Mostrando postagens com marcador evolução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador evolução. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sobre a relatividade do "imprescindível" "avanço" com experimentos com animais

Olá, o amigo de Stoa Oda pediu opinião a respeito de uma reportagem da revista Fapesp sobre experimentos com animais. Então lá vai:

O pensamento dos cientistas, salvo exceções, é de simplesmente fechar os olhos para toda o sistema de dominação e exploração de que fazem parte, assim como a maioria das pessoas fecha os olhos para o sistema de exploração de animais em geral para diversos fins. Pq é mais fácil assim; assim como, no século XVIII e XIX, muitas pessoas fechavam os olhos para a escravidão e dominação dos negros no Brasil. Quando interrogados a respeito, a opinião oficial era de que, se eles fossem libertos, a economia do Brasil iria quebrar, seria uma total catástrofe!!!

Repare nos tïtulos da reportagem citada: "Sem eles não há avanço", "Experiências com animais seguem imprescindíveis, ao contrário do que dizem ativistas". Repare que palavras lindas e fortes: "avanço" e "imprescindíveis". Uau!!! Bem parecido com o pensamento do século XIX em relação aos negros!!! Sua escravidão na época também era totalmente "NECESSÁRIA" para o país!!!

Mas que tal parar para pensar um pouco? Avanço para quê e para quem e com que custo? Fazer avançar a ciência é SEMPRE necessário assim, não importam os males que nossa espécie inflija aos de outras espécies, mesmo que eles também sejam seres tão sensíveis ou mais que nós?

Tenho impressão de que essa ciência virou um novo deus que cada vez mais sobrepuja todo o respeito pelos outros. Quanto mais certos tipos de ciência avançam, menos o ser humano evolui.

Imagine se não fosse nossa espécie a ter alcançado a dominação do planeta, você concordaria que uma outra espécie mais evoluída se utilizasse de seres humanos nas pesquisas deles? Afinal, o discurso deles é que isso é "imprescindível" para o "avanço"!

sábado, 21 de julho de 2007

Educação pela evolução pacífica e ecológica

É preciso educar as pessoas sim, com certeza, mas tendo sempre em vista limites éticos e ecológicos.

quando se pensa em "educação", deve se pensar sempre em "educação para quê". não como um fim por si só. e é isso o que espero dela:

Vida

como se costuma dizer, a vida é o bem mais precioso a se respeitar. (e até por isso os hospitais não podem entrar em greve.) deste modo, a educação do ser humano deve sempre se basear no respeito à vida, mas não só do ser humano. até porque, o "pensar ecológico", significa pensar nossa relação com as demais espécies. o que esta "educação" penso que deveria ter mais como foco, menos do que um padrão tecnicista, é um de respeito pelo diferente, seja ele um ser humano diferente, seja uma espécie diferente.

Negros e animais

aliás, reparar no seguinte: durante uns séculos neste nosso país, os seres humanos negros também eram considerados outra espécie, e você podia "usá-los" como achasse melhor, comprar, vender, jogar fora, etc.

Anarquismo

Não que eu seja lá adepto do anarquismo, mas cito uma frase atribuída a Mikhail Bakunin:

"A liberdade sem o socialismo é a injustiça, o privilégio;
o socialismo sem a liberdade é a escravidão, o embrutecimento."

E é claro, interpreto essa liberdade não só para os humanos.

Uma realidade futura sem "animais de estimação" poderia até existir; mas que eles vivam em seu ambiente natural, por exemplo. Um caminho em que se acabe cada vez mais com os ambientes naturais e as vidas de outras espécies, sem respeito por elas, é simplesmente caótica para o planeta.

Hiper-população

ah, e claro; percebe-se que estamos num caminho de hiper-população e exageros... mas a tal educação (aliada à gestão pública) também deve servir para contornar isso, não para continuar nesse caminho. o próprio automóvel, e a idéia antiga de que todos deveriam ter seu próprio carro são absurdos para a coletividade, por exemplo.

(Texto publicado originalmente como resposta em meu blog na Rede Stoa USP, como resposta ao texto-comentário de Renato Callado Borges: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/4811.html.1 / Foto de meu filhotinho gato negro Hiro, tirada por Andrea Fonseca, publicada em meu Flickr)