outros, como melhor animação do Skyy Vodka Short Film Competition do 29o Hong Kong International Film Festival 2005; melhor filme de Taiwan no Taiwan International Children's TV & Film Festival 2006; além de ter sido selecionado para outros festivais no Japão e em Londres, de 2005.

Ah, claro, e é um filme de Taiwan; até é interessante como no site do autor, Jimmy Liao, conta-se que ficam orgulhosos por dizer que é "Made in Taiwan", em referência a tantos produtos industrializados vendidos por aí a rodo no Brasil e em todo o mundo, de modo que a frase ficou até banal. Mas não é só isso, Taiwan também produz cultura e reflexão.

Vou citar apenas um trecho do que o autor diz em seu site: "I owned a fish that was as loyal as a dog, as considerate as a cat and as caring as a lover. She always wore a smile..." (Eu tinha um peixe que era tão leal quanto um cachorro, tão atencioso quanto um gato, e tão cuidadoso quanto um amante...)

Leia mais

Leia mais sobre liberdade animal, no caso dos gatos, em meu post Desabafo no Orkut sobre Castração de Gatos, em 21 de março. Lá, além da castração propriamente dita, o que já é restringir a liberdade deles de namorar e exercer seu direito mais natural; discuti a questão de os gatos domésticos não terem a liberdade nem de sair para passear. Tudo isso em nome de sua segurança. É um dilema que eu vivo também. Tenho dois gatos, e eles não têm a permissão de sair. Aliás, isso parece muito com a discussão sobre os pais humanos darem ou não liberdade mais cedo ou mais tarde para os seus filhos humanos saírem de casa e fazerem isto ou aquilo...

(Aliás, eu também tive um peixinho Beta, antes dos meus gatos... Ele foi o meu primeiro animalzinho de estimação pelo qual eu fui o responsável mesmo, não de família; mas ele morreu tão rápido, o Aurobindo... fiquei tão triste; viveu só alguns meses, ou um mês e pouco só comigo.)

Leia mais sobre o filme no site do autor do curta, em inglês: JimmySpa.com.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Animações Animais: The Runt, Procurando Nemo e Espanta Tubarões

Gostaria de comentar rápido algumas animações com temas de animais, tanto umas que assisti em casa, como uma que assisti hoje no Animamundi, a primeira que vi.

Depois espero detalhar. E falar mais dos outros filmes que assisti do Animamundi.

The Runt (O Pequenino): Curta extremamente duro. Dramático. Triste. Mas lindo. Há um suspense neste filme que nos faz deixa na expectativa se um menino realmente pode matar e comer seu animal de estimação. Mesmo sabendo que esse é o destino dele. Há a esperança de que ele resistirá. Mas... ... Também chama a atenção a técnica artística do filme. Nada de 3D, como os filmes longas comerciais abaixo citados. Desenho, lápis de cor, piscante, forte, bem colorido. E representação da figura humana bastante distante do "normal". Expressividade artística, com paletas diversas e sombras, impressionante.

(Filme alemão, de 2006; por coincidência, primeiro filme que assisto do Animamundi, e tem tudo a ver com meus interesses; ah, para quem puder assistir ainda, amanhã, sexta-feira, dia 13 de julho, na sala 1 do Memorial, aqui em SP, vai passar às 17 horas; a sessão é "Curtas 5".) Saiba mais.

Procurando Nemo: Ótima, retrata bem aflições animais, de peixes que tanto sofrem por predadores mais fortes, como pelo ser humano, principalmente. (Foi lançado em 2003 pela Pixar (Toy Story), mas só pude assistir agora, em DVD. Eu nem tinha idéia da profundidade do filme (esqueça o jogo de palavras...).) Saiba mais.

Espanta Tubarões: não gostei da associação do tubarão vegetariano gay, todo frufru. Ok, nada contra os homossexuais particularmente, mas os modos ridículos do tubarão vegetariano. Além disso, os personagens animais não representam de fato os animais; apenas são usados para representar algumas questões humanas mesmo, como vaidade, orgulho, etc. (Lançado em 2004 pela DreamWorks (Shreck).) Saiba mais.

Aliás, essa coisa de ser piscante (a que me referi no The Runt) parece ser característica dos filmes no Animamundi. Tudo fica piscando. Principalmente filmes europeus (bem frequentes, talvez até para compensar o predomínio em geral de animações comerciais dos EUA e do Japão). As cores ficam piscando; um formato, outro formato. Sem razão aparente.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

"Evoluciona" -> Animação chilena mostra "alimentação do futuro"



Assista: http://www.homovegetus.cl/evo.htm

Estética e técnica: flash, desenho animado, recortes brilhantes, etéreo, fofo. Outra coisa interessante é que não é necessário saber espanhol para entender o filme, sua linguagem é universal, um filme mudo, cujo único som é a trilha sonora, bastante expressiva! É outro grande destaque positivo do curta-metragem. Só gostaria de saber que música é essa...

Obs.: demora um bocadinho pra carregar, tenha paciência, é belíssimo.

Conteúdo: mostra, de maneira simples e bela, ser coisa do passado o ser humano se nutrir de animais; na animação, o ser humano do futuro, desenvolvido, racional, inteligente e civilizado, alimenta-se de vegetais. (E claro, muitos deles, como grãos e frutas, não dependem de "matar" vidas vegetais.)

(o texto a seguir entre colchetes foi inserido após comentário de Dani Matielo; e o destaque dado ao conteúdo estava maior antes)

[Atenção, essa minha conclusão acima pode parecer bastante separatista, não é verdade? Talvez 1% das pessoas no Brasil por exemplo sejam vegetarianas; meu texto do parágrafo anterior, (uma análise simples da animação) dá a entender que só este tanto é "civilizado" e "inteligente", e o resto não é, certo? Tomo cuidado para encampar menos com a idéia forte do vídeo.

De fato, assim como inteligentemente alertou minha amiga Dani Matielo (ver blog em inglês), em comentário neste post, isso soa muito intolerante. Não é possível achar que existe apenas um caminho, e que "as outras pessoas todas irão para o inferno". Ela cita ainda Oscar Wilde: "extremismo é você dobrar os esforços quando se perdeu de vista a causa". Por mais que se acredite em uma causa, é necessário muito cuidado quando se tenta propagá-la para outras pessoas. Eu estava mesmo pensando em melhorar este post, mas Dani chegou com as palavras certas.

Nunca fui de "evangelizar" ninguém; que bom que encontrei algo com que comecei a me identificar tão bem, que é o vegetarianismo; mas tudo deve ser feito com respeito ao outro. e, de todo modo, eu também não era vegetariano há meses atrás...

É só lembrar como são chatos pra burro certos religiosos, que também acreditam em sua verdade ao máximo, e querem distribuir esse bem para todos; são baseados em dogmas e o vegetarianismo tem alguns embasamentos mais científicos? ok. mas o principal do vegetarianismo é ética, que acaba sendo uma interpretação, uma maneira de pensar a vida.

Bem, de todo modo, não queremos ser chatos para os não-alguma coisa, certo? até porque, assim realmente não vão se interessar por nossas idéias e nem vão gostar de nós, certo? bem, é isso.]

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Mais sobre a produção e seus autores

Não está no YouTube, até porque acabou de ser lançada no site do Homo Vegetus: "um grupo de voluntários que lutam pela conscientização em relação à dieta vegetariana, difundindo amor e cooperação, através de meios não violentos, lúdicos e instrutivos" (em minha tradução livre do espanhol).

Eles se originaram do "Grupo Universitario de Técnicas de Meditación (GRUMETE)", um projeto gerido por Alejandro Ayala e Eduardo Pantoja, ambos estudantes da Universidad de Chile.

Mais informações, falar com Alejandro Steve Ayala Polanco . O comunicado foi de ontem, dia 28 de junho.

Soube por meio de Marly Winckler, do Sítio Vegetariano (SitioVegetariano-owner@yahoogrupos.com.br). Ela manda notícias vegs por meio de um e-grupo: sitiovegetariano@yahoogrupos.com.br; mas também há uma lista para as pessoas discutirem; aliás, discutem bastaaaante! Pudera, são quase 2000 pessoas: veg-brasil@yahoogrupos.com.br.

Esta é a mensagem original deles:

"Entretenida Animación Vegetariana - se agradecerá difusión

El equipo de Homo Vegetus estrena una divertida animación en formato flash que busca generar un minuto de reflexión a propósito de las diversas conveniencias del estilo de vida vegetariano.

Podrás verla en este vínculo, si tienes sentido del humor no te arrepentirás: http://www.homovegetus.cl/evo.htm

Más sobre Homo Vegetus en nuestro sitio web: http://www.homovegetus.cl"