quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Veja como é a dia-a-dia de bezerros, vacas, galinhas e porcos

Creio que é importante para qualquer um conhecer como é o cotidiano da seleção de lindos pintinhos recém-nascidos. Bebês sendo selecionados ou jogados fora e triturados. Está a partir do trecho 6'55 (6 minutos e 55 segundos) do vídeo a seguir. Saiba mais nos tópicos descritos abaixo e escolha o que quer ver.

(parte 2 de 6)



A partir de 4'45 -> comer carne questionado, e mostra-se a sensibilidade dos animais, linguagem, capacidade social.

5'34 -> Marly Winckler fala sobre imaginário. Animais soltos, brincando. Loguinhos bonitinhos.
6'21 -> termina de falar, mostra "catação" de galinha para o abate.
6'55 -> pintinhos.
7'10 -> seleção.
7'45 -> este não tem proveito mais, tem que triturar.
8'15 -> "bastante defeituoso"; jogados fora, td dia.
8'38 -> mostrados mortos na caçamba.
8'45-> processo: jogados no lixo.

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(parte 3 de 6)



Por volta dos 30s -> diferença entre galinha ao natural e galinha em produção
2'57 -> abuso de poder de negros “sem alma” e de vacas leiteiras.
4'20 -> bezerro tentando sair da corda
7'30 -> vacas preparadas para abate
8'36 -> em fila para abate
9'10 -> chega perto da cena do tiro
9'39 -> cena hiper-chocante em que o boi olha pra gente vidrado

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(parte 4 de 6)



4'18 -> inicia cenas hiper-chocantes com cenas de morte e música -> pode deixar ir até os 5'15...

[Trechos do documentário em vídeo A Carne é Fraca, do Instituto Nina Rosa.]

Como é a dia-a-dia de bezerros, vacas, galinhas e porcos?

Indústria da vitela: carne macia, suave, que derrete na boca, o tal sofisticado baby-beef. Bezerros tirados de suas mães horas ou dias depois de nascerem. Permanentemente presos em baias individuais. Dimensões recomendadas nos EUA: 61 cm largura por 1,65 m comprimento.

Alimentação não da mãe, mas uma combinação de leite em pó sem gordura, vitaminas, minerais, açúcar, antibióticos e drogas para promover crescimento rápido. Manter sua carne a mais clara possível, para as exigências dos consumidores, significa fazê-los crescer com deficiência de ferro crônica, ou seja, anemia crônica.

Quando bezerros estão pequenos ainda e poderiam se virar, ficam presos em uma coleira, para que não se virem; sempre imobilizados. Ao natural, eles são famosos por sua vivacidade. “Todos nós já vimos os impetuosos filhotes saltitando pelos pastos espaçosos, os tenros músculos se firmando para aguentar o peso que fica cada vez maior.” As condições de seu confinamento asseguram que seus músculos permaneçam moles e fracos, para que sua carne tenha o grau de maciez desejado.

Animais se deitam sobre as próprias fezes; de pé, vacilam sobre as ripas escorregadias de madeira ou metal. Não podem se limpar, pois não podem se virar. Aprendem a ficar parados, simplesmente. Joelhos inchados.

A eles é negado tudo que lhes seja natural. Eles sofrem física e psicologicamente. Dor e desconforto por joelhos inchados, problemas digestivos e diarréia crônica; vidas de confinamento solitário e privação; nunca mamar e pastar ou esticar as pernas, aproveitar a luz do sol. E nada disso está contra a lei. E a Associação Americana dos Produtores de Vitela diz: “a produção humanitária desses bezerros é nossa prioridades.”


Criação intensiva de animais

Mito da “fazenda do velho McDonald” custa a desaparecer. (Visão bucólica com animais vivendo soltos e felizes, para a qual contribuiu muito a canção “Old McDonald had a farm”-> ensinada há muitas gerações para as crianças.) Muita gente insiste em acreditar que os animais criados nas granjas vivem em condições bucólicas. Mas não difere muito dos “vitelos”. Os sistemas de criação intensiva são a regra, não a exceção. Porcos, galinhas, gado e outros animais criados para consumo humano se transformaram em inúmeras máquinas biológicas.

