sábado, 24 de abril de 2010

Poema: Bola de Gude







Um dia fui parar em Londres

Daquelas que temos na imaginação

Cheias de névoas e edifícios clássicos

Edifícios que parecem castelos --como são mesmo, eu vi!


Meus óculos ficaram embaçados com esse fog, essa neblina

Eu tentei limpar, mas não consegui.

Limpei muitas vezes, mas meus descolados óculos

Azul e laranja

Não paravam de embaçar.


Eu me lembrei que na infância,

Antes dos meus 12 anos,

Óculos não usava não.


Assim, fui depois parar na papelaria,

Daquelas da infância,

Onde a gente compra todo tipo de papel que a professora pede

Pras atividades de escola.

Eu moleque como era (e precisa ser uma criança)

Fui correndo na frente do vendedor

Derrubei a estante de papéis

E o celofane transparente caiu sobre mim também.


Assim, equipado pras minhas artes,

Não tive dúvidas, só faltava

Um doce ar de natureza.

É assim que o doce das abelhas me atraiu.

Favos de mel: é só o que vejo agora.


Natureza não existe

Só em florestas e campinas e montanhas

Minha natureza: é ser diferente

Em tudo o que puder.

É isso o que me faz autêntico,

Até uma brincadeira fora do lugar.


Nunca fui de me divertir tanto

Com jogos do tempo do papai e do vovô

Livro TV e videogame era meu costume

Em tempo de criança.


Pipa, onde está?

Voou, voou.

Bolas, onde estão?

Rolaram, rolaram.

Mas tudo para bem longe da minha mão.


Um homem no entanto não pode ficar sem

Certos instrumentos que o compõem assim.

A bola de gude que eu joguei fora

E que aparecia só em livros de história

Voltou pra bem perto de minha mente.


Sem saber como ela voltou, ou talvez estivesse sempre lá.

Como se querendo que eu lembrasse

Do meu destino de criança sapeca

Que precisa brincar até virar adulto

E não perder graça e vontade de rir.


Natureza não existe

Só em florestas e campinas e montanhas

Minha natureza: é ser diferente

Em tudo o que puder.

É isso o que me faz autêntico,

Até uma brincadeira fora do lugar.


24/04/10 – 3h26

terça-feira, 13 de abril de 2010

BBB transforma ditador assassino de "1984" em diversão


Estou lendo, na língua original (eba!), o livro "1984", de George Orwell. Há tempos queria ler, como obra de fato clássica, consagrada. Mas não imaginava que seria mesmo tão forte e pertinente aos dias atuais.

É claro, todo brasileiro hoje conhece o programa "Big Brother Brasil", ou "BBB". Eu sabia mais ou menos que o livro inspirou esse tipo de programa, dito reality show. Mas não sabia que havia referências tão diretas.

A começar pelo nome. "Big Brother" (Grande Irmão, em tradução literal) é exatamente o nome do poderoso ditador que tudo sabe e tudo vê, no livro "1984".

Há também as câmeras. Claro, é isso o que primeiro nos vem à mente quando pensamos em reality show. Pessoas sendo filmadas o tempo todo.

Privacidade

Vamos a uma diferença:

No jogo-programa BBB, tem trocentas pessoas que se inscrevem, tanto desejando virar celebridades como querendo ganhar o R$ 1 milhão oferecido ao vencedor. Elas têm o livre-arbítrio de se submeter às câmeras.

Na sociedade descrita por Orwell, não há essa escolha. Todos são filmados o tempo todo. O protagonista até mesmo se surpreende quando encontra um cantinho que as câmeras não parecem alcançar.

(Aliás, isto me lembra uma discussão em uma disciplina de pós em Filosofia: quanto mais as pessoas exigem segurança, menos privacidade parecem ter, com as câmeras e tal. É mesmo uma tendência. Como será que essa sociedade de "1984" foi se formar, heim?)

Acusações

Outro paralelo é o de acusações e ataques mútuos. No jogo BBB, os tais paredões definem quem vai sair, quem vai ficar. Para isso, há votação do público, mas há também antes votos (negativos) entre os próprios participantes.

No livro, há também acusações, que seriam correspondentes aos "votos" negativos no BBB (no programa, pela saída dos participantes para longe do sonho milionário).

Essas acusações em "1984" são bastante estimuladas entre os cidadãos. Até crianças são habituadas a fazê-las. Um denuncia o outro, especialmente por "crime de pensamento". Há até mesmo "crime de expressão facial".

Ou seja, o cidadão precisa mostrar que concorda com tudo que está no interesse do Partido (em cujo centro simbolicamente está o tal do Big Brother), que controla tudo.

[Repare a referência direta a países como a China, Cuba, Coreia do Norte e a Rússia na época da União Soviética.]

Se o cidadão não mostrar estar do lado do Partido, de sua causa, e além disso, não se mostrar empolgado com ele, festejando junto todas as suas conquistas... Ai dele.


Vapor ou fama

Ele pode ser muito bem vaporizado. O que seria isso? Não é apenas executado, como é comum em ditaduras da vida real. A criatividade de George Orwell chegou ao ponto de fazer com que, nesta sociedade, estes indivíduos indesejados fossem realmente apagados da História.

Depois de mortos, todos os registros destes indivíduos são apagados, de modo que pareça para as futuras gerações (ou mesmo para a geração presente, já que todo mundo parece esquecer das coisas beem rápido, por força maior) que eles nunca existiram.

Imagina só: além de você perder um ente querido, ainda por cima todas as fotos e lembranças que você pudesse ter dele também devem ser dizimadas.

Por outro lado, no BBB, ao invés de os eliminados do programa serem esquecidos... Pelo contrário, eles ganham um título de nobreza: "ex-BBB". Parece coisa de barão, duque, conde, etc., não? Aqui temos isso, a pessoa entra numa categoria à parte.

Não se identifica mais a pessoa por sua profissão antes do programa.

Como a dançarina Lia ou o personal trainer Cadu ou a dentista Fernanda, ou ainda o lutador Dourado (vencedor), ou seu rival, o maquiador Dicésar, no caso da na edição BBB10.

Após o programa, serão sempre chamados pela mídia de "ex-BBB".

E isso dá as garotas, normalmente, o benefício de posar nua para revistas. Ficam lá bem registradas, cada vez mais. Para não esquecer mais. Especialmente para os meninos procurando fontes de masturbação.

Para exemplificar, temos em abril na "Playboy" a Cacau, e no mês anterior a Tessália (à qual eu estava bem mais familiarizado, já que ela começou como celebridade do Twitter).

Poder


Também há outro ponto a se discutir aqui: o poder.

O poder do simbólico e misterioso Big Brother é total. Seria ele que tudo vê e etc. Mas nunca é visto. A quem podemos compará-lo no programa de TV, que atrai a atenção de tanta gente?

Ao telespectador, é claro. O público se sente na condição de poderoso (ao menos a ideia é essa). É ele que tem o privilégio de observar cada banal e rotineiro movimento e expressão dos participantes (e poderá ver mais ainda se você pagar pelo pay-per-view). E avaliá-los.

Não há muito critério para saber quem dos participantes ganha e quem não ganha. Isso sempre me irritou, essa coisa vaga, sem critérios objetivos na competição. Mas é assim: se você agradar ao público que está te assistindo, ótimo. Viu? É parecido com o universo do livro.

Com a exceção de que as regras são bem mais liberais, claro. Há festas, bebida, música, piscina, etc. no BBB.

Sexo

Vamos falar de sexo.

É bem comum que se formem casais no BBB. Mesmo quando a pessoa tinha namorado(a) lá fora. É tudo liberado. E o que rola debaixo do edredom então, é a maior atração.

Já em "1984", você não pode casar com alguém se tiver interesse sexual na pessoa. Imagina! Não se pode imaginar sexo com outra função que não gerar novos membros para o Partido.

O protagonista da história se lembra de sua esposa deste modo: extremamente leal ao Partido, parecia uma tábua, em termos de frieza sexual. Ela frequentemente o lembrava de fazer sexo, mas com o termo "nosso dever para com o Partido". E simplesmente tirava a saia, se deitava e abria as pernas.


Passado reformulado

Um ponto que me surpreendeu especialmente no livro de Orwell é o fato de ser normal que a História seja reformulada. Constantemente. Tudo no interesse do Partido/Big Brother. E para mostrar que seu governo é sempre melhor. E todos os cidadãos deveriam adorá-lo.

Suponhamos que os impostos sejam de 10% em 2009. E de 15% em 2010. Oras, para se mostrar que os impostos caíram, e assim as coisas vão cada vez melhor, basta alterar os registros históricos (e destruir e reimprimir cada notícia em revista e jornal que mencionava o fato, não sei como, mas é o que ocorre nesse universo).

Assim, altera-se o registro de 2009, e temos arquivado que o imposto era de 20% em 2009. Oras, como agora em 2010 é de 15%, é óbvio que o imposto caiu. Assim, cada cidadão só tem mesmo é que louvar e agradecer ao Big Brother e ao Partido.

Talvez isto pareça exagerado. Mas ilustra a falta de memória crônica de todos da vida real. O esquecimento constante. Não sei se farei ligações com BBB aqui, mas talvez com os políticos? Muito óbvio, ahahah.

O fato é que eu ao menos repito sempre os mesmos erros. E pareço sempre esquecer deles. Como é difícil parar de me agradar, conformado com a situação aparentemente bacana.

Câmeras são as redes sociais



Encerro chamando a atenção a um artigo que li na revista "Newsweek". Cuidado com os seus dados pessoais na internet.

Cada vez mais nós expomos toda a nossa vida pessoal na internet. Quem são nossos amigos, o que estamos fazendo neste momento, do que gostamos, etc.

Tudo isso é registrado por redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Além do poderoso Google, é claro, que cada vez mais a tudo observa, a serviço do internauta.

A melhor metáfora da realidade mesmo é que as câmeras do BBB e de "1984" se transformaram em conexões da internet.

Essas redes sociais oferecem serviços de graça. Será que são assim tão boazinhas? Ou os seus dados pessoais valem mais do que você imagina?

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(Esta resenha foi produzida totalmente estimulada pelo Desafio Literário by Romance Gracinha. Pois é, é esse mesmo o nome, ai. Estou bem atrasado na publicação da resenha, que era pra março, por coincidência quando terminou o BBB10. Veja meu cronograma falhado.

Culpo parcialmente a Amazon, por ter demorado muuuito pra me remeter o livro em inglês. Pois é, fiz questão de ler no original, eheh.)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Filme dos EUA lotado de música brasileira (e até com personagem brasileiro sedutor engraçado)




Oi!


Assisti ontem a um filme mto bacana, e "de grátis"! Foi nesta mostra na biblioteca pública Viriato Corrêa, e o lugar parece até cinema mesmo! Aprovadíssimo!

Enfim, fui com a , quem achou essa preciosidade, e o filme se chama "PRÓXIMA PARADA: WONDERLAND". É de 1998 e faz parte da produção estadunidense. A sinopse oficial segue abaixo, mas não conta o mais relevante para nós, tupiniquins:

"Além de ter perdido a esperança de encontrar sua cara metade, Erin recebe a visita de sua mãe bisbilhoteira e casamenteira. A situação piora quando a mãe, para ajudá-la, coloca um anúncio com a descrição da filha nos classificados."

Ok, mesmo sem contar o mais relevante pros brazucas, a sinopse conseguiu me chamar a atenção o suficiente pra ir até lá. Pareceu divertido, especialmente com o que negritei. Mas faltou informação, por isso a necessidade de eu blogar sobre isso.

Pois então, chega de enrolar: desde a primeira música brasileira que apareceu, fiquei muito surpreso, até pensei que fosse uma adaptação, que na versão com legendas para o Brasil colocaram a música, sei lá, que absurdo, né?

Tudo isso porque não imaginei que um filme estadunidense pudesse utilizar músicas brasileiras de trilha sonora.

Mas acontece que depois apareceu outra música brasileira, e mais outra, e mais outra. A princípio, eu, que não conheço direito nossa música (ou qualquer outra), associei o estilo com MPB clássica. Acho que havia "Garota de Ipanema", e também "Carinhoso". (Mas depois, se especifica no filme que é Bossa Nova, "algo que é ao mesmo tempo alegre e triste".)

Então, chega uma hora em que a protagonista declara para alguém que adora música brasileira, e então está tudo explicado. Outra hora, pra esclarecer ainda mais a presença de tanta trilha sonora assim, alguém conta que o bar ou restaurante ao qual ela vai a toda hora sempre toda música brasileira.

(A propósito, fiquei muito feliz também quando eu, no Japão, em um restaurante vegano (vegetariano puro, sem laticínios e ovos) lá, em Tokyo, também comecei a ouvir Elis Regina! uau! aí depois comentei com alguém do restaurante, e me disseram que a dona do lugar curte nossa música...)


Brasileiro hondurenho

Pois bem, e como se não bastasse tanto Brasil na trilha sonora, ainda por cima um personagem brasileiro (não ator) invade o cenário, com um papel especial. Ele tem muito melhor sucesso que os outros pretendentes à protagonista. Além disso, é divertido, os outros eram tão chatos. Mas também maluco, pensando nas propostas que ele faz. Mas maluco do bem, não do mal, como faziam os outros, rs. Super-romântico.

Ele acaba não sendo assim tão bem-sucedido como queria, mas não desiste e parte pra outra. mas, como a Rê percebeu, enquanto tava ainda com esperanças, ele não foi buscar outros rabos de saia não, pois não cedeu ao charme de outra mocinha antes.

assim, a imagem que fica do brasileiro no filme é: um cara bacana, divertido, engraçado, sedutor, leal, meio louco indicando aventuras!)... e além disso, lembra que "sou brasileiro e não desisto nunca!"

ah, ele tb adora usar musicas brasileiras com letras românticas pra ficar paquerando. Ele canta em "português" enrolado, aí a moça fala q não entende, e ele vai traduzindo... oh...

só é engraçado ele falar q vai voltar para São Paulo, onde ele mora, e ficar falando tanto de litoral, praias, corcovado, oferendas a iemanjá etc. rs. aqui em SP não tem nada disso! eheh.

A propósito, dá pra perceber que o ator não é brasileiro porque ele resolve cantarolar a todo momento umas musiquinhas brazucas, e pelo sotaque dá pra perceber que não é brasileiro de jeito maneira. Só gostaria de saber de que país ele é. Chutei na hora que ele fosse estadunidense, Rê que fosse argentino ou outro latino-americano.

(...) tempo para pesquisa (...)

ok, acabo de descobrir. depois de passar pelo IMDB, maior site de referência de cinema, descubro que o ator que interpreta o "brasileiro Andre de Silva" se chama José Zuñiga.

Também descubro, na ficha do ator no IMDB, que ele já trabalhou nas séries "CSI" (detetive Cavalière), "Lie to me" (detetive Molina), "Grey´s Anathomy" (Anthony Meloy), "Prison Break", "The OC"... e até no filme "Crepúsculo" (! como Mr. Molina, professor de Biologia da Bella, em uma aula em que ela está com Edward; no livro, o nome original do professor era Mr. Banner)

E, ao buscar na Wikipédia, descubro que o cara que representou o Brasil para o mundo nasceu em Honduras! ahah. (apesar de também estar registrado o cara como "american actor", ou seja, na verdade ele já deve ter vivido mtos anos nos EUA)

Você vê só, e pouco mais de 10 anos depois, o presidente expulso de Honduras Manuel Zelaya, todo com seu chapelão e botas, se instala em nossa embaixada no país dele pra tentar voltar... abusando de nossa boa vontade. mesmo assim, parece que não deu muito certo não, eheh. E pelo que li na Folha Online, ele tá lá até agora, desde setembro! isso sim, é uma comédia diplomática.


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A propósito, tem alguém que já fez uma resenha brasileira em seu blog, mais atenta à trama em si do filme do que eu: Claudia Pereira. A propósito, adorei a trama tb, bem montadinha e bonitinha, apesar de em certos momentos do meio ser bem parada!

ah, e adorei essa homenagem gratuita toda do filme para coisas do Brasil! mas bem que podiam ter pegado um ator brasileiro, oras! só não podia pegar alguém como Rodrigo Santoro, que ia ser mais galã que o galã principal do filme... [que, aliás, se encontrou com a protagonista de repente demais, a meu ver! sem preparação nenhuma pra eles, apesar de que o clima foi bem montado em termos de trama.] e não me parece que santoro ia ser tão engraçado e divertido como tinha que ser o personagem.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Minha descoberta dos românticos romances de banca


Olá.

Lá vai meu comentário/resenha sobre a leitura de janeiro de 2010 proposta pelo chamado Desafio Literário, organizado pela Vivi, do blog (ai!) Romance Gracinha.

Pra começar bem o ano (ahah), a sugestão foi ler um chamado “romance de banca”. Leia-se: Julia, Sabrina, Bianca, Mirela, etc. Até então eu nunca havia dado muita atenção para eles. Duas razões principais: parece (e é) coisa de mocinha e também parece literatura “pobre”.

No entanto, resolvi render-me à minha curiosidade científica (eheh) e fazer a leitura sim. Aliás, isto ajuda muito a compreender melhor o universo feminino, pois elas não adoram tanto este tipo de leitura?

Confesso que gostei. Gostei muito, como há tempos não apreciava leitura de livros. Talvez desde a adolescência até, quando meu índice de leitura de histórias em livros era trocentas vezes maior.

Livro com história. Sim, porque tenho lido muito mais livros teóricos do que de histórias nos últimos tempos, quando leio algum livro qualquer inteiro.

O fato foi que li, no prazo recorde de uns quatro dias após emprestados pela Rê, autora do blog O Gato Risonho, dois livros de uma vez. E somente em meus trajetos de ônibus e metrô do jornal para casa e vice-versa, tentando conciliar com a básica leitura do jornal, claro. Aliás, é impossível ler jornal em transporte público lotado, mas livrinho dá ;).

E fiquei tão curioso na leitura, que acabei na verdade adiantando em dezembro o que deveria ler em janeiro, eheh. E li dois, apesar da proposta de ler só um!

Bem, na verdade, acho que não é segredo que os livros “cult” são frequentemente chatos pra burro. É claro, não vou desistir de lê-los, eu que sempre achei tão importante esse tipo de leitura, mas... Putz, diversão e prazer são coisas muito importantes, além do intelectualismo, não?

Eu mesmo comecei a ler há um tempo atrás “Cem Anos de Solidão”, do conceituadíssimo Gabriel García Marquez... Fui até a metade de suas quase 400 páginas, mas parei. Tudo bem, era profundíssimo e cheio de recursos poéticos, genial, mas comecei a cansar. Espero voltar um dia.

Seleção dos títulos

Vamos então aos livros em si. Li primeiro “O Anel da Vida” (116 p.), de Loreley McKenzie, da coleção “Amores Eternos” (que singelo!), da Mythos Books. Em seguida, li “Lábios de Mel” (186 p.), de Deanna Mascle, este sim da mais famosa coleção “Sabrina Sensual” (uau!), editora Nova Cultural.

Os dois livros foram escolhidos, dos que me foram oferecidos, baseando-me no nível de romantismo, aventura e sensualidade que transpareciam. Para isso, a imagem da capa e a sinopse da contra-capa (ou quarta capa, nunca sei, aquela outra visível, atrás do livro), foram fundamentais.

Nada de coisa comportada, como alguns outros pareciam, estilo “família” demais.

“Lábios de Mel”

Este me chamou mais a atenção, por isso começo por ele, apesar de ser o segundo que li.

Para começar: o título super-genérico não tem nada a ver com a história, como parece ser mesmo comum para este tipo de publicação. Ok, uma única vez a mocinha da história faz a comparação com os lábios do mocinho, mas enfim...

Aliás, cumpre informar que o título original, em inglês, era “Moon Hunter”, ou seja “Caçador da Lua”. Sinto que teria muito mais a ver, porque a história trata de aventura pela floresta pelos EUA, em época de Conquista do Oeste (ou Faroeste).

Isso é algo que me chama a atenção, claro, pois fui jogador de RPG por muitos anos, por toda a adolescência. RPG: jogo em que se interpretam personagens, com ficha, números, dados, narração, e frequentes combates com seres perigosos.

A história em si é divertida, envolvente. Novelinha básica: mocinha encontrada em apuros na floresta, com sua filhinha fruto do casamento zoado com um cretino. Ela acaba conhecendo um moço protetor que faz de tudo para protegê-la, super bem intencionado. Ele parece ter apenas a nobre missão de proteger os fracos e comprimidos...

Dilemas amorosos

Mas claro, Mack, o gentil e cavalheiro mocinho da história, acaba ficando apaixonado pela moça, enquanto a acompanha até levá-la em segurança. Apesar de não querer admitir isso. E fica naquele vai-não-vai.

O moço fica no dilema de querer apenas cumprir sua missão de proteção, tentando se recuperar de um passado dele, em que teria falhado vergonhosamente. Além disso, ele preza muito sua vida independente para formar laços com qualquer mulher que seja.

Acho que este é um ponto bem importante: de fato os rapazes costumam enfrentar este dilema mesmo: sua independência e liberdade versus envolver-se (até que ponto?) com a garota que mexe com eles?

Mas a mulher que ele acompanha (e cuida dos ferimentos dele, além de também ajudá-lo contra uns selvagens que aparecem, pois ela é durona mesmo!) é cada vez mais irresistível para ele.

Por seu lado, a moça, Rebeca, só queria saber de cuidar de sua filhinha. Depois de sua experiência anterior horrível, não quer mais nunca saber de homens. Apenas tolera o tal Mack para seguir protegida pela floresta até algum lugar mais seguro.

Mas ela acaba ficando balançada, enfim. A história ondula entre as dúvidas amorosas dos dois protagonistas. Foi uma novelinha e romance (no que se trata de amor, claro), gostosa de acompanhar. Inclusive há de fato trechos picantes, eheh. Interessante esse tipo de narrativa com detalhes e descrições do percurso amoroso. Não conhecia, mas hiper-aprovei, apesar dos exageros caricatos às vezes.

"O Anel da Vida"

Bem, se citei no fim “exageros caricatos” para o outro livro... “O Anel da Vida” sim, é cheio deles. Tanto para a descrição dos personagens, excessivamente lindos e maravilhosos, além de suas emoções, barrocas, derramadas.

Clichês não faltam, mas sempre funcionam.

A começar, temos a Cinderela: Martha, totalmente explorada pelos irmãos e pela mãe, demônios em pessoa. Eles a exploram, o chefe da empresa também, os colegas de trabalho também.

E ela sem coragem alguma de revidar. De ter iniciativa para mudar esta situação. De exigir justiça. Uma fraca.

Mas eis que, assim como acontece nas histórias do Homem-Aranha, em que o estudante CDF e alvo de todos os bad boys da escola Peter Parker vira um fortão e ágil super-herói; ou mesmo Harry Potter, em que o também explorado pela “família” e órfão garoto vira um feiticeiro, pré-destinado a salvar o mundo dos bruxos e ser o maior de todos, mesmo ainda criança...

Algo acontece para a pobre e medrosa Martha. Ela ganha um anel (sim, o do título do livro, que agora sim tem a ver com a história, huahua). Um anel que tem o poder de dar força interior, coragem, para que a moça vença todos os seus desafios.

Bom, essa história de misticismo, esotérico, foi algo bacana que apareceu também, que também me chama a atenção, lembrando de meu histórico de jogador de RPG, em que também muita magia é obrigatória.

Mulher moderna

Um diferencial interessante para a história é que trata da vida da “mulher moderna”, que busca sua independência financeira e nos demais setores da vida (li algo assim mesmo sobre esse tipo de romance de banca em alguma matéria por aí).

Isso mesmo: mostra como, ao fim e ao cabo, ela consegue ser bem-sucedida em todos os aspectos de sua vida: não só o amoroso, como foi mais centrado o romance que li da “Sabrina Sensual”, mas também o lado profissional e familiar.

Aliás, o lado profissional é bem importante mesmo nesta história; é claro, bastante interligado com o lado amoroso e místico, até porque a mocinha da história consegue o trabalho novo via anel místico e via um belíssimo “Senhor Perfeito”, como ela o chama em pensamento.

Tem também um lado de suspense policial, mistério, que a mocinha acaba também tendo de lidar no seu trabalho, que a coloca até em perigo.

Ou seja, nisso tudo, o lado de romance “romântico” acaba sendo mais um detalhe. Mas bem derretido e caricato, com certeza.

Posso até chamar a história de bobinha, mas é divertida, curiosa, completa, e não me deixou parar de ler nem um instante, até terminar, eheheh.

Além de ter o mérito de chamar a atenção para o sucesso profissional feminino e até mesmo de fazer os leitores (e especialmente as leitoras, ahah) refletir sobre as besteiras que têm feito em sua própria medrosa vida pessoal, profissional, amorosa, etc. Neste sentido, é bem um livro de auto-ajuda sim. ;)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Desafio Literário 2010: minha lista de livros revisada

Bem, lá vai. Depois de fazer uma pesquisa inicial em busca da retomada de saborear histórias contadas em livros e lançar uma lista provisória, refinei a lista com a ajuda da , e vamos lá, segue a lista atualizada com meus objetivos literários para 2010.


Uma coisa é certa: minha lista, apesar de preservar ainda clássicos, tornou-se mais divertida e prazerosa, eheh. Creditando: esta iniciativa faz parte do Desafio Literário by RG (Romance Gracinha).

[ai, ainda não creio que participo de um desafio com esse nome..., eheh, mas vá lá, é bom conhecer mais o universo feminino... e tá sendo msm ótimo esse gás pra retomar o belo hábito pela leitura de histórias em livros que eu tinha qdo adolescente]

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JANEIRO – Romances de banca femininos, ao estilo de Júlia, Sabrina, etc.

Lábios de Mel (Deanna Mascle), da coleção “Sabrina Sensual”, editora Nova Cultural (186 p.)

O Anel da Vida (Loreley McKenzie), da coleção “Amores Eternos”, Mythos Books (116 p.)

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FEVEREIRO – Um livro que nos remeta aos contos de fada.

Lost Girls: Meninas Crescidas (Alan Moore e Melinda Gebbie)

Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] (Lewis Carroll)

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MARÇO – Um clássico da Literatura universal.

1984 [1984] (George Orwell)

Les Misérables [Os Miseráveis] (Victor Hugo)

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ABRIL – Um livro de escritor(a)Latino-Americano. Leitura inédita só para lembrar!

Ficciones [Ficções] (Jorge Luís Borges, argentino);

Juego de Niños [Jogo de criança] (Carmen Posadas)

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MAIO – Um Chick-lit, conhecido como "literatura para garotas" ou ainda "Literatura de Mulherzinha", de acordo com o blog "Lost in Chick-Lit". A autora também descreve: "são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa."

(Pois bem, lá vou eu então, novamente embarcando no universo feminino, com a consultoria da Rê de novo, rs)

Marsha Mellow and Me [Marsha Mellow e Eu] (Maria Beaumont)

Bridget Jones´s Diary [O diário de Bridget Jones] (Helen Fielding)

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JUNHO – Um livro de uma escritora brasileira.

A Paixão Segundo G. H. (Clarice Lispector)

A Caverna de Cristais (Helena Gomes)

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JULHO – Um livro adaptado para o cinema.

O Hobbit (J. R. R. Tolkien)

Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)

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AGOSTO – Um romance policial.

A Study in Scarlet [Um estudo em vermelho] (Sir Arthur Conan Doyle) - estreia de Sherlock Holmes

The Murders In The Rue Morgue [Assassinatos na Rua Morgue: e Outras Histórias] (Edgar Allan Poe) - pode ser considerada a inauguração do romance policial

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SETEMBRO – Um romance histórico.

Kyoto (Yasunari Kawabata) - Nobel de Literatura!

Xógum - A Gloriosa Saga do Japão [Shōgun {将軍} - A Novel of Japan] (James Clavell)

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OUTUBRO – Um livro que contenha uma "lição de vida". Pode ser ficção ou não-ficção.

Nelson Mandela - Leçon de vie pour l'avenir [Nelson Mandela - Uma Lição de Vida] (Jack Lang, ex-ministro da Cultura da França)

Still Alice [Para Sempre Alice] (Lisa Genova)

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NOVEMBRO – Um livro de escritor(a) de Portugal. Com a aproximação ortográfica porque não uma aproximação literária?

Caim (José Saramago)

O Evangelho Segundo Jesus Cristo (José Saramago)

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Dezembro – Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra "Coração" no título.

Inkheart [Coração de tinta] (Cornelia Funke)

Kokoro [Coração] (Natsume Soseki)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Desafio Literário: Minha Lista de Livros para 2010

A princípio, não levei nem um pouco a sério a ideia da Rê, autora de O Gato Risonho, com um tal de Desafio Literário by RG (Romance Gracinha).

Ainda mais por a lista de categorias propostas incluir livros de banca como "Sabrina" e "Julia" e até mesmo 'títulos com a palavra "coração" no meio'. É claro, é dirigido para garotas. Ah, essas mulheres!...



Mas depois percebi que daria pra enriquecer e aprender muito se eu encarasse esse desafio, e daria pra encaixar diversas obras refinadíssimas da literatura mundial e brasileira.

Aliás, adicionei um desafio a mais para mim: sempre que possível, ler as obras no idioma original!

Então, lá vai, abracei a causa. Segue minha lista provisória (calma, a ideia é só um por mês! ainda vou escolher quais deles!), após uma madrugada de pesquisa e seleção (após a menção a cada mês, segue a descrição da categoria por Vivi, a autora do desafio):

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Janeiro – Para facilitar a vida de todas, leituras rápidas para o primeiro mês do ano. O desafio é ler um Romance de Banca ao estilo da Nova Cultural, Harlequin, entre outros livros vendidos em bancas. Vale qualquer segmento, Clássico Históricos, Momentos Íntimos, Júlia, Sabrina, etc... Tenho certeza que você tem um livro na pilha esperando para ser lido. Portanto não há desculpas.

Ahah, a selecionar. Sabrina Sensual me pareceu atraente... eheh. Mas Julia ou Sabrina são clássicas demais para perder a oportunidade para conhecer.

(Trechos de matérias publicadas a respeito:

"Atualmente, a Série é composta por oito livros com periodicidades diferentes: “Julia”, “Sabrina”, “Sabrina Sensual”, “Bianca”, “Clássicos Históricos”, “Clássicos Históricos Especial”, “Bestseller” e “Mirella”. “Os lançamentos semanais como “Julia” e “Sabrina” são os que mais vendem. Depois, o preferido é “Clássicos Históricos”."

"A série Sabrina é mais romântica e com sexo light, Júlia é para a mulher madura e independente, Bianca aborda o casamento com humor, e as novas Mirella e Sabrina Sensual são mais apimentadas.")


Fevereiro – Um livro que nos remeta aos contos de fada. È baba! Nem tudo é inovação. Há muitas histórias baseadas nos contos de fadas. Patinho Feio, A bela e a fera, Cinderela...

The Complete Fairy Tales and Stories [Contos] (Hans Christian Andersen), Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] (Lewis Carroll)


Março – Um clássico da Literatura universal. Só vale aquele que você nunca leu na vida. Sabe aquela coleção em destaque na estante que está lá só para fazer bonito? È lá que você vai pescar esse.

1984 [1984] (George Orwell), Les Misérables [Os Miseráveis] (Victor Hugo)



Abril – Um livro de escritor(a)Latino-Americano. Leitura inédita só para lembrar!

Ficciones [Ficções] (Jorge Luís Borges, argentino);




Maio – Para aliviar, vai aí um Chick-lit. O mar está para peixe no que diz respeito ao gênero.

Pride and Prejudice [Orgulho e Preconceito] (Jane Austen)




Junho – Um livro de uma escritora brasileira.

A Paixão Segundo G. H., Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector)



Julho – Um livro adaptado para o cinema. O que mais há ultimamente!

Lavoura Arcaica (Raduan Nassar), I, Robot [Eu, Robô] (1950, Isaac Asimov), The Lord of the Rings [Senhor dos Anéis] (John Ronald Reuel Tolkien)



Agosto – Um romance policial. Vale os autores mais clássicos ou autores do romance “romântico” policial.

A Study in Scarlet [Um estudo em vermelho] (Sir Arthur Conan Doyle); The Murders In The Rue Morgue [Assassinatos na Rua Morgue: e Outras Histórias] (Edgar Allan Poe),



Setembro – Um romance histórico. Cá entre nós, esse gênero é o queridinho de muitas!

[Война и мир] Guerra e Paz (Leon Tolstói), [Shōgun {将軍} - A Novel of Japan] Xógum - A Gloriosa Saga do Japão (James Clavell)



Outubro – Um livro que contenha uma lição de vida. Pode ser ficção ou não-ficção. Viu como facilitei?

Nelson Mandela - Leçon de vie pour l'avenir [Nelson Mandela - Uma Lição de Vida] (Jack Lang)


Novembro – Um livro de escritor(a) de Portugal. Com a aproximação ortográfica porque não uma aproximação literária?

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caim, Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago)



Dezembro – Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra "Coração" no título.

Inkheart [Coração de tinta] (Cornelia Funke), The Tell-Tale Heart [O Coração Revelador] (Edgar Allan Poe), El Corazón Amarillo [O Coração Amarelo] (Pablo Neruda)