Por quê? O lucro, auxiliado pelos subsídios do governo e sua política de preços, move a indústria. Afinal, o objetivo é maximizar o retorno financeiro. A criação em confinamento completo capacita uma quantidade pequena de pessoas, comparativamente, a criar centenas ou centenas de milhares de animais (no caso de galinhas poedeiras ou frangos de corte).

E para pôr o animal no mercado no mínimo tempo possível, limitam a mobilidade, manipulam seu apetite para que coma mais que o normal, estimule seu aumento de peso rápido com hormônios na sua comida.

Sem isso, sem produzir o maior peso no menor tempo possível, os granjeiros fracassam no mercado da produção animal comercial. Contra as grandes corporações e a assistência massiva do governo às multinacionais.

Por não terem direitos, aparentemente, -> a dor e as privações impostas a eles não precisam de justificativa. E por não precisar dessa justificativa, são impostas a eles em proporções muito além do que os humanos conseguem calcular.


A indústria do porco

100 milhões de porcos abatidos anualmente nos EUA. A maioria passa os 4 a 6 meses que duram suas vidas em pé ou, quando nascem, dormindo em superfícies de tela de arame. E, um pouco depois de nascerem, em barras de metal ou de concreto com espaços vazios entre elas (iniciando um pouco depois de nascerem).

Normalmente têm ferimentos nos pés e pernas, e pele em geral, nunca tratados. Ao nascer, rabos são cortados e orelhas também, sem anestesia. Ambientes super-lotados levam ao canibalismo (apesar de serem dóceis ao natural).

Porquinhos que não crescem rápido suficiente são mortos com pancadas na cabeça no chão de concreto. 70% aproximadamente têm pneumonia, ao ser abatidos; maioria com doenças respiratórias, devido ao ar cheio de amônia, poeira e pele e pêlo.

Porcas reprodutoras pesando até 180 quilos confinadas em baias de 61 cm de largura, com coleiras para se imobilizarem. Porcas são máquinas de produzir salsicha, por mais que, quando se retire os porcos do ambiente industrial, eles continuem sendo seres vivos com natureza própria. (p. 114)

Conselho dos Produtores de Porcos dos EUA: “Os produtores de porcos sempre reconheceram sua obrigação moral de oferecer um cuidado humanitário aos seus animais.”

A indústria da ave

-> em geral, galinhas (“frangos”, quando de corte); seu tratamento exemplifica a das demais aves.

-frango de corte

Veja só a distorção: ao invés de falarmos o nome de verdade, “galinhas”, não, fala-se frangos. Aí parece um bicho diferente que não conhecemos.

9 bilhões de galinhas abatidas anualmente nos EUA. Espaço médio dos galpões de criação: menor que 0,1 metro quadrado para cada animal maduro. O cruzamento seletivo produziu animais pesando o dobro em relação aos antepassados; mas seu esqueleto continua o mesmo, então é comum: “vértebras machucadas, ossos quebrados, juntas inflamadas”. E também prejudica seu sistema cardiovascular-> infartos acontecem todo dia.

Odor opressivo de amônia vem das fezes em decomposição-> vapores atacam o sistema imunológico e respiratório dos animais-> doenças dos olhos e cegueiras frequentes.
em média frangos de corte machos vivem vivem 6 semanas e as fêmeas 7 semanas, até o abate. A duração natural de suas vidas com saúde é de 12 a 15 anos -> então os frangos de corte são simples bebês no abate; sua vida curtíssima com privação crônica e sofrimento.

-Galinhas poedeiras

300 milhões de galinhas botam ovos todos os dias nos EUA. produção média anual de cada ave de 250 ovos; vida média de 2 anos.

Grande maioria das poedeiras amontoada dentro das baterias -> enorme conjunto de gaiolas de metal, umas sobre as outras. Galinhas de baixo vivem sob torrente ininterrupta de excrementos produzidos pelas de cima. No galinheiro industrial, sempre seu ambiente é superlotado. Num espaço que mal equivale ao de uma gaveta de escritório, espremem-se até 10 galinhas -> média na indústria de 7 ou 8.

poedeiras não estão anatomicamente adaptadas a ficar de pé no arame por anos; quase a metade das aves tem anormalidades nas pernas ou unhas; maioria com feridas e contusões pela fricção contra a gaiola.

“Muda forçada” comum: galinhas não ganham comida por 10 a 14 dias -> e isso faz com q 10% delas morram e podem perder até 25% do peso. -> para “encorajar” novo ciclo de postura de ovos.

Assim como bezerros machos nascidos em granjas produtoras de leite, pintinhos machos nascidos em granjas produtoras de ovos estão no lugar errado -> já que isso acontece 50% do tempo, todo ano são mortos, no mesmo dia em que nascem, uns 150 milhões de pintinhos machos. [Afinal, o natural não é galinhas e vacas produzirem ovos e leite a torto e a direito simplesmente; é terem filhos.]

como são "descartados" ou mortos? Os recém-nascidos são jogados em latas de lixo e sufocados no fundo até morrer; ou triturados vivos; sem nunca usar analgésicos, claro.

E o que diz a Associação de Produtores de Aves e Ovos dos EUA (USPOULTRY)? A entidade “sempre apoiou o tratamento humanitário dos animais”. E como é esse "tratamento humanitário"? Como é feito, como descrevemos.

A indústria do gado

-gado leiteiro

ao menos metade do gado leiteiro é criado em instalações em geral de concreto, ao qual os animais não se adaptam anatomicamente e por isso a maioria sente dor para se levantar ou ficar de pé. Os q ficam fora: boa parte nos “terrenos secos”, cercados sem capim para pastar ou cama de palha para se deitar.

Em média vacas leiteiras prenhes uma vez por ano por 3 a 4 anos, depois disso são vendidas para virar produtos de carne baratos (40% dos hambúrgueres nos mercados e restaurantes).

Pela manipulação genética e cruzamento seletivo, algumas vacas leiteiras produzem até 44 litros de leite por dia, dez vezes sua capacidade normal. Esse excesso de peso tensiona o úbere e agrava danos aos joelhos e ancas. 20% dos animais sofrem de mastite, inflamação do úbere.

Vacas leiteiras saudáveis em ambiente favorável vivem até 25 anos.

-gado de corte

35 milhões de cabeças anualmente nos EUA. Marcado a ferro quente, chifres mutilados; machos castrados, tudo sem anestesia. Comum nascer num estado, criados em segundo, e abatidos em terceiro; sem água, comida e atendimento veterinário no transporte; por vezes de centenas de km.

Maioria grande parte da vida em currais de engorda-> permanentemente exposto, sem onde deitar, exceto terra seca, lama e esterco. Natureza-> ruminantes, preferindo grama, capim e outras fibras; mas nos currais dieta é exclusivamente grãos (com fortes doses de estimuladores de crescimento) para acelerar a engorda a dar a carne o “branco marmóreo” dos cortes mais caros de carne.

Abate “humanitário”

todos deveriam ir a um abatedouro ao menos uma vez na vida.

Operações em maior escala mais anônimas, com barulho dos animais desembarcando, com mugidos das vacas, guinchos estéricos dos porcos. Os que mais resistem são os mais punidos, com choques elétricos, golpes de correntes ou pontapés.

Abate de porcos

-> conduzidos a estreito compartimento onde o atordoador dá um choque elétrico que supostamente os deixa inconsciente (mas o fato é que isso dificilmente ocorre; os inspetores são desencorajados a parar a linha, há testemunhos de que “o tempo todo os porcos entram totalmente conscientes no tanque”, como diz um trabalhador); pendurados pelas patas traseiras, são cortadas suas gargantas, sangram até a morte, submersos em um tanque de água escaldante, depilados e eviscerados...

O abate de peixes

Indústria peixe americana mata 7 bilhões de peixes ao ano. Lançados em mistura de água e gelo, sofrem até que, depois de uns 10 minutos, falta de oxigênio os deixa inconscientes... Maioria dos salmões jogados em água infusa com dióxido de carbono, doloroso para respirar. A maioria continua consciente quando seus arcos branquiais são cortados para sangrar. Há também descargas elétricas para peixes-gatos, ou usado o bastão para bater na cabeça do peixe... Ou se bate a cabeça dele em uma superfície dura, para os pequenos.

[Informações do livro Jaulas Vazias, de Tom Regan]

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Pecuária desperdiça exageradamente os recursos naturais em comparação a plantações

1) No Brasil, segundo dados do IBGE e Instituto Cepa (de técnicos de agricultura), um boi precisa de 3 a 4 hectares de terra e produz em média 210 quilos de carne, no período de de 4 a 5 anos. Neste mesmo tempo e nesta mesma quantidade de terra, colhe-se, no Brasil, em média, 19 toneladas de arroz, ou 8 de feijão, ou 34 de milho, ou 32 de soja, ou 23 toneladas de trigo.

Tomando por referência a proteína contida, por exemplo, no arroz (8%), comparada àquela encontrada na carne (18,6%), chegamos ao seguinte:
-Se criarmos boi nos 3,5 hectares e nos 4,5 anos em média que precisa para estar apto a ser consumido, teremos 39 quilos de proteína.
-Se plantarmos arroz nesta mesma quantidade de terra e no mesmo período de tempo, obtemos 1520 quilos de proteína.

2) Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:

-Feijão 11.200
-Maçã 22.400
-Cenoura 34.900
-Batata 44.800
-Tomate 56.000
-Carne 280

3) Número de litros de água necessários, na Califórnia, para produzir 1 quilo de:

Tomate 39
Trigo 42
Leite 222
Ovos 932
Frango 1397
Porco 2794
Boi 8938

Do estudo Our Food Our World, EarthSave Foundation, Santa Cruz.

[Fonte intermediária de 1 e 2: livro Vegetarianismo: Elementos para uma conversa sobre, de Marly Winkler.]

4) Estudo diz: pecuária é q mais desmata a Amazônia

04/09/07 - É a pecuária, e não a soja, a maior responsável pelo desmatamento na Amazônia. É isso o que diz um estudo divulgado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) e que vai ser utilizado como base pelo Ministério da Integração Nacional para definir o planejamento territorial na região.

"A gente fica batendo na tecla errada, esquece o efetivo responsável e acaba adotando políticas públicas erradas", afirma Julio Miragaya, autor do estudo e coordenador-geral de Planejamento e Gestão Territorial (CGPT), ligado ao Ministério da Integração Nacional. "O fantasma da Amazônia não é a soja, é a pecuária".

Fonte: Valor Online

Matéria completa: http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/valor/2007/09/04/ult1913u75305.jhtm

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Bicho também é gente, e vice-versa / Artigo no Estadão

Por Sergio Augusto, no Estadão, Suplemento Aliás
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Além de parentes nossos (Darwin explica), os animais também sofrem, sentem dor, entram em pânico e se estressam

Segunda-feira, ao anunciar o Projeto Caju, o presidente Lula lamentou ter passado a infância preferindo comer as preás que seus irmãos caçavam em vez de caju, que no Nordeste é mato. "Em algum momento da história, algum de nós cometeu um erro contra o caju." E os "erros" que até hoje se cometem contra as preás, presidente?

No mesmo dia em que Lula admitiu, en passant, que caçar e comer preás é "uma prática ambientalmente incorreta", o professor Isaias Raw, presidente da Fundação Butantã, publicou neste jornal um artigo sobre um projeto de lei, em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelecendo normas para assegurar o bem-estar animal em experiências
científicas. O artigo, polido e informativo, assegurava que a lei interromperia completamente a produção de vacinas e remédios. Outros cientistas já se manifestaram sobre o assunto, com a mesma dose de alarmismo, não raro enfiando nos que combatem o tratamento cruel imposto a animais em laboratórios a carapuça de monstros sádicos que
menosprezam a saúde pública.

Deputado

O autor do projeto é o deputado Ricardo Tripoli, que, por ser tucano, corre o risco de ser tachado de corporativista por algum cientista metido a engraçadinho. Tripoli, que só é ave metaforicamente, tem pelos bichos uma compaixão que deveria ser compartilhada por todos os seus semelhantes. Há dois anos, ainda deputado estadual, conseguiu que a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovasse o Código de Proteção
dos Animais, que proibia a realização de rodeios e a criação de animais em confinamento, como aves e bovinos. Por pressão da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), o Tribunal de Justiça do Estado concedeu liminar, suspendendo a aplicação do código, que, segundo o presidente da Faesp, traria "conseqüências nefastas" ao setor produtivo por ele representado, "como a desestabilização das
atividades e da própria economia do Estado, além do aumento do desemprego". Só faltou incluir entre as "conseqüências nefastas" do código a bancarrota de Barretos, a aceleração do aquecimento global e o aumento da violência urbana.

Claro que, se transformados em leis, os projetos do tucano poriam em risco a sobrevivência de circos, rodeios, laboratórios, avicultores, suinocultores e pecuaristas defasados, irresponsáveis e desumanos. Isso não é bom, é excepcional, já que nos atualizaria com o que nações mais civilizadas e cientificamente mais qualificadas já vêm implementando há anos.

Cientistas

A comunidade científica brasileira sabe que, aspas para o professor Raw: "muitas pesquisas vêm sendo realizadas para desenvolver ensaios que possam ser realizados sem usar animais vivos". Já há quem esteja na pista de organismos especialmente criados, imunes a dor e a qualquer tipo de estresse e sofrimento, para que camundongos, ratos,
coelhos, macacos, gatos e outros bichos possam ser definitivamente alforriados pelos sinhôs de proveta. Não são ralas as esperanças de que pesquisadores do J. Craig Venter Institute, nos arredores de Washington, por exemplo, estejam próximos de obter resultados surpreendentes, manipulando bactérias e outros organismos que poderão
tornar inútil o tão temido artigo 110 do projeto de lei de Ricardo Tripoli, que "veda o uso de animais para fins científicos quando causar dor, stress ou desconforto ao animal".

O deputado poderia fazer uma emenda ao projeto, estendendo o benefício do "tratamento digno" aos seres humanos que, por ventura, venham tomar o lugar dos animais em pesquisas científicas. É um velho sonho de muita gente: terroristas, estupradores e assassinos irrecuperáveis redimindo-se de seus crimes ajudando a salvar a humanidade no lugar de seres não-humanos que mal algum causaram aos humanos. Direitos iguais
para todos. Afinal, é isso que preconizam os paladinos da "libertação animal", aqui e ali hostilizados e perseguidos como o foram os primeiros abolicionistas, as primeiras sufragistas e os primeiros ativistas do movimento pelos direitos civis.

Chacina

Na semana retrasada, os jornais divulgaram a história (com final feliz) de um elefante viciado em heroína por traficantes de animais ativos na fronteira de Mianmar e China (aquele país que, para combater a raiva, chacinou 54.429 cães, muitos deles já vacinados). Os traficantes em questão também podiam ser trancafiados num laboratório para testes de vacinas e, em especial, resistência a drogas - com
todos aqueles que promovem rinhas de galo (abra o olho, Duda Mendonça!), brigas de cachorro, touradas, farra do boi, traficam marfim e trucidam rinocerontes para, com seu chifre, criar poções falsamente miraculosas.

Especismo

Faço essa sugestão sem o menor constrangimento, pois não padeço do que o filósofo moral Peter Singer chama de "especismo", preconceito de espécie, similar (mas não igual, esclareça-se) ao racismo e ao escravismo: uma forma de discriminação que coloca os humanos num pedestal, como os únicos repositórios de todos os valores morais, e despreza os seres de outras espécies. O fato de sermos racionais só
aumenta a nossa responsabilidade em relação às demais espécies, a nossa obrigação de termos compaixão por aqueles que, além de parentes nossos (Darwin explica), também sofrem, entram em pânico, se estressam, sentem dor - e são mais solidários do que nós.

Em 23 de janeiro de 1994, o Jornal do Brasil publicou uma reportagem cujo título (Crueldade com animais preocupa cientistas) só dizia da missa a metade. Seu subtítulo (Especialistas temem que Brasil se torne território livre para experiências já proibidas nos países da Comunidade Européia) antecipava um futuro preocupante. Treze anos se passaram e nem o mais brando projeto de lei voltado especificamente
para a regulamentação de uso de animais em pesquisas científicas, apresentado em 1995 pelo sanitarista (e então deputado) Sérgio Arouca, conseguiu emplacar.

Coelhos torturados, país atrasado

Somos atrasados em inúmeras coisas, e uma delas diz respeito aos avanços da ciência. A Fiocruz, por uns tempos dirigida por Arouca, demorou a suspender o crudelíssimo teste de irritação ocular em coelhos (teste de Draize), dispensado, havia tempo, em países mais adiantados. A quantos outros sofrimentos superados e dispensáveis não submetemos as cobaias de nossos laboratórios?

Sofrimento por luxo

O lado exclusivamente científico da questão é por demais complexo para as dimensões de um artigo. Já os demais, não. Nada justifica que, visando basicamente ao lucro e à vaidade, floresçam, infrenes, uma indústria de alimentos cuja matéria-prima é o resultado de uma sucessão de torturas e uma indústria de roupas e calçados afeita a
práticas nefandas. Agasalhos de pele animal só deveriam ser usados por esquimós. Tenho a maior simpatia pelos ativistas da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), que costumam manchar de tinta vermelha os casacos de pele das dondocas do eixo Nova York-Paris e fazer campanha contra a editora de moda da revista Vogue, Anna
Wintour, não por ela vestir Prada, mas por ser uma diaba que veste e incentiva o consumo de peles, que só nos animais são bonitas.

[Publicada no Estadão em 2 de setembro de 2007; os intertítulos são intervenções minhas. Você também pode ler o texto no site do Estadão. Saiba mais sobre o autor Sergio Augusto, jornalista e escritor.]

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Ratos: vítimas da ciência

Independente de toda discussão sobre contra ou favor de usar ratos em experimentos, encontrei uma comunidade no orkut chamada "Heróis da ciência", e quero dizer que este nome é incoerente e errado. Heróis se sacrificam ou lutam por algum ideal por iniciativa própria. Ratos não fazem isso. Eles são usados contra sua vontade. Como a maior parte dos outros animais, aliás...

É um grande sofisma cultural essa história de os animais fazerem as coisas pelo nosso bem, por sua própria vontade... Que nem nos livrinhos didáticos do primário: "a vaca nos dá seu leite e sua carne"...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Tempo de paz: pelos não humanos e por humanos asiáticos de Burma

Começando um novo mês de esperanças:

Informa Marly Winckler, diretamente da Índia: "Outubro é o mês do vegetarianismo. No dia 1o comemora-se o dia Mundial do Vegetarianismo. Dia 2 é o Dia Internacional da Não-violência (em homenagem ao aniversário de Gandhi) e também é o Dia Mundial dos Animais de Granja. No dia 4 comemora-se o Dia do Patrono dos Animais, São Francisco de Assis, e também o Dia Mundial dos Animais. O mês festivo culmina com o Dia Internacional do Veganismo, em 1o de novembro."

Ela também diz que hoje começou em Murdershwar, sul da India, o 11o Festival Vegano Internacional. E completa: "Não dá para considerar civilizado um mundo que trata os animais da maneira como os seres humanos os tratam, em todas as partes do mundo, infelizmente." Mas: "Lutar para mudar essa situacao eh preciso. Arrancar alegria ao futuro é o q nos resta."

Abaixo segue um trecho do documentário Terráqueos; pois tem coisas que a gente não sabe, mas que acontecem com certos indivíduos...



Burma

Drica Guzzi, em Londres, também me fala como conheceu um artista que estava preso em Burma (Birmânia/Mianmar), um lugar com uma situação deplorável em termos de desrespeito aos direitos humanos. Veja seu post contando sua experiência em: http://buzzine.info/content/burma-inside-out-burma-1

E o vídeo abaixo